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Este é o som da comissão de inquérito.

Agora também cantam.

Pois é, não podemos ver nada. Comissão de Inquérito das manhãs 360. Esta terça-feira, é nossa convidada Mariana Ribeiro, autora do podcast "Amiga, Faz Parte?", disponível em podcast e no site do Observador. Bem-vinda, Mariana, à tua nova casa.

Obrigada.

Bem-vinda. Bom dia, bem-vinda.

Obrigada.

E começar aqui na comissão de inquérito é logo-

É uma pressão

Um batismo de fogo.

Mariana, são cinco perguntas. Por cada resposta certa recebes cinco pontos. Se pedires a nossa ajuda e acertares, recebes dois. Se não acertares, claro, não pontuas.

Ok.

Em causa estão 25 pontos. Vamos a isto?

Bora.

Nasceste em 1998?

Certo.

Certo. Pertences à geração Z e nós os quatro, que nascemos entre 1967 e 1978-

70, calma.

78.

78.

77, 78.

Não disseste 78.

O Bruno é muito sensível com a idade.

78. Entre 67 e 78, pertencemos a que geração? E não vale dizer cotas, nem velhadas.

É. Ai, não.

Estás a fazer contas.

Posso pedir ajuda?

Geração Jurássica.

Podes pedir ajuda.

É antes da Millennial.

Exato.

É uma-

E depois dos Baby Boomers.

O Paulo está muito informado sobre isto.

Não.

Eu não saberia.

Queres pedir ajuda?

Quero pedir a ajuda do público. Sim.

Então, geração silenciosa, geração X ou geração alfa?

Geração X. Isto aqui leva a uma outra pressão.

1965 e 1980. Este teu podcast, "Amiga, Faz Parte?", é um espaço de conversas e desabafos sobre a fase jovem adulta.

Exatamente.

Quando é que decidiste ter este podcast para ajudar os da tua geração?

Foi quando comecei a sentir que me estava a sentir muito sozinha em todos os dilemas que estavam na minha cabeça e quis criar um espaço para podermos falar sobre isto abertamente. E quando comecei a abrir-me sobre vários temas, comecei a sentir que do outro lado havia muita gente que se identificava comigo e eu própria passei a sentir-me menos sozinha. Portanto, acho que foi aqui uma situação de win-win, em que eu tentei abrir espaço para conversas, mas ao mesmo tempo também recebi o feedback de volta.

Mas com tantas redes sociais e com tantas interações, como é que te sentias sozinha nessas sensações?

Porque eu acho que nas redes sociais acaba por toda a gente criar a vida perfeita e tentar mostrar isso. E na minha geração, acho que existe muita comparação com o percurso dos outros e principalmente nesta fase do final dos 20, as pessoas criam muito aquela coisa de: "Agora tens que ter namorado e tens que criar casa e não sei o quê." E todas estas exigências que a própria sociedade nos impõe de nós termos de estar num certo nível, numa certa idade, começa a criar esta pressão que muitas vezes vivemos em silêncio. Eu devia estar noutro sítio que ainda não estou e já estou a ver a minha amiga aqui e eu ainda estou aqui. E começamos a criar estas comparações e nas redes sociais acho que ainda impulsiona mais esta comparação.

As redes sociais colocam uma pressão adicional, porque essas comparações sempre houve, em qualquer geração. Todos nós olhamos para o lado, para os amigos e para os familiares.

E já tem o carro.

Já tem o carro, já casou, já teve filhos, já não teve e por aí fora.

Ainda não tem cabelos brancos.

Ainda tem cabelos. E por aí fora. E as redes sociais, de facto, hoje em dia é tudo mais rápido e tu sentes que a tua geração está sob pressão e uma comparação maior.

Sim, porque também é um espaço onde nós partilhamos as nossas conquistas.

Só as conquistas?

Lá está, é muito partilhar os momentos altos. E eu estou muito feliz e consegui alcançar isto e olhamos para a vida das pessoas e pensamos: "Fogo, eu não estou nada feliz. Eu devia estar naquele nível de felicidade que aquela pessoa também tem, por que eu não tenho?" E acho que faz um bocadinho falta mostrar o outro lado. E acho que a partir do momento que eu também comecei a partilhar mais isso, comecei a sentir o apoio do outro lado e que se calhar faz falta mostrarmos também esta realidade. E há muita gente a passar por muita coisa por comparação nas redes sociais, principalmente.

