Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Boa sorte, boa sorte ao mais forte e ao mais sortudo. Boa sorte, boa sorte e o chocho bigodudo. Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e o chocho bigodudo.
Fatinha, Amâncio, Beatriz, Gabriel e Peninha encontram-se sentados em círculo e cada um vai ser interrogado por Amâncio e Fatinha. Eles eram os únicos presentes no local do crime. Se deveria ser a polícia a tratar deste assunto? Mais cedo ou mais tarde eles virão, mas Amâncio quer ser o primeiro a apanhar o culpado. Já que não conseguiu salvar a Fatinha, era agora a altura de mostrar que era capaz de deslindar o mais emaranhado novelo desta novela. O Gabriel é o primeiro a ir ao meio, mas apanhar a bola nunca foi o seu forte.
Gabriel.
Por que foi?
Tu nunca enganaste, rapazinho.
Por que foi?
Sabes uma coisa? Às vezes não são as pessoas que mudam, é a máscara que cai.
Boa frase.
Haruki Murakami. E tu, rapazinho, deixaste cair a tua máscara. Por isso eu vou te dizer, tu nunca gostaste da Fatinha. É verdade ou não é?
É mentira! Eu não tenho nada contra, tirando que sei, nada contra a Fatinha.
É a rubrica penosa dela, não é, Gabriel?
Peninha, tu estás bem?
Cala-te, Peninha, não digas nada.
Amâncio, tu também. A massa está aí. É impossível ser o Gabriel. Tu não vês que ele é um doce de pessoa? Ele nem a ele sabe fazer mal.
Eu não tenho essa certeza. Já me respondeu uma luz.
Onde é que estavas tu, senhor Gabriel, às 23h20 do dia de ontem? Já sei. Estava a brincar com os fósforos atrás do armazém.
Eu não faço isso desde o quinto ano. E olha, estava no meu quarto alugado, finalmente a descansar, depois do meu dia de trabalho. Tinha combinado comigo mesmo ver uma série da Netflix até metade, mas qual não é o meu espanto, quando me liga a minha colega e eu pensava: "Tu queres ver?" E afinal era mesmo para ir trabalhar de urgência, porque tinha havido uma explosão no armazém do Minipreço. E é por isso que eu não dormi e continuo aqui na rádio.
Alexandra Peninha.
Não fui eu. Eu estava ao telefone com o Gabriel ou melhor, isso foi depois de saber da explosão, antes da explosão. Estava a jantar.
Com quem? Já sei. Com o cúmplice deste atentado, possivelmente a discutirem o melhor plano para acabarem com a Fatinha?
Não.
Com quem, então, Alexandra Peninha? Confessa. Sempre tiveste inveja da Fatinha, do brilho dela, das oportunidades que são suas por direito. E tu estás de 30 em 30 minutos, a levantar-te de uma cadeira para dar notícias, o tempo sempre a contar. Olhe, vou te dizer uma coisa: para andar assim, mais valia que Deus Nosso Senhor me levasse. Sempre a correr. O que querias, finalmente? Ser a primeira a dar a grande notícia, não é? Mas como? Provocar um desastre. E onde? Mesmo ao lado, porque tens essa sede de notícias às 23h.
Amâncio, pare. Olha como tu já puseste a miúda. Coitada. Tu não vês que ela estava a jantar sozinha, não era, querida? A ver uma série daquelas do "Friends", não sei das quantas, pela milésima vez. Eu já sei, está bem, cala-te tu também. Já chega. Olhe. Estava, e como já conheço tudo, costumo estar a ver notícias, depois vou às redes sociais e vi o Instagram da Fatinha.
Peninha, tu também, querida. Eu já estou com pena. Parem! Tu precisas de espairecer, mulher, apanhar sol, fazer uma aula de crossfit ou de cycling, fazer uma hipoterapia, um golfiterapia. Vai para o sábado, amor. Até pode ser que encontres um, faz amizades.
Eu se calhar ia andando, porque eu não quero saber do buraco nem do eclipse. Eu só quero ir para Badajoz encontrar-me com o meu Manolo em terra. Eu até já tenho as minhas botas de cowboy calçadas, eu se calhar vou andando.
A comissão de inquérito instaurada por Amâncio do Minipreço já ia longa, ou pelo menos é essa a sensação que tenho. Posso estar aborrecido também. Mas parece claro que não foram nem o pobre Gabriel, nem a jornalista Peninha, os autores da explosão. Ambos estavam a definhar sozinhos nas suas casas e quer me parecer que basta fazerem força a mais e desmaiam. Não conseguiriam tirar a vida a quem quer que fosse. Terá sido Beatriz Severo.
Por favor, homem, fala baixo, que exagero.
Meu Deus, tu não me digas. Foi ela que me tentou matar. Beatriz, se isto é verdade, mais vale despedir-me. Não precisa fazer uma coisa dessas, uma tentada à minha pessoa.
Fátima, mas acha que alguma vez eu ia sujar as minhas mãozinhas, as minhas delicadas mãos? Pó, buracos, não.
É por isso que queres ir pra Espanha, não é? Acabar a carreira com uma grande notícia e dar à sola.
O Amâncio também tem tanto músculo como de inteligência. Quer dizer, assim, acha que isto é uma grande notícia, é um furo jornalístico.
Não goze.
Calma. Calma que eu resolvo isto. Queres ver? Senhora dona Beatriz.
Sim, diga lá.
O que a senhora dona Beatriz estava a fazer entre as 22h30 da noite e as 23h30?
Estava a beber o meu último chá de alfazema e a dormir. Estava a dormir.
A Beatriz, por acaso, tem alguma testemunha que roborar essa informação?
Tenho.
Tem?
Tenho.
Quem é que estava consigo, já agora? Dormiu sozinha, por acaso? Completamente alone?
Sozinha, com a gata Xana aos meus pés. E já agora, a propósito disso, Peninha, desculpe tê-la obrigado a imitar a minha gata. E Gabriel, quanto a si, eu vou estar mais atenta ao seu trabalho, a tudo o que tem feito na Rádio Observador.
A Beatriz está a fingir que está mal que é para escapar às intimidações.
Merecem toda a minha atenção.
Foi a Beatriz.
Neste momento, a polícia entra na Rádio Observador e leva Beatriz Severo sob custódia. E finalmente ela percebeu: o naprom que vira nos seus sonhos a esconder a luz do sol, a renda entrelaçada, não era um eclipse, eram, afinal, as grades de uma janela de uma prisão. Beatriz brada aos céus que é inocente e que estão a cometer uma autêntica injustiça. Bem que Beatriz gritou por Manolo. Virá ele em seu auxílio? Terá sido mesmo a Beatriz culpada deste quase fim da Fatinha? São assuntos para depois.
Boa sorte, boa sorte ao mais forte e ao mais sortudo. Boa sorte, boa sorte e o chocho bigodudo. Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e o chocho bigodudo, e o chocho bigodudo, e o chocho bigodudo.