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Às 16h30, comigo, Nelson Ferreira, mas também com a Judite França. Olá, Judite.
Olá.
Muito orçamento, não é?
Muito orçamento.
Um dia de orçamento.
Meio-dia de orçamento.
Meio-dia de orçamento.
Isso já é muito orçamento.
Tiago Torres também conosco a partir de agora. Olá, Tiago.
Olá, Nelson. Olá, Judite.
O Tiago também tem opinião sobre o orçamento.
Vamos ouvir.
Estou desde as 9h trabalhando nesse assunto. Até o momento, o que eu sei é que há um orçamento. Mas é de cá, não é? É mesmo o orçamento de cá.
Portugal continental e ilhas.
Isso eu já sei. Agora começo o trabalho a partir daqui.
Tens que começar a ouvir os explicadores. Começam às 14h10.
De resto, os explicadores estão disponíveis também no nosso site, observador.pt. Podes começar a subscrever.
Vou ver todos os guiados disponíveis já em seguida. Já subscrevo. Não estou totalmente atualizado.
O Tiago tem também nova edição do "De Maneira" que, no fundo, é muito isto. Depois das 15h30, hoje ainda contamos também com o Termômetro, é a Ana Marques que nos vem falar do mundo dos famosos, e o Tiago Pereira mais à frente, depois das 16h00, tem também o Lado Bom da Vida, que às terças-feiras dá-nos sugestões de séries. Mas para agora, habitual viagem no tempo, o K7 60 de hoje vai até 2000.
Já que entramos em modo Orçamento do Estado, hoje trago-vos uma história com 21 anos sobre o famoso orçamento do queijo Limiano. Quem é que se lembra deste episódio? Tiago, tu lembras-te disto, certeza.
Então não. Claro.
Ele é mais jovem.
Lembram bem disto. Primeiro, eu adoro queijo Limiano.
Então foi por aí.
É o meu favorito.
Se calhar é por aí.
É o que se deve usar na francesinha.
Sim, isso é verdade.
É verdade. É pela textura também.
Boa trivia. Não foi Daniel Campelo.
Estava a dizer que te lembras. Exato.
Sim, perfeitamente. Daniel Campelo, deputado do CDS, que permitiu que António Guterres conseguisse fazer passar o orçamento.
Olha, foram dois orçamentos, aliás.
Dois!
Dois. Só para recordar o panorama parlamentar, o PS tinha 115 deputados, o resto dos partidos juntos também tinham 115 deputados. E a oposição votou em bloco.
E estávamos ainda longe dos tempos da geringonça.
Não havia geringonças na altura. Como o Parlamento estava precisamente dividido ao meio, Daniel Campelo foi uma peça fundamental para viabilizar os orçamentos, o de 2001 e o de 2002. Mas antes disso, no início de 2000, promoveu uma greve de fome.
Essa da greve de fome é verdade.
Já não me recordo.
Com a pança cheia de queijo Limiano, dá pra aguentar bastante tempo.
Foi uma forma invulgar de luta para que fosse devolvida ao Conselho de Ponte de Lima a marca do queijo Limiano. A multinacional Lacto Ibérica tinha adquirido a fábrica que produzia o Limiano. A ideia era transferir a produção para Vale de Cambra. Campelo não era claramente um deputado comum e estava na Assembleia da República para defender o seu conselho. O que, aliás, provou de novo, meses mais tarde, e aí deixa, de facto, o país em choque com a abstenção que permitiu viabilizar o orçamento em troca de investimentos públicos no distrito de Viana do Castelo.
Foi basicamente um negócio.
Foi basicamente um negócio. Incluía a manutenção da fábrica do queijo Limiano, mas não só. Em troca, Campelo quis a conclusão dos eixos rodoviários Porto-Viana-Caminha e a ligação à Ponte de Lima, mas também outros projetos para a região do Alto Minho.
Tinha, portanto, um caderno de encargos, em troca da abstenção. Imagino os debates na assembleia na altura da aprovação do orçamento. Devem ter sido animados.
Foram animados. E não precisas de imaginar, porque vamos poder ouvir Daniel Campelo a responder às críticas de Francisco Louçã, na altura líder e deputado do Bloco de Esquerda, que tinha acabado de chamar Campelo de deputado piriampo.
Mas se é sua tia?
Não.
Depois não.
Tinha lhe chamado deputado piriampo, e Campelo também não poupou na resposta.
Boa, vamos ouvir.
Eu sei que é mais popular defender os consumidores dos charros e dos chutes e dos casais de homossexuais e das uniões de fato, mas eu também tenho o direito, apesar de reconhecer o direito de ele defender essas pessoas e esses princípios, eu também tenho o direito de vir aqui a este Parlamento defender o povo rural, o povo que não tem voz e que tem tido muito pouca oportunidade de se defender e de lutar por melhores condições neste país.
Campelo nunca deixou dúvidas sobre porque fez o que fez. Sempre deixou bem claro que estava ali em representação do seu eleitorado.
O seu eleitorado, que de resto, não tinha assim tanto investimento público como o das grandes cidades. Era um bocado essa a bandeira dele.