E tens sempre tema, Mariana, ou recebes também sugestões de temas para abordar?

Eu acho que acaba por acompanhar muito a minha fase de vida e aquilo que eu vou passando, porque posso ter um dilema no momento e apetece-me falar sobre isso. E o ano passado eu até mudei um bocadinho o conceito do podcast, porque o meu podcast começou só com conversas de sofá com os meus amigos e depois comecei a ter uma fase um bocadinho mais instável emocionalmente e eu não me sentia bem em aparecer, só a ter conversas superficiais de sofá. E foi aí que também houve a transição do meu podcast, porque comecei a fazer episódios a solo, só porque sentia a necessidade de ter terapias semanais no meu podcast, e os temas surgem com base naquilo que para mim estou a passar no momento.

É o momento. Mariana, vamos passar para a próxima pergunta. Partilhas muito nas tuas redes as tuas corridas e os teus treinos, portanto, calculo que esta seja muito fácil. Quantos quilómetros tem uma maratona?

Tenho 42.

E 195 metros, não é? Mais precisos. A saúde é uma preocupação cada vez maior da tua geração, sentes isso?

Sinto que sim, é uma trend, como eu costumo dizer, e ainda bem, porque acho que faz um pouco falta nós termos consciência de que não é só quando chegarmos aos 40 e tal, aos 50, que podemos preocupar-nos com a saúde. Começamos a fazer o trabalho desde agora. Acho que é muito importante, seja a nível de treino, de alimentação, de ter consciência também da saúde mental, que é uma coisa que a minha geração está a desmistificar muito, e ainda bem.

Ia falar muito sobre isso.

E ainda bem. Acho que acaba por ser um processo que passa muito também por nós vivermos muito à volta do trabalho e depois levar a burnouts e vivemos muito à volta daquela rotina e do hustle e de querer conquistar várias coisas que deixamos por pôr de lado o nosso eu e o nosso bem-estar. E acho que a minha geração está a começar a acordar um pouco mais cedo do que a geração anterior.

E sentes que tens um papel também nisso, a partir do momento em que tens gente a seguir-te e a partilha passa também por isso, por ser uma boa influência, digamos assim.

Sim, no fundo, eu acho que o meu papel aqui não é só desmistificar temas, mas também incutir um pouco do meu estilo de vida hoje em dia em quem me segue, porque eu também passei por uma fase de burnout profissional e estava muito instável. Também não estava a cuidar de mim de todo e passei ali por um momento em que tive de dizer chega e mesmo a nível de análises, comecei a perceber que não estava tudo bem e que não era só impressão minha, não era só eu sentir-me um pouco mais embaixo, era mesmo as análises e a prova médica de que as coisas não estavam bem e que era preciso parar e cuidar de mim antes de ser a melhor profissional possível. E foi assim um choque que tive na altura e que mudei completamente o meu estilo de vida e que hoje em dia eu também tento passar a quem me segue, porque não é só depois, não é quando chegamos, batemos no fundo, que as coisas têm de mudar. Não é preciso chegar a esse ponto. Podemos fazer pequenas mudanças no nosso dia a dia que depois, a longo prazo, se vão refletir.

Mas isso não põe também mais pressão sobre as pessoas? Essa ideia de termos de encontrar tempo para tudo, incluindo para fazer desporto, para cuidar de nós. Isso não é também uma pressão adicional sobre quem te acompanha?

É assim, arranjamos a desculpa do tempo para tudo, não é? Mas é uma questão de prioridades. E acho que quando se muda o mindset, porque nós temos muita tendência de olhar, vou mudar o meu estilo de vida, então de repente eu amanhã tenho que acordar uma nova pessoa e vou ter que tirar duas horas por dia para cuidar de mim. Não. Podes começar amanhã a fazer 10 minutos de caminhada de manhã, não faz assim tanta diferença para o teu dia a dia e vais ver que te vais sentir muito melhor, porque estás a cuidar um pouco de ti e estás a fazer uma coisa diferente e a pôr-te em primeiro lugar. Portanto, eu acho que nós olhamos muito isso para um bicho de sete cabeças, de que tem de ser tudo diferente, eu tenho que ser perfeita amanhã. Não, ninguém tem que ser perfeita amanhã. Temos é de começar pequenos passos. E mudar aos pouquinhos os hábitos e a partir daí vai começar a culminar no resultado. Depois, daqui a uns anos, já vai estar tudo diferente, mas começou com pequenos passos hoje. E acho que é por aí que também a minha mensagem passa, não ser uma mudança muito radical.

