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Começa agora mais uma Comissão de Inquérito das manhãs 360. Hoje é nosso convidado Luís Salgado, do Bloco de Esquerda. Bom dia, bem-vindo.

Muito bom dia.

Obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Obrigado pelo convite.

Sabe como é que funciona?

Mais ou menos.

Cinco perguntas. Cada resposta certa vale cinco pontos, portanto, a pontuação máxima são 25 pontos. Até hoje, só sete inquiridos conseguiram a pontuação máxima. Se pedir ajuda e acertar, recebe dois pontos.

Muito bem.

Vamos a isto? É tudo fácil, não é, Carla?

É tudo fácil. Até vamos começar com os clássicos portanto esta vai ser de certeza, porque é para aquecer. Como se chama o manifesto fundador do Bloco de Esquerda?

Tá.

1999.

Sabe que eu adiri em 2009.

10 anos depois.

10 anos é muito tempo.

Que horror. Não me vão perdoar.

Não.

Não.

Até porque nós temos ajuda.

Com ajuda.

Acho que com ajuda, sim. Tem que ser com ajuda.

"Começar de novo", "tentar de novo", "juntar de novo".

É começar de novo.

Claro que é.

Estava quase.

Claro que sabia.

Fica no subconsciente.

O Bloco de Esquerda precisa outra vez de começar de novo. Está mesmo numa fase crítica de existência do partido.

Eu acho que não estamos numa fase crítica de existência do partido. Neste momento, estamos numa fase crítica, julgo eu, da sociedade democrática. Os princípios republicanos estão a ser postos à prova e eu acho que depende de todos nós, da esquerda à direita, termos consciência que temos que defender a democracia e defender os princípios republicanos para que não venham coisas más, que não pioremos o nosso dia a dia e a nossa qualidade de vida. Acima de tudo, acho que é isso que nós pretendemos.

Não sei se concorda com a expressão, mas a crise do Bloco de Esquerda neste momento não vem de dentro do partido, vem do contexto?

Eu acho que sim. E neste momento há uma crise grande das esquerdas, da vertente mais social dos partidos democráticos da Europa, e nós vemos, isso é transversal. As direitas, em especial as extremas-direitas, nos últimos cinco, seis anos, tiveram um crescimento imenso pela Europa fora e, obviamente, Portugal muitas vezes temos a sorte de as coisas chegarem cá tarde, e às vezes nem chegarem todo, mas Portugal, neste caso, não fugiu à regra. Eu acho que nós estamos todos a ser um pouco pressionados por movimentos populistas de extrema-direita e que põem em causa as esquerdas. Também julgo eu, e isto é uma opinião pessoal, como é óbvio, que os erros cometidos nos últimos 10 anos, 15 anos, das forças mais moderadas, levaram a que nós, neste momento, estejamos num limbo, entre aspas. Criaram-se expectativas que nós não conseguimos, de facto, cumprir e as pessoas acreditaram muito. Por exemplo, a geringonça foi disso um exemplo fantástico. Acho que foram quatro anos bons, que as pessoas quiseram ver repetidos e por algum motivo não se repetiu. Eu acho que foi o pós-geringonça que começou a fazer fraquejar internamente.

O Bloco de Esquerda vai mudar de liderança, necessariamente. Mariana Mortágua não se candidata. Quem é o seu candidato ou a sua candidata preferida?

Eu sou subscritor da moção A.

Portanto, quer Pureza.

José Manuel Pureza. Estive em Coimbra a acompanhar os trabalhos, e foram uns trabalhos fantásticos. Nós conseguimos ter um debate interno muito bom.

E o que é que precisa de mudar no Bloco de Esquerda, ou em termos de propostas, posicionamento político?

Eu acho que basicamente é a forma de fazer passar a mensagem.

Foi aí que falhou Mariana Mortágua?

Mariana Mortágua foi vítima do contexto, na minha opinião pessoal também, volto a dizer, não estou aqui a dar uma opinião do partido, é a minha opinião. Foi vítima um pouco do contexto. Obviamente que se tivemos alguns resultados menos bons, também foi derivado a alguns erros internos que já estão assumidos e pretendem-se corrigir. Mas eu acho que a Mariana fez um trabalho fantástico. Ela esteve a dar o peito às balas, perdoem-me a expressão, esteve em todas as lutas que era preciso ter e mais faria se deixássemos. Agora, também é difícil quando se torna uma deputada única no Parlamento, conseguir também dar a visibilidade ao Bloco de Esquerda e às políticas propostas do Bloco de Esquerda.

