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K7 60.

The flash apparently official, President Kennedy died some 38 minutes ago.

Faz hoje 60 anos que John F. Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas. O presidente dos Estados Unidos foi mortalmente atingido enquanto circulava numa limusine descapotável. Ainda hoje, a morte de Kennedy é alvo de teorias, conspirações e novas revelações.

Mas a versão oficial aponta para um único atirador, Lee Harvey Oswald, que disparou sobre o carro onde seguia também a primeira-dama Jackie Kennedy e o governador do Texas, John Connally. Dois dias depois, Jack Ruby, o dono de um pub local, matou Oswald. Mas 60 anos depois, ainda não é claro por que Oswald matou o presidente e o que tem feito proliferar inúmeras teorias da conspiração.

A Comissão Warren fez um relatório que contém a versão oficial. Uma semana depois da morte de Kennedy, Lyndon Johnson, o presidente que lhe sucedeu, criou o grupo com um procurador do Supremo Tribunal. Dez meses depois, o relatório confirmava que Oswald tinha assassinado o presidente e que não havia nenhuma evidência de uma conspiração entre Oswald e Jack Ruby. Em 1964, a revista Time escrevia que a razão de Oswald para assassinar o presidente morreu com ele.

Isso não impediu que durante anos tenha havido milhares de investigações particulares, livros, filmes, documentários, um manancial de informações sobre a bala mágica que matou o presidente, que garante que um único disparo e um único atirador podiam, de fato, ter causado tantos danos. Um dos filmes que se debruça especificamente sobre a tal bala mágica é do realizador Oliver Stone.

"If I answer that question you keep asking, if I give you the name of the big enchilada you know, then it's bon voyage, Dino. I mean, like, permanent. I mean, like a bullet in my head, you dig?"

Anos mais tarde, Oliver Stone, que passou metade da vida a lutar para desmontar a incongruente versão oficial, lançou um documentário em que revisita todas as provas que foram sendo conhecidas ao longo dos anos, à medida que foi sendo dado acesso aos arquivos que até aí eram classificados, apesar de ainda hoje nem tudo ser público.

Nos últimos anos, pouca informação relevante foi conhecida, mas este ano, quando se assinalam os 60 anos da morte de Kennedy, foi conhecida uma nova testemunha que nunca foi ouvida na Comissão Warren. Paul Landis, de 88 anos, trabalhava na proteção da primeira-dama e falou do seu papel naquele dia no novo livro de memórias publicado em outubro. Landis seguia no carro atrás do automóvel presidencial e afirma que encontrou uma bala intacta no forro dessa limusine. Diz no seu livro que colocou a bala na maca de Kennedy, mas que a Comissão Warren não encontrou o projétil.

O fato de Landis não ter falado durante 60 anos levantou algumas suspeitas sobre o relato e também sobre a memória que ainda terá desse dia. Aliás, segundo o New York Times, alguns elementos do seu relato contradizem declarações oficiais que na altura apresentou às autoridades imediatamente após o tiroteio.

Uma razão importante pela qual as teorias da conspiração sobre o assassinato de JFK ainda persistem é porque nem todos os arquivos relativos àquele dia foram tornados públicos pelo governo. Todos deveriam ter sido lançados até 2017, mas a data de lançamento foi sendo adiada várias vezes durante as administrações, quer de Donald Trump, quer de Joe Biden.

Há milhares de páginas que ainda são confidenciais e a razão não é clara. O que é claro é que as teorias da conspiração são alimentadas precisamente pelo fato de nem todo o material ser conhecido.

Quando estávamos a preparar este K7, também me cruzei com a história de um outro polícia que é morto pelo Oswald.

Sim.

Umas horas depois, ele faz um raide ao suposto prédio onde estaria o atirador e primeiro Lee Oswald é preso porque matou esse polícia.

Esse polícia. Só depois é que se sabe que ele estaria envolvido no resto.

E foi imputado também o assassinato de Kennedy a esse mesmo Oswald. E também fica pouco claro por que um empresário da noite de Dallas ia matar Oswald logo a seguir.

Há ainda a teoria, a famosa teoria, de que aquele tiro específico não podia ter vindo de cima, do tal edifício que estaria teria um andar abandonado, mas sim do relvado e, portanto, que teria que haver pelo menos dois atiradores.

Por causa da trajetória.

Sim, por causa da trajetória da famosa bala mágica, que dá várias voltas.

