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Olá, seja bem-vindo ao "Claro como Água", o podcast da iniciativa "Vimar Explica" em parceria com a Rádio Observador. Eu sou a Maria João Simões e nos próximos minutos vou conversar com as nutricionistas Ana Brito Costa e Cristina Garagarça. Bem-vindas, muito obrigada por terem aceitado o nosso convite.

Obrigada.

Cristina, começo por si. Ana, esteja à vontade para acrescentar o que entender. Todos sabemos que beber água faz bem à saúde, por isso falemos da importância entre o elemento comum a todo este podcast, a água e a saúde do rim. Qual é o papel da hidratação pra saúde e para o bom funcionamento renal? E depois também, o que é que devemos considerar como sendo uma boa hidratação, isto é, que quantidade de água se deve beber?

Temos noção que 60% do nosso corpo é formado por água. Esta percentagem pode variar um bocadinho se formos mais novos ou mais idosos. Uma das funções principais do rim é precisamente fazer o controle desse equilíbrio hídrico, da água que temos no nosso corpo. E pra além de fazer este equilíbrio da água, controla também a quantidade de eletrólitos que temos no nosso organismo, como por exemplo, o cálcio, o magnésio, o fósforo, o potássio, o sódio também. Outra das funções importantes do rim é filtrar o nosso sangue, portanto, eliminar as toxinas que nós temos no sangue a mais e que podem ser tóxicas através do rim e com a consequente produção de urina. Portanto, fica claro que para que haja um bom funcionamento do rim, precisamos de ter uma boa ingestão de água ao longo do dia. No caso das mulheres, a recomendação que existe é que devem consumir 1,5 litros de água por dia e no caso dos homens, dois litros por dia.

E por que essas diferentes necessidades?

Porque os homens têm outra estrutura em termos de organismo. Espera-se que tenham uma maior massa muscular normalmente e com isso também uma maior quantidade de água no seu organismo. É importante também notar que isto não é padrão para todos os homens e mulheres, tanto que esta quantidade, tanto em homens como em mulheres, deve ser também ajustada em função de outros parâmetros. Por exemplo, da idade e também do nível de atividade física que temos ao longo do nosso dia.

Então, considerando que um indivíduo saudável, aqui vamos falar dos saudáveis, deve beber 1,5 a 2 litros para garantir o bom funcionamento dos rins. É indiferente à composição das águas que são escolhidas ou é importante olhar pra sua composição em minerais? Quais são aqueles que podem interferir na saúde do rim?

Aquilo que nós sabemos até à data é que, no contexto de uma população saudável, pessoas que consomem uma maior quantidade de líquidos, independentemente da mineralização ser maior ou menor, têm provavelmente um menor risco de desenvolver doença renal crônica. Têm também um menor risco de desenvolver litíase renal, que é aquilo que nós chamamos habitualmente-

Pedra nos rins, não é?

Exatamente, as pedras nos rins. E existem também alguns estudos isolados, isto significa que são estudos com menor peso, com menor poder, em termos de evidência científica, mas existem, que nos dizem que pessoas que consomem maior quantidade de água têm o menor risco de infecções urinárias. Isto pensando no contexto da população saudável, sem patologia renal.

Ana Brito Costa, isto leva-nos a outra questão: se a quantidade de água que uma pessoa saudável ingere tem influência na saúde renal, como é que funciona nas pessoas com episódios, com historial de patologias renais, entre eles a litíase renal, que a Cristina falava, a tão conhecida pedra nos rins. É necessário ingerir maior quantidade de água de forma a ajudar na prevenção de cálculos renais ou devem manter-se as recomendações?

