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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nossa convidada Conceição Calhau, nutricionista e professora catedrática na Nova Medical School. Bom dia, bem-vinda.

Bom dia.

Obrigada por aceitar o nosso convite. Está apreensiva?

Só um bocadinho. É para mostrar que as pessoas também falham. Faz parte de nós.

Não, de todo. Não estamos aqui para fazer mal a ninguém.

Com certeza.

São cinco perguntas. Por cada resposta certa recebe cinco pontos. Se pedir a nossa ajuda, nós damos escolha múltipla, se acertar recebe dois. Portanto, o máximo são 25.

Muito bem.

Vamos a isto?

Vamos a isto.

Vamos lá. Quem cantou a célebre música infantil "Eu vi um sapo", que venceu o "Skin Dorla" em 1980?

Como é que é possível eu não ter estudado essa matéria? Era uma música que eu ouvia tanto. Era a Maria...

Maria.

Maria.

Está quase. Tanto já está.

Já tem 2,5 pontos.

Pois é.

Maria?

Maria. Só Maria.

Simplesmente Maria.

Certo.

Então, quer uma ajuda?

É daqueles nomes.

Quero uma ajuda.

Vai conseguir. Então vai. Maria Manuela, Maria Armanda ou Mariana?

Maria Armanda.

É que as outras hipóteses aqui era Manuela Bravo e Ana Faria. Estou toda aqui a improvisar para ter Maria no primeiro nome. Isto a propósito do livro que editou recentemente, que trouxe consigo, "Engolir os Sapatos Engorda". É mesmo assim, no sentido que as emoções podem estar relacionadas com a nossa saúde física?

Tem a ver com a gestão de estresse, tem a ver com aquilo que é fisiologicamente o estresse, que nos prepara para a luta e para a fuga, e portanto, o nosso metabolismo acaba por ter informações de estado de alerta, de vigilância constante e a sobrevivência da espécie é a nossa prioridade. E a sobrevivência da espécie, a prioridade é mesmo acumular gordura no tecido adiposo. E portanto, no fundo, o livro explica que é evidente que aquilo que comemos ou a quantidade daquilo que comemos e obviamente aquilo que fazemos durante a gestão alimentar é importante, mas mais importante ainda é a programação que vamos tendo. As pessoas vão dizendo muitas vezes: "Eu como a mesma coisa, mas o resultado não é o mesmo". Porque fomos programando a máquina de forma diferente. Ou seja, é importante aquilo que comemos, mas se a máquina começa a ser preparada para priorizar acumular gordura, depois efetivamente é uma gestão difícil de fazer. E portanto, o livro acaba por explicar as outras dimensões daquilo que é a biologia humana, que não é só como se fosse uma aritmética de termodinâmica de que entra X, gasto Y, então vou reservar. Isso não é assim. E de facto, nós não temos a noção de que aquilo que são as nossas rotinas acabam por informar como é que a máquina vai funcionar ao longo da vida.

Portanto, é verdade que as ações têm, não é?

Exatamente.

As pessoas mais estressadas tendem a comer mais, mas também há pessoas que quando estão estressadas não tocam no comida.

Mas não é só o comer mais, mas sim, também comer mais, que aliás, o livro também fala da fome emocional e a fome emocional muito para compensar a recompensa e o prazer, que começa cada vez a ter um limiar mais elevado, ou seja, preciso de mais para ter o prazer, mas também provavelmente é o corpo a dar a indicação de que precisamos de comer mais porque não estamos a comer nutricionalmente aquilo que precisamos. Portanto, estamos a comer mal, isso nós já sabemos. E agora do que a Maria João está a dizer, na realidade, eu fui ouvindo e já disse isto várias vezes, eu fui ouvindo a minha vida inteira a dizer que a minha magreza era da ruindade. E portanto, o livro é aqui explicar que uma coisa é eu estar em estresse e desgaste, outra coisa é eu estar em estresse e acabar por engolir. São aquelas pessoas que do ponto de vista da personalidade são o que eu chamo esponjas, porque ninguém nota que está furioso. E claro que não significa andar à estalada nem ser agressivo, mas significa aquilo que muitas vezes vamos ouvindo, que é: "Vou dar uma volta, vou arejar". Nós temos que, nem que seja subir e descer escadas para libertar, gastar energia. Mas obviamente o livro vai dando esta explicação para termos uma noção de que a saúde e o resultado daquilo que são os nossos estilos de vida é uma aprendizagem para o corpo. É como dizia António Variações: "O corpo é que paga quando a cabeça não tem juízo, mas paga a longo prazo."

