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Está na hora de mais um "Código Postal" especial Euro 2020. Desde o início do Euro, na sexta-feira que estamos a visitar a terra natal dos jogadores da seleção para conhecer as histórias escondidas dos eleitos de Fernando Santos e para isso está novamente conosco o jornalista André Maia. Olá, André, bom dia.
Bom dia, Maria João.
Boa semana.
Bom dia.
Então hoje vamos até à freguesia de Marrazes, ia dizer Mazares, Marrazes, perto de Leiria, para conhecer a história de que jogador?
Ora, vamos conhecer as histórias de infância, também a terra natal do Mula.
O Mula? Mas quem é o Mula, André?
Será o Thomas Müller, da Alemanha, André?
Podia ser, mas não. É o Mula. Não conhecem o Mula?
Olha, eu não estou a ver quem seja.
Estás a chamar nomes a alguém?
Não. Se não estão bem a ver, então vamos ouvir o primeiro treinador de sempre do Mula, que pode ser que ele deixe aqui umas pistas.
Era conhecido pelas pessoas de Marrazes como o Mula por ser neto do Mula. O pai dele também era Mula e sempre foi assim. Mais tarde, quando ele foi para o Sporting, começou a ser conhecido por Marrazes.
Este era João Rocha, não o presidente do Sporting, era o primeiro treinador do Mula no Marrazes, no distante ano de 1998/99. Não sei se as pistas que ele deixou ajudaram alguma coisa.
Sabemos, pelo menos, que passou pelo Sporting, só isso.
Exatamente. Mas isso temos muitos.
Pois, há muitos. Então, qual é a posição do Mula? Dá-nos pelo menos esta pista.
Olha, Carla, eu sinceramente também fiquei com dúvidas sobre essa parte. Por isso, o melhor é perguntarmos novamente ao João Rocha.
Era habilidoso, tinha um bom pé esquerdo, jogava bem, um bocado pesado para a idade que tinha, mas jogava. Depois resolveu, de acordo com o guarda-redes, trocar, porque o guarda-redes uma vez queria, outra vez não queria, e resolveu ficar ele e em boa hora. E foi o que aconteceu.
Tinha bom pé esquerdo, começou precisamente como médio-esquerdo, mas foi na baliza que brilhou, meus amigos. O Mula é Rui Pedro dos Santos Patrício.
É engraçado como a maioria dos guarda-redes não começa na baliza, mas por acaso há ali uma frase do treinador que até nos deixa curiosos. Então Rui Patrício começou a ir à baliza porque o guarda-redes da equipa às vezes não queria ir?
É mais ou menos isso, Júlio, mas nada melhor do que confirmarmos isso com o próprio guarda-redes. Hélio, como é que isto afinal começou?
No primeiro torneio que nós fizemos em Patães, eu era o guarda-redes e na altura ganhei o troféu de melhor guarda-redes. Entretanto, há um torneio nos Marrazes e eu perco esse troféu de melhor guarda-redes para um guarda-redes de outra equipa. E aquilo mexeu comigo, senti que na altura tinha sido injusto, aquelas coisas de miúdo. Depois, em conversa com o Rui, como ele não gostava de jogar na frente, aproveitamos os dois aquela situação para depois trocar.
Não fosse o segundo torneio das Patães e em Paris o cabeçamento do Griezmann tinha ido parar lá dentro. Não fosse a frustração do Hélio Vieira por ter perdido o troféu de melhor guarda-redes desse torneio, e se calhar o futebol português era um bocadinho diferente.
É possível, mas atenção, de certeza que o Rui Patrício também já tinha mostrado algum talento para a coisa. Senão o treinador não o deixava mudar.
Sim, é verdade, Paulo. Mas conta-nos o Hélio que já se notava que Rui Patrício podia ter futuro como São Patrício. Aliás, já nessa altura ele salvava os colegas de equipa e não só em campo.
Nós tínhamos ido jogar a Caldas, isto na altura futebol sete também, e depois, se não estou em erro, nós fomos até uma praia, Foz do Arelho, e aquilo fazia lá uma lagoa. E depois decidimos todos atravessar a lagoa a nado e às duas por três, eu vinha mais atrás, o Rui à frente, e há um colega que está mais à frente e que se cansou, eu não sabia, e quando cheguei ali à beira dele, ele com a aflição meteu-me a mão na cabeça e quase que me matava ali. Se não é o Rui a entrar novamente dentro da água e a puxá-lo, no fundo a tirá-lo de lá, não sei como é que aquilo acabava.
Daí o São Patrício.
Provavelmente ouvimos aqui o primeiro relato sempre de um salvamento de São Patrício. Neste caso, fora dos relvados. A partir daí, foi sempre a somar e a somar, principalmente pénaltis defendidos.
Uma das coisas que o caracterizava na altura era defender pénaltis. O Rui defendia imensos pénaltis.
Imensos pénaltis mesmo, e continua a defendê-los fora de Marrazes, não só no último Europeu, que defendeu mais um, e esperemos que neste novo Europeu este ano defenda mais uns quantos.
E foi até Marrazes, em Leiria, que viajámos neste "Código Postal" especial europeu, até às origens de Rui Patrício. Amanhã vamos viajar até à terra natal de outro jogador da nossa seleção. Amanhã, dia de estreia do nosso Portugal. Força Portugal, não é?
Exatamente. Esperemos que corra bem e que Rui Patrício defenda.
Com o jornalista André Maia, é o nosso guia. Obrigada, André. Até amanhã.
Até amanhã.
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