Olhe, relativamente a essa questão, se calhar diria de uma forma mais abrangente, que não só a água, mas toda a alimentação está diretamente relacionada com a prevalência, incidência, recorrência e qualidade de vida de pessoas que têm pedras nos rins. E portanto, dentro da alimentação, de facto, a hidratação é um dos pilares, um dos fatores-chave, que pode de alguma forma modular esta prevalência destas pedras nos rins. O que é facto é que a hidratação, em termos de quantidade, está muito relacionada com isso. Aliás, ainda agora a Cristina o disse. Aquilo que se pretende, no fundo, é evitar a precipitação de sais ao nível do trato urinário. Seja a nível renal, seja mais abaixo. De facto, aquilo que se pretende é evitar a precipitação de sais. E evitando a precipitação de sais, quanto maior o fluxo de água, no fundo vamos estar a evitar maiores concentrações e portanto evitar que haja precipitação para a formação desses cálculos. E portanto, obviamente que aqui as estratégias passam por aumentar a hidratação, mas eu diria que não é só aumentar com algumas outras estratégias pelo meio. Por exemplo, devemos fazer vários reforços da hidratação ao longo do dia pra evitar períodos de maior concentração na urina. Portanto, não só fazer a recomendação da ingestão d'água no dia, mas também que ela seja fracionada. Uma das recomendações até é beber água logo que acorda, beber água antes de ir pra cama, beber água após cada micção ao longo do dia, e portanto, de alguma forma isto vai permitindo evitar maiores concentrações de sais. Por outro lado, estar atentos também a situações ou de temperaturas mais altas, calor, climas tropicais, perdas por maior atividade física, por febre, por exemplo.

Portanto, tudo tem impacto.

Tudo tem impacto. Portanto, maiores perdas vão implicar maior necessidade. Aquilo que habitualmente se recomenda, em vez de vulgar recomendação de ingestão d'água, é a recomendação de que o débito urinário deve ser superior a dois litros, dois litros e meio por dia. Portanto, para conseguir atingir isso, a ingestão d'água geralmente tem que ser superior a três litros nestas circunstâncias.

Claro. E ainda sobre o fato das águas não serem todas iguais, Ana, há benefícios em consumir determinado tipo de água na prevenção ou tratamento das pedras dos rins? De que forma é que determinados minerais podem influenciar positivamente a prevenção ou o tratamento da formação de cálculos de pedras?

Se a ingestão d'água recomendada nestas circunstâncias é em tão grande quantidade, então naturalmente que o impacto deste tipo d'água vai ter uma magnitude muito maior. Portanto, a ingestão de meio litro de uma água não terá um impacto tão grande como a ingestão de três litros d'água. Portanto, obviamente que aqui a composição da água vai sim, ter o maior impacto. Importa dizer aqui que

A hiperidratação, esta recomendação de um aumento da quantidade de água ingerida, é uma medida que é transversal a todo o tipo de cálculos renais, todo o tipo de pedras nos rins, independentemente da sua composição. Agora, de facto, há ainda algumas situações que podemos considerar um impacto individual do tipo de mineralização da água, ou seja, perceber aqui o impacto que isso pode ter no potencial de carga ácida renal. E aqui, se calhar, salientar maioritariamente, quer os cálculos do oxalato de cálcio, quer os cálculos de ácido úrico, são aqueles que são mais passíveis de dissolução.

Quais foram os primeiros que disse? Que eu não consegui-

Os do oxalato de cálcio.

Pois, só ouvi falar dos segundos.

Os cálculos do oxalato de cálcio. Mas olhe, são os mais frequentes na população. Portanto, a população litiásica, a população com mais cálculos, mais pedras nos rins, a maior probabilidade é ser de oxalato de cálcio. São os cálculos mais frequentes, depois, se calhar, os de fosfato de cálcio e depois ainda os cálculos de ácido úrico. Mas tanto nos primeiros como nestes últimos, são aqueles que são mais passíveis de dissolução por modulação do pH. Ou seja, temos aqui dois mecanismos importantes onde a água pode ter impacto. O primeiro é pela hiperidratação, por dissolver mais os sais e portanto evita grandes concentrações. O segundo mecanismo, que é este que está mais ligado quer aos cálculos do oxalato de cálcio, quer aos de ácido úrico, é um mecanismo que se prende mais com a modulação do pH urinário. E portanto, aquele conceito que dizia há pouco do potencial de carga ácida renal, é um conceito que, se calhar agora podemos perder aqui só um minutinho a evidenciar isto, porque de facto existe alguma evidência científica que suporta que um potencial de carga ácida renal mais elevado favorece a formação deste tipo de cálculos, quer os do oxalato de cálcio, quer os de ácido úrico. E portanto, se de alguma forma conseguirmos modular este tipo de potencial de carga ácida renal, conseguimos então promover alguma dissolução destes cálculos. Este potencial de carga ácida renal, já que estamos a falar no nome dele, dizer o que é que ele é. De facto, ele é uma relação entre aquilo que são elementos chamados alcalinizantes, que são sobretudo estes sais, estes minerais, cálcio, magnésio e potássio, e depois contrastando o balanço com aquilo que são alguns elementos mais acidificantes, que são sobretudo o fósforo e sobretudo o conteúdo proteico de alimentos. Aqui a água à partida não terá esse conteúdo. Este potencial de carga ácida renal é o balanço entre estes acidificantes e os alcalinizantes. E na realidade, se nós tivermos o maior conteúdo em cálcio, magnésio e potássio, vamos conseguir ter um potencial de carga ácida renal mais baixo e portanto favorecer a dissolução de alguns cálculos ou favorecer que não haja formação destes cálculos.

