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K7 60.
Em 1953, Elvis Presley tinha 18 anos e conduzia um caminhão, mas gostava de cantar e a mãe gostava de ouvir. Vai daí, Elvis decide gravar um álbum para oferecer à mamãe. Um ano depois, em 54, grava este que estamos a ouvir, "That's All Right Mama". É um Elvis muito certinho, como podemos ver, porque por quatro dólares só dava para gravar a canção num take apenas. Não havia cá invenções, porque quatro dólares era um take só e já ia com sorte. A mãe nunca ouviu esta música, o que é uma coisa um pouco triste. Por quê? Porque em casa dos Presleys não havia um gira-discos. E Elvis nunca voltou a gravar a canção, apesar de a ter tocado muitas vezes. Atenção que nada disto foi em vão, porque dois anos depois, em 56, Elvis era basicamente o rei. Dois anos depois de ter estado no Sun Studio, em Memphis, o tal estúdio para gravar aquela prenda de aniversário da mãe por apenas quatro dólares, repito. Em 56, Elvis já era Elvis, já tinha vendido mil milhões de discos em todo o mundo, os americanos diziam um bilhão, portanto mil milhões de discos em todo o mundo. Bom, e também ficam a saber que o original, o álbum chama-se "My Happiness", foi a leilão há poucos anos por 100 mil dólares.
Ops, gente.
O acetato original. A verdade é que Elvis entrou naquele estúdio, que aliás ficou famoso, e Elvis deu uma ajuda fundamental a isso, para tornar aquele espaço em Memphis mítico. Aliás, um dos guitarristas que tocava no Sun Studio, diz que todos os músicos têm uma dívida de gratidão para com Elvis Presley. Memphis Jones, acho que é assim que se chama, falou numa peça para a CBS, que eu estive a ver, e diz que Elvis surgiu do nada, totalmente fora do meio artístico ou musical. A expressão é alguma coisa como: "Elvis veio do espaço e uma vez que aterrou na Terra, o mundo mudou". Mas dizia, Elvis entrou no tal Sun Studio com um sonho, que aliás conseguiu concretizar em tempo record, e ao sair do estúdio, deixou a música, o rock e o pop, "all shook up".
Continuando, então, isto foi a 4 de janeiro de 1954. Em junho do mesmo ano, Sam Phillips, o dono da Sun Records, chama Elvis para gravar duas canções.
E em julho, Dewey Phillips, da rádio mais conhecida de Memphis, toca o tal "That's All Right Mama" e o lado B, "Blue Moon of Kentucky", no programa de R&B. Tornou-se num sucesso instantâneo e só naquele dia tocou 14 vezes. Não era o disco que estava riscado, os ouvintes é que ligavam para a estação a pedir a música e queriam saber quem era Elvis. E claro, todos achavam que Elvis era um cantor negro.
Só podia. Só podia ser negro, com este som.
Isto foi a 6 de julho. A 18 de julho, uma semana depois, assinou o primeiro contrato com um agente, que era o guitarrista que o acompanhava, Scotty Moore.
E 10 dias depois, Elvis dá a primeira entrevista a um jornal. É 30 de julho, ainda estamos em 54. Elvis é contratado para fazer a primeira parte do "Slim Whitman Show", um programa de televisão de terceira linha.
E em outubro, Elvis incendeia as redes. Não, as redes sociais, não.
Isso era espetacular.
O Grand Ole Opry, o produtor da sala de espetáculos, do qual não reza a história, nem o nome, diz que aquilo é mau e que a abordagem à música country está mal feita. Há uma célebre frase desse produtor, que manda Elvis voltar a conduzir um caminhão, que era melhor. E assim perdemos um graciano saga norte-americana.
Olha, é verdade.
Bom, este disparate do tal produtor deu-se a 2 de outubro. A 16, Elvis surge pela primeira vez num programa muito popular da rádio.
"Chever Port", talvez?
Isso. Eu sei que é no Louisiana, não sei dizer este nome. E que, aliás, o programa chamava-se precisamente Louisiana Hayride. E pronto, a partir daqui é o que sabemos, não é? Bom, mas eu não quero que a música acabe já. E, portanto, vou dizer alguns fun facts sobre o Elvis. Um, que me deixou supercontente e não sabia, era mega fã dos Monty Python. Isso deixou-me muito contente.
