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Já temos conosco o Pedro Lino para o Boa Moeda Investimento. Pedro, estamos a chegar ao final de novembro. Vem aí o Natal, altura típica em que as pessoas se lembram de fazer ou de reforçar o PPR, precisamente por causa do benefício fiscal. É a altura ideal para nós falarmos de 10 mitos sobre os PPRs. Vamos já deixar aqui uma nota: hoje falamos dos cinco primeiros e para a semana falamos dos outros cinco. Queres começar?
Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. É verdade, voltamos a este tema porque no fim do ano é quando todos os portugueses se lembram de tentar aproveitar o máximo dos benefícios fiscais, que já fizemos um programa aqui, que vão dos € 300 até aos € 400. E por isso é interessante. Mas muitas vezes quando ouvimos falar dos PPRs, os portugueses pensam: "Isso é pra reforma, é muito complicado, vou ter que ir ao banco ou vou ter que ir à gestora, depois vou ficar sem o dinheiro". Criam-se aqui alguns mitos que levam à inação. E por isso vamos tentar desmontar mesmo estes mitos.
Vamos lá.
O primeiro deles.
Mito número um.
O PPR é só pra reforma. Completamente falso. É verdade que o nome tem Plano Poupança Reforma e o objetivo, quando foi criado em 1989, era que fosse um complemento à reforma. Até porque antes não havia reformas.
Muita gente não tinha reforma. As pessoas não tinham descontado.
E isto é falso por quê? Porque o PPR pode ser usado como um investimento normal. Tem liquidez diária ou mensal, depende dos PPRs, mas os fundos PPR têm liquidez diária.
Liquidez diária, isto é, podem ser resgatados e têm muitas vezes até uma cotação.
Exatamente, a qualquer momento e a maior parte deles nem tem comissões de resgate, por isso podem aplicar num dia, para a semana, se for necessário, podem levantar e não têm qualquer tipo de penalização. E desde 2018, que a lei permite PPRs 100% ações, com exposição 100% ações. O que isso significa? Significa que não é só uma coisa pra longo prazo. São instrumentos financeiros que permitem valorizar bastante a poupança.
No fundo, é uma forma de poupança.
É uma forma de poupança e de rentabilização das nossas poupanças.
Certo.
E por isso, como eles podem ser desmobilizados, principalmente se não usufruímos dos benefícios fiscais em sede de IRS, beneficiamos à saída.
Em vez da única da reforma, também é um bom complemento de reforma, mas não é só um complemento de reforma.
Não é, exatamente.
Portanto, o mito um está desfeito. Mito dois.
Se investir num PPR, fico preso até aos 65 anos. Também não, pela razão anterior, porque os PPRs podem ser resgatados em várias situações sem penalização, caso eu tenha usufruído do IRS, por exemplo, desemprego de longa duração, minha ou do cônjuge, doença grave minha ou do cônjuge, pra prorrogar as prestações do crédito de habitação, ou depois de cinco anos das entregas em condições específicas. Ou seja, os fundos podem ter resgates diários. Como vimos anteriormente, não é só pra reforma e não, não estou preso até aos 65 anos.
Por isso mesmo. Vamos ao mito três.
Se levantar antes dos 65 anos, perco o dinheiro todo. Não, não perco o dinheiro todo. Aliás, nunca se perde o dinheiro todo. O que pode acontecer é que pode ter que devolver o benefício fiscal em sede de IRS, os € 300, € 350 ou € 400, se utilizou, porque está a levantar fora das condições da lei.
Daquelas que dissemos no mito anterior.
Exatamente. Por isso, o que o Estado diz: eu dou o benefício fiscal, mas vocês também têm que se comprometer a um compromisso. Não existindo esse compromisso, o Estado quer o benefício fiscal de volta, com uma multa. Mas quem fizer estes investimentos e não tiver usufruído, pode levantar quando quiser. O capital não desaparece, é sempre, e aliás, nem a rentabilidade acumulada desaparece.
As pessoas levantam aquilo que lá está mesmo, a valorização naquele dia.
Exatamente.
A única questão, de facto, é a devolução do benefício fiscal.
É a devolução do benefício fiscal.
Mas ninguém fica preso então até aos 65 anos.
Não.
Mito quatro.
Todos os PPRs são iguais. Falso. Há PPRs também sob a forma de fundos e sob a forma de seguros, também já vimos no programa, e são totalmente diferentes. Ou seja, o PPR sob a forma de seguro, tem capital garantido e normalmente tem associadas rentabilidades muito baixas, porque as seguradoras, pra garantirem capital, só podem investir em produtos de muito baixo risco.
Claro.
Os fundos PPR, pelo contrário, como investem em ações, obrigações, têm uma diversificação, têm um potencial também mais elevado, mas não têm capital garantido. Aqui o trade off é: eu tenho mais rentabilidade, mas não tenho tanto capital garantido. E dentro dos fundos, há perfis mais conservadores, moderados, dinâmicos, com 100% ações. Ou seja, há uma panóplia de escolhas que as pessoas podem optar, dependendo do seu nível de risco. Eu não quero perder muito. Muito bem, tem um PPR mais conservador, que investe em obrigações. Eu quero valorizar as minhas poupanças e tenho um horizonte temporal longo, 100% ações.
Certo. Portanto, as pessoas devem escolher em função do seu horizonte de investimento e de poupança.
Exatamente.
Muito bem. Mito cinco, que é o último de que vamos falar hoje.
Os PPR não rendem nada, rendem pouco. Depende. É verdade que os PPR sob a forma de seguro rendem pouco, sim. Mas por quê? Porque, como vimos anteriormente, se são de capital garantido, só podem investir em produtos com baixíssimo risco.
E baixa rentabilidade.
E baixa rentabilidade. Não podemos esperar rentabilidade, porque isso seria arriscar mais. Mas nos PPR sob a forma de fundos, nomeadamente ações ou os fundos mistos, as rentabilidades podem ser muito superiores e têm sido, a longo prazo.
Podem chegar aos dois dígitos, até.
Até podem chegar aos dois dígitos anualmente. A longo prazo, eles têm chegado numa média, podemos falar entre 7 a 8%. Podem chegar a isso.
Podem ganhar nuns anos, perder nos outros, mas no tal longo prazo, que é aquilo que importa, eles têm essas rentabilidades.
10, 20 anos, têm essas rentabilidades médias.
Que são quase imbatíveis, de alguma maneira.
Que depois acabam por ser imbatíveis. Nós não costumamos pensar a 20 anos e pensamos: se há um ano mal, então isto acabou tudo, as pessoas entram logo em pânico. Não, lá está, isto é pra longo prazo e sendo assim, então o que nós temos que pensar é que se o PPR rende pouco, eu posso sempre mudar também de PPR, mas sabendo que existem opções aos PPRs sob a forma de seguro, que são os PPRs sob a forma de fundo.
Resumindo os cinco mitos que falámos esta semana.
Então, não é só pra reforma, não fica preso, não perde o seu dinheiro, não, os PPRs não são todos iguais e sim, os PPRs podem render e podem render muito. Os PPRs são uma ferramenta muito poderosa pra dar estabilidade financeira às famílias e pra preparar o futuro. O problema normalmente não são os PPRs, é a falta de educação que as pessoas têm e de informação.
Para entenderem o produto.
Para entenderem o produto e as alternativas. É a literacy financeira que é o que tentamos trazer todas as semanas.
Todas as semanas e vamos continuar para a semana. Vamos continuar então com os outros cinco mitos dos PPRs. Ficamos então por aqui esta semana, Pedro. Até à próxima semana.
Obrigado a todos. Bom fim de semana.