E existe alguma evidência de que águas duras com mais minerais são prejudiciais à saúde renal, podendo causar pedras nos rins? Ou ao contrário, as águas moles, as pouco mineralizadas, podem ser benéficas para a prevenção e o tratamento de pedras nos rins? Ou tudo isto depende do tipo de cálculo renal?

Olhe, de facto, não posso dizer-lhe que não dependa do tipo de cálculo. Naturalmente, há cálculos que podem ser mais passíveis de se formar com grandes quantidades de alguns destes elementos minerais, mas o que é facto é que de uma forma genérica, posso dizer-lhe que o conteúdo mineral das águas favorece baixos potenciais de carga ácida renal, portanto, no fundo, vai favorecer a alcalinização da urina. Não está minimamente relacionado com a alcalinização do meio interno do sangue, quer que seja muitas vezes publicitado, está sim relacionado com este potencial de carga ácida renal, que com uma urina de pHs mais alcalinos, vamos favorecer a dissolução de alguns destes cálculos, como lhe digo, particularmente mais frequentemente os de oxalato de cálcio e os de ácido úrico, que são aqueles que se formam preferencialmente em meios mais ácidos. Portanto, sim, este conteúdo mineral tem sim impacto e tem impacto positivo.

Ana Brito e Costa, eu gostaria que nos falasse mais sobre o impacto do pH das águas na saúde renal, quer nas pessoas saudáveis, quer nas pessoas com patologias renais, nomeadamente os cálculos renais de que estamos a falar. Existe algum benefício que possa ser associado ao pH alcalino da água ou o que importa são os minerais que conferem, como disse há pouco, a tal alcalinidade à água?

Sim, de facto, se calhar, e com tanta publicidade que se tem passado à volta deste tema, todo o mediatismo que tem sido dado muitas das vezes ao pH da água, e à semelhança daquilo que também já foi passado aqui noutros episódios anteriores, de facto é importante que fique bem assente que a medida de pH de um líquido, neste caso da água, não significa nada relativamente ao seu conteúdo mineral. Portanto, de facto, a medida de pH significa poder-nos-á indicar que uma água é alcalina, que o seu pH é alcalino, o que não nos indica é que ela seja alcalinizante. Ou seja, se o pH alcalino desta água for proporcionado por elementos que não estes minerais, então essa água pode ter um pH alcalino, mas não ter qualquer impacto na alcalinização da urina. E aquilo que nos interessa para este tema que estamos aqui hoje a tratar, é de facto a alcalinização do trato urinário e, portanto, naturalmente, da urina. E aqui, de facto, aquilo que tem peso e aquilo que importa, que releva para este pH urinário, é o poder alcalinizante da água e não o seu próprio pH. Portanto, volto a referir que estamos a falar de cálcio, potássio e magnésio, sobretudo, que são sim a mineralização da água que releva para o seu pH, independentemente do pH da água. De facto, não é o pH da água que vai indicar se ela vai ser melhor ou pior para a saúde, será sim o conteúdo mineral que lhe confere essa alcalinidade, mas é independente uma coisa da outra.

E de que forma é que, por exemplo, o bicarbonato pode ajudar a influenciar o valor do pH urinário?

O conteúdo em bicarbonato das águas é considerado um fator também protetor, na medida em que alcaliniza o meio urinário, aumenta o fluxo urinário de citrato e portanto, também favorece a dissolução destes cálculos. Posso dizer até que o conteúdo em bicarbonato de várias águas tem sido associado a um potencial terapêutico semelhante àquele que é veiculado por terapêuticas farmacológicas utilizadas, que habitualmente são os citratos. Portanto, habitualmente são citratos que são fornecidos como terapêutica farmacológica para estes doentes e é possível que o bicarbonato das águas, obviamente em quantidades ajustadas e para ser quantidade equivalente, tenha efeito farmacológico semelhante a estes citratos. Portanto, sim, respondendo à questão, de facto, o bicarbonato das águas está francamente relacionado com esta proteção na formação de cálculo.