Mas o corpo também quer aquilo que nos faz mal, porque o corpo paga quando a cabeça não tem juízo. Mas é verdade aquilo que se costuma dizer que o corpo pede exatamente aquilo que é pior.

O corpo vai pedindo aquilo que nós precisamos quando estamos ainda numa virgindade biológica, mas na verdade, nós vamos pedindo ou o corpo vai pedindo, por exemplo, o açúcar, quando nós temos uma adição ao açúcar. Nós temos uma relação emocional com os alimentos, sobretudo com o açúcar, e na verdade é viciante, é uma adição, e é pena que de facto este tipo de adição não seja visto do ponto de vista médico, do ponto de vista clínico, exatamente como uma adição, como uma droga de adição. E portanto, o corpo vai pedindo porque precisa, para a recompensa e para o prazer, de mais estímulo para ter o mesmo resultado.

Muito bem, dois pontos.

Dois? Foi uma de Armanda? Não foram zero, foram dois.

Conceição Calhau, vamos à segunda questão. Em que país é a sede da Novo Nordisk? Deve conhecer como fabricante do famoso Ozempic.

Oh, my God! Oh, my God!

Aliás, só isso.

Dinamarca.

Certíssimo. Cinco pontos. Só este medicamento mexe no PIB dinamarquês e de uma forma absolutamente notável, impressionante. Medicamentos deste tipo fazem parte da solução para a obesidade?

O tratamento farmacológico para a obesidade é uma realidade que foi conquistada há pouco tempo. Nós temos bons resultados e temos que entender isso como todas as outras ferramentas farmacológicas para muitas outras doenças. Portanto, sem preconceito, e eu sei que é um tema que estamos constantemente a discuti-lo. A obesidade é uma doença e temos que deixar definitivamente o lugar da parte estética. É uma doença, há um medicamento. E esse medicamento é para ser usado. E mais, também deixar o lugar do preconceito de que a intervenção deve ser, ou que tem direito a um medicamento, são as pessoas que já têm uma obesidade muito avançada, porque em todas as outras doenças nós ouvimos falar em detecção precoce e intervenção precoce. E, portanto, quanto mais de forma precoce nós tivermos intervenção, melhor. Obviamente que estes medicamentos trazem aqui uma solução, mas deve ser a oportunidade para se mudar definitivamente o estilo de vida. Ou seja, nós temos hoje em dia a discussão que as pessoas perdem peso, mas muitas vezes à custa da massa muscular, que também tem algumas outras consequências de deficiências nutricionais, porque passam a ter menos fome e portanto comem menos. E significa que comem menos, mas têm que comer necessariamente melhor, têm que fazer atividade física. Portanto, não pode ser apenas o medicamento. E muitas vezes nós assistimos a isto, a uma prescrição médica isolada e que de facto precisa, e é um desafio e é uma oportunidade. Portanto, sem dúvida nenhuma que é uma boa solução.

Se não for assim, se não for uma oportunidade para mudar hábitos, as pessoas tornam-se permanentemente dependentes daquele medicamento.

