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Boa moeda, poupança. Já temos conosco Miguel Ferreira, economista, professor da Nova SBE, com quem falamos de poupança todas as semanas. Miguel, dinheiro poupado, mas parado, não serve de muito, não é? E portanto, tudo aquilo que vamos poupando, seguindo também os teus conselhos, deve ser de alguma forma posto a render. O que se deve fazer com esse dinheiro que vamos pondo de lado?

Sim, é muito importante pouparmos pra fazer face a despesas que nós temos. Um exemplo é poupar pra reforma, outro exemplo é poupar pra comprar uma casa ou poupar pra educação dos filhos. Mas a poupança, se não é investida, perde valor devido à inflação. É muito importante investir essas poupanças de forma adequada. Onde é que devemos investir essas poupanças? E aqui o conselho depende de quê? Depende de quem é a família. Uma família com filhos ou uma família sem filhos tem necessidades e prioridades diferentes, e a recomendação vai ser diferente. E um segundo aspecto é o objetivo, se é um objetivo de mais curto prazo ou é um objetivo de mais longo prazo, porque isso tem implicação também no tipo de investimento que devemos fazer. Em termos gerais, podemos investir, por um lado, em ativos sem risco, e aqui os exemplos são os depósitos a prazo ou os certificados de aforro, ou podemos investir em ativos que têm algum risco, como sejam obrigações, ações, fundos de investimento, ETFs ou PPRs.

O que são esses ETFs, que é a sigla estranha que aparece aqui?

Sim. O ETF é uma sigla de Exchange Traded Fund e é um investimento que nós podemos fazer num produto financeiro, que é transacionado em bolsa, tal como as ações, mas que no caso do ETF não estamos investindo numa ação específica. Estamos investindo num conjunto de ações, em índices de ações, que é um portfólio muito diversificado de várias ações, de várias empresas que podem ser de vários países, e através de um ETF conseguimos fazer um investimento em ações bastante diversificado comparativamente a comprarmos apenas ações individuais. Qual é a vantagem? A vantagem é que conseguimos rendimentos superiores à inflação para o mesmo nível de risco. E desta forma conseguimos aumentar o nosso poder de compra no longo prazo.

E sempre, neste caso, imagino eu, uma perspectiva de investimento num prazo maior, não é?

Exatamente. Devemos investir em ativos com menos risco, sem risco, como sejam depósitos a prazo ou certificados de aforro, se pensarmos que vamos precisar dessas poupanças para uma despesa a curto prazo. Mas, por outro lado, se queremos investir pra um prazo mais longo, para três anos, cinco, 10 anos, então já não é adequado investir em depósitos a prazo ou certificados de aforro. É adequado investir em ativos com risco, porque desta forma conseguimos rendimentos superiores, apesar de incorrermos em algum risco. O que é que minimiza esse risco? É o fato do investimento ser a longo prazo, e a longo prazo haver uma tendência histórica para o valor desses ativos aumentar.

Vamos aqui olhar para aquilo que podem ser os erros mais comuns quando cada um de nós ou as famílias fazem esta gestão de poupanças e investimentos.

Sim. Há alguns erros que são bastante comuns que as famílias cometem. Um primeiro erro, e esse é básico, é não investir o dinheiro. E sabemos que isso é muito comum em Portugal. 84% dos portugueses mantêm as suas poupanças em depósitos à ordem.

Que não rendem nada e vão sendo comidos, entre aspas, pela inflação, não é?

Pela inflação, exatamente. Se nós pomos a poupança em depósitos à ordem, o que vamos comprar daqui a um ano é menos do que aquilo que conseguimos comprar hoje com o mesmo dinheiro, porque entretanto o preço dos bens aumenta. Depois, outro número extraordinário é que apenas 6% dos portugueses possuem ativos financeiros, como sejam obrigações, ações ou fundos de investimento, ou ETFs, como falamos há pouco. É um número extremamente baixo, pensando que muitos dos investimentos que as famílias portuguesas têm que fazer é pra longo prazo, como seja pra reforma, ou pra educação dos filhos, ou pra aquisição da habitação própria. E ainda, um outro número também extraordinário, é que apenas 13% têm um PPR, um número relativo muito baixo, tendo em conta as perspectivas que há de diminuição das reformas no longo prazo. Este é um erro muito comum, é não investir o dinheiro.

Claro. Há mais erros que se cometem regularmente.

Sim, há mais erros. Um outro erro muito comum é tentar ter retornos muito rápidos e acima da média. E isto muitas vezes induz as pessoas a cair em esquemas que são fraudulentos, com promessas de rendimentos elevados e capital garantido. Esse tipo de investimento não existe. Só existe porque envolve fraude. Portanto, é sempre bom as pessoas desconfiarem de propostas de produtos financeiros que são boas demais pra ser verdade, porque a probabilidade de ser uma fraude é bastante elevada.

Há mais erros, Miguel, a apontar aqui?

Sim, e um terceiro erro também muito comum é relativamente àquela componente que falamos há bocado dos ativos com risco, é as pessoas tentarem escolher ações específicas de uma empresa ou de poucas empresas. E está demonstrado que é muito difícil conseguirmos bater o mercado com investimentos em ações específicas, termos rendibilidades acima daquelas que são seguidas por gestores profissionais que fazem disso o seu dia a dia. Portanto, o que é aconselhado para Pequenos investidores quando querem investir em produtos com risco, nomeadamente nos mercados de ações, devem preferir produtos fundos de investimento, que são mais diversificados, ou ainda os ETFs, que falamos anteriormente, que são investimentos em índices de ações que são muito diversificados, porque têm centenas ou às vezes milhares de empresas de diferentes países e que é um produto extremamente interessante para investir a longo prazo, que permite, em média, em horizontes de longo prazo de cinco anos, 10 anos, ter rendibilidades bastante superiores à inflação e simultaneamente minimizando o risco.

Claro, de perdas. Estamos a chegar ao fim, Miguel, quais são as mensagens finais que gostavas de deixar?

Sim, uma mensagem que acho muito importante é investir com horizonte de longo prazo. Quando um jovem quer investir, por exemplo, para a reforma, deve investir não num depósito a prazo ou certificados de aforro, mas deve investir em ativos com risco, nomeadamente em fundos de ações diversificados ou ETFs. Uma segunda mensagem é que devemos investir em produtos adequados aos nossos objetivos de investimento. Nomeadamente, por exemplo, se queremos investir para a reforma, devemos investir em planos de poupança de reforma, que tenha ativos com risco ou novamente em fundos de investimento que tenha uma componente de ações ou ETFs, porque esse é o caminho mais seguro para atingirmos o nosso objetivo de longo prazo de ter uma reforma interessante.

Muito bem, ficamos então com essas notas finais sobre este tema. O que devemos fazer basicamente com o dinheiro que vamos poupando é o Boa Moeda Poupança todas as semanas, à sexta-feira, com o Miguel Ferreira. Esta semana ficamos por aqui, mas para a semana cá estaremos de novo com um novo tema. Até lá.

Obrigado, Paulo.