Sem logo uma grande transformação de um dia para o outro.

É isso.

Vamos em frente, Mariana. Tens sete pontos, ainda faltam 15. Ainda tens 15 para a frente. Viveste um mês sozinha em Bali.

Sim.

Já nos vais contar como correu. Vamos ver se conheceste bem a ilha. Como se chama o ponto mais alto de Bali? O monte...

Não é o Batur. Não.

Tem um A.

Eu sei que essa eu não tive coragem de ir subir.

Três mil, cento e quarenta e dois metros.

Ai, meu Deus! Mas eu não me lembro. Eu quero ajuda do público.

Monte Everest, Monte Denpasar ou Monte Agung?

É o Agung.

Costumas dizer que foi em Bali que tomaste decisões importantes para o teu percurso. Que decisões foram essas, Mariana?

Olha, em Bali fez-me parar e foi o momento em que eu tive mais tempo para pensar.

Primeiro, por que precisaste ir para Bali e estar sozinha um mês?

Porque eu andava há três anos a viver só mesmo para o meu trabalho. Eu vim para Lisboa do Porto a querer alcançar tudo e fazer acontecer, no fundo.

Parêntesis, que trabalhas agora?

Eu trabalho com as redes sociais e criei uma marca há quatro anos, a Flare, e quando vim para Lisboa foi: "Eu vou apostar as minhas fichas todas," porque eu estudei fora e trabalhei numa agência, depois acabei por me despedir e decidi levar os meus projetos a full time e vim para aqui, Lisboa, vou fazer acontecer e vou viver para o trabalho e não quero saber de mais nada, tudo o resto não é prioridade na minha vida. E foi este mindset que depois me levou a eu estar perto de um burnout e ter de parar. Fui para Bali um pouco para me encontrar, porque acho que nesta idade dos 20 também é muito normal nós estarmos constantemente a questionar o nosso caminho. Se é isto que eu quero fazer para a minha vida toda.

Espera que quando chegares aos 30 anos

Sim, nós achamos que os dilemas dos 20 já estão na nossa idade. Mas eu sinto que tive uma crise de quarta idade nesta altura e comecei a questionar um pouco tudo e fui para Bali para tentar ter tempo para respirar. E aquilo que dizem de que Bali é uma bolha, que se sente mesmo uma energia diferente, eu senti mesmo isso e foi muito bom. E tive efetivamente muito tempo para pensar e para pôr tudo em perspectiva. E depois quando cheguei acabei por tomar várias decisões profissionais que hoje em dia me levam aqui, a estar aqui no Observador.

Mariana, mas isso é um privilégio. Nem toda a gente que tem uma crise aos 20 e tal anos tem a possibilidade de ir um mês ou às vezes uma semana para um sítio como Bali para se repensar. Tens noção de que nem toda a gente numa situação idêntica de burnout, de dificuldades, de crise, pode tomar essa decisão.

Claro que sim, eu tenho também muita gente nas redes sociais que me vem pedir ajuda nesse sentido: "Ah, mas eu também me estou a sentir perdida, também me estou a sentir assim, mas eu não posso ir."

Para onde é que eu posso ir sem ser para Bali?

Não posso ir para Bali.

Como é que eu me posso ajudar sem fazer essa viagem?

O que aconselhas nesses casos?

Lá está, eu acho que a minha geração é muito complicado nós também Tomarmos essas decisões de só largar o nosso emprego, porque hoje em dia é muito difícil arranjar emprego, independentemente da área que seja, existe muito mais procura do que oferta, é muito complicado. Então, obviamente, não podemos só de cabeça quente: "Vou me despedir e vou para Bali ou vou fazer uma viagem ou o que seja." Mas eu acho que é nós começarmos a definir também aquilo que nós queremos fazer, pensar mais a longo prazo onde é que eu me imagino. E eu acho que muitas vezes nós esquecemos que podemos tentar seguir aquilo que nós gostamos. E a minha geração, obviamente, nós temos o percurso todo definido, desde a escola, faculdade, mestrado, depois chegamos ali a um ponto em que estamos nesta corrida dos ratos e que já não nos questionamos daquilo que nós queremos fazer. Eu acho que passa um bocadinho por nós também tirarmos, nem que seja um bocadinho do nosso dia para pensar. Nós não temos tempo para pensar e não nos permitimos a isso. É constantemente trabalhar, depois viver a vida social e o nosso tempo conosco fica muito de lado. Eu passo sempre esta mensagem que não é preciso ir para Bali, mas podem tentar fazer uma pausa, tirar uma meia hora, ir para um café, ler um livro, tentar escrever, tentar arranjar a tua forma de pensares e te conectares contigo, mesmo estando na tua cidade, mesmo estando na tua rotina. Começar a fazer esses pequenos momentos e se calhar vais começar a ter outra claridade sobre o que é que queres fazer no futuro.