Ani, qual é a porcentagem de pessoas que sofre de litíase renal?

Olhe, para isto fui atualizar.

Vamos ficar assustadas.

Fui atualizar-me um pouco, porque de facto temos assistido a um aumento na população portuguesa, a um aumento desta prevalência. Estamos em cerca de 10% da população portuguesa. A última vez que eu também tinha consultado estes dados, tinha verificado que 10% era o valor da população americana e nós, portanto, estamos a caminhar para isto. Agora, acho que para além de lhe dizer a prevalência, se calhar importa, porque de facto estamos a falar aqui de uma patologia relativamente simples, mas que tem um impacto muito grande, porque destes 10%, nós sabemos que destes 10, 75% dos doentes vão ter uma recorrência. 35 a 50% vão ter uma recorrência nos primeiros cinco anos. Isto tem um impacto enorme na qualidade de vida das pessoas. E de facto, volto a dizer que a alimentação e obviamente aqui a hidratação tem um peso muito grande dentro desta alimentação, mas é de facto a terapêutica mais comprovada, com impacto na prevenção, quer da incidência, quer da recorrência de pedras nos rins e, portanto, sem dúvida que tem um peso extremamente importante. Esta prevalência tem aumentado na população portuguesa.

E o que é que explica? Temos ideia?

Sim, infelizmente, posso dizer. Falámos aqui um pouco acerca deste potencial de carga ácida renal e falei-lhe aqui um pouco de quais é que são os elementos mais alcalinizantes, mas também lhe posso dizer quais é que são os mais acidificantes. E os mais acidificantes são, sem dúvida, aqueles que estão relacionados com o consumo de alimentos mais processados que atualmente assistimos. E por isso fiz a analogia de estarmos a aproximar-nos daquilo que é a prevalência na população americana.

E fica também aqui o alerta, não é?

Fica o alerta. E fica o alerta até porque esta prevalência está a aumentar e, por outro lado, está a diminuir a idade de primeiro episódio. Ou seja, nós assistimos é que na população portuguesa, cada vez em idades mais jovens, tem-se o primeiro episódio litiasico, portanto de cólica renal.

Estamos a falar mais ou menos de que idade?

Na faixa etária dos 20, 30 anos, começa a aparecer aqui uma maior fatia da população, não só a ter como primeira vez, e portanto a prevalência aumenta, mas também diminui mais a idade de primeiro episódio. Portanto, infelizmente, temos mais anos para sofrer com isto. Portanto, a prevenção da recorrência, pelo menos, está perfeitamente nas nossas mãos.

Mudando agora de patologia, Cristina Gragarza, nas pessoas com doença renal crônica, verifica-se a mesma dose de água recomendada por dia ou os valores de recomendação são variáveis?

Antes de responder à sua pergunta, preciso só de explicar que a doença renal crônica tem cinco estádios diferentes e relativamente ao estádio dois, três e quatro, não existem recomendações oficiais da ingestão de líquidos a ingerir por dia. Mas existe um estudo recente feito com grande número de doentes, que nos indica que pessoas com doença renal crônica no estádio três ou quatro, que tenham uma ingestão de líquidos inferior a um litro ou superior a 2,8 litros, têm uma progressão da doença renal crônica mais rápida. Portanto, aquilo que nós sabemos é que nesta população em concreto, portanto, doença renal crônica em estádio três e quatro, aquilo que até à data os estudos científicos importantes nos dizem, é que estas pessoas devem ingerir entre um a 2,5 litros.

Não menos do que isso. Nem mais.

Exatamente. Isto de forma a tentar travar um pouco a evolução da doença renal crônica. A situação é diferente quando falamos numa doença renal crônica de estádio cinco, portanto, isto é o estádio que nós chamamos de terminal. E nesta fase, as pessoas que estão nesta situação clínica precisam de um tratamento de substituição da função renal para poder sobreviver. Estamos a falar, por exemplo, da diálise peritoneal ou da hemodiálise. Em Portugal, aquilo que mais existe, a maioria dos doentes neste estádio faz hemodiálise. E de facto, a hemodiálise é aquele tratamento que tem uma restrição mais significativa da ingestão de líquidos. Portanto, vemos que aqui a situação é oposta. Até agora tivemos sempre a incentivar o consumo de líquidos, não é? Porque é bem importante manter o nosso organismo hidratado. Mas de facto, na doença renal crónica terminal, quando um doente faz o tratamento de hemodiálise, precisa de restringir a ingestão de líquidos que faz ao longo do dia, sendo que a quantidade máxima de líquidos que devem ingerir estas pessoas é de 500 ml mais o equivalente à diurese de 24 horas, ou seja, à urina que a pessoa faz durante 24 horas.