Dependentes, mas sobretudo uma coisa importante, que é perder o peso, não significa que ganharam necessariamente muito mais saúde. Podem ter perdido peso, metabolicamente necessariamente eles têm melhorias, mas depois a longo prazo, essa melhoria pode não ser sustentada no tempo. E portanto, acho que é de facto a oportunidade de nós revermos tudo aquilo que está à volta e fazer terapias em associação, ou seja, não só farmacológica.

Muito bem.

Vamos em frente, sete pontos. Sete pontos, já somos seus. Hoje em dia comunica-se muito através de bonecos, os famosos emojis, seja nas mensagens, redes sociais, WhatsApp. Em que país-

Muito bom. Eu acho que achei muito bem

... asiáticos, é uma ajuda, que foram criados? Foi no final dos anos 90.

Os emojis. Não faço ideia, portanto vou atirar para...

Pense em voz alta.

Em voz alta, pronto, mas o mais óbvio seria Japão.

Está certo. Boa.

Mas o mais óbvio é o quê? Nem sempre é o mais óbvio.

E estamos sempre mais óbvios.

Exatamente. A Conceição Calhau lidera o projeto científico Factness, que desmonta de alguma forma as mentiras que os influenciadores digitais pagam sobre o bem-estar, como por exemplo o João Climent e outros. As redes sociais tornaram-se um perigo para a saúde pública?

Sem dúvida nenhuma que nós temos esse projeto exatamente a preocupação de mostrar que os líderes de opinião, e aqueles que influenciam comportamentos, nem sempre são, ou maioritariamente não são as pessoas que têm o conhecimento científico. E portanto torna-se um risco quando as pessoas, pela dificuldade de terem acesso a profissionais de saúde de outra forma, vão para as redes sociais, que é o imediato, responder às perguntas que têm, às dúvidas que têm. E na maioria das vezes estamos até a falar em alimentação, porque sabem que a alimentação influencia a saúde, se não têm acesso de outra forma à informação, vão para as redes sociais. E na realidade, nós nas redes sociais vemos o mais absurdo e mais esotérico.

As pessoas procuram soluções rápidas, não é?

Rápidas e milagrosas. Milagres só em Fátima. E depois há uma questão muito emocional, que é o quanto mais esotérico, mais as pessoas acreditam que de facto aquilo tem alguma solução, porque se for uma recomendação alimentar mais banal ou mais simples, melhor dizendo, as pessoas acham pouco sexy, portanto vão ter que fazer uma coisa muito estranha.

E como é que se distingue uma coisa da outra? Isto é, o utilizador que não percebe tanto desses assuntos, de alguma forma está de pé atrás com todas as opiniões que não sejam devidamente credenciadas por um profissional?

Eu acho que a melhor solução é, de facto, temos duas formas. Primeiro, saber se aquela pessoa é um profissional de saúde. E depois, acho que seria mesmo qualquer alteração que eu tenha que fazer no meu estilo de vida, tem que ser por um clínico credível, tem que ir a uma consulta. Quer dizer, no fundo, não pode ser numa rede social, que em princípio tem informações generalistas, que eu vou conseguir fazer uma aplicação para mim própria. Portanto, acho que isso desde logo seria um critério, era não mover nada dos hábitos em relação a esses influencers.

E costuma ficar chocada com alguma da informação que vê nas redes sociais?

Bastante. Eu confesso que já no Instagram retirei esse algoritmo, porque de facto eu ao ver o que estava a passar do ponto de vista da alimentação à noite, ficava com fome. Isto também é uma lição de que as pessoas ao verem muitas notícias sobre comida, vão ficar com fome. Aquilo é dopaminérgico, vicia. Mas de facto eu tentava estar a par e é do mais estranho possível. Ou seja, na realidade, e aqui atenção, que já vemos algumas pessoas da área da saúde, que em teoria seriam credíveis, também com disparates enormes do ponto de vista da alimentação.

Diga-nos um disparate enorme que costuma estar.

