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"We choose to go to the moon, not because they are easy, but because they are hard."
Roger. Roll pitch.
Já estamos com a cabeça na Lua. Hoje, dia 6 de abril, os quatro astronautas da missão Artemis 2 chegam ao lado oculto da Lua. Neste momento, já estão numa aproximação do nosso satélite natural e nas próximas horas vão contornar a Lua. Quando isso acontecer, vão ficar sem comunicações durante um curto período de tempo. Aqui na Rádio Observador acompanhamos ao detalhe esta viagem. Eu sou o Miguel Cordeiro e vou estar hoje à conversa com José Augusto Matos. É astrónomo, é um divulgador da ciência, uma voz recorrente aqui na Rádio Observador quando falamos de investigação espacial. Olá, José Augusto Matos.
Olá, Miguel. Tudo bem?
Vamos já a seguir falar desse momento marcante desta viagem, a chegada ao lado oculto. Mas primeiro vamos escutar uma comunicação entre o planeta Terra e a nave Orion. Aconteceu nas últimas horas. Foi também num momento muito importante desta viagem. Vamos escutar.
We recently received confirmation that the Orion spacecraft and its crew have officially entered the lunar sphere of influence. That milestone taking place at a mission elapsed time of four days, six hours, two minutes and 54 seconds into the Artemis II mission. By reaching this milestone, it means that the gravitational forces of the Moon are now greater on the Orion spacecraft than that of Earth.
I also would like to share that we noticed we entered the lunar sphere of influence about an hour ago, and sure enough, we are now falling to the Moon rather than rising away from Earth. It is an amazing milestone. Also earlier, we had the Earth out as a crescent out the side hatch and the Moon out window three, and definitely by far, the Moon is bigger than the Earth.
A Lua é maior do que o planeta Terra, o que escutávamos neste final de comunicação. Os quatro astronautas da missão Artemis da NASA entraram nesta esfera de influência gravitacional da Lua no início da manhã desta segunda-feira, na hora de Portugal continental. Aqui escutámos a comunicação entre a sala de controle e a astronauta Christina Koch. Mas aqui, José Augusto Matos, vamos falar sobre isto. A Orion, esta nave, está agora na esfera de influência gravitacional da Lua. Nós ontem falámos um pouco sobre isto, mas não é bem agora uma órbita, é um sobrevoo lunar. O que é isto ao certo?
Neste caso concreto, eles de facto já estão muito próximos da Lua e quando nós referimos que estão na esfera de influência lunar, quer dizer que neste momento e durante os próximos tempos, a gravidade da Lua prevalece sobre a gravidade terrestre, ou seja, a nave é principalmente influenciada na sua trajetória pela gravidade lunar e não pela gravidade terrestre.
Sim. Ainda sobre isso, só para perceber. A nave nunca deixa de estar dentro da gravidade do planeta Terra, em nenhum momento da viagem que isso aconteça.
Exatamente, porque a esfera de influência da Terra vai até à Lua e prolonga-se, porque a Lua comanda à nossa volta, é puxada pela Terra. Agora, neste caso concreto, como eles estão muito próximos da Lua, de facto, a gravidade lunar prevalece sobre a gravidade terrestre, ou seja, a trajetória da nave neste momento é já ditada pela gravidade lunar e não pela gravidade terrestre. Por exemplo, a nave acelerou em relação à Lua, já está mais rápida do que estava anteriormente. Desse ponto de vista, quando consideramos a questão das esferas de influência da Lua, tem a ver com isso. A Lua predomina neste momento sobre a trajetória da nave.
Esta conversa que aqui escutámos da torre de controle com a nave foi partilhada nas redes sociais da NASA. Nesse vídeo podemos ver também uma fotografia da Lua tirada pela tripulação e também uma imagem do planeta Terra em crescente, tal como costumamos nós ver a Lua quando olhamos a partir do nosso planeta.
Exato.
São imagens muito curiosas. Mas vamos ao plano para hoje e vamos ter de ouvir aqui mais uma mensagem. Os astronautas, por volta das 23h45, vão ficar sem comunicação. Nós já vamos falar sobre isso. Antes, vamos escutar a mensagem que receberam os astronautas logo pela manhã. E aqui vamos escutar já com dublagem para percebermos ao certo esta mensagem que eles receberam.
"Hello, Artemis II. This is Apollo astronaut Jim Lovell."
