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Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigodudo.

Que triste destino o da Beatriz, detida numa prisão por suspeita de tentar matar a Fatinha. Mas não será por muito tempo. Beatriz estava numa chamada virtual com Manolo quando adormeceu na noite da explosão. Por volta das 23h20, telefonou a Peninha a dar conta do seu sonho. Beatriz tem, por isso, um álibi. Será posta em liberdade, não sem antes dar uma lição de skincare às suas companheiras de cela.

E depois temos de fazer uns movimentos circulares pra estimular a circulação na cara e dar umas pancadinhas, a que eu chamo de pancaditas de amor.

Beatriz Severo, faça o favor de compor as suas sedas e queira acompanhar-me até à saída.

Chicas, eu não vos disse que estava inocente? Isto não fica assim, senhor guarda. Foi o Manolo que me salvou, não foi?

Beatriz fica livre. Não foi ela quem tentou matar Fatinha. Os dias seguem normalmente, tanto na rádio como no Minipreço, mas a desconfiança, agora, reina nos corações dos nossos personagens. Alguém é culpado e Amâncio continua a querer ser o primeiro a descobrir, chegando até a ser alvo da desconfiança de Fatinha.

Amâncio.

Hum?

Olha lá, Amâncio.

Que foi?

Tu, por acaso, sem querer, tentaste matar-me?

Eu?

Sim, tu.

Nunca, Fatinha. Jamais. Alguma vez eu iria ter coragem de fazer mal à pessoa que eu mais a-

Que tu mais o que? Agora diz lá na minha face que tu mais o que?

Mais aprecio, mais admiro. Eu sou capaz de fazer tudo por ti. Eu ando cheio de raiva, mas eu vou descobrir em breve. Eu vou descobrir quem te tentou fazer mal. Eu vou fazer a essa pessoa o mesmo que faço aos frangos.

Vais passar um pincel com molho de picante?

Não. Desfazê-lo aos bocadinhos. Vai ficar mais pequenininho que o Frango Galinha.

Está calado. Tu está calado. Se não fostes tu, se não foi o anjo Gabriel, nem a Peninha, nem a Beatriz, quem foi, Amâncio? Quem foi, Amâncio?

É exatamente isso que eu vou descobrir. Ou eu não me chamo Joaquim de Carvalho da Silva Andrade Amâncio.

Não, espera aí. Agora parou tudo. Quer se dizer, a gente está no 18 episódio, o um e o oito, e só agora é que eu sei que Amâncio é dos nomes do fim? Pelo amor de Deus.

Na rádio, Peninha e Gabriel também discutem sobre quem terá sido o autor deste ato vil. Alguém que beneficiaria em ver Fatinha longe ou calada. Mas quem, caro ouvinte? Quem terá razões para isso?

Será que foi a Beatriz?

Cá pra mim, o Manolo nem existe, ela tem abusado do Spritz, Gabriel. Bebe muito. Chega a telefonar-me a falar dos sonhos que tem. Isto nem deve ser permitido.

Beatriz chega de rompante, com um novo estilo: indie chic. Traz também consigo uma guitarra.

Gostam deste hererê? Foi a minha companheira de cela, a Luna, que fez.

Beatriz, pensei que estivesse presa.

Estive, Peninha, mas no corpo de uma mulher autoritária que só ligava a luz. Saí da prisão mais livre do que nunca. Já comprei bilhetes pra o Boome, eu e o Manolo vamos pra interior.

Então e a Rádio Observador, Beatriz? Que é de nós.

Gabriel, eu vou e volto. Caramba, adotei dois cães, mas continuo a diretora da Rádio Observador.

Mas, espera lá, isso quer dizer que gostou de estar na prisão?

Ai, Peninha, vi tanta coisa e experimentei tantas outras coisas.

Mas nem 24 horas passaram, Beatriz.

24 horas? E são 48 espaços noticiosos. Vamos lá trabalhar. Eu quero incensos e descanso. Adiós, muchachos. Vão simbora. Alô? Manolito? Como estás, carinho? Sim, ya los tengo. Permacultura, here we go.

Fatinha, apesar de sentir que tem a cabeça a prêmio, decide seguir com a sua vida normal. E, como tal, às 16h20 é hora das dicas da Fatinha. Ainda desconfiada, passa no gabinete de Beatriz.

Dá licença, Beatriz. Ui! Echa, lá, que cheiro é este? Cheira a resina.

Resina sagrada, mirra, Fatinha.

Credo. Ai, minha Nossa Senhora. Quer dizer, você está mesmo, eu vou lhe dizer uma coisa, você já passou por tudo. É executiva, é marinheira, é cowboy, agora é frika?

O que queres, Fatinha? Estás esquisita, estás com uma aura, uma auréola, uma cena pisada.

É um chapéu, Beatriz. Mas está bem, deixa estar. Olhe, eu vim aqui pra lhe dizer uma coisa, que é assim, é o seguinte.

Diz depressa.

Apesar de tudo, eu acredito que no fundo você nunca me quis fazer nada de mal e que você até gosta de mim.

Isso foi depressa demais, Fatinha. Mas estás enganada. O público adora as tuas dicas, portanto, fazer o quê, não é? Desde a explosão subimos as audiências em 300%. Posso usufruir agora destes chás de ervas que comprei atrás da estação de serviço ou vais continuar a chatear-me?

O mistério continua. Alguém quer fazer mal à Fatinha e pouco faltará até sofrer uma próxima tentativa. Será que desta vez vão mesmo apanhar a Fatinha? Terá Amâncio destreza suficiente para apanhar o vilão antes que ele volte a atacar? São perguntas para as quais teremos a resposta em breve. Até lá, Fatinha, boa sorte e cuidado, muito cuidado.

Boa sorte, boa sorte ao mais triste e ao mais sisudo. Boa sorte, boa sorte e um chocho bigodudo.