Portanto, cada caso é um caso.

Exatamente, mas a maioria das pessoas urina muito pouco ou praticamente nada. Até muitos doentes não urinam absolutamente nada. Portanto, nestes casos, a quantidade de líquidos a ingerir por dia é de 500 ml. E reforço a palavra líquidos, só para deixar claro. Até agora falámos em água, sempre só em água. Mas neste contexto específico, é importante deixar claro que nestes 500 ml que recomendamos, entra tudo o que for líquido à temperatura ambiente. Não podemos falar só da água.

Só da água, exclusivamente.

Exatamente.

E nesta condição clínica da doença renal crônica, a mineralização das águas é um fator importante?

Volto a usar a expressão que acabou de referir há segundos atrás. Cada caso é um caso. E o que é que é importante aqui deixar claro? Conforme referi, à medida que a doença avança, que a doença renal crônica vai avançando nos seus diferentes graus, significa que o rim fica cada vez menos capaz de realizar as suas funções. E falávamos no início desta conversa que uma das funções principais do rim, para além do equilíbrio hídrico e de eletrólitos, é de filtrar o sangue, como é óbvio. Quando o rim deixa de ser capaz de efetuar esta função corretamente, vai haver uma maior tendência para acumular alguns destes micronutrientes. Nestes casos em específico, pode haver algum benefício de escolher uma água em detrimento da outra. Mas é importantíssimo também referir que, no fundo, a quantidade destes micronutrientes que nós temos em circulação não vem só da água, e a grande quantidade vem sobretudo da alimentação. A água pode ter aqui, na verdade, um peso muito pequenino. Mas cada caso é um caso e em algumas situações pode ser benéfico escolher uma água em detrimento da outra. Cabe referir também que falamos na patologia renal, sobretudo nas situações mais avançadas, há uma necessidade muito grande de reduzir e de controlar alguns micronutrientes, como por exemplo, o sódio, o potássio. Sabemos também, posso acrescentar já, no contexto da doença renal crônica e no sentido de prevenir que esta doença apareça, sabemos que é importante também garantir, através da alimentação, um bom aporte de magnésio. E existem, de facto, algumas águas que têm um aporte de magnésio que pode ser substancial. Esta questão é importante ver caso a caso.

Cristina, para além dos conselhos que já aqui deixou, que dicas gostaria de deixar para ajudar quem nos ouve a escolher corretamente a água a ingerir para uma boa saúde renal?

No fundo, eu resumiria aqui em dois pontos. De facto, recomendar nas mulheres o consumo de água de 1,5 litros ao longo do dia, ajustado, como dissemos no início, à atividade física, idade e por aí fora. E nos homens de dois litros por dia. Mas acho outra questão extremamente importante, que é ressalvar aqui a importância de ler os rótulos das águas.

Eles existem por algum motivo, não é?

Exatamente. E têm muita informação importante para nós podermos ir também gerindo o resto da nossa alimentação.

Cristina Garagarza, Ana Brito e Costa, muito obrigada pelos esclarecimentos. Foi um gosto tê-las conosco.

Obrigada.

Obrigada.

Termino com a habitual curiosidade. A água mineral não tem cor nem cheiro, mas sabia que tem sabor, pelo menos para aqueles que têm o paladar mais sensível. Como as águas têm diferentes composições minerais, há quem consiga detetar essas variações e reparar quando uma água tem, por exemplo, mais cálcio ou mais magnésio. Esperamos que tenha gostado de mais um episódio do podcast "Claro como Água", da iniciativa "Viva Explica". Se não ouviu do início, não tem problema, os episódios estão todos disponíveis em podcast, nas várias plataformas digitais e claro, no site do Observador. Eu sou a Maria João Simões, marcamos encontro daqui a 15 dias. Até lá, não se esqueça, beba água todos os dias e de preferência mineral. A sua saúde agradece.