"Olá, Artemis II. Daqui fala o astronauta da Apollo, Jim Lovell. Bem-vindos ao meu antigo bairro. Quando Frank Borman, William Anders e eu orbitámos na Lua, na Apollo 8, demos à humanidade o primeiro olhar de perto à nossa Lua e conseguimos uma vista completa do nosso planeta. Isso inspirou e uniu as pessoas em todo o mundo. Tenho o orgulho de passar esse bastão para vocês enquanto orbitam a Lua e lançam as bases para missões a Marte para o benefício de todos. É um dia histórico e sei o quanto vocês vão estar ocupados. Mas não se esqueçam também de apreciar a vista. Reid, Victor, Christina, Jeremy e todas as grandes equipas que os apoiam, de todos nós aqui na Terra, boa sorte e que Deus vos acompanhe."
"Good luck and Godspeed from all of us here on the good Earth."
Escutamos Jim Lovell, astronauta da Apollo 8 e da Apollo 13, e que na Apollo 8 fez algo muito semelhante ao que estes quatro astronautas vão fazer hoje. Jim Lovell já morreu e gravou esta mensagem ainda antes de morrer, sabendo que a Artemis 2 iria fazer esta viagem. Mas, de facto, José Augusto Matos, a viagem que fez Jim Lovell em 68 foi praticamente igual à que estão a fazer estes quatro astronautas.
Sim, é verdade. Aliás, a viagem dele em 1968 também foi histórica, eu até diria muito mais histórica do que agora, porque na altura foi de facto a primeira vez que uma tripulação humana foi até à Lua. E no caso dele, foi um pouco diferente na Lua, porque eles entraram mesmo em órbita. Neste caso não vai haver isso. Exatamente, eles estiveram mesmo à volta da Lua. Portanto, foi até uma manobra mais complexa. O Lovell tem uma coisa também muito curiosa. Esta mensagem, eu por acaso não sabia que ele tinha gravado isto, só foi divulgado hoje. Mas o que é que acontece? Ele tem ainda um outro aspecto muito curioso da vida dele. Ele viveu até ao ano passado, morreu em agosto passado, mas ele foi duas vezes à Lua, foi na Apollo 8 e depois foi na Apollo 13. E ele na Apollo 13 tem um recorde que vai ser batido esta noite, que é: ele foi, juntamente com os colegas dele na altura, a tripulação humana que esteve mais longe da Terra há 400 mil quilômetros. Esse recorde vai ser batido hoje pela Artemis 2, vão estar a 406 mil. Mas eu diria que há aqui uma ligação histórica muito interessante. Ele em dezembro de 68, quando foi na Apollo 8, fez a mesma coisa que agora a Artemis 2 está a fazer. Há esta relação histórica entre os dois eventos.
Sim. E deixo a recomendação a um ótimo filme de 1995 em que Jim Lovell é protagonizado por Tom Hanks, que conta a viagem da Apollo 13. E é um ótimo sugestão também para se perceber ao certo como correu essa viagem à Lua, em que Jim Lovell também participou nessa altura, a segunda vez que iria à Lua.
E foi uma viagem azarada em abril de 1970, porque foi o acidente mais grave que aconteceu no espaço com uma missão Apollo, foi com a Apollo 13. Repara, Miguel, que ele, em 1970, na Apollo 13, iria a lunar, portanto iria pousar na Lua, em 68 não, em 68 isso não estava previsto. E ele vai duas vezes à Lua e não consegue pousar na Lua. Portanto, foi um homem um bocado azarado na história.
É isso mesmo. Desta vez ninguém vai a lunar. Ninguém vai pousar na Lua, mas na próxima missão isso já deve acontecer. Mas vamos ao que vai acontecer hoje, o grande momento, a chegada ao lado oculto. Primeiro: afinal, o que é isto do lado oculto e por que não podemos dizer lado escuro? Por que esse termo está mais errado? O que é isto do lado oculto para quem nos ouve?