Um que até nós fizemos notícia e desmontamos neste Factness, é relativamente a comer carne vermelha exclusivamente. Portanto, uma dieta só de carne vermelha, é do mais disparatado que pode existir, principalmente na voz de profissionais de saúde, neste caso da medicina, a dar a indicação de que isto é importante para tratar doenças como o cancro. Todas estas soluções são muito perigosas, todas estas mensagens são muito perigosas, e principalmente quando nos dirigimos a doentes, em particular doentes oncológicos, que são extremamente permeáveis.

E onde se pode ouvir isto?

Claro, é muito difícil e normalmente costuma-se dizer se não os consegues combater, junta-te a eles. E ainda bem que temos, hoje em dia, pessoas muito credíveis nas redes sociais, também influencers na área da saúde. E ainda bem, embora os médicos, na verdade, tenham muito pouco tempo para exercer a medicina, muito menos para estarem nas redes sociais, infelizmente. Mas ainda bem que temos alguns e que vão fazendo obviamente o contrário, que é informar bem.

Mas é difícil mesmo distinguir, quem está a dizer aquilo que é correto e quem está só-

O primeiro livro que eu escrevi, "Deixemo-nos de Tretas: A Ilusão da Alimentação Saudável", era exatamente também para alertar, dando algumas competências do ponto de vista de espírito crítico, porque hoje em dia é difícil nós distinguirmos o que é o bom e o mau. Ou seja, antigamente, a questão do mentiroso era aquele que dizia a não verdade, mas sabia que não estava a dizer verdade, mas o treteiro é aquele que fala a toda a hora. Normalmente, as pessoas têm opinião de tudo, começa a ser perigoso e portanto acho que é difícil para o público em geral, mas se calhar já cada vez conseguimos ter mais espírito crítico no consumidor de redes.

E a tendência é sempre para se experimentar uma dessas soluções milagrosas.

Sem dúvida nenhuma. Eu acho que é uma lição importante a retirar das redes sociais. A oferta é feita pela procura, portanto, as pessoas têm muita necessidade destes conteúdos, isso também é um aspeto positivo. E depois, por outro lado, as pessoas consomem, porque eu acho que não é literacia que falta, falta é dar o exemplo. Ou seja, eu vou copiar aquele comportamento porque quero ficar como aquela pessoa. E portanto, isso leva-nos também aqui a uma reflexão a todos, sobretudo aos profissionais de saúde, que têm que dar o exemplo. Muitas vezes nós ouvimos as pessoas a falar, mas a não fazer exatamente aquilo que dizem. E em relação à alimentação, é um clássico. Vamos a congressos da área da saúde e aquilo que é a oferta do coffee break tem tudo menos a ver com o adequado e portanto, nós não podemos ter comportamentos que não são coerentes. E eu acho que é por isso o popular das redes sociais é que as pessoas copiam para ficarem iguais. E eu acho que essa é uma lição importante que devemos retirar.

Muito bem. Conceição Canhão, vamos avançar para a quarta pergunta.

Vai com 12. Já tenho? Não, tenho da banca B.

Pode tirar os 22, então. Esta é uma pergunta aqui da casa: como se chama o podcast do Observador da nutricionista Mariana Chaves?

Chumbai.

Não está atenta.

E tenho a obrigação de saber, que já ouvi, mas não me recordo do podcast.

Olha, já está.

Mas eu não tenho hipóteses?

Tem, tem três hipóteses.

É que eu reconheço pelas hipóteses.

Então, comer mais, comer melhor ou aprender a comer?

Comer melhor. Quais são as hipóteses?

Comer mais, comer melhor ou aprender a comer.

Aprender a comer, pronto.

Comer mais é que nunca podia ser.

Comer mais?

Não, é que são muitos, mas eu tinha a obrigação de saber, de facto, porque já ouvi.

E tens aqui a desinformação, exatamente.

Desinformação.

