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E esta tarde o cabeça de cartaz é o ciclo Festival 13aSolo. O cabeça de cartaz é também o Pedro Sousa, que está comigo em direto a esta hora. Muito boa tarde, Pedro.
Boa tarde, Nelson.
Pedro, estás na Póvoa de Varzim?
Precisamente, neste momento.
Como é que está o mar?
Olha, estou a olhar para ele agora, está pacífico.
Ótimo. O Pedro Sousa é um dos organizadores deste ciclo 13aSolo. Vai já para a quarta edição. Pedro, se calhar começaríamos por tentar perceber como é que nasceu esta ideia e quais são as características deste festival, que este ano acontece sexta e sábado no Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim. Vamos já para a quarta edição, mas como é que tudo isto começou? Já com este formato que tu vais explicar agora.
O 13aSolo teve a sua primeira edição em 2016, e surgiu de uma vulgar conversa entre amigos a propósito de programar e trazer alguns artistas à nossa cidade natal. Todos os músicos que vêm tocar o 13aSolo são sempre músicos que nós apreciamos e que, de certa forma, também gostaríamos de ver ao vivo. Começou assim numa conversa. Na altura, optamos pelo Peixe, pelo Homem Qatar e pelo Dutrescoazo. Fizemos o convite, eles aceitaram, a coisa se fez. Era para ser um ato único, não era para ser um ciclo, nem um festival. Não era para ter repetição, mas felizmente correu bem, nós gostámos, o público também aderiu. Então resolvemos fazer uma segunda edição e quando dámos por ela, já vamos na quarta. E este ano resolvemos alargar um bocadinho o festival para dois dias. Até então, era sempre uma noite única com três artistas no grande auditório do Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim. E este ano conseguimos alargar o festival para dois dias, sendo que a primeira noite, esta sexta-feira, também com três artistas, decorre no Café Concerto do mesmo Cine-Teatro. E o dia seguinte, no sábado, mais três artistas a apresentar-se-ão no grande auditório do Cine-Teatro.
Pedro, pelo que percebi, há aqui uma característica que está inerente ao próprio nome do festival, 13aSolo, 13 artistas, mas há esta predominância de nomes que tocam em nome próprio ou a maioria das vezes completamente sozinhos em palco, é isto?
Sim, essa é uma das condições do festival. Os músicos terão que se apresentar a solo, porque há também aqui uma intenção de ter um momento próximo entre o músico e o público. Muitas das vezes os artistas acabam por conversar um pouco com o público ou apresentar os seus temas, fazer às vezes uma roupagem nova. A relação é sempre muito estreita entre a plateia e o palco. E nós acreditamos que o facto de ser um concerto a solo, ser um momento a solo, que o artista também está mais, não quer dizer exposto, mas mais só com a presença do público. Não consegue fechar-se numa banda e acaba por abrir-se um bocadinho mais com o público e dá-se um espetáculo que nós pretendemos que seja mais íntimo, mais de proximidade com a plateia.
É por isso que até chamam ao Cine-Teatro Garrett uma espécie de vossa sala de estar, onde estes músicos vão estar. É por esse caráter intimista também destas atuações?
Sim, surgiu a ideia, logo na primeira edição, de tentarmos recriar um cenário que ajudasse a proporcionar esse ambiente, daquilo que falámos, e naturalmente tivemos a ideia. Em 2016 fizemos nós, cada um de nós levou uma cômoda, um candeeiro, uma cadeira, um sofá e fizemos a decoração do palco para proporcionar esse ambiente. Mas desde 2017 contamos com a colaboração da Isabel Baptista, que além de ser uma excelente decoradora, também tem uma loja de mobiliário vintage. Ela desde 2017 que cria toda a cenografia, que mimetiza o ambiente de uma casa, de uma sala de estar, normalmente, para ajudar a criar esse ambiente. Este ano teremos uma novidade, em princípio, em relação a isso. A Isabel, em princípio, vai dar larga à sua imaginação e fará um cenário mais elaborado. E estamos também na expectativa nós, com a ideia dela, para ver como é que vai correr.
