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Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigaludo.
Peninha e Gabriel, que já estavam no Minipreço, aproveitaram a azáfama para cobrir em direto o caos que se instalara. Amâncio acredita na inocência de Fatinha e, no exato momento em que o nosso açador de frangos diz a Beatriz que só os dois não poderiam roçar a verdade deste crime, alguém que parecia ser um mero cliente, chegou com botas à caubói, abriu uma carteira e mostrou um cartão. A todos o queixo ficou caído. Seria finalmente ele o detetive desta porra toda? Meu Deus, que modos começam a ser estes meus. Amâncio, juntamente com o detetive Moreira, vão visitar a Fatinha na prisão.
Fatinha, meu doce.
Tu está calado! Eu estou chateada contigo, Amâncio. É por tua causa que eu estou aqui presa.
Não, Fatinha. Eu também fui enganado. Eu só queria fazer-te umas perguntas e a Beatriz disse que tinha um vídeo onde tu aparecias. E eu também não acreditei, mas quando vi as imagens ao mesmo tempo que tu, Fatinha, eu percebi logo. Percebi que alguém se fez passar por ti. Sabes por quê? Porque aquela não é a tua silhueta. A tua silhueta é um hino ao Criador.
Ao Criador? Olha, Criador és tu que criaste esta história toda, esta porcaria, para eu estar aqui enfiada, entalada, fechada às sete chaves. Ouviste?
Não, Fatinha.
Quem é essa? Cala-te!
Detetive Moreira. Vim para ajudar a descobrir quem é que lhe anda a fazer mal, Fatinha.
Eu não aguento mais ver-te aqui. Eu não aguento. Diz-me lá, como é que tu estás a dar-te com as tuas colegas?
Como é que achas que eu estou, Amâncio? Tu já olhaste bem para mim, Amâncio? Olha a minha face como está. Olha como eu estou neste estado.
Estás linda, amor. Tu estás sempre linda.
Ó detetive, importa-se que eu veja outra vez as imagens, por favor?
Claro. Reconhece-se neste vídeo, Fatinha?
Mas como é que eu me havia de reconhecer neste vídeo, se não sou eu? Olhe bem, olhe com olhos de ver. Olha lá tu também, Amâncio, tu que tens lunetas. Olha bem, foca bem, amor. Vocês não veem que isto é um homem?
Por que diz isso?
Sim.
Esta é boa também. Por que diz-- amor, olha. Pelas ancas, pela forma de andar. Eu não acredito. Também, que grande detetive que tu foste buscar. Eu a sério, só não desisto porque sou eu.
Então, Fatinha, pensa. Que homem te quer ver longe? Só se for um grande palhaço, só pode.
Eu sei lá. Eu já parti o coração a tantos, Amâncio. Não há um registo de voz? Nada assim que se consiga ouvir?
Temos de ver. Eu acho que nem sequer chegámos a ouvir nada.
Caramba, é o que eu digo, eu não sei se é burrice, se é cegreira. Eu não percebo, mas como é que alguém se esquece do som numa rádio Nobel? Tira-me daqui, Amâncio. Eu não fui feita pra estar fechada, Amâncio.
Fatinha, tu tem calma. Eu juro, eu vou descobrir quem é a pessoa que te tentou matar já por duas vezes.
Bem.
Ou não chame-me eu Amâncio da Silva Cardoso Coutinho.
E eu sou a Mãe Natal quando chegar dezembro. Se eu estiver à tua espera, bem fico aqui a ganhar teias.
Não, eu juro que eu tiro-te as teias todas, Fatinha, não é por isso. Eu vou é apanhar esse tipo e desfazer em pedacinhos como nos iogurtes, com pedaços.
E eu também fui destacada para descobrir o enigma.
Tu estás é mais é caladinha, está bem? Tu caladinha és um poeta. Não precisas de dizer pra nada. Aliás, eu até já sei onde é que vou.
Para onde?
Olha, vou à rádio. Pronto. Eles devem conseguir isolar este som e perceber se esta desgraçada deste impostor falou alguma coisa e a ver se a gente os apanha. Se eu o descobrir, sabes o que vai acontecer?
Iogurte de pedaços.
Estás a ficar muito ativa. Eu estou a gostar.
Posso ir consigo?
Podes, mas eu é que mando. Tu vais sobre as minhas alçadas. Eu é que estou ao comando da Operação Minipreço.
Não sei como conseguiram aceder às imagens de videovigilância, mas isso agora pouco importa. Amâncio está cada vez mais irritado com esta situação e ver a Fatinha encarcerada fez com que todos os pelos do seu corpo ficassem em pé. Amâncio está na rádio com Beatriz, Peninha e Gabriel, que também querem descobrir o impostor.
E eu também estou presente.
Mas agora o caubói também me ouve? Isto não estava nada no contrato. Não podes falar comigo, pá. Nem me devias ouvir, mas que coisa. Vamos lá então perceber o que é que se passa na rádio, que eu também gostava de saber.
Mas conseguimos isolar o som ou não?
Calma, pá, eu estou a tentar, Amâncio.
O vilão está entre nós. Pode ser o técnico de São Bernardo.
Um cão?
Ou a caixa dois do Minipreço, um cliente que odeia a Fatinha. Oh, mulher, cala-se. Peninha, vais parecer um pouco que está toda suada na testa.
Pode ser da franja, Beatriz.
Qual franja? A Peninha está assim com cara aperfeiçoada, parece apaixonada.
Atenção, consegui isolar o som. Má qualidade, é fraca, mas parece uma faixa AM.
Vocês os dois, por favor, ainda acabam juntos. Dão os dois pena e seca. Vá, Gabriel, deixa-nos lá ouvir isso.
Sim, se eu apanho este impostor.
Meta aí.
Mas meter o quê? Eu é que mando na operação. Vá, mete aí.
Não é a caixa um que me vai estourar e estragar a vida. Achas que tal era, Fatinha?
Que estranho. Eu acho que conheço esta voz.
Estranho é a tua ainda estar no ar. Estou cheio de te ouvir.
O episódio acaba por aqui. Já chega, está na altura do detetive voltar de onde veio, do nada, e pouca falta faz. Não há mais nada para ouvir hoje. Veremos se Fatinha, qual passarinho sem asas, consegue sair da prisão ou se merece, e bem, estar encarcerada. Boa sorte, é o que eu desejo a todos os que se atravessarem neste caminho doloroso até ao fim.
Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigaludo, e um chocho bigaludo, e um chocho bigaludo.