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"Boa Moeda, Má Moeda" na Rádio Observador, sempre com o Paulo Ferreira. E Paulo, hoje falamos da procura por PPR.
É verdade, que está a aumentar bastante e não tem a ver necessariamente com a época do ano. Estamos aproximados ao fim do ano e aí que muita gente se lembra de subscrever ou de aumentar a subscrição, de reforçar o montante do PPR, por causa do benefício fiscal que há na entrega das poupanças que há no IRS.
Não é por isso?
Não é por isso. É uma tendência que já vem desde o início do ano. E, de facto, em 2023, o ano passado, tinha havido uma quebra, mas este ano a subida é bastante forte. São dados do supervisor de setor, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. E até setembro deste ano, portanto, estamos a falar dos primeiros nove meses ou dos primeiros três trimestres do ano, o aumento de subscrições foi de 47%, que é bastante, quase 50%, e andou próximo dos 1.150 milhões de euros. Este ano de 2024 está a ter o maior volume de subscrições de PPR dos últimos três anos e também contribui para o montante em gestão. Por outro lado, até setembro deste ano, registou-se uma queda de 30% no montante que as pessoas resgataram nos PPR, mais uma vez comparando com o período homólogo de 2023. Ou seja, não só as entregas aumentaram quase 50%, como as retiradas de dinheiro dos PPR caíram 30%. Obviamente que os resgates, esta retirada de dinheiro dos PPR, ainda pode aumentar até o fim do ano, como é evidente. Só que até o final deste ano está em vigor uma lei ou um decreto, que foi uma decisão do governo da altura da pandemia, para permitir que as pessoas pudessem retirar dinheiro dos PPR para amortizar o crédito à habitação, sem qualquer penalização fiscal, porque quando as pessoas não cumprem as regras, uma vez que o produto tem benefício fiscal, acabam por ter depois uma penalização se não cumprirem as regras, nomeadamente de longevidade do investimento ou dos motivos para os quais podem levantar dinheiro, nomeadamente quando estão na reforma e na pensão. Por outro lado, está a chegar também a altura do ano, dezembro, fim do ano, em que muita gente se lembra de subscrever ou de reforçar. Há benefício fiscal à entrada, já sabemos, no IRS. Também há um benefício fiscal no resgate, quando é feito dentro das regras. A taxa de retenção é de 8%, a taxa de retenção no IRS quando se resgata sobre o rendimento obtido, que compara obviamente com a taxa liberatória normal, que é de 28%. Portanto, uma grande vantagem fiscal na retirada. Mas, de facto, é uma boa notícia, porque é poupança potencial, médio, longo prazo. Bem precisamos dela e, sobretudo, as pessoas que estão a chegar à reforma, bem precisam de um complemento de reforma, porque cada vez menos as reformas vão substituir o ordenado.
E Paulo, os juros estão todos abaixo dos 3%?
Todos. Só uma nota aqui, não é de calendário, mas de estatística. As taxas foram caindo. Primeiro, a taxa a 12 meses veio abaixo dos 12%, depois a de seis e agora foi a de três. Quando a curva inverte e começa a descer, são as taxas mais longas que acabam por ter um valor mais baixo. As Euribor assistam agora. A Euribor a três meses já está nos 2,98, junta-se assim à taxa a seis meses, que já vai nos 2,7 e a 12 meses, que já vai abaixo de 2,5%. Portanto, boas notícias para os próximos meses, para quem tem crédito à habitação, porque isto vai continuar assim e a prestação vai ser cada vez mais baixa.