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Este som diz tudo, é o da Boa Moeda, Má Moeda, sempre com o Paulo Ferreira. Paulo, vamos às boas moedas?
Há uma boa moeda, sim, mais para o fim. Podemos concentrar que é uma boa moeda.
Então começamos pela má.
Vamos começar pela má hoje e vamos olhar para a Reserva Federal Americana, o Banco Central Norte-Americano, que ontem subiu as taxas em 75 pontos base ou, se quiserem, 0,75 pontos percentuais. E falo pela terceira vez consecutiva, esta amplitude é absolutamente rara. A subida é a quinta desde o início do ano e esta amplitude de 0,75 é muito rara, então três vezes consecutivas é de uma enorme raridade. Pode ter sido até a primeira vez que isto acontece na história. A taxa de referência dos Estados Unidos está agora no intervalo entre os 3% e os 3,25%, e é o mais elevado desde a crise financeira de 2008. E ontem foi avisado, quando foi feito este anúncio, que não vai ficar por aqui, portanto, os Estados Unidos vão continuar a subir taxas de juro.
Ainda vão subir mais. É lá longe, mas não é, porque isto vai certamente ter impacto também nos nossos bolsos.
Absolutamente. Levará, por um lado, logo o Banco Central Europeu também a agir e a acompanhar de alguma maneira, não na mesma amplitude, mas no mesmo sentido. Com esta subida de ontem dos juros americanos, uma consequência imediata é que o dólar sai reforçado com aumento de juros, porque as pessoas procuram moedas que tenham mais rentabilidade e a taxa de juro, no fundo, reflete a rentabilidade dos ativos de uma moeda. E portanto, havendo mais procura de dólares, o dólar sobe e o euro desce, e o BCE quer também defender o valor do euro e, portanto, também sobe os juros por causa disso. E depois há uma consequência muito mais direta para os nossos bolsos, que é: as importações dos Estados Unidos com esses movimentos ficam mais caras, porque precisamos de mais euros para pagar o mesmo dólar. Mesmo que os preços dos produtos à partida dos Estados Unidos ou de países de influência do dólar não aumentem, nós precisamos, de facto, com a quebra cambial do euro, de pagar mais e, portanto, obviamente, as importações ficam mais caras e uma parte da inflação que nós temos vivido nos últimos tempos também é importada de alguma maneira. São produtos que nós compramos lá fora que também já vêm mais caros e, portanto, obviamente, nós pagaremos isto tudo, sem qualquer dúvida.
Então, Paulo, vamos lá à boa moeda.
Uma boa moeda, vá lá, mas por más razões. Ontem, aquele pacote que foi polémico por causa das pensões, mas enfim, todo o pacote do apoio às rendas, a meia pensão que vai ser distribuída agora em outubro, os 125 € de apoio por pessoa, que foi anunciado pelo governo há uma semana e meia, foi aprovado ontem no Parlamento e com um detalhe importante: é que quer a meia pensão, quer os 125 €, no fundo, aquilo que são meios que o Estado vai transferir para as famílias, não podem ser penhorados. Isto foi decidido pelos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças, que aprovaram as medidas do pacote anti-inflação. Todas as propostas, naturalmente, da oposição foram chumbadas, mas há esta indicação: os apoios excecionais às famílias não são penhoráveis.
Isso quer dizer o quê, Paulo? Que estão de fora as medidas de penhora de salários que estejam em vigor, é isso?
Exatamente. Qualquer pessoa que tenha uma parte do seu salário penhorada, e há pessoas a quem isso acontece porque têm dívidas ao Fisco, dívidas à Segurança Social, que estão a pagar dessa forma, porque são gestores envolvidos em processos de insolvência de empresas que eventualmente deixaram dívidas por pagar e, portanto, que têm durante algum tempo uma parte de salário penhorado. Essas pessoas, basicamente, quando um rendimento lhes cai na conta bancária, o banco tem a indicação das autoridades para tirar logo uma quantia, no fundo, para fazer face a essas responsabilidades das pessoas. Esta parte destes apoios não vai poder ser penhorado. O que faz sentido. Se isto é um apoio para pessoas numa situação de inflação, se isso fosse penhorado, perdia qualquer efeito. E portanto, essa garantia foi dada e é obviamente uma boa moeda, faz todo sentido.
Paulo Ferreira e o Boa Moeda, Má Moeda. Amanhã há mais para conhecer. Se não ouviu esta edição desde o início, daqui a pouco fica disponível em podcast.