A Mariana Chaves neste podcast também desmonta aqui alguns mitos relacionados com a alimentação. Quais são os mitos mais persistentes? Aqueles que houve mais, até por parte dos utentes, aquelas coisas que ouvimos muitas vezes dizer, mas que não são necessariamente assim, sei lá, dizer que beber água às refeições engorda.

Os ovos fazem mal ao colesterol.

Esse tipo de mito.

Mas na realidade são tantos os mitos. Eu acho que o mito mais geral, chapéu para todos, é o que é a alimentação saudável. Desde logo, eu acho que isso já é um mito. O que as pessoas consideram uma alimentação saudável já não está adequado. Depois, obviamente, a questão do colesterol, dos ovos. Toda a gente pergunta quantos ovos pode comer. Ninguém pergunta quantos peitos de frango, não é? Pode até ser só um peito de frango. Depois a questão dos lights, os produtos magros, também é outro mito. Depois o jejum intermitente. O que é o jejum intermitente? Na maioria das vezes, temos as pessoas a saltar o pequeno-almoço, a comer muito pouco ao almoço, mas depois só comem ao final do dia. Penso que esses sejam os mitos mais presentes.

E aqueles produtos que nós vemos muitas vezes, que vêm assim com umas vitaminas e umas proteínas, isso realmente tem algum efeito ou estamos a falar apenas de manobras de marketing? Nós ficamos sempre muito impressionados quando vemos o ômega-3 e os probióticos. Isso tem realmente algum efeito?

Bom, nós temos aqui que distinguir em duas dimensões. Por um lado, a indústria alimentar tem dado resposta a necessidades e nós não podemos esquecer que não há muito tempo atrás todos discutíamos a escassez ou o limite alimentar da natureza e portanto, que precisávamos de ter soluções para alimentar a população toda mundial. E essa discussão muito até ao nível das proteínas, que se iam esgotar e precisamos de alternativas.

Dos insetos.

Exatamente, os insetos, e muitas vezes até já ouvimos nas notícias que conseguimos fazer carne no laboratório, peixe no laboratório. Portanto, nós não podemos esquecer o papel da indústria para dar esta resposta, o papel da indústria, por exemplo, para fazer dentro da economia circular, o que são os subprodutos, portanto, o lixo que vai reaproveitar para subprodutos que têm benefício nutricional. E depois, esta questão de termos formulações que também respondem a falhas na alimentação, portanto, ter alimentos com ferro, alimentos com iodo, alimentos com os ômega-3. Agora, não pode ser uma moda de, em detrimento dos alimentos em natureza, escolher só esses, ou que esses são a solução. Mas também se é uma solução equilibrada, a indústria alimentar não produz só lixo. Continuo a dizer que temos também muitas vezes este mito: tudo o que é caseiro é bom. Não. Ou tudo que é da natureza é bom. Também não. E dou sempre o exemplo do cianeto, que é natural e mata. Quando as pessoas dizem que fazem um bolo caseiro, quer dizer, que eu às vezes brinco e digo: o bolo não sai à noite. Portanto, na realidade, nós temos aqui esses mitos. Agora, nós neste momento estamos muitas vezes até a discutir os alimentos com mais proteína, se isso de facto é uma boa soluçãoNós temos estas tendências que é: tirar os hidratos de carbono, tirar a gordura, tem que se tirar alguma coisa. Agora já se fala em fibra e ainda bem, porque na realidade é constatar que as pessoas comem muito pouco alimentos ricos em fibra. Se eu não faço a ingestão das leguminosas, que é o feijão, o grão, as lentilhas, as ervilhas, que se percebe que a população portuguesa come pouco, eu tenho que ter alimentos com mais fibra. Mas obviamente tem que ser aqui uma diversidade alimentar que consiga equilibrar.

E por vezes essa diversidade pode-se mesmo encontrar no supermercado, nesses produtos.