É revelador de inteligência.
Eu sou uma fã de Elvis e, portanto, se ele é fã de Monty Python, sobe logo na minha consideração. Segundo o documentário "Monty Python: Almost the Truth", e eu vi este documentário e não me lembro disto, o Elvis viu o "Monty Python and the Holy Grail" 45 vezes.
Bem, gostava mesmo.
Outra coisa, era um karateca do pior, era cinturão negro. Enquanto estava no serviço militar na Alemanha, já agora, Elvis combateu na Segunda Guerra Mundial, e apesar de todos os apelos de fãs e até de dirigentes políticos, o cantor recusou sempre ter algum tipo de benesse. Alistou-se quando foi chamado para a recruta, ficou estacionado na Alemanha durante o serviço militar e, portanto, nessa altura decidiu dedicar-se às artes marciais. Quando voltou aos Estados Unidos, então conseguiu o seu cinturão negro. Terceiro fun fact: sabem com que idade é que Elvis comprou Graceland? Tirem o número.
24.
32.
Viste a resposta, Nelson, para dizeres 24.
Não. Está cá em baixo. Não tinha visto mesmo, mas tinha a ideia que a riqueza dele foi feita muito cedo, não é?
22 anos. Em 57 comprou a mansão. Três anos antes, tinha gravado aquele disco de $4 e conduzia um caminhão. Em 57, comprou a mansão, que seria a sua casa durante 20 anos, por mais de $100 mil. $100 mil em 57 era muito dollar. São mais dois fun facts sobre Elvis, para o caso de sair no Trivial Pursuit. Comprou o Potomack, que tinha sido de Franklin Roosevelt, em 64, por $55 mil. É um iate que era considerado, aliás, a Casa Branca flutuante, enquanto Roosevelt foi presidente dos Estados Unidos. O barco teve vários donos antes de Elvis. Pouco depois de o comprar, doou o barco ao Hospital de Crianças St. Jude, e a instituição vendeu logo para fazer dinheiro. Por fim, Elvis usava uma cruz, a letra chai em hebraico e uma estrela de David num fio ao pescoço.
Não sabia. Belos fun facts a propósito de Elvis Presley nesta viagem em 1964 e à primeira gravação do Rei.
54.
Estávamos aqui a falar de filmes. O Bruno estava aqui a recordar esse que está na Netflix, que eu ainda não vi e que parece que é recomendado, não é?
Muito bom.
Sim, um excelente documentário, "The Searcher".
Ainda não vi e quero muito ver. E eu estava a recordar o "Elvis/Nixon", com o Michael Shannon, que retrata esse encontro com o ex-presidente norte-americano.
Eu não vi isso, mas é um documentário ou é um filme?
É um filme, mas acho que aquele encontro aconteceu mesmo.
Não, o encontro aconteceu e há fotografias e há vídeos do encontro. E é uma delícia, porque Nixon está deliciado com Elvis Presley. Presley está com o presidente dos Estados Unidos. Está bem.
Ele dá-lhe um título qualquer ao Elvis.
Dá-lhe uma cruz de qualquer coisa, uma coisa desse género.
Uma cruz do Infante Dom Henrique, lá do sítio.
Lá do sítio, certo. Até porque não é só pela sua história na música.
Era o exemplo dos jovens. Era para aí.
Era. E depois foi ainda mais, no final da vida.
As pessoas às vezes perdem-se.
Também é um exemplo para a juventude.
Pode acontecer a todos.
É verdade. Se calhar fazíamos então aqui um zoom out a esta história, hoje trazida pela Judite França ao "Cassete 60", e eu resolvi pesquisar canções que têm como principal inspiração o próprio Rei. E são mesmo muitas. Algumas são até surpreendentes. Esta, por exemplo, é das mais reconhecidas, até por causa daquele ritmo rockabilly que nos remete instantaneamente para o jogo de pelves, de Elvis Presley.
Conseguiste escolher a única música que eu gosto mais da versão do que do original.
É? Por quê?