O lado oculto, como o próprio nome diz, é o lado da Lua que nós nunca conseguimos ver da Terra. Isto por quê? Porque a Lua tem um movimento de rotação que é exatamente igual ao movimento de translação à volta da Terra. Ou seja, ela demora para rodar sobre si própria 28 dias, mais ou menos quatro semanas, e também demora exatamente o mesmo tempo a andar à volta da Terra. E esta sincronização entre os dois movimentos faz com que nós, cá da Terra, estamos sempre a ver a mesma face, que é a chamada face visível da Lua. O lado oculto, no entanto, convém aqui referir aos nossos ouvintes, é conhecido há imenso tempo, há décadas que nós conhecemos o lado oculto. Eles hoje, quando passarem na parte de trás da Lua, vamos assim dizer, no tal lado oculto, não vão ver nada que seja desconhecido. O lado oculto é perfeitamente conhecido. E mais do que isso, eles também vão ter uma limitação nesse aspecto, que é o lado oculto, neste momento, só 20% é que está iluminado pelo sol e o resto eles não vão conseguir ver os restantes 80% do lado oculto. Mas mesmo essa parte que eles vão observar e vão fotografar com as máquinas que levam a bordo, é uma parte perfeitamente conhecida. Nós temos missões na Lua há imenso tempo.
A China, neste momento, tem um rover atualmente nesse lado oculto, certo?
Sim, mas globalmente, o lado oculto é perfeitamente conhecido. Eu diria que aqui, como já temos falado noutros programas destes, é que como eles vão à Lua, eles vão aproveitar essa viagem também para fazer fotografias e para fazer alguns estudos geológicos dessa zona. Mas é uma zona, eu gostava aqui de salientar isso mais uma vez, é uma zona perfeitamente conhecida. É conhecida há imenso tempo e não vão descobrir nenhuma formação nova, nem nada que se pareça.
Mas é aliás esse conhecimento que vai sendo cada vez maior sobre esse lado oculto, que está também a motivar esta nova corrida espacial e aquilo que se pode encontrar ou que os países envolvidos nesta exploração espacial acreditam que podem encontrar nesse lado oculto. É uma conversa para outro programa.
Para outro programa, exatamente. Eu deixava só uma nota final, Miguel, que é: o lado oculto, no futuro, poderá obviamente ser explorado por missões na superfície, como já aconteceu com esse rover chinês. Mas é uma área como o lado visível, que no futuro, com certeza continuará a ser explorada, embora neste caso concreto, não vai haver nenhuma descoberta extraordinária por esta passagem por trás da Lua.
Sim, vamos aqui às horas e na hora de Portugal continental. Às 23h44, esta equipe de quatro astronautas vai entrar no LOS, loss of signal. Vai perder o sinal quando chega a esse lado oculto. E isto vai durar mais ou menos entre 35 e 40 minutos. O que acontece durante estes 40 minutos? O que vai acontecer e o que eles vão ver? Porque não vão conseguir ver esse lado oculto, mas vão ter uma visão e já se fala que vão ver aqui uma espécie de eclipse, não é?
Eles durante essa parte da viagem, do tal sobrevoo que eles vão fazer pelas costas da Lua. Pelo lado de trás da Lua. Essa parte da viagem é a parte em que a Lua fica mesmo à frente da Terra, em relação à própria nave, e eles, nesse caso, como não têm nenhum satélite à volta da Lua para fazer a transmissão para a Terra, vão ficar bloqueados. Ou seja, eles durante 40 minutos não conseguem comunicar com a Terra porque a Lua está mesmo à frente deles e não há qualquer hipótese das ondas de rádio passarem. Mas eu diria que essa parte terá interesse, porque para eles vai ser o ponto também de maior proximidade à Lua, eles vão passar a cerca de 6500 km de distância no ponto mais próximo. Será uma parte bastante interessante do sobrevoo. Agora, não estamos à espera de grandes alterações ou que aconteça qualquer coisa de relevante durante essa parte. Para a Terra, obviamente, há sempre uma expectativa, e no centro de comando em Houston, de esperar que eles depois voltem a estar contactáveis, daí a 40 minutos. Mas o voo é um voo perfeitamente normal e, portanto, não estamos à espera que durante esses 40 minutos aconteça algum acidente inesperado e que eles não apareçam do outro lado ou que deixem de comunicar. Mas é uma situação normal nestas missões tripuladas, porque já acontecia no tempo das missões Apollo, quando eles estavam em órbita, e até no caso Apollo isto acontecia várias vezes, porque eles estavam mesmo em órbita e davam várias voltas à Lua. Em que, de facto, quando eles passavam pelo lado de trás, perdiam sempre a comunicação. Isto um dia poderá ser resolvido nestas missões futuras, se nós tivermos um satélite à volta da Lua que faça depois a retransmissão para a Terra das comunicações e aí esse problema será resolvido.
E se não estou em erro, isso está planeado para a Artemis 4 ou 5 ter esse retransmissor do lado oculto da Lua.
