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7 de novembro de 2026 é o primeiro dia do resto da vida de Paulo Fonseca como novo treinador do Sporting. A estreia mais logo, 8h30 em Alvalade, defronta o Moreirense. Inaugura-se assim uma nova era no reino do Leão. Há relato e análise em direto numa emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador para acompanhar essa partida depois do jornal das 8h00. A jornada 11 da Liga Portuguesa arrancou ontem. Vitória do Famalicão frente ao Arouca, golo de Paulo Moreira aos 96 minutos. João Pinto, Luís Pinto Coelho e Pedro Henriques para comentar a atualidade desportiva nesta edição de sábado de "E o Campeão é". Eu sou o Nelson Ferreira, sejam bem-vindos, muito bom dia, campeões. João Pinto, como é que olhas para o outro lado da Segunda Circular? Tu que és adepto do Benfica, e este Paulo Fonseca que chega aqui depois de uma carreira internacional cheio de vontade de fazer figura em Alvalade, até diz que ainda é possível ser campeão. Como é que olhaste para as primeiras palavras do novo técnico do Sporting e como é que antevês esta estreia de mais logo frente ao Moreirense?

Olá, bom dia. Isto é quase uma volta de aquecimento a contar, não é? Porque agora ele faz o primeiro jogo e depois para duas semanitas e depois é que volta e quando voltar é a doer. Estou curioso para saber quais são as opções nos defesas centrais. Na baliza parece que é o Silva. Depois a questão do Silas Anderson, que jogou demasiado bem para ser deixado fora. O posicionamento de Rodrigo Salazar, se vai estar mais sobre o meio, mais sobre a faixa. Portanto, há aqui uma série de opções que eu estou curioso para saber. Depois há aquelas que nós sabemos todos que vão acontecer. O Altimira vai jogar a número seis, o Luís Soares vai jogar a ponta de lança, o Fresnedo é lateral-direito e, portanto, os bons jogadores não saem. O Maxi Araújo do lado esquerdo. Portanto, estou curioso em perceber qual é o processo com que o Paulo Fonseca vai começar, se vai conseguir conciliar aquela gente toda, sendo que qualquer treinador que chega a meio da época não tem o seu plantel e tem que se adaptar ao plantel que estava, mas creio que tem muito boa matéria-prima para fazer um bom trabalho. Obviamente, espero que não faça, mas isso é porque estou mais interessado nas contas do lado de lá.

Claro. Luís Pinto Coelho, bem-vindo também, muito bom dia. Paulo Fonseca dizia mesmo que os jornalistas em Portugal não sabem como é que ele joga, não acompanharam a sua carreira. Isto é verdade? Não sabemos como é que o Sporting vai jogar na era Paulo Fonseca.

Olá, bom dia, antes de mais. Eu acho que os especialistas na área do futebol e os jornalistas que acompanham mais o futebol internacional sabem. Agora, acredito que haja vários comentadores que não estão muito a par. Por exemplo, ainda ontem ouvi na televisão a dizerem que era quase uma obrigação ser campeão no Shakhtar Donetsk. Ele quando chegou lá, o Dínamo Kiev era bicampeão. Por isso não era uma obrigação, porque nos dois anos anteriores tinha sido o Dínamo Kiev campeão. Às vezes diz-se assim algumas coisas que até se desvaloriza um bocado o trabalho de alguns treinadores, sem se perceber muito bem o que se está a dizer. Agora, eu acho que quem conhece minimamente o Paulo Fonseca sabe que é um treinador que gosta de ter bola, gosta de assumir o jogo. Tem uma ideia de jogo um bocadinho mais ofensiva do que tinha Rui Borges. Eu acho Paulo Fonseca um bom treinador, acho que é um treinador de qualidade, que fez bons trabalhos e esteve em equipas grandes, a Roma, o Lyon, são equipas de dimensão, com balneários de peso, pesados. Acho que ele fez uma boa carreira internacional. Agora o Sporting tem um bocadinho mais de exigência em termos de títulos do que esses clubes. Obviamente, vamos ver como é que ele responde, mas parece-me claramente um treinador, ao dia de hoje, mais preparado do que o Rui Borges.