E o que é que torna José Manuel Pureza a pessoa certa para este contexto?

Acima de tudo, o fato de não estar sob um escrutínio constante e acérrimo por parte dos media, neste momento. Neste momento, nós tínhamos a Mariana sempre debaixo de fogo. José Manuel Pureza é um homem que foi vice-presidente da Assembleia da República, também tem um conhecimento quer das instituições, quer do próprio Bloco, está desde o início no Bloco, e julgo eu que é a pessoa certa no momento certo.

Por ser mais moderado?

Vamos lá ver. Eu acho que a questão aqui não é tanto de moderação, não é tanto de conteúdo, é mais de forma e, portanto, se calhar veremos as mesmas ideias a serem transmitidas de outra maneira.

De uma forma mais moderada.

De outra forma. José Manuel Pureza não é a Mariana Mortágua e, portanto, saberá colocar as questões e as propostas de outra forma diferente da Mariana Mortágua. Há sempre um cunho pessoal, não é? Que as coordenações, por isso é que existem mudanças de líderes. Vimos isso no PS, vimos isso no PSD, vemos isso nos outros partidos e, portanto, eu acho que é precisamente, às vezes, mudar a pessoa, mudar o interlocutor, poderá facilitar que a mensagem passe de outra forma.

Dois pontos até agora, primeira pergunta. Vamos para a segunda pergunta: em que ano se realizou o primeiro referendo para a despenalização da interrupção voluntária da gravidez?

2001?

Quero uma ajuda.

Quero uma ajuda.

O primeiro.

1996, 1997 ou 1998?

Diria 98.

Está certo, mais dois pontos. O Bloco, como já dissemos na primeira pergunta, nasceu um ano depois deste referendo e também um pouco impulsionado pelo resultado do referendo e por tudo o que se passou à volta. O partido tem de encontrar novas causas? Porque alguns dos objetivos, algumas das bandeiras do Bloco de Esquerda ao longo dos anos foram sendo alcançadas. Precisa de renovar o estoque de causas?

Não falaria em estoque de causas. Eu falo em propostas para uma sociedade melhor. Quando nós, em 2014 e 2015, começamos a falar do problema da habitação, ninguém vinha a pensar sequer que haveria um problema de habitação. Nós às vezes temos a sorte e a pena de conseguir falar das coisas antes demais.

Aquela velha expressão: "Tinha razão antes do tempo."

Muito, exatamente. E conseguimos, não só nesse caso, como outros, por exemplo, quando nós falamos da necessidade de os tribunais terem um espaço específico para ter os menores devidamente salvaguardados, sejam eles vítimas ou testemunhas, quando nós falamos da gentrificação acelerada das cidades e de Lisboa e das cidades à volta de Lisboa. Nós temos as causas, nós temos as propostas. Muitas vezes ou falhamos na forma de passar essa mensagem, ou também não nos querem ouvir, porque em termos econômicos, se calhar, os interesses não gostam dessas propostas.

Mas, por exemplo, o facto de Mariana Mortágua, nos últimos tempos da sua liderança, ter dedicado muita atenção ao tema da Palestina, do conflito israelo-palestiniano, não prejudicou o partido. Ainda para mais nesse contexto que falava também difícil de ser deputada única no Parlamento do Bloco de Esquerda.

Eu acho que a posição da Mariana Mortágua foi de uma coragem imensa. A Mariana conseguiu falar da Palestina quando a sociedade portuguesa praticamente não estava acordada para o tema. E nós víamos a diferença, por exemplo, com a Itália. A Itália fez uma greve geral, em grande parte por causa da Palestina e, portanto, há uma noção do que é o problema da Palestina. E com isto não estamos a dizer que são os judeus que têm a culpa. Não, há um problema que é o Estado de Israel e o problema incide sobre a Palestina e sobre o povo palestiniano. E Mariana teve a coragem, no momento certo, de conseguir dar a cara e fazer com que esse tema passasse a ser um tema também debatido na sociedade portuguesa. Eu acho que por isso ela tem que ter o nosso aplauso e tem de ser valorizada. Agora, dizermos que o Bloco é um partido de causas, acho que há outro partido que tem por costume dizer que não tem políticas, nem defende sistemas econômicos, é um partido de causas, e esse não é o Bloco. Nós, além das causas, temos uma perspectiva reformadora da sociedade portuguesa e nessa perspectiva nós temos uma visão mais ampla do que apenas as causas. Nós sabemos o que queremos para a justiça, nós sabemos o que queremos para a saúde, sabemos bem qual é o caminho que queremos para a habitação e para os direitos das pessoas e, portanto, se chamarmos a isso causas, o Bloco é um partido de causas, mas eu acho que é bem mais do que isso.

