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Bem-vindos, este é o Boa Moeda Investir, todas as semanas com o Pedro Lino. Pedro, vamos falar hoje de PPR, Planos Poupança Reforma, uma sigla que toda a gente conhece, muita gente tem certamente, mas vamos aqui explicar melhor e conhecer algumas características dos PPRs. O que é um PPR, antes de mais?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. O PPR é um fundo de investimento, como vimos no podcast anterior, que permite investir de uma forma diversificada e com baixo risco, porque não existe um risco de concentração e permite às pessoas aplicarem o seu dinheiro. Muitas vezes perguntamos: "Ah, mas o PPR é algo só pra reforma? Se eu tiver 50, 60 ou 70 anos, ainda posso investir em PPRs?" Bem, posso dizer que a minha mãe tem 78 anos e ainda tem PPRs, e tem vários PPRs. Por isso, sim, é um bom investimento. E o PPR é uma poupança de longo prazo, que é pensada para complementar a reforma, mas pode servir para outros objetivos, porque o nome é um pouco enganador. Pode servir, por exemplo, pra pagar a prestação do crédito habitação, para ajudar a universidade dos filhos, pra uma poupança pessoal pro futuro, pra fazer uma viagem grande dentro de alguns anos, pro que quisermos.

Claro.

O problema é que às vezes se associa só à reforma, mas não. Como nós vamos ver, tem uma versatilidade muito grande.

E tem vantagens também. E que tipos de PPRs é que existem, Pedro?

Existem dois grandes grupos de PPRs, que são os PPRs sob a forma de seguros e sob a forma de fundos. Os sob a forma de seguros são vendidos por seguradoras e oferecem capital garantido e têm sempre um perfil conservador.

Capital garantido significa que aquele dinheiro que lá foi investido nunca é perdido.

Exatamente. Se eu investi € 1.000, eu vou ter sempre € 1.000. Mesmo que os mercados desvalorizem, eu não tenho risco de perda. Esse é assumido pela seguradora. Mas também tem o reverso da medalha. Como o risco é assumido pela seguradora, a rentabilidade também é muito limitada. E, por isso, o que as companhias de seguros fazem é as contas e se assumem o risco, também garantem pouco ou muitas vezes há um rendimento nulo. No caso dos PPRs de fundos, investem em ações, em títulos de dívidas, no fundo, investem em títulos que são cotados no mercado financeiro. São mais rentáveis a longo prazo, mas também têm o risco e não têm capital garantido, porque como investem em títulos que são cotados, eles variam diariamente. Por isso, se eu vender o meu PPR amanhã, posso efetivamente perder dinheiro relativamente ao dia anterior, porque os títulos podem desvalorizar enormemente, são geridos por sociedades gestoras.

Certo. Sobretudo, este tipo de fundos PPR, no curto prazo, tem uma volatilidade maior e de eventualmente haver uma perda. É como fundos de investimento. A longo prazo, por regra, isso está de alguma forma assegurado.

Sim, e a longo prazo, há uma parte dos PPRs em Portugal que infelizmente tem sido mal gerida e que não tem dado sequer pra compensar a inflação. Mas há muitos, e basta as pessoas procurarem, que têm superado largamente a inflação a longo prazo. Por isso, é questão do horizonte temporal.

Muito bem. Como é que se escolhe entre estes dois tipos de PPR, Pedro, para investir?

Aqui tem muito a ver com o perfil do investidor. Se o investidor for muito avesso ao risco e quiser segurança absoluta do seu capital, então tem que ir para um PPR de capital garantido, porque os outros, como referi, não garantem capital. Quem conseguir ter uma capacidade de tolerância ao risco, mas querer uma valorização do seu capital a longo prazo, então tem que ser os fundos PPR, porque esses, sim, têm rentabilidades que podem superar em anos 20, 25%. E esses existem no mercado. Agora, aqui a questão do perfil de risco, a maior parte dos PPRs em Portugal, infelizmente, estão nas seguradoras, porque o perfil de risco do investidor português, tal como vemos nos depósitos a prazo, existe ainda um grande montante nos depósitos a prazo, é muito conservador. Ou então, às vezes, estão associados às vendas que os bancos fazem, que é pra ter um spread no crédito habitação mais barato, tem que fazer aqui o PPR, mas é aquele PPR que não dá nada.

Claro, só mesmo para ter mais um produto a subscrever. São conhecidos também os PPR em Portugal por terem vantagens fiscais.

Sim, normalmente há a corrida do fim do ano nos PPRs.

Subscrever, que é pra poder deduzir no IRS.

Deduzir do IRS. E as vantagens são no máximo até € 400, depende da idade. Se tiver menos de 35 anos, pode usufruir até € 400 e depois vai diminuindo o benefício até € 300 por ano. Mas tem outra vantagem, e por isso eu tenho PPRs mais por conta disso, é o resgate. Ou seja, quando eu levantar o meu PPR, em vez de pagar 28%

Sobre a rentabilidade.

Sobre a rentabilidade. Se eu mantiver o PPR mais oito anos, eu só vou pagar 8% ou 8,6%, dependendo se é dentro ou fora das condições da lei, sobre as mais-valias.

A grande vantagem é mais à saída do que à entrada.

É mais à saída. E por isso é que muitas vezes as pessoas não conseguem perceber quanto é que vão poupar no futuro, porque é algo mesmo no futuro, mas só pagam 8% ao invés dos 28 em depósitos a prazo ou dos certificados de aforro, que é dinheiro que está ali parado e a perder.

Conseguimos dar um exemplo sobre isso?

Sim. Já agora, só mais uma vantagem é que os PPRs permitem a troca entre PPRs, ou seja, se eu tiver um PPR mais agressivo, quero trocar por um mais conservador, eu posso fazê-lo sem pagar mais-valias. É o único produto em Portugal que eu posso alterar as estratégias dentro do PPR e não pago mais-valias.

Muito bem.

Um exemplo é, quem tenha 35 anos e aplique € 100 por mês, ou seja, € 1.200 por ano, num fundo PPR com 5% ao ano, pode chegar aos 65 anos, ou seja, 30 anos de poupança, com € 90.000 acumulados, tendo investido apenas 36 mil.

Esta é a magia do juro composto aqui. Os 5% ao ano, sempre a capitalizar.

Exatamente. Trinta anos, 1.200 € por ano, investi 36 mil, mas tenho quase o triplo, que é 90 mil, e por isso é que é muito importante nós investirmos, porque é este efeito de capitalização.

Já agora, os 5% ao ano não é nada do outro mundo.

Nada. Não.

Não é extraordinário.

Não.

Para concluir, Pedro.

Para concluir, acho que as pessoas devem escolher o PPR que mais se adequou ao seu perfil de investimento e ao perfil de risco. Faz sentido começar aos 50 ou até mais tarde. Aliás, como referi, a minha mãe tem 78 anos e tem vários PPRs e acho que no próximo episódio eu lanço aqui um desafio que é: os PPRs são mesmo só pra reforma? E acho que a resposta vai nos surpreender.

Muito bem, vamos ficar atentos a isso, porque, de facto, há esse viés, as pessoas acham que é só pra reforma. Este foi o Boa Moeda Investir, todas as sextas-feiras com o Pedro Lino. Voltamos então pra semana com o tema já anunciado. Até lá.

Boa tarde, bom fim de semana.