Pedro Henriques, uma das declarações de Paulo Fonseca foi precisamente sobre a defesa do Sporting, não querendo ser deselegante com Rui Borges, diz que é por aqui que o Sporting tem de melhorar. É de facto na defesa que os principais melhoramentos têm de ser feitos, porque de facto na era Rui Borges foram perdidos muitos pontos com reviravoltas que deram a derrota do Sporting.

Bom dia uma vez mais. É lógico que ele tentou não ser deselegante, mas no fundo apontou um dos problemas que se sentia no Sporting, que é quando uma equipa sofre gols, a gente aponta pra defesa, mas cada vez mais o futebol é a dinâmica do coletivo e o primeiro defesa normalmente é até o jogador que joga mais à frente. E portanto, nós sabemos que o futebol mudou nesse sentido. Há 30 anos atrás tínhamos o ponta de lança só para marcar gols e a defesa para defender. Isto agora não é assim, atacam todos, defendem todos e é mais a questão da dinâmica. Eu acho que o problema maior, claro que quando sofre gols e quando se perde essas tais, ou se dá a oportunidade às remontadas que o Sporting foi dando a adversários, e este ano vários Em três jogos em que teve empates, até teve a ganhar. Naturalmente que se aponta as baterias para a questão da defesa. Não é, se calhar, com a questão de mudança de jogadores, que também, obviamente, vai haver sempre um jogador ou dois que vai perder espaço e um ou outro jogador que vai aparecer com o novo treinador. Isto é normal nas equipas, mas é sobretudo na tal dinâmica. E um aspecto para mim mais importante, que é aqui que o Sporting pode vir a fazer coisas diferentes, que é no aspecto motivacional, a parte emocional, a parte psicológica, a parte da atitude. Não estou a dizer que os jogadores não têm atitude. É um bocadinho à semelhança do que aconteceu na Taça de Portugal. Não se conseguiu passar uma mensagem para que essa atitude fosse colocada em jogo. E nesse aspecto eu acho que é isso que o Paulo Fonseca vai tentar trazer. Eu digo uma coisa, estamos a falar do Ruben Amorim. De propósito, o Ruben Amorim era um treinador de projeto do Frederico Varandas, claramente. Ganhando, perdendo, empatando, com coisas a correr bem ou mal. A gente sabe que os treinadores depois ficam agarrados à questão dos resultados. O Rui Borges nunca foi um treinador de projeto. O Rui Borges foi alguém que veio solucionar um problema na altura, mas que nunca foi visto nem pela própria direção, nem pelo próprio Frederico Varandas, embora ele tenha renovado e feito uma série de coisas, e sobretudo pelos adeptos como treinador de projeto. O Paulo Fonseca, no meu ponto de vista, já se encaixa nesse perfil do tal treinador de projeto. Corra bem ou corra menos bem, este é o treinador certo, à opinião dos adeptos, à opinião naturalmente da própria direção, para aquilo que é o projeto do Sporting, evidentemente, depois de um aspecto muito importante, é que não se joga sozinho e há adversários pela frente. E já agora, outra declaração que eu achei curiosa do Paulo Fonseca é que ele disse, vamos lá ver como é que vai correr, que vai tentar não falar de árbitros. Ok, vamos ver. E termino com o 11.

Vamos a ele.

O Paulo Fonseca diz que a malta não acompanha. É lógico, o Paulo Fonseca é que não acompanha Portugal. Se acompanhasse Portugal, sabia que existia a Rádio Observador, sabendo que à Rádio Observador nós estamos sempre atentos e acertamos praticamente no 11.

Tu, principalmente.

Não. Falta-me o resto. Mais três, menos três.

O Pedro até costuma falhar bastante. Felizmente, estamos cá nós.

Exatamente. Eu é que, com a minha humildade, que é reconhecida, deixei de pôr no nosso WhatsApp do grupo. "Ei, acertei." Já não vale a pena. Mas agora vamos lá. Eu acho que ele não vai mudar muito. Eu acho que ele se vai manter muito fiel àquilo que está para trás e por isso eu aposto em Rui Silva, e este é um aspecto importante. Eu acho que este vai ser o guarda-redes.

Tem de haver alguma mudança na baliza do Sporting.

Não, eu acho que é Rui Silva e vai ser o guarda-redes do Paulo Fonseca. Mas pronto, Rui Silva, Fresneda, Quaresma, Gonçalo Inácio, Max, Raul José, Altimira, Silvas, Silas, Anders, Djaniny, Katende, Doumbia, Yarakunda e Luís Soares. Eu aposto que ele vai ficar muito fiel a este 11 hoje.