Sim, porque nas missões Artemis 4 e 5 já estamos a falar de alunagens.
Exatamente.
E então, nesse caso, a questão das comunicações é importante, embora as missões que vão ser realizadas na Artemis 4 e Artemis 5, de alunagem, embora o sítio não está ainda selecionado, mas de certeza que serão feitas ainda do lado visível. Portanto, eles terão hipótese de comunicar diretamente na mesma com a Terra. Não estamos, para já, a prever missões no lado oculto nesse aspecto.
Ainda sobre esta passagem que eles vão estar sem comunicações, é nesse momento que vão atingir esse recorde de distância da Terra, ou seja, a tripulação vai atingir o ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos. É disto que estamos a falar?
Sim, exatamente. Coincide também com esse período de corte nas comunicações. Eles nessa altura, há uma parte da trajetória da nave em que ela chegará aos 406 mil km e irá bater o recorde da Apollo 13, em 1970, que esteve nos 400 mil. Também não é uma diferença muito grande. São mais 6 mil km. Mas eu diria que para o Guinness Book entra, portanto, tem uma certa curiosidade essa parte da trajetória também.
Mas para se perceber, para quem nos escuta entender isto, eles fazendo essa trajetória um pouco maior e, portanto, estando um pouco mais distantes, estando neste sobrevoo da Lua, não há aqui nada que os possa tirar da rota definida de contornar a Lua e voltar ao planeta Terra?
Não, nada. Por isso é que eu referia que, apesar desse corte das comunicações, nós não estamos à espera que durante esse período em que eles estão incontactáveis e que não têm qualquer hipótese de comunicar com a Terra, não estamos à espera que aconteça nada de especial durante essa parte da trajetória. Portanto, a nave irá fazer a trajetória programada, com certeza sem grandes percalços, nem nada que se pareça, e irá depois reaparecer novamente e irá entrar em comunicação. Portanto, teria que acontecer, eu diria, algo de muito extraordinário para que a nave durante esses 40 minutos tivesse um acidente, tivesse uma situação qualquer estranha, que se iria justamente processar nesses 40 minutos. Portanto, nós não estamos à espera, eu sei que há uma grande expectativa sobre isso, a não ser, meu caro Miguel, que seja atingida por algum asteroide que esteja sempre ali naquele sítio. Mas falando um pouco mais sério, de facto, não. É uma parte perfeitamente previsível da trajetória. Já sabemos que isso acontece sempre que uma nave passa por trás da Lua e estamos à espera que eles passados os 40 minutos voltem a comunicar e estará tudo normal, com certeza. Não haverá grandes novidades quanto a isso.
Há pouco explicava que quando eles entraram aqui neste espaço em que estão mais próximos da Lua do que do planeta Terra, estão a ser mais puxados pela Lua do que pelo planeta Terra, ganharam velocidade. E portanto, quando deixarem essa zona da Lua e começarem a viagem de regresso ao planeta Terra, também vêm numa velocidade maior do que na viagem de ida.
Ora bem, essa parte da trajetória é muito interessante porque irá acontecer a seguinte situação: eles vão passar, vão ganhar a própria Lua, vai servir como se fosse uma física gravitacional.
Exato.
Portanto, vai-lhes dar ali um impulso para eles voltarem em direção à Terra. E o que é que vai acontecer? Haverá ali até uma certa distância, a área de influência da Lua, já agora para os nossos ouvintes também perceberem, vai mais ou menos até ali aos 6 mil km de distância da Lua, 6 mil, 7 mil. Aliás, estou a errar, 60 mil. Já estava aqui agora a tirar-lhe um zero. Não, 60 mil km. Portanto, ela vai ali até aos 60 mil, 70 mil, e a partir daí, quando a nave já estiver a passar essa distância, a gravidade terrestre começa novamente a prevalecer outra vez. E portanto, eles aí depois, no resto da viagem, que são mais quatro dias, irão começar a sentir cada vez mais a atração gravitacional da Terra. É claro que há ali um período em que eles depois também, à medida que se vão aproximando da Terra, vão começar a ganhar velocidade. E quando chegarem perto da Terra, para o final da semana, aí sim, eles irão atingir uma velocidade muito elevada, principalmente quando forem entrar na atmosfera, estarão próximos dos 40 mil km/h, que é realmente uma velocidade impressionante para uma nave. E a reentrada é outra altura da viagem que é muito melindrosa, porque se alguma coisa corre mal na reentrada, aí sim, podemos ter problemas muito sérios, porque a nave atinge grandes temperaturas durante a passagem nas altas camadas da atmosfera e portanto, digamos que essa reentrada tem que ser feita com uma grande precisão, com o ângulo certo de entrada. Há uma série de fatores que entram nessa reentrada para que nada de mal aconteça à nave, nesse caso. Mas neste caso, eles vão passar agora ainda dentro da zona de influência lunar e a partir dos 60 mil km começam a baixar, a gravidade terrestre volta novamente a prevalecer sobre a gravidade da Lua. E depois a viagem, pouco a pouco, eles vão começar a sentir cada vez mais a influência terrestre, da gravidade terrestre, e irão fazer o seu caminho até à Terra. E aí sim, quando chegarem aqui perto Vão ganhar uma velocidade considerável e, portanto, na fase final eles vão chegar bem depressa.
