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Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigeludo.
Encontramo-nos novamente aqui, presos nesta radionovela, embora seja a Fatinha quem efetivamente se vê mais apertada. Ela encontra-se encarcerada por ter sido ela a autora da explosão do armazém e impulsão da caixa um do Minipreço. Está aqui um berbicacho. Podíamos ter fechado aqui esta epopeia, mas Amâncio teima em ir atrás de alguém que pode até nem existir. Tanto ele como Gabriel e Peninha acreditam que Fatinha está inocente.
Agora é a caixa um que me vai explodir e estragar a vida. Hasta luego, Fatinha.
Temos de mostrar esta voz do vídeo à Fatinha, pode ser que ela reconheça. Ainda hoje vou lá.
Não podes ir lá hoje. O horário já terminou das visitas ao Amâncio.
Mas que visitas? Achas que eu vou ao jardim zoológico visitar alguém? Isto é uma coisa grave, como é que eu vou descobrir então?
Olha lá, Amâncio, e a detetive, que é feito dela?
Eu mandei embora, dispensei.
Mas ela disse que conhecia aquela voz.
Eu acho que tenho o mesmo problema que a Beatriz.
É o Spritz.
Spritz?
Isso é o meu pânico, Manel, deixo o Spritz só pra fazer striptease. Eu estou tão bem disposto, não é?
Tão disposto? Eu não sei como é que tu consegues, perante esta desgraça, estar contente. Fica-se a saber que se não fosses tu, a Fatinha se calhar não estava presa.
Amâncio, uma coisa. Houve alguém, eu não sei quem, não vi, mas que me deixou este vídeo no correio.
E só avisas agora. E não estranhaste isso, Beatriz?
Amâncio, estranha foi a sua fase de usar aquela mosquita na cara, está a perceber? Isso é que foi estranho.
Amâncio está tenso, até já trata por tu Beatriz Severo. Seguramente com os ânimos neste nível, fica difícil ver as coisas com clareza. Amâncio, não queres ver o essencial, que neste caso é visível aos olhos. Fatinha montou tudo para pensarem que alguém andava a persegui-la. Mas desengane-se quem pense que Fatinha está a penar na prisão. Nada disso. Ela continua a encantar, até nos locais mais desprovidos de felicidade.
Ai, amores, parem, estejam quietas. Foga, sério, assim eu não chego para as encomendas. Já chego. Está bem. Prontos, mas é só mais umas selfies. Está bem? Vá, então anda lá. Sandra, esta é pra ti. Depois a gente quando sair daqui vai se pôr na Areata, longe do veneno, ouviste? Vá, vamos lá, take a picture. Isso, prontos. Olha, digam não às drogas, está bem? Não se esqueçam. Vá. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigeludo.
Que tortura. Não se trata de um final triste. Em breve, Fatinha sairá em liberdade. Eu já estarei longe, no meu monte. Pode ser que ela finalmente encontre o amor junto dos braços de Amâncio, daqui a um ano ou dois, quando sair da prisão. O que foi? Quem é?
Sou eu, o Gabriel. Precisamos do estúdio pra gravar aqui uma entrevista, pra substituir as dicas da Fatinha. Uma tristeza.
Está ocupado, volte mais tarde. Amâncio encontra-se novamente com Fatinha na prisão e deve ter se confundido no local, porque qual beato no confessionário, acaba por desabafar com Fatinha o que lhe vai no coração.
Amâncio! Ai, que bom ver-te, amor. Ai, trouxeste-me um ursinho de pelúcia? Tu não me digas que trouxeste um telefone enfiado no rabo do-- que foi, amor? Que cara é essa?
Fatinha, eu trouxe este ursinho de pelúcia pra te dizer uma coisa.
Tu não me assustes. O que é que foi agora?
Fatinha, como é que eu hei de dizer? Eu estou completamente apaixonado por ti. Pronto, está dito. Olha, desde o primeiro dia em que te vi que eu não tenho olhos pra mais ninguém. Sabes uma coisa, Fatinha? Nenhum poeta ou romancista é capaz de expressar por palavras aquilo que vai dentro do meu coração. Eu quero escrever pra ti, eu quero cozinhar pra ti, eu quero dormir ao teu lado, eu quero que tu faças de mim o teu tapete, mulher, sempre fiel a ti e que não quero ter olhos pra mais ninguém. O que foi, mulher? Desculpa, pronto. O que foi?
Ui.
Eu não te queria pôr assim, rapariga.
Tu esperaste por eu estar presa pra me dizer isso, Amâncio, agora que tu gostas de mim?
Não, Fatinha, escuta. Eu sempre te amei, Fatinha. Anda lá, Fatinha.
As declarações de amor são sempre pirosas e esta não foi exceção.
Cala-te.
Pronto, está bem. Se me pedes com esse jeito, eu calo.
Não és tu.
É tu.
Esta voz maldita que me persegue.
Que voz? Rapariga, tu não me digas que endoideceste.
Olha, Amâncio, tu põe-te má como as pinheiras. Tu não me fales assim, ouviste? Que coisa. Em primeiro lugar, nunca se pergunta a alguém que endoideceu se endoideceu de vez. Está bem? E em segundo lugar, eu estou presa, mas todos nós somos meros peões de alguém que nos está a manipular.
Mas quem é que nos está a manipular?
Amâncio, eu já sei quem está por detrás de tudo isto.
Jesus, e eu nem sequer te mostrei a voz da pessoa que se fez passar por ti. Tu és um génio, mulher.
Amor, eu não preciso ouvir. A partir de agora, tu tens aí pra anotar, anota.
Eu anoto tudo na cabeça.
Então anota. A partir de agora, sou eu que vou tomar as rédeas desta história, que hoje por acaso vai ficar por aqui. Mas não me perdes pela demora. Não perdes. Eu só gostava de saber é o porquê. Porquê de me ter traçado este triste destino. Olha, boa sorte. É o que eu te desejo. Anota bem o que eu disse.
Boa sorte, boa sorte ao mais forte e ao mais sortudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigeludo. Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigeludo, e um chocho bigeludo.