Muito bem. João Pinto, queria também perguntar-te aqui duas questões curiosas sobre Paulo Fonseca. Não me lembro do Sporting ser treinado por alguém assumidamente sportinguista. Quer dizer, foi recentemente por Tiago Fernandes.

E Jorge Jesus.

Jorge Jesus, Augusto Inácio. Tínhamos que ir um bocadinho mais atrás. Depois também nos últimos anos uma tendência para treinadores jovens, de regresso ao banco do Sporting alguém que pelo menos é mais velho que eu, o que já não acontecia há algum tempo.

Que é a vitola. A vitola és tu.

Que é a vitola que temos, sempre que olhamos para futebol, qualquer adepto. E queria perguntar-te se isso pode ter influência nos adeptos, que de facto a contestação a Rui Borges, e qualquer contestação, começa sempre na bancada. Aqui Paulo Fonseca entra com este trunfo anímico para os adeptos também e para lhe dar aqui uma almofada de algum oxigênio.

Eu acho que o Rui Borges, ou o caso Rui Borges, é um caso muito parecido com o caso Paulo Fonseca no Futebol Clube do Porto. Tanto eu como o Luís já falámos nisso aqui. Quando o Paulo Fonseca sai do Passos Ferreira, depois de fazer uma belíssima trajetória, chega ao Futebol Clube do Porto em mudança completa, e não consegue acompanhar o passo, porque é outra realidade. Aconteceu mais ou menos o mesmo ao Rui Borges. E depois o Rui Borges ainda tem esse lado transmontano, que na imagem dele não ajudou muito. O Sporting é um clube de elite, é o clube do polo.

Achas que isso fez a diferença?

Eu acho que sim, acho que fez muita diferença. Aliás, eu no Benfica senti mais ou menos o mesmo com o Rui Vitória, em que o homem dos touros, o Rui Patrício.

Pensei que ias falar de ti por seres um burguês e o Benfica ser um clube do povo.

Eu normalmente quando faço a minha vitola é noutra. Estamos a falar de CEOs, CFOs, aí compara a minha vitola. Treinadores, não. Aquilo que tu me perguntas dos sportinguistas olharem para o banco e verem uma figura que está mais à altura das expectativas deles, se calhar sim, acho que sim, mas é tudo muito na base do parece que. Porque depois quando aparecem os resultados, isso cai tudo. O Jorge Jesus é quem é e foi um ídolo da Luz porque ganhou o que ganhou. E, por outro lado, o Juup Heynckes, que vinha do Real Madrid ser campeão europeu, foi corrido num instante. Os resultados, no fim, é que fazem as contas.

Luís Pinto Coelho, Paulo Fonseca também chega aqui numa posição de experiência internacional, o que não tinha acontecido também com os treinadores mais recentes no Sporting. Creio que foi o João Castro que aqui recordou Bobby Robson como das últimas figuras que já chega a Alvalade com certo currículo internacional. Queria questionar-te sobre isso, mas também sobre as alterações que Paulo Fonseca está a promover na própria equipa técnica e estrutura do Sporting. Imagino que, se calhar, para colmatar os índices físicos e as muitas lesões que têm afetado aquele plantel nos últimos anos.

Sim, isso é um excelente ponto, porque eu acho que cada vez mais a qualidade da equipe técnica, pondo agora aqui de parte o treinador principal, é extremamente importante. E a dada altura, pareceu-me que o Rui Borges não tinha uma equipe técnica assim tão experiente e tão capaz para um barco tão grande como era o Sporting. Isso hoje em dia é muito importante, ter uma equipe técnica com muitas valências, até porque o Rui Borges veio para um patamar completamente diferente, que é uma maior pressão, jogos três em três dias, e tudo isso muitas vezes é fundamental. E eu acho que as equipes técnicas são muito importantes, não só o treinador, que é a cabeça, obviamente. Eu ainda esta quarta-feira no Dragão, depois do jogo terminar, até comentei isso com os nossos colegas aqui da Rádio Observador, os jogadores do Porto, os que jogaram menos e os que não foram utilizados, estavam a fazer trabalhos específicos e estavam cinco pessoas da equipe técnica com eles, com quatro ou cinco jogadores no relvado. Estamos a falar de equipes técnicas hoje em dia com 12 pessoas.