Vamos falar já a propósito da próxima pergunta, precisamente uma dessas áreas. O Luís Salgado foi membro da Assembleia Municipal de Cascais, vive em Cascais, é o seu concelho, daí também o contexto desta pergunta. E a pergunta é: como se chama o grupo espanhol que opera a PPP do Hospital de Cascais? Eles são de Valência.

São. Infelizmente, a minha mãe esteve lá umas quantas vezes ainda agora. Arriva? Anda lá perto.

Anda perto. É Arri, Ari.

Sim. E é uma zona de vinhos em Espanha.

Não, isso é a Rioja.

Depois há o outro, qualquer coisa del Duero.

Exato.

Quer ajuda? Ajuda. Salud para todos, CUF ou Ribera?

Ribera.

É o Ribera, o grupo Ribera, sim, senhor. O hospital, infelizmente, por razões próprias também, como percebemos agora, é o utilizador do Hospital de Cascais. Infelizmente, que tem estado fora das notícias dos dramas que nós conhecemos, sobretudo na Grande Lisboa, estão melhor servidos do que outros concelhos com este hospital.

Nós temos a sorte de nós, em Cascais.

Em Cascais.

Temos a sorte de ter um hospital mais ou menos novo, estudado e capacitado para uma população aproximada daquilo que temos. Salvo erro, neste momento, já serve o dobro da população daquilo que era suposto, mas não obstante o facto de ter sido criado de raiz para aquele fim, facilita e veio num contexto de aprendizagem de erros do Fernando Fonseca, o da Amadora-Sintra, e, portanto, permitiu ao hospital-

E que foi a primeira PPP.

A primeira PPP. Não obstante, eu acho que continuar a ser uma PPP causa problemas. Se fosse gerido diretamente pelo Estado, é minha opinião pessoal, seguramente teria um trabalho mais próximo das pessoas e de mais qualidade. Por experiência pessoal, a minha mãe, infelizmente, cada vez que vai sendo internada, ao fim de três dias, a preocupação dos médicos é darem alta. Eu acho que isto não é um serviço de qualidade quando, uma vez estabilizada a situação aguda, não se vai tentar trabalhar naquilo que levou à situação. E a preocupação em Cascais, como em muitos hospitais, infelizmente, quando só veem números, é precisamente tratar da questão aguda, dar alta, a pessoa vai pra casa e os familiares que acompanhem, ou então que vá pro privado e depois faça as consultas que tenha a fazer.

Não vê vantagens então neste modelo, enquanto tenta?

Eu acho que este modelo-

Porque olhamos para os outros hospitais de gestão pública e percebemos que a pressão é muito grande. E aliás, o Hospital de Cascais está a receber muitas pessoas no atendimento comum, que vêm de outros conselhos aqui à volta, que não têm resposta nos hospitais da sua região.

Eu acho que neste momento Cascais tem a sorte de, por ser uma PPP, não estar com a turbulência que os outros hospitais, que são SNS, que não são PPP, que estão a ter. E, portanto, acho que essa é a única coisa boa desta PPP, é que neste momento consegue dar alguma estabilidade que os outros hospitais não têm. Mas a saúde, neste momento, é algo que nos devia preocupar muito a todos, em especial quando vemos o orçamento a crescer e a qualidade do serviço a reduzir. E qualquer dia não temos. Eu tenho amigos que trabalham pro privado e eles dizem que neste momento, infelizmente, e por via de uma incapacidade cada vez maior do SNS, estão a chegar a pontos da resposta deles também estar a ser comprometida, porque parece que as clínicas e hospitais privados já são públicos também, com a quantidade de gente que lá está à espera. A grande diferença aqui é que pagam e também não têm serviço, enquanto nós pagamos com todos os nossos impostos e deveríamos ter um serviço. Eu acho que temos que olhar bem a sério pra saúde pra ver se isto melhora.

Então da saúde pra justiça.

Muito bem.

Parece-lhe bem uma área em que está confortável. Já tivemos "Justiça Cega" aqui no "Rádio Observador". Luís Salgado, como se chama a juíza que preside o julgamento da Operação Marquês?

Susana Seca. Esta não precisei de ajuda. Entramos na área, que é suposto, e a coisa corre logo melhor.