Em natureza, sim. Aliás, o desafio é mesmo as pessoas em vez de andarem a contar calorias, contarem o número de alimentos de origem vegetal que comem por semana. Diferentes.

Mais fácil. Muito bem, vamos para a última questão.

Ui.

Conceição Calhau, portanto está com 14, não é?

Ui. Que horror!

19, que horror. Esta deve ser muito fácil. Em que década foi a dieta mediterrânica classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO?

Essa eu sei. Foi em 2010 e depois Portugal entrou em 2013. Essa parte não tinha obrigação de saber.

Devia dar direito a mais dois pontos essa.

Exatamente. E é estranho, porque Portugal não entrou à primeira, foi Espanha, Itália, Grécia e Marrocos. Depois Portugal entrou com a Croácia e com outro país por C. Croácia e...?

Chipre.

E Chipre, muito bem. Dois pontos. Eu devia ter um bónus agora. Esquecer a parte.

Não, sabe a história toda.

Não, essa parte tinha obrigação. Já o podcast que há tantos, de facto, aí foi bom.

Mas isto tudo para lhe perguntar também se a dieta mediterrânica é o melhor equilíbrio que nós temos.

A evidência científica é isso que nos mostra. Aliás, não perguntaram, mas o Previmed espanhol, foi uma publicação do New England Journal of Medicine, que mostra claramente que é o padrão ao qual nós estamos geneticamente também mais habituados.

Mais adaptados.

Mais adaptados. E portanto, na verdade, os números de 2015 do Inquérito Alimentar Nacional em Portugal, que são os que temos, mostra que mais de 80% em Portugal não tem adesão à dieta mediterrânica que seja adequada. Na verdade, se nós pensarmos bem no que cada um põe no prato, é metade arroz ou batata, a outra metade peixe ou carne e hortícolas e leguminosas é raríssimo.

Já agora a dieta mediterrânica, associamos ao azeite, associamos a frutas e legumes também. Qual é a base? Consegue nos dizer dois ou três pratos que sejam assim o exemplo? Nós também podemos pensar-

Caldeirada, ensopado, até feijoada, que o problema da feijoada, como toda a gente diz: "Ai, é muito pesado". De facto, são os enchidos e o sal. Eu diria que os dois problemas seriam esses. De resto, temos o feijão, temos a carne, temos o peixe, temos as couves. Portanto, na verdade, o arroz, que é o típico mito, o arroz branco com o peito de frango grelhado, isso não tem minimamente interesse. Nós não estamos a fazer a diversificação de todas as partes de vegetais que precisamos e portanto, de facto temos que mudar bastante na alimentação dos portugueses.

Mas bacalhau com todos, regado a azeite, ponto.

Muito bem. E também deixar o mito de o azeite é para matar porque tem a calórico. Sim, mas a verdade é que é a gordura que nós mais precisamos, monoinsaturada, não significa um alguidar de azeite por dia, mas significa que é a gordura que nós devemos usar para adicionar aos pratos.

O pão é que não traz nada de bom, faz não? O pão, dificilmente.

Pois, o pão de hoje, o trigo de hoje, enfim, teremos muito para falar sobre isso. A verdade é que também o trigo passou a estar presente no nosso dia alimentar quase de manhã à noite. É o pão, é a bolacha, é a tosta, é a massa, é o bolo, é tudo muito farinha, é muita farinha durante todo o dia. A própria produção agrícola também foi tendo que se adaptar, não só porque o trigo seria dos países de sol e agora está mais nos países frios e portanto a própria planta teve que se adaptar. Ou seja, já temos dificuldade em fazer a digestão. Portanto, de facto, o pão de hoje não é o pão de antigamente e temos tido algumas discussões sobre isso.

Muito pena por não ser o do nordeste. Conceição Calhau, 19 pontos.

Eu imagino que 19 em 20.

Obrigada por ter aceitado o desafio. Um bom dia para si.

Obrigada. Um bom dia para todos.