Eu continuo a achar que o Kennedy se suicidou.

Isso é um bocadinho difícil, Bruno.

Não, meu amigo.

Mas na América tudo é possível.

Eles escondem tudo.

É verdade, isso também é verdade.

São muito famosas as filmagens do Zapruder, que foi quem fez aquele vídeo caseiro.

Amador, sim.

Amador. E essas imagens são talvez das mais vistas, das mais divulgadas na história do século XX, porque dá para ver, mas tem aquele grão, tem demasiado grão, que permite sempre que haja uma série de teorias conspirativas.

Estavas a dizer, eles escondem tudo e pelos vistos também escondem o cérebro do próprio John F. Kennedy, que desapareceu três anos depois.

Pelos vistos, estaria conservado num frasco e de repente desapareceu.

Sim, e há uma teoria da conspiração que diz que foi Robert Kennedy, o irmão, quem fez desaparecer o cérebro, mas será só uma das teorias. A morte de JFK inspirou, de fato, inúmeras canções ao longo dos anos. De resto, o assassinato acontece precisamente no mesmo dia em que os Beatles editam o segundo álbum, "With the Beatles", que tinha no alinhamento esta "It Won't Be Long".

Também em 22 de novembro de 1963, os Beach Boys tocaram para uma multidão recorde em Murrysville, na Califórnia, num concerto que esteve quase para ser cancelado devido à devastadora notícia. Há quem diga que foi nessa noite que Brian Wilson escreveu o tema "Warmth of the Sun", uma alegação que o colega de banda Mike Love contesta, dizendo que o tema foi escrito no dia antes da morte de Kennedy.

"Sympathy for the Devil", dos Rolling Stones, também faz referência a Kennedy, ou melhor, aos Kennedy. A 22 de novembro de 63, a banda soube da notícia nos bastidores do programa de televisão inglês "Ready, Set, Go!", onde iria actuar pela segunda vez, mas foi só cinco anos mais tarde que a canção foi escrita com a frase "Who killed Kennedy?" Só que durante as sessões de gravação do tema, entre 4 e 10 de junho de 68, mais um Kennedy foi assassinado. Robert Kennedy, a 5 de junho, foi assassinado e Jagger autorou a letra da canção para "Who Killed the Kennedys?" Se repararem, ele diz: "Who killed the Kennedys? It was you and me." Kennedy, you and me, então já não rima muito bem.

Tem a vantagem de ser em inglês. Kennedy, me and he.

É.

Pronto. Ok, passa. Boa, amigo Jagger.

Siga, força.

Lou Reed foi mais literal em 1982 com o lançamento do single "The Day John Kennedy Died", onde recorda esse dia, quando era ainda estudante na universidade e a transmissão desportiva foi interrompida para dar a surpreendente notícia.

E os Pearl Jam também foram bem literais em "Brain of J", onde aludem às teorias da conspiração de que o Nelson falava há pouco, decorrentes do desaparecimento do cérebro e outros materiais da autópsia ao presidente do Arquivo Nacional, onde estavam guardados três anos após a sua morte.

Mas talvez o retrato mais poético seja o de Bob Dylan, que três meses depois da morte de Kennedy, fez um desvio na sua tour, numa viagem entre Jackson, no Mississippi, e Denver, para assim poder passar em Dallas e fazer com a sua banda esse fatídico trajeto de JFK pela Dealey Plaza. Pela mesma altura, escreveu "Chimes of Freedom", que parece de facto inspirada nesses acontecimentos, apesar de Dylan ter dito uns anos mais tarde que nem por isso, mas tudo bem. Mais recentemente, em 2000, o assunto voltou às composições de Bob Dylan em "Murder Most Foul", o seu primeiro original desde 2012, onde aborda o assassinato num contexto político e cultural americano mais alargado. É uma canção que tem 16 minutos e ficamos com alguns deles no fecho deste K7 60, no dia em que John Kennedy foi assassinado.

E não foi o único a morrer, claro, nesse dia, mas houve dois escritores, dois dos mais importantes escritores de língua inglesa do século XX, que morreram precisamente a 22 de novembro de 63. C.S. Lewis, que devem conhecer das Crónicas de Nárnia, e também Aldous Huxley, de "O Admirável Mundo Novo", morreram a 22 de novembro de 63.

Era pá, dia fatídico. Mas olha, o Bob Dylan descreveu muito bem sobre isso em "Murder Most Foul".