É, logo. Como é que tem acompanhado o processo e as últimas diligências da defesa do José Sócrates?

Eu vou lhe ser sincero. Eu já não tenho muita paciência pra este processo em concreto.

Fadiga da Operação Marquês, de alguma maneira.

Muito, muita fadiga.

Fadiga judicial.

Certo. E mesmo pessoal, acho. Andamos a ser bombardeados, perdoem-me a expressão, diariamente, semanalmente, com todo este processo, como se não houvesse outros processos no país, que há outros processos, como se não houvesse coisas graves a passarem-se na justiça.

Mas este não é um espelho dos problemas da justiça?

Não, eu acho que este é a hipérbole dos problemas da justiça. Aqui nós conseguimos concentrar tudo aquilo que a justiça tem de mau e todas as ineficiências e incapacidades da justiça penal, porque há vários tipos de justiça. Quando nós olhamos depois para o processo cível ou olhamos para o processo administrativo e vemos também as ineficiências que ali existem. Eu acho que ao cidadão comum diz muito mais o problema de não conseguir resolver uma dívida, não conseguir resolver um conflito com o vizinho, um problema no trânsito, coisas que em tribunal se calhar deveriam não passar de dois, três, quatro meses e que se arrastam por quatro, cinco anos. No "Justiça Cega", com o Luís Rosa, falo sempre deste caso. Há um caso de 2021, de um processo que é uma coisa simples, diria o Mota Soares, lana caprina, que é apenas chamar à posse um bem que é seu. Está ocupado indevidamente por uma pessoa que não tem título nenhum, nem sequer de arrendamento, não tem título qualquer que justifique aquela presença daquela pessoa. E estamos há quatro anos à espera, vai fazer cinco, que o processo primeiro teve quatro anos depois uma primeira sentença em primeira instância. E agora estamos há um ano à espera que transite pra relação pra poder ter continuidade porque alguém recorreu. Ou seja, estamos aqui com quatro, cinco anos de um processo, de uma coisa basilar de justiça, que não consegue avançar, ora porque não temos juízes nos tribunais em número suficiente, como era o caso de Cascais, infelizmente. Ora porque não temos oficiais de justiça, porque Cascais ninguém quer ir novo para oficial de justiça por Cascais, porque o arranque da carreira são € 800 líquidos e ninguém consegue ir pra Cascais por € 800 líquidos.

Ninguém consegue viver numa casa com isso.

A não ser que tenha lá casa, já de base. Mas infelizmente, as pessoas que tiram o curso de oficial de justiça estão no Norte e quando são colocadas pra Lisboa, querem ir pra todo lado, menos pra Cascais. Então não temos oficiais de justiça. E por não termos oficiais de justiça, o processo não transita para a relação, porque não está lá alguém pra tocar no botão e fazer transitar o processo. E eu acho que este é um dos problemas graves da justiça, é nós olharmos muito pra estes casos muito grandes, muito midiáticos, vemos as suas ineficiências, mas esquecemos do cidadão comum, do problema que o cidadão comum tem em não conseguir alcançar a justiça, ora porque ela não é tempestiva, ora porque depois também é muito cara pro cidadão comum. E se me permitirem, só uma nota. Os julgados de paz aqui, julgo eu que teriam um papel importantíssimo. Além da questão de proximidade, é também a questão do valor e do tempo. Em seis meses está resolvida uma questão. Tudo bem que é só até € 15 mil, as questões com valores acima ou questões específicas de trabalho e fiscais não entram, infelizmente, deveriam. Mas a proximidade e a rapidez e também o processo mais de mediação e não tanto de imposição de uma sentença, facilita a relação societária e social entre as partes. E eu acho que nós temos que arranjar uma solução pra justiça urgente e não olhar apenas pro processo penal.

E ela falou da falta de meios, de pessoas. Há um excesso de garantismo também, na sua opinião, que ajuda a prolongar os processos?

