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Paulo, começamos pelos portugueses que estão a gastar cada vez mais em compras online, não é?

A gastar cada vez mais em cada compra online, de facto, não necessariamente a comprar mais, em número de compras. Entre janeiro e junho deste ano, o valor processado pelos comerciantes analisados aumentou 2,5% face ao período homólogo no anterior. Já o número de pagamentos aumentou apenas 1%. Isto são dados da primeira edição do Pagometer, que é um novo barómetro mensal divulgado ontem e é feito por uma empresa, a EU PAGO, que é uma instituição de pagamento, está precisamente neste mercado, disponibiliza diversos métodos de pagamento, incluindo as referências Multibanco para lojas online, referências MB Way, pagamentos com cartão. Está no mercado com este tipo de sistemas. E de facto, os dados levam-nos a pensar nisso. Os portugueses estão a gastar um pouco mais em cada compra, mas isso não quer dizer que estejam a comprar mais no global, cada compra individualmente mais cara. Por quê? Porque como temos uma inflação que está nos 3,2%, era o valor de junho, é normal concluir-se que parte da diferença do montante global resulta da subida de preços.

Ou seja, não é uma alteração de hábitos, é a inflação.

Não é uma alteração de hábitos, é a inflação que está aplicada a cada compra individualmente, obviamente, com preços mais elevados do que propriamente um aumento do número de compras, que fazemos. Portanto, há aqui uma estagnação e obviamente que o montante de cada compra vai subindo com a inflação.

Entretanto, já tínhamos falado sobre isto, os jovens continuam a sair demasiado tarde da casa dos pais.

E as estatísticas do Eurostat confirmam.

Vai-se lá saber por quê.

Vai-se lá saber por quê. As casas estão baratas. Tudo tem essencialmente a ver com isso. De uma forma genérica, depois haverá uns segundos, terceiros, quartos fatores que o explicam. Em Portugal, a idade média de saída da casa dos pais, do lar de família, está nos 28,8 anos.

Confirmo.

Confirmas?

Foi nesse que saí.

Foi a idade que saí.

Tens experiência. Eu também tenho algumas experiências dessas próximas.

Vai nesse caminho, vai.

Claro. Isto representa um atraso de cerca de quase três anos em relação à média da União Europeia, que está nos 26,3. Isto é uma média que esconde, de facto, realidades muito diferentes, porque há países em que a saída de casa é aos 21, 22 anos. Holanda, países de Norte da Europa e nórdicos.

Totalmente, nós também não fazemos.

A questão cultural é importante.

Não fazemos assim tão cedo.

Sem dúvida. Obviamente que isto revela a dificuldade estrutural, que está a se tornar estrutural, de acesso à habitação. Não só o acesso à habitação, como a habitação a preços que se possam pagar, sobretudo para jovens.

E os salários também não são propriamente atractivos.

No nosso caso, temos ainda coisas contra. Salários baixos em relação a outros países, nomeadamente esses países do centro e norte da Europa. Depois as tais questões culturais e de hábitos. Nós, em Portugal, não temos muito aquele hábito de os jovens a acabar o secundário ou no ensino superior, de ter um emprego em part-time. É difícil encontrá-lo, é mal pago depois.

São outros tempos, não é?

São outros tempos, sem dúvida.

Eu tinha emprego em part-time enquanto estava a tirar o curso.

Certo. Mas há países na Europa em que isso é uma prática muito comum. O emprego em part-time de jovens, que são bem pagos também, apesar de serem poucas horas por dia ou por semana, são bem pagos e permitem, obviamente, pensar e sair dessa autonomia financeira que tarda por cá. Portanto, os pais que se habituem também a ter companhia lá em casa por muitos anos.