Estava a dizer quase 40 mil km/h? Era o que me estava a dizer?
Sim, na reentrada, exatamente. Por quê? Porque eles, quando estiverem muito próximos da Terra, já agora, nós depois com certeza iremos acompanhar isso no final da semana. Mas já agora, para dar uma pequena visão do que vai acontecer, o que é que se passa? A nave, quando chega muito próxima da Terra, vai libertar o módulo que tem atrás, encaixado, o módulo europeu, que foi fabricado cá na Europa, que é o chamado módulo de serviço, onde estão os equipamentos mais importantes da nave, e será completamente abandonado, porque já não tem utilidade nenhuma. E a reentrada na atmosfera, depois a própria cápsula da nave Orion irá manobrar para entrar com a parte de baixo virada para a atmosfera. Essa manobra irá ser feita já muito próxima da nossa atmosfera terrestre e a nave vai entrar com essa parte. Por quê? Porque é a parte que está protegida contra o calor que ela vai sentir na reentrada. Mas nesse caso, ela, de facto, estará com uma velocidade considerável, porque está muito próxima da Terra. Miguel, ela depois, durante a fase de aproximação à Terra, vai acelerando cada vez mais. Não é? E por quê? Porque a Terra vai puxando. Ainda por cima, no espaço, ela não tem resistência ao movimento. Ou seja, a aceleração que ela vai ganhando vai sendo cada vez mais substancial. Ou seja, ela irá ganhar cada vez mais velocidade, porque não existe ar, não existe nada à frente que vá impedir esse movimento. E portanto, quando chegar aqui próximo, sim, eles vêm com uma velocidade considerável e entramos na tal fase melindrosa que, no passado, em situações pontuais, mas temos um caso muito famoso em 2003, foi com o vaivém espacial. Houve um acidente gravíssimo nessa altura com o vaivém na reentrada. Neste caso, há uma câmara que irá depois verificar o revestimento térmico da cápsula.
Isso já aconteceu na Artemis 1. Já foi feita essa reentrada e já foram feitas essas avaliações todas.
Exatamente. Já não é a primeira vez que a nave Orion entra na atmosfera. Já em 2022, no primeiro teste da nave, mas não ia ninguém lá dentro. Se houvesse um acidente, os únicos que sofreram lá dentro era o Snoopy que ia lá dentro, coitado.
E não foi ninguém lá dentro, precisamente porque servia para testar esta missão.
Claro, exatamente. Já agora, por brincadeira, mas meia a brincar, meia a sério, essa cápsula em 2022 levou apenas dois astronautas. Levou o Snoopy, de fato, vestido com o fato, e levou um manequim, daqueles manequins como nós vemos aí nas lojas de roupa, também vestido com fato para experimentar e com sensores. Mas o Snoopy, coitado, seria a polícia ao vítima nesse caso, se alguma coisa acontecesse grave.
Desta vez são quatro astronautas, ainda não é tempo de regressar. Agora estão já perto de estar no ponto mais distante que alguma vez um ser humano esteve. Nós chegamos ao final deste episódio. José Augusto Matos, muito obrigado. Marcamos encontro-
Foi um gosto, Miguel.
Já para amanhã.
E vamos acompanhar amanhã novamente.
É isso, e para fazer esse balanço dessa passagem pelo ponto mais distante desta viagem. O "Cabeça na Lua" está de regresso à antena da Rádio Observador já amanhã.
"We choose to go to the Moon, not because they are easy, but because they are hard."