Estava quase um técnico para cada jogador.

Era. Estava um sozinho com o Pietrzewski, por exemplo. Hoje em dia, a equipe técnica do Porto são 12 pessoas, penso eu. E isso é importante e pareceu-me que o Rui Borges não apostou muito nisso. Obviamente que o Paulo Fonseca tem outro mundo, treinou em três países diferentes além de Portugal, e isso também lhe dá essa capacidade de perceber e aportar ao Sporting, se calhar, outras valências que ache importantes. Que o Rui Borges, obviamente, que vinha de um contexto diferente, isso é normal. Vai ter o seu crescimento também, como o Paulo Fonseca teve. E quando chegou ao Porto, se calhar, não tinha e percebeu que era preciso outras coisas. Mas o bolo todo da equipe principal é muito importante hoje em dia.

Pedro Henriques, queria voltar aqui à defesa para olharmos um bocadinho para o caso do Gonçalo Inácio. Não é convocado para a seleção, fica fora dos escolhidos de Jorge Jesus, até também devido à entrada do António Silva, que está a fazer uma boa campanha em Inglaterra. O Debast está lesionado, juntamente com o Nuno Santos, estão lesionados há já algum tempo no Sporting. Como é que achas que estará animicamente o Gonçalo Inácio? Isto pode ser também um tônico para melhorar as suas exibições, melhorar as suas performances. Novo treinador, também fora da seleção nesta altura. Como é que olhas para esta gestão que Paulo Fonseca terá de fazer deste que é um símbolo da defesa do Sporting há alguns anos?

Em primeiro lugar, eu acho que quando há mudança de treinador, em termos genéricos, qualquer jogador, jogue muito, ou sobretudo aqueles que jogam menos, muito em termos de quantidade e de aposta, têm sempre a perspectiva que agora com uma mudança, podem ter mais oportunidades, ou pelo menos vão ter algumas oportunidades, e depois compete a maiores jogadores fazerem por isso, quer nos treinos, quer nos jogos. O caso do Gonçalo Inácio é um caso interessante, porque ele tem sido chamado à seleção, e é sempre melhor ser chamado à seleção do que não ser convocado, porque isso sabe-se que também tem impacto em termos daquilo que é o mediatismo em torno do jogador, mas o fato é que ele na seleção nunca jogou. Ou seja, quando eu digo nunca jogou, a gente olha para os últimos jogos, posso estar enganado, mas acho que não tem minutos. Portanto, foi e não foi utilizado, praticamente. Mas é sempre pior nem sequer ser chamado, nem sequer ir. E depois temos esta lógica ou dinâmica que é os jogadores muitas vezes têm que sair dos contextos em questão, o caso do António Silva é um bom exemplo, para depois serem valorizados e depois tendo oportunidades para jogar, percebendo-se que têm qualidade, muitas vezes são mais facilmente chamados. O Gonçalo Inácio não vive um momento individual dos melhores, mas também tem a ver com o reflexo coletivo do próprio Sporting. E nós sabemos que há jogadores que beneficiam muito em termos, às vezes, das suas chamadas em função do coletivo. Por exemplo, o Alberto Costa acho que pode ser um exemplo que se encaixa aí, sendo um lateral e dando soluções como lateral e sendo um bom lateral, também beneficia do fato do Porto estar, pelo menos no plano interno, e agora também com esta vitória, mas portanto, estar bem. Pronto, e basicamente para dizer que compete ao Gonçalo Inácio lutar e competir não só pela questão da chamada à seleção, mas também pela tal firmeza que no centro da defesa o Sporting tem mostrado. E eu acho, e termino com isto, que os jogadores como o Quaresma ou como o Gonçalo Inácio, nesta fase em que estão, beneficiam muito, nesta fase que ainda também estão a crescer, de terem outro tipo de centrais ao seu lado. Eu acho que o Sporting na defesa a três, tanto Quaresma como Gonçalo Inácio, crescem muito. E depois jogadores, que supostamente era aquilo que o jogador que veio do Famalicão para o Sporting ia fazer, jogadores como o Diomande, jogadores como o Coates, acho que ajudou muitas vezes a potenciar a qualidade desses jogadores enquanto centrais. Agora compete ao Gonçalo Inácio também individualmente dar essa segurança que os adeptos hoje em dia não sentem nele e depois também lutar por aquilo que possa ser uma chamada à seleção, sendo que na seleção, neste momento, acho que no contexto atual há dois centrais que são indiscutíveis como titulares e depois há ali mais dois ou três jogadores centrais, e o caso António Silva e Tomás Araújo é um bom exemplo, que estão muito mais próximos neste momento de serem também titulares na seleção do que propriamente o Gonçalo Inácio.