Muito bem, estamos com nove pontos, não é? Vamos em frente. Mariana, as redes sociais são um instrumento de trabalho para ti também. Tens 90 e tal mil, perto de 100 mil no Instagram. Em que ano é que foi criado o Instagram?

Diria uns 2008.

Não está longe. Posso te dar três opções? 2005, 2010 ou 2015.

Então 2010.

Certíssimo. Foi criado em 2010. Acompanha certamente a discussão que se vai fazendo em todo lado. As redes sociais têm muita coisa positiva e permite desenvolver uma série de atividades que antes eram impossíveis. Tem malefícios também. Tu achas que devia haver limitação legal, de alguma forma, à utilização de redes sociais? Alguns países estão a começar a fazê-lo.

Eu acho que sim, mas acho que iria ser muito complicado de fazer, porque já tentaram impor isso em termos de idade, que acho que é fundamental, o próprio TikTok não deixa criar conta abaixo dos 18 anos.

Mas é fácil de contornar, sabemos.

É isso. Ou seja, o problema é que por mais limites que se imponha, mais vontade há de contornar. E acho que mesmo pessoas mais novas acaba por ser o fruto proibido é o mais apetecível. Portanto, eu acho que quanto mais limites se tentar impor, vai ser um tiro pela culatra.

Mas há esse paradoxo na tua geração, que é uma maior preocupação, de facto, com a questão da saúde mental, mas ao mesmo tempo, desafios de saúde mental que são provocados, por exemplo, por ferramentas que são muito utilizadas pelas pessoas como as redes sociais.

Mas eu acho que isso já é autocontrole, é nós seguirmos quem nos faz bem, porque obviamente que a toxicidade e a competição vai sempre existir e o lado negativo das redes sociais também, e passa muito por nós enquanto adultos, obviamente em crianças é diferente, mas enquanto adultos tomarmos decisões que: "Ok, eu também me deixo de dar com esta pessoa na vida real, porque se calhar não me está a fazer bem, então nas redes sociais também se calhar não vou."

Mas essa autorregulação nem sempre é fácil, porque há um lado viciante nas redes sociais e que se torna quase incontrolável. Como é que achas que se pode gerir isso da melhor forma?

Eu acho que é impor limites, em primeiro lugar, de tempo. Por exemplo, o próprio telemóvel permite fazer aqueles avisos de só podes passar duas horas por dia no Instagram e avisar-te para tu saíres e para estares dentro desse limite. E depois é, obviamente, lá está, aquilo que eu estava a fazer, fazer uma melhor seleção das pessoas que seguimos, obviamente, estar muito atenta de que as redes sociais não são a realidade e que aquilo que nós vemos nem sempre é aquilo que está do outro lado e acho que é fazer este exercício constantemente quando estamos a consumir conteúdo e tentar desligar ao máximo quando é possível. E eu sei que é estranho, porque a minha profissão anda volta às redes sociais, mas eu honestamente passo menos tempo nas redes sociais do que muitas amigas minhas.

Que não são produtoras de conteúdos.

Sim, porque eu própria já estou muito consumida diariamente com isto e eu vou às redes sociais, publico o meu conteúdo e saio.

E tens haters, como é que reages com isso?

Pessoas que fazem comentários assim mais esquisitos é no TikTok, porque eu acho que o TikTok acaba por chegar a um público muito diferente do meu. Nas minhas redes sociais não.

Explica lá isso, qual é o público?

Porque o meu Instagram e o meu YouTube é um espaço muito seguro. Então quem me segue já me conhece.

São muitas pessoas, são 90 mil.

Sim, mas acompanharam todos os anos de crescimento. E eu acho que o TikTok é aquela plataforma que te permite viralizar e chegar a um público diferente. E quando chega essa audiência que não te conhece e diz uma coisa...