Gosto mais desta versão dos Queen do que do original. Isto faz parte do álbum "The Game", editado em 1980. Consta até que na gravação do tema, o guitarrista Brian May, para alcançar a sonoridade de Elvis, usou a guitarra Fender Esquire, igual à de James Burton, que acompanhou durante anos o Rei, ao invés da sua habitual Red Special. E não correu nada mal.
Não, é uma música facilmente identificável.
O Brian May com qualquer guitarrinha funciona bem, não é? Até com um cavaquinho.
Sim, uma guitarra e um condicionador para o cabelo, e Brian May está aí para as curas.
E esta foi a primeira canção dos Queen a atingir o número um na tabela de vendas dos Estados Unidos. Só tiveram mais uma canção a chegar ao número um, "Another One Bites the Dust", que também é daquela altura, mas foi escrita pelo baixista John Deacon.
Foram quase todas, não é?
Algumas.
Do baixista não.
O John Deacon e o Freddie Mercury escreviam quase tudo. O Brian May, quando escrevia, não era assim grande coisa.
Não, tem algumas. Vamos discutir isto noutra ocasião.
Vamos discutir isto noutro fórum.
E esta, sabiam que esta é inspirada em Elvis?
"Personal Jesus", dos Depeche Mode, editada em 1990. É, segundo o compositor Martin Gore, inspirada no livro "Elvis and Me", escrito por Priscilla Presley.
Priscilla Presley.
E em como um grande amor pode ser uma espécie de Jesus na nossa vida, como figura de mentoria, sabedoria e carinho. Isto são palavras do Martin Gore.
Eu, que sou uma rapariga que gosta de INXS e Depeche Mode está a seguir, Depeche Mode subiu um grau.
Desculpa lá, como é que é? Tu gostas mais de INXS.
Sim, e Depeche Mode a seguir.
Ok, vou tentar ignorar essa informação.
É a liberdade.
Há um filme novo do Michael Lutchensen. Ainda não vi, gostava muito de ver.
Está no meu coração para sempre. Bom, vamos então a outra?
Vamos a outra, que está aqui, e esta ainda pode ser mais surpreendente.
"Eternal Flame", das Bangles, é de 88 e nasceu depois de uma visita da vocalista Susanna Hoffs a Graceland, a mansão de Elvis Presley, que falamos há pouco. Nos jardins das memórias.
Um dos jardins lá da casa.
Terá encontrado uma vela, que como estava a chover, estava apagada. A chama eterna, eternal flame, nasceu dessa imagem captada pela vocalista das Bangles.
Bonito.
Não fazes ideia.
Também não. Descobri hoje.
Eu gosto mais das Bangles agora.
E não podíamos falar de música sobre Elvis sem falar de "Tupelo", de Nick Cave and the Bad Seeds.
Trouxe esta especialmente para ti, Bruno. Sei que gostas.
Muito obrigado. Este tema, lançado em 1985, usa linguagem bíblica para descrever o nascimento de Elvis Presley em Tupelo, Mississippi, durante uma forte tempestade, e tem como inspiração uma outra canção com o mesmo nome, de Johnny Lee Hooker, que também se centra numa grande inundação na cidade de Tupelo.
Tragédias em Tupelo, até ao nascimento do Rei, é mais ou menos assim esta Tupelo, de Nick Cave and the Bad Seeds. E porque não podíamos ficar aqui o dia todo, mas teríamos canções para isso, seguramente, fechamos com um disco chamado "Class of '55: Memphis Rock 'n' Roll Homecoming". É um disco colaborativo que junta Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, o Roy Orbison e o Johnny Cash. Johnny Cash que se destaca nesta "We Remember The King". O álbum é em parte uma homenagem ao Elvis Presley, mas também a todos aqueles jovens músicos que começaram a carreira nos anos 50, como alguns dos que citei aqui, e particularmente natalio editora Sun Records, pela mão de Sam Phillips.
Deixa-me só fazer aqui uma nota. Assim que eu cheguei à redação, o Nelson perguntou-me: "Sabes o disco que foi gravado na Sun Records?"
Pois, são os anos 50, era provável que fosse dele.
Pois, e eu disse: "Não, foram gravadas na Sun Studios." E ele diz-me: "É a Sun Records".
É a mesma coisa. "We Remember The King". K7, 60.