Muito bem. João Pinto, um rápido olhar para um assunto que vamos abordar com mais intensidade amanhã na edição de domingo de "O Campeão" é o Estrela da Amadora-Benfica amanhã às 20h30. O que esperas deste encontro? É o Benfica a ser visitante e se pode ter alguma influência no que poderá ser este jogo.

Sim. Para já espero chuva, espero vento.

Isso é outro problema.

Exato.

A Bruna vai a jogo também.

Vai a jogo. Espero um Benfica cansado, com um ciclo desde a última paragem das seleções em que só teve vitórias, mas teve muitos jogos. Parece que aquele início de julho começa a pesar nas pernas dos jogadores mais utilizados, mas é um Benfica que tem que ir atrás dos três pontos e tem que tentar por tudo conseguir os três pontos na Amadora. Portanto, como tu dizes, vamos ter tempo para falar nisso amanhã, mas acho que a recuperação dos miúdos, o acerto tático, a capacidade de saber jogar num estádio como o estádio da Reboleira e depois saber adaptar às condições que o tempo der, acho que isso vai ser fundamental para sairmos da Amadora com os três pontos.

Luís Pinto Coelho, o Porto também joga fora, vai a Guimarães, vai ao Castelo. Vitória Sport Clube Porto amanhã às 18h. É uma deslocação difícil. Historicamente, o Vitória está colado ao grupo dos grandes, mas nesta temporada uns furos um bocadinho abaixo.

Sim, mas é sempre uma equipa perigosa jogando em casa, no ambiente do Afonso Henriques, e o Porto vindo também de uma boa vitória, uma excelente vitória, mas também um jogo desgastante em termos físicos, porque o Porto só conseguiu desbloquear o jogo já perto do minuto 70. Por isso, será sempre um jogo perigoso, até porque o Vitória tem um bom treinador. Não está num grande momento este Vitória, mas é uma equipa que tem qualidade, tem jovens talentosos e jogando em casa é sempre bastante perigosa. O Porto tem que estar com o máximo atenção para não deixar escapar pontos.

Só dar conta que nesta jornada 11 ainda há, hoje à tarde, Nacional Académico de Viseu, também mais logo às 18h, Alverca casa Pia e depois o prato forte deste sábado, o Sporting Murirense com a estreia de Paulo Fonseca e emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador. Vou ao Pedro Henriques para lhe perguntar quem é o campeão deste sábado, Pedro.

Não é bem do sábado, é desta semana. Eu ainda estou em modo Gaviscon, entre Gaviscon e Reni, a digerir a saída do CR7 da seleção. Haveremos de falar mais vezes sobre isso, sobretudo agora quando viermos outra vez para o módulo de seleção. Houve uma companhia aérea, e aqui dou nota 20 a essa companhia aérea, não vou falar obviamente no nome, que retirou o lugar 7C em voos para o Funchal em homenagem ao Cristiano Ronaldo. Eu agora estou a tentar convencer a minha vizinha aqui do lado, que é o número sete, a ver se também retira a placa da porta. Mas brincando aqui um bocadinho com isto, no sentido que é um processo que iria acontecer, sabemos que sim, mas não poderia acontecer desta maneira. Portanto, ainda estou, como disse, a digerir com um sentimento que tudo poderia ter sido feito de forma diferente, por ambas as partes ou por várias partes.

Mourinho também aludiu a isso na última conferência de imprensa, quando questionado sobre isso, disse que esperava uma saída diferente quando terminasse o futebol do que esta que aconteceu com a seleção.