Eu julgo que não. O que me parece é que muitas vezes o que há é Inconforto por parte dos magistrados em se socorrerem daquilo que é apenas a parte processual e não terem decisões sobre o processo. Ontem temos uma decisão polêmica, como falou há pouco ainda nas notícias, que a Ordem dos Advogados e o doutor João Massano veio criticar. A juíza tomou uma decisão, mal ou bem, tomou a decisão. Não concordam com ela, recorram, façam o caminho das pedras, mas tomou a decisão e quer avançar com o julgamento. Num processo em que nós criticamos, que não avança porque são utilizadas diligências dilatórias constantemente. Os meios de defesa estão lá. Muitas vezes, se o juiz tivesse tomado mais decisões que impedissem esses meios dilatórios, se calhar, as coisas tinham fluído de outra forma. Acho que não podemos pôr em causa os direitos das pessoas em recorrer, relativamente à questão da celeridade processual. Temos que arranjar um mecanismo que seja equilibrado e que permita à pessoa ver os seus direitos garantidos, ao mesmo tempo que garante também ao tribunal os mecanismos para avançar com o processo.

E vamos avançar, não com o processo, mas com a comissão de inquérito. E a última pergunta, esta eu acho que vai acertar. Li algures que é fã de rock e de ficção científica, isso é verdade?

Muito.

Isto não é rock muito pesado, mas é rock.

É rock bom.

É muito bom. Então como se chamava o alter ego que David Bowie criou em 1972 e com o qual se apresentava em palco?

Que horror! Porque o meu é mais hard rock.

Esta sabe. E quando o Bruno disser, vai perceber.

Ajuda? Então, Major Tom, Aladdin Sane ou Ziggy Stardust?

Major Tom faz parte de uma música.

Claro.

Acho que julgo que é isso.

Ziggy Stardust.

É Ziggy Stardust. Sem cooperação não vamos a lado nenhum.

Eu disse logo que não era rock do mais pesado, porque calculei que fosse fã de coisas mais pesadas. Uma vitória de Catarina Martins nas presidenciais é ficção científica?

Essa é uma pergunta marota. Eu acho que uma vitória da Catarina Martins nas presidenciais seria o ideal. Não só porque finalmente teríamos uma senhora na Presidência da República, faz falta. Aliás, sendo nós uma sociedade matriarcal, faria todo sentido. Como também é uma pessoa dotada de um bom senso excepcional, uma pessoa com uma empatia elevadíssima e que consegue perceber as pessoas e dar voz às pessoas que precisam dessa voz.

Mas não era melhor a esquerda ter conseguido uma união em torno de um candidato, mesmo que esse candidato fosse, por exemplo, Catarina Martins?

Mas para isso tínhamos que ter uma esquerda que se assumisse como esquerda e teríamos que ter uma esquerda que gostasse do resto da esquerda.

António José Seguro não é essa esquerda.

Eu acho que António José Seguro, neste momento, dizer que é de esquerda, se calhar aí é que é ficção científica, digo eu. Mas é o mais aproximado que o PS consegue neste momento. E depois temos o PCP, que com todas as suas questões internas e o seu caminho, que tem sido bastante coerente até, nos apresenta sempre um candidato próprio.

Mas o PCP avançou primeiro. Há algum problema contra António Filipe?

Não, de todo. Eu, pelo menos, não tenho nenhuma relação, nem pessoal, nem de outra forma. Estive aqui no "Justiça Cega" com ele e até partilhamos de cerca de 70% das ideias.

Ele foi presidente da Assembleia da República, segunda figura do país ali durante aquele momento difícil de eleição do presidente.

Exatamente. E mostrou alguma capacidade, sem dúvida. Mas ele representa um caminho que eu acho que não será o caminho que nós precisamos neste momento. Eu acho que a Catarina, neste caso, seria muito mais a pessoa certa.

Mas isso vai nos conduzir, tudo indica, a ter novamente um presidente da área do centro-direita, ou pelo menos que não se assume como claramente vindo da esquerda, na Presidência da República.

Depois veremos. À direita também temos três ou quatro candidatos.

E estão todos em primeiro nas sondagens.

Exatamente.

Juntamente com António José Seguro.

Exatamente. E temos também um candidato que vem das instituições castrenses e, portanto, nós olhamos e percebemos que ali está representado o fracionamento da sociedade portuguesa neste momento. E se calhar, todos querem ter uma palavra a dizer e por isso é que aparecem as candidaturas todas que aparecem. Mas seria um bom filme de ficção científica a Catarina ganhar. Eu acho que era excelente. Para mim, era o ideal. E digo mesmo, não ficávamos nada mal servidos, antes pelo contrário, acho que neste momento seria a melhor opção que poderíamos ter.

Vamos ver, isso só em janeiro.

Exatamente, veremos.

Luís Salgado sai daqui com 13 pontos.

Nada mal. Positivo.

É precisa. Senão tem de ir ao Raul. Obrigada. Muito obrigada por ter vindo. Bom dia.

Bom dia, obrigado.