O festival arranca na sexta-feira. Segundo percebi, corrija-me se estou enganado, Vasco Oliver, Daniel Catarino e João Praça são os primeiros três nomes do festival. João Praça e Daniel Catarino, já mais meus conhecidos, não tanto Vasco Oliver. De quem se trata e o que é que me podes dizer sobre este nome, que para mim, infelizmente, ainda é um pouco desconhecido?
O Vasco Oliver é um músico madrileno, que nós tivemos o prazer de conhecer. Conheci-o até por intermédio de um amigo e colaborador também no festival, que nos apresentou o artista e nós gostámos muito do trabalho dele. Até já colaborámos com ele numa primeira vinda dele a Portugal. Fez aqui uma série de concertos, até tocou na Póvoa de Varzim, aqui no Café Schmidt, onde por vezes existem Alguns concertos, assim mais pequenos.
Provavelmente um dos melhores sítios a visitar na Póvoa de Varzim.
Sim, sem dúvida. E ele deu um ótimo concerto e as pessoas gostaram. Nós também gostamos muito. E a relação manteve-se com ele e o convite foi natural. O Vasco Oliveira é um músico actualmente a solo. Cria muitas das suas músicas à base de loops, atmosferas e camadas com diversos efeitos. Ele vai gravando camadas de guitarra e de voz e vai criando algumas canções com ambiente muito espacial e ambiental.
É um Noiseharb de Madrid?
Nunca tinha pensado nessa comparação.
Eu ainda não ouvi, estou só a descrever pelo que tu acabaste de dizer.
Essa pergunta é muito ingrata. É pelo menos com menos parafernália palco. Leva menos material, tem algumas ferramentas, muitos efeitos, muitos pedais, mas só guitarra e voz. O Noiseharb costuma ter mais teclado, mas no que toca à parte musical, poderá ter alguns pontos de contacto. Estou agora a pensar, porque nunca tinha feito essa comparação que apresentaste agora, e de facto, sim, existem alguns pontos de contacto.
Pedro, no sábado há a Lula Pena, que tem andado numa longuíssima tour nacional com as suas novas canções. Também o projecto O Gajo e um outro que eu não conheço e aí peço a tua ajuda, Yosun?
Sim, é uma cantora venezuelana, que se não me engano até tem naturalidade espanhola, mas nasceu de facto na Venezuela. Aquilo a que se chama uma artista do mundo, porque ela nasceu na Venezuela, foi para Espanha, creio que também tem vivido no Brasil, vive em Portugal neste momento, no Porto. É uma artista que nós também achamos interessante para trazer à Póvoa de Varzim. Ela canta e toca um instrumento de cordas chamado cuatro, que é um instrumento venezuelano, um instrumento de quatro cordas. Ela neste momento, apesar de colaborar com outros projetos e outras bandas, está numa carreira a solo, só mesmo com ela em palco. E dá-se pelo nome de Yosun.
Muito bem, Pedro Sousa, estamos elucidados quanto ao cartaz da quarta edição do Festival 3a Solo, com esta novidade este fim de semana e nesta quarta edição com dois dias, sexta e sábado. Só para terminarmos, há um bilhete para os dois dias do festival e depois bilhetes para cada um dos dias?
Sim, o bilhete da sexta-feira custa €6 e para o segundo dia, no sábado, tem o valor de €10. O passe geral são €12.
E dá direito a seis espetáculos.
Exatamente. Creditamos que €12 é um belíssimo preço pelos dois dias.
Muito bem. Está então apresentado no "Cabeça de Cartaz" a quarta edição do Festival 3a Solo. Decorre este fim de semana, sexta e sábado, no Cineteatro Garrett. O Pedro Sousa foi o meu convidado no "Cabeça de Cartaz". Pedro, obrigado, parabéns por este festival. Se não for mais, voltamos a falar daqui a um ano, na quinta edição do 3a Solo.
Obrigado, Nelson.
Um abraço para a Póvoa de Varzim, onde decorre este 3a Solo. Este fim de semana os bilhetes já estão à venda, €12 para os dois dias de concertos, €6 para o primeiro dia, €10 se só quiserem assistir aos concertos de sábado. Foi o destaque do "Cabeça de Cartaz" de hoje, que não tarda está disponível também no site observador.pt.