O primeiro contacto, às vezes, até com os teus conteúdos.

É isso. Não tem noção de tudo que está para trás, então consegue facilmente dizer comentários sem ter...

Quantos seguidores tens no TikTok?

120 mil.

Ai, mais ainda. Mas tu preferes o Instagram?

Mil vezes, sim. Mas também já tenho Instagram há muito tempo. O TikTok foi uma coisa muito mais recente e lá está, porque tem estas proporções. Eu sinto que conheço muito mais a minha audiência no Instagram do que no TikTok. E no TikTok eu nunca sei para que lado é que vai parar, para quem é que vai chegar.

Mas Mariana, como perguntava a Carla, como é que reages a esses comentários menos positivos? Respondes, não respondes, tentas não ler?

Tento não ler, tento ignorar, porque acho que também não vale a pena criar discussão. E todos os tópicos que eu falo, nunca abordei temas polêmicos e tento mesmo...

E tentas não abordá-los.

Sim, separar-me um bocadinho disso, porque lá está, eu tento criar um espaço seguro e vai muito de encontro àquilo que eu passo e as mensagens que eu quero passar nas redes sociais e o TikTok, lá está, chega a pessoas que eu não conheço e não vale a pena dar palco a estas pessoas que não têm noção de tudo que está por trás.

Vamos então à última pergunta. Esta aqui é sobre política. Peço desculpa mas como é que se chama a Ministra da Juventude e Modernização? É uma ministra.

Não faço ideia. Ajuda do público.

Ajuda. Então vamos lá. Marta Temido, Joana Pais de Brito ou Margarida Balseiro Lopes?

Por exclusão de partes, pode ser uma forma de lá chegar?

Esta é má, é política.

Não ligas muito à política, é isso?

Não.

Não acompanhas. Tem três nomes.

Então, Margarida Balseiro Lopes, Joana Pais de Brito ou Marta Temido?

Joana.

Não. Margarida Balseiro Lopes. A pergunta que te queria fazer era precisamente essa: sentes que a tua geração está mais envolvida na política ou mais desligada da política? Porque temos tido também muita informação sobre essa ligação dos jovens com os novos movimentos políticos, de aderirem até esses movimentos políticos. O que é que tu sentes com os teus seguidores? Sentes que isso é assim?

É assim, nas minhas redes sociais nunca abordei política e sempre que existe algum tipo de altura em que se fala no país, mesmo de crises que vão acontecendo, eu tento sempre não falar sobre o assunto, porque as minhas redes sociais não passam por esse tipo de conteúdo. Mas acho que existe muita gente da minha geração a fazer conteúdo incrível e mesmo podcasts que acabaram por surgir também, principalmente em alturas de eleições, e acho que é uma coisa que não existia e que hoje em dia está a criar um espaço para se falar de outra forma de política, porque acho que política sempre se falou de uma forma como se falasse só para adultos e é um tema que para nós-

E muito partidário, muito ligado aos partidos.

E que não chega à minha geração. Parece que estão a falar só para a geração dos meus pais e que é mesmo criar aquela barreira de distância. Acho que este conteúdo que está a vir a surgir, estas novas pessoas a falar, está a uniformizar o país.

E a quebrar essas barreiras também.

E a quebrar essas barreiras que já existiam com a minha geração.

Posso perguntar-te se costumas votar?

Claro que sim. Sempre.

Claro que sim às duas coisas.

Exatamente pela forma como os jovens acompanham a política, como é que te informas? É pelas redes sociais que fazes acompanhamento?

Sim, 100%.

Lês menos jornais ouves menos rádio e televisão?

Vejo muito menos televisão. Tudo aquilo que eu vejo em termos de notícias é no digital. E acho que a minha geração é um bocadinho assim, acabamos por ver muito mais nas redes sociais. Mesmo o próprio TikTok acaba por ter imenso conteúdo hoje em dia, principalmente na altura de eleições. Agora é preciso, obviamente, filtrar aquilo que está mais ou menos certo.

Mariana Ribar, obrigada.

Obrigada eu.

Foi muito bom tê-la connosco.

Igualmente, obrigada.

Obrigada por teres aceitado o convite. A Mariana Ribar é autora do podcast "Amiga", faz parte, disponível em podcast e no site do Observador. A Comissão de Inquérito regressa na quinta-feira com o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.