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Já está connosco o Pedro Lino para o "Boa Moeda Investir". Pedro, falámos já de ações, falámos de obrigações. Hoje é o dia de fazer o confronto, se quisermos, direto entre os dois tipos de títulos que mais se fala. Antes de mais, o que é uma ação e o que é uma obrigação? Vamos imaginar que é a mesma entidade que está a emiti-las, uma empresa que emite ações e emite obrigações. O que é que são uma e outra?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. Nós vimos já os conceitos do que são obrigações e ações e imaginando que uma empresa emite ações, no fundo, eu estou a tornar-me sócio dessa empresa.

Quando compras uma ação.

Quando compramos uma ação, ou seja, tenho direito a participar nos resultados, na valorização da empresa, nas assembleias gerais para eleger até os novos corpos sociais. Ou seja, eu sou como um sócio passivo, porque não estou todos os dias na empresa, não sou gerente, não tenho essas responsabilidades, mas participo na evolução da empresa em termos de capital. A questão das obrigações, se uma empresa também, essa mesma empresa emitir obrigações, eu também posso ser obrigacionista, ou seja, eu posso ser acionista e obrigacionista ao mesmo tempo.

E nesse caso?

Nesse caso, eu estou a participar no financiamento que a empresa precisa.

Estás a emprestar dinheiro à empresa.

Estou a emprestar dinheiro à empresa e estou a receber um juro por isso.

Sem qualquer perspectiva de participar nos lucros ou nas perdas.

Exatamente.

Ou participar na vida da empresa, nas assembleias gerais e por aí fora.

Exatamente. Ou seja, há aqui uma diferença grande entre as ações e obrigações, é que enquanto as ações eu tenho um maior risco porque estou sujeito à valorização e estou na expectativa de que a empresa valorize, no caso de ser um obrigacionista, ter dívida das empresas, o que eu estou à espera é que ela me continue a pagar o rendimento, que são dos juros. E por exemplo, eu posso ser um acionista e obrigacionista e se por acaso uma empresa falir, as obrigações têm direito de preferência face aos acionistas.

Ao capital.

Ao capital.

O que faz sentido.

O que faz sentido.

Porque os acionistas, de alguma forma, também podem ser corresponsáveis pela vida da empresa, não é?

Exatamente.

Portanto, no fundo, estão a perder dinheiro, uma coisa que eles também tinham responsabilidade, que é ajudar a gerir a vida da empresa.

Sim, e assumem mais risco. No caso das obrigações, da dívida, ela é a primeira a ser paga. Primeiro até ao Estado, à Segurança Social, etc. Mas depois vêm os detentores de dívida, porque esses não estavam diretamente no dia a dia da empresa e emprestaram para projetos de investimento, para fazer o refinanciamento de dívida ou o que fosse, e o que queriam era o juro. Por isso, como têm menos responsabilidade, têm maior direito de preferência relativamente aos acionistas.

Muito bem. Vamos agora olhar para risco e volatilidade. Já percebemos como é que um e outro título ganham dinheiro. Depois há também o risco e a volatilidade que são associados àquilo que são as cotações, a evolução das cotações de uns e de outros.

Sim. No fundo, as ações são mais voláteis, por quê? Porque as empresas quando apresentam os seus planos de investimento, às vezes nem tudo corre bem e há um trimestre que pode ser menos bom e até estão mais sujeitas às notícias externas, por exemplo, às tarifas, às guerras alfandegárias ou a quedas do governo, por exemplo, como agora a França, o governo está outra vez quase a cair.

Gera incerteza no mercado.

Gera incerteza no mercado. E essa volatilidade é maior no dia a dia e no curto prazo. Os títulos de dívida, as obrigações, são títulos mais estáveis, que estão mais sujeitos a quê? Variam mais consoante ou o risco de crédito da empresa, se por acaso a empresa se deteriora muito em termos financeiros, ou então são mais sujeitas é à variação da taxa de juro. Por exemplo, se os bancos centrais sobem muito a taxa de juro, o preço das obrigações varia negativamente, ou seja, eu tenho uma desvalorização, porque as novas obrigações são emitidas a uma taxa de juro superior.

E a das outras está fixa.

E a das outras está fixa. A maior parte está fixa, só se houver algumas variáveis. Mas partindo do pressuposto em que estão fixas, significa que valem menos, porque toda a gente quer é as novas. Por isso existem estes riscos, que são menores nas obrigações do que nas ações. Por isso é que os investidores mais defensivos e que muitas vezes procuram proteger mais o seu patrimônio, têm uma maior exposição às obrigações, outros títulos de dívida, porque são menos voláteis do que as ações. Mas as ações a longo prazo tendem a dar mais rentabilidade.

A história mostra-nos isso, não é? Quando olhamos para índices de ações e índices de obrigações, também há.

Sim.

E comparamos investimentos para o mesmo prazo, sabemos que as ações valorizam, por regra, mais do que as obrigações.

Sim, e não tem nada a ver. Se olharmos, por exemplo, as ações da Microsoft há 25 anos, elas multiplicaram-se por 200 vezes. Se tivéssemos investido em obrigações da Microsoft, teríamos o triplo do capital. Ou seja, entre três vezes a 200 vezes.

A 200 vezes. Sim, não tem nada a ver.

Nada a ver.

São dimensões completamente diferentes.

Completamente diferentes. É verdade que também não devíamos pôr todo o investimento nas mesmas ações, e por isso há que diversificar, mas em termos globais, se olharmos para os índices mundiais de ações e de obrigações, não tem nada a ver. Estamos a falar de 20 vezes acima das obrigações. Por isso, a longo prazo, a paciência compensa os investidores mais arriscados. Lá está, quem tem mais propensão a arriscar mais, mas tem essa paciência, acaba por ser muito recompensado.

Claro, muito bem. Olhámos aqui, de forma comparativa, para ações e obrigações. Este foi o "Boa Moeda Investir" com o Pedro Lino. Voltamos para a semana.

Obrigado, até para a semana.