Dou uma nota negativa ao processo em si, não sei se é zero, se é cinco, não interessa. Eu só queria relembrar, brincando e ao mesmo tempo falando sério, com uma coisa que às vezes utilizamos estas metáforas para poder explicar às pessoas. Se eu deixar cair um copo de vidro no chão e aquilo parte-se tudo e depois eu agarro nos cacos e começar a olhar para os cacos e pedir desculpa, não resolve nada porque já não vai adiantar, eles não se vão colar e aquilo já não se torna num copo. E é este aspecto que eu acho que é relevante e importante para todas as partes e que isto também sirva de lição para todos nós e se calhar também para a federação, que é sermos proativos e muitas vezes antever aquilo que possa vir a acontecer. Para isso, temos que deixar um bocadinho às vezes as emoções, sermos um bocadinho mais racionais e uma coisa que está a faltar muito no nosso país, que é competência, ter as pessoas competentes nos sítios certos, nos lugares certos. E acho que a federação neste momento, com vários dossiês e vários problemas que tem às costas, este é mais um deles, não jogar no Estádio da Luz é outro, a saída do Duarte Gomes, tudo o que está a acontecer com a arbitragem em Portugal, mas de qualquer maneira nota claramente negativa para este processo. E estou triste, honestamente, porque queria ver o Cristiano Ronaldo a sair de outra maneira, parecido como o Messi saiu da seleção. Acho que isso é o que era bom para o Cristiano Ronaldo, mas também, sobretudo, para quem mais gosta disto tudo, que são os adeptos.

Pensei que ia se referir à companhia aérea que fez um post dizendo "finally", aquando a decisão do Cristiano Ronaldo, mas é uma quezília entre essa companhia aérea e o próprio Cristiano Ronaldo que já dura algum tempo.

Exatamente. Essa ainda vai ter problemas nos motores.

Pelo menos tem tido ameaças. Um dos assuntos que falamos ao longo desta manhã também aqui na Rádio Observador, noutros espaços. João Pinto, vou até ao campeão.

Eu vou roubar o campeão ao Luís Pinto Coelho, que é o Nuno Borges, e peço já desculpa ao Luís. Ele depois dá os detalhes, mas queria desde já dar a nota.

Se calhar o Luís vai dar uma nota ao futsal e à finalíssima.

Exatamente, eu vou lhe deixar a finalíssima para ele, mas dar aqui uma nota muito alta ao Nuno Borges.

Caiu nos quartos do Master 1000 de Paris. É a isso que te referes?

Exatamente. Realmente foi uma prova extraordinária e amostra que ele consegue estar ao nível dos melhores. E depois deixar um 20 ao Pedro Henriques, neste tom, neste discurso melancólico, nesta coisa em que o observador tem que ter sempre um fado preparado, uma Mariza, um trinar. Tem que haver um trinar. Quando o Pedro Henriques aparecer, trinem. Pode ser?

Isso vai passar em breve.

Obrigado pela solidariedade.

Luís Pinto Coelho, fechamos contigo.

Eu hoje vou estar com o Pedro Henriques e vou dar aqui uma nota 8 ao Jorge Jesus, porque se estivéssemos atentos ontem ao que foi a conferência de imprensa de Jorge Jesus, percebe-se um dos motivos porque é que chegamos aqui, que é o Jorge Jesus chega a um ponto que diz: "Eu não mudava nada da forma como tratei as coisas." Este é um dos problemas de Jorge Jesus. Quando ele antes diz que esteve mal ao colocar o Ronaldo.

O Pedro Henriques já fez essa referência também há dias, precisamente nesse trecho.

Trina, é agora.

Vá, 30 segundos, Luís.

Este lado de Jorge Jesus, que eu nunca erro, eu fiz tudo como tinha que ser feito, mas ao mesmo tempo está-se a contradizer que diz que agiu mal ali e poderia ter feito de forma diferente. Se calhar foi um dos motivos, obviamente que não desculpa depois a atitude do Ronaldo, mas foi um dos motivos de querer passar um general para fora, mas dentro agiu de forma diferente e se calhar foi por isso que o Ronaldo ficou chateado, porque a conversa interna foi uma coisa e depois veio cá para fora com outro discurso. E esse é que foi o problema de Jorge Jesus e foi o problema de Jorge Jesus ao longo da carreira.

Nota 8 do Luís Pinto Coelho. Obrigado por esta edição de "E o Campeão É". Estamos de regresso para falar de desporto. Amanhã, depois das 11h30.