E na altura, a discussão centrou-se mesmo nisso, se Campelo estava a trair o seu partido ou se estava a lutar pela sua terra. A verdade é que deixou passar dois orçamentos e o panorama político teria sido muito diferente se na altura os orçamentos tivessem chumbado.
Estávamos ali às portas do pântano.
Estávamos às portas. E, aliás, o pântano acabou por aparecer. Podia ter aparecido mais cedo.
Uma coisa é verdade. Animava uma sala também.
Daniel Campelo animava uma sala e Francisco Louçã também.
Aliás, há pouco estávamos aqui a falar do queijo Limiano, e essa expressão fica cunhada para sempre ao Daniel Campelo e a estes orçamentos. Mas vamos lá ser corretos. O queijo que se usa na francesinha é queijo flamengo O Limiano é uma marca de queijo.
É um plagio.
Exatamente.
Tu percebes muito de vinhos.
Eu percebo muito de francesinhas, é mais a minha especialidade, por isso é que eu sabia estes pormenores todos. Mas bem, vamos lá fazer uma viagem pelo ano 2000. Como é que andava o mundo da música e o mundo da cultura pop no ano 2000? Ano 2000 que, de resto, posso já dizer, é o pico de venda dos CDs nos Estados Unidos. Desde 2000 que os CDs não mais pararam de descer, quer em importância, quer também nas vendas. E eu não sei se isto poderá estar ligado à qualidade da música dos maiores sucessos do ano 2000. Senão, vejamos. Espetáculo, ano 2000.
Nunca pensei ver isto.
Até agora não foi.
Eu assisti. Nelson, lançou "Oops! I Did It Again", de Britney Spears.
Mas vai acontecer pior, preparem-se.
Até agora, por falta de qualidade, já percebemos que não foi.
Exato.
Vamos ouvir as próximas músicas que o Nelson vai lançar.
Britney Spears com este "Oops! I Did It Again" ficou em segundo lugar das mais ouvidas em 2000, apenas atrás de:
"Music" de Madonna, tema título do oitavo álbum, saiu a 21 de agosto de 2000. Eu não sei se têm esta opinião, mas para mim serviu ao menos para me apresentar a personagem Ali G, que aparecia no videoclipe e que depois mais tarde viria a tornar-se no Borat. Foi aqui que eu o descobri, no videoclipe desta música.
Foi, pois, ele tinha um talk show, uma piada na Inglaterra. E caso ainda não estejam satisfeitos com a música do ano 2000, Nelson e Judite, aqui fica mais um exemplo. Espetacular este ano 2000.
Confesso que não estava à espera disto.
Peço desculpa. O problema é 2000, não é meu.
Pois, é o "Bye Bye Bye" dos N Sync, uma canção que chegou a ser nomeada para o Grammy de gravação do ano, mas que perdeu para esta. Escutem esta.
Também gastou-se esta cassete, não foi, no ano 2000?
Foi, "Beautiful Day" dos U2. Pop rock, pop rock choninhas. Um bocadinho, ligeiramente. Um género que estava em alta em 2000. E a prová-lo está o primeiro disco dos Coldplay, "Parachutes".
Muito disso. Eu avisei.
Eu gosto de fazer "oh!, atenção."
Eu avisei.
Fazer "oh!" é tão bom.
Passa outra vez Britney Spears, que é para ver se o Tiago gosta. Os Coldplay tocaram nesse ano no Festival de Paredes de Coura, mas eram na altura apenas uns desconhecidos em início de carreira.
Sim. Sabem que eu estive lá e vi este concerto no ano 2000 dos Coldplay. E aconteceu uma coisa engraçada, que foi elementos da banda e da entourage da banda andavam mesmo no meio do público a entregar uns flyers a dizer "Parachutes", o disco de estreia. Eu acho que ainda tenho um flyer desse, se calhar vale dinheiro. Tenho que ir procurar naquelas gavetas.
Isso é coisa para valer alguns três ou quatro euros.
Na mala gigante cheia de bilhetes de concertos que a Nelson não guarda.
Exatamente.
Memorabilia, meus amigos. Ora bem, não foi fácil, como já perceberam, o ano 2000, o que até me dificultou aqui a escolha para o fecho do cassete.
2000, tu tens um "Californication", tens umas brincadeiras desse género, acho eu.
Vamos guardá-las para outro ano 2000 que a Judite queira fazer.
Para uma versão boa.
Deixa eu poupar alguma coisa.
Vamos ver se conseguimos fazer um ano 2000 espetacular. Um dia, quem sabe? Mas vamos lá também ao disco que foi aquele mais vendido em Portugal no ano de 2000. "Super Natural", de Santana. Nesse ano, de resto, igualou o recorde Michael Jackson, venceu oito Grammys numa só edição. E agora, querem fechar com a Smooth ou com a Maria Maria? Decidam vocês. Só que me digam, querem a Smooth ou a Maria Maria?
A Smooth.
A Smooth?
Sim.
Tiago, eu ia dizer Maria Maria, mas foi Smooth.
Eu vou para a Maria Maria, desculpa, dois por um. Já ganhou.
Desagradável.
É a democracia, é assim, vence a maioria.
É esmigalhar as minorias, é assim que funciona a democracia.
"Super Natural", o grande sucesso do ano 2000 de Santana. Vá lá, podia ter sido pior.
Cassete 60.
Rádio Observador