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Cassete 60.
A discoteca estava cheia, seriam mil clientes no espaço onde deveriam estar apenas 360. Nesse dia, 16 de abril de 2000, quem foi dançar à discoteca Luanda, em Lisboa, não imaginou que a noite acabasse em tragédia.
Duas granadas de gás pimenta foram lançadas na pista e a luz foi cortada. O pânico instalou-se. Sete pessoas morreram esmagadas contra a porta principal de saída, 35 ficaram feridas.
Os que se salvaram relataram à TVI, naquela madrugada, os momentos de terror que viveram.
Meteram gás tóxico na discoteca, apagaram as luzes, as pessoas entraram em pânico, saíram todas.
Entretanto, eu desmaio, só dou por mim a sair cá fora e um corpo já morto ali ao pé de mim.
As causas da morte são genericamente atribuídas a factos resultados de situações de pânico. Segundo escreveu, no dia seguinte, o jornal Público, que citava, de resto, a Polícia Judiciária. Mas o mais provável é que as vítimas tenham sido esmagadas contra a porta principal, a única saída a que a maior parte dos clientes acorreram, uma vez que as luzes estavam apagadas e não conseguiam ver as outras portas.
Foram os funcionários a garantir aos jornais que estava o triplo das pessoas permitidas no espaço. À época, a discoteca Luanda era a discoteca africana mais in da capital e, nos sábados à noite, a gerência fechava os olhos à lotação máxima admissível.
No dia seguinte, ao meio da tarde, a Polícia Judiciária fazia as primeiras declarações sobre o caso.
Não temos ninguém detido, embora tenhamos alguns suspeitos.
Estão localizados?
Mais ou menos.
Mais ou menos. A verdade é que, apesar de identificados, nunca foram apanhados. Um ano depois, no Parlamento, aquele que era à época deputado do PSD, Durão Barroso, questionava o primeiro-ministro António Guterres sobre os resultados da investigação.
Onde é que estão os responsáveis pela morte de sete pessoas na discoteca Luanda, em abril do ano passado, que o seu ministro da Administração Interna disse que a sua captura estava iminente por algumas horas? Onde é que estão?
O tema era suficientemente importante para ser chamado à Assembleia da República, mas a resposta do primeiro-ministro não foi satisfatória.
Posso dizer-lhe que os criminosos estão identificados, que são cidadãos de um país estrangeiro, que não estão em território nacional, que há alguns aspetos diplomáticos delicados a esse respeito e que estarei à sua disposição para lhe fornecer os elementos indispensáveis.
A autoria deste ataque foi atribuída a um grupo de cabo-verdianos que fugiram nas horas seguintes ao crime e que hoje, ao fim de 23 anos, nunca foram apanhados.
Por uma coincidência bizarra, exatamente no mesmo dia, mas três anos antes, ocorreu o atentado no bar de alterne Meia Culpa, que fez 13 mortos. Aí os culpados foram levados à justiça e condenados. Até temos um Cassete 60 sobre o tema. Depois desse caso em Amarante, a discoteca Luanda ocupa o segundo lugar dos mais trágicos acontecimentos num espaço noturno.
Eu lembro-me bem deste caso e quando estávamos a preparar este Cassete 60, depois encontrei outros casos na discoteca Luanda, nos anos seguintes, 2005, 2007.
Há vários, sim, relacionados com violência à porta.
Sim, e outros mortos.
Mas nenhum caso como este, nem nenhum no interior do espaço.
Este foi um caso muito badalado no ano de 2000. Vamos então fazer zoom out a este Cassete 60. Vamos perceber o que é que víamos no cinema no ano 2000.
E no cinema deu que falar o filme "Quase Famosos", uma comédia dramática que acompanha um jovem jornalista da Rolling Stone numa digressão com a banda fictícia Stillwater. Valeu a Cameron Crowe o Oscar de melhor argumento original e nos Grammys venceu ainda o prémio de melhor banda sonora, onde figura esta "Tiny Dancer" de Elton John.
Aqui com grande parte do elenco a cantarolar a "Tiny Dancer".
Isto não era bem uns jovens jornalistas, era um catraio.
Pois, era um miúdo. Aliás, diz-se que é mais ou menos autobiográfica, porque o Cameron Crowe tinha sido jornalista da Rolling Stone, acho eu.
No ano 2000, podemos dizer que a grande figura no cinema foi Steven Soderbergh. O realizador assina "Erin Brockovich", onde brilha Julia Roberts, e ainda "Traffic", com Don Cheadle, Benicio del Toro, Michael Douglas, Dennis Quaid e Catherine Zeta-Jones. "Traffic" valeu a Soderbergh o Oscar de melhor realizador e justificadamente.
Também acho.
Disseste justificadamente?
Justificadamente.
Ok. Disseste: "E depois aqui dizer justificada".
Não, por acaso gosto bué, é dos meus filmes preferidos.
Já na box office de 2000, ninguém vendeu mais bilhetes que "Missão Impossível 2", seguintes no segundo lugar, "Gladiador" e ainda este filme aqui a fechar o pódio.
Fico já com vontade de chorar.
Está a falar por causa da bola. Fica escondido a bola.
Aquela situação é dilacerante, coitado.
Sim. O "Náufrago", que fez de Tom Hanks o vencedor
E justamente do Globo de Ouro de melhor actor.
É verdade. Acho que perdeu o Óscar para Russell Crowe no Gladiador.
Que não foi justo.
Também acho que não. Ainda nos Globos de Ouro, destaque para Bob Dylan, o músico venceu o prémio de melhor canção com "Things Have Changed", pertença ao filme Wonder Boys, Prodígios.
Olha, eu normalmente confundo esse com o outro.
Qual? O Wonder Boys?
Com o Quase Famosos. Não sei.
O Wonder Boys com Almost Famous?
Não sei. Qualquer coisa que faz com que confunda os dois.
Tenho ideia que, por exemplo, Frances McDormand aparece nos dois filmes, no Quase Famosos e também neste Wonder Boys.
Frances McDormand é mãe do rapaz, não é?
Eu acho que sim.
Acho que é mãe do rapaz.
Estava-me a lembrar de uma situação dela a dar aulas ou era professora. Já não me recordo. Sei que este Wonder Boys, do Prodígios, tem Michael Douglas no papel principal, também tem Frances McDormand, tem Tobey Maguire e Robert Downey Jr. De resto, esta mesma canção, a tal "Things Have Changed", também valeu a Bob Dylan, para além do Globo de Ouro, o Óscar de melhor canção original em 2000 e é por isso a escolhida para o fecho do K7 60 de hoje. K7 60.