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Está no ar a conferência de imprensa, altura em que destacamos artigos da imprensa nacional ou internacional. Eu trago um artigo do New York Post. Vocês sabiam que a forma como nos deslocamos, por exemplo, de casa para o trabalho, tem impacto no risco de virmos a sofrer de demência?

Curioso. Explica melhor.

Só a título de curiosidade, neste momento temos cerca de 55 milhões de pessoas a sofrer com demência e espera-se que esse número quase triplique até 2050, portanto, nos próximos 25 anos estamos a falar de cerca de 165 milhões de pessoas. Isto é um pouco assustador. A pensar nisso, tem havido cada vez mais estudos para encontrar soluções para este problema. Um dos mais recentes, feito por universidades da China e da Austrália, mostra que a forma como nos deslocamos no nosso dia a dia pode influenciar a forma como o nosso cérebro envelhece. O estudo, que analisou quase meio milhão de pessoas, tentou perceber qual das soluções, andar de bicicleta, caminhar, conduzir ou usar transportes públicos, é a melhor para a saúde cognitiva a longo prazo. E sendo a atividade física um dos principais fatores que tem sido repetidamente levantado para reduzir o risco de demência, não choca que esta pesquisa conclua que o ciclismo, andar de bicicleta, é o melhor dos melhores para o deslocamento, quando se trata de evitar o declínio cognitivo. Quem anda de bicicleta regularmente tem menos 19% de probabilidade de desenvolver demência. Portanto, o nosso João Miguel Santos vem todos os dias de um lado para cá, de bicicleta.

Ia demorar um pouco mais. Mesmo vindo do outro lado, de bicicleta, era capaz de chegar aqui em tempo de três toques.

Exato. Mas não fica por aqui. No caso da demência de início precoce, aquela que aparece antes dos 65 anos, o risco pode baixar até 40%, andando de bicicleta todos os dias.

Hem diria que está ligado às pernas, isso.

Tem tudo a ver. É manter o equilíbrio, planear rotas, reagir ao trânsito, quer dizer, há aqui uma série de mecanismos que ajudam a manter o cérebro ativo, saudável, sobretudo no hipocampo, que é a área da memória.

Hipocampo eu gosto tanto.

Gostas do hipocampo?

Também gosto de ir pra praia.

Portanto, se precisávamos todos de mais uma razão para tirar a bicicleta da garagem, aqui está ela. Além de fazer bem ao corpo, também ajuda na nossa cabeça.

Faz bem à cabeça, a médio e longo prazo.

Está no New York Post.

Vocês deviam começar a andar de bicicleta.

Eu ando no ginásio, mas é pouquinho. Sentadinha, não há reações extra. É só pedalar. Não falta todos os outros. Programar. Exatamente.

Sem dúvida. Mas enquanto preparam a bicicleta, que tal fazerem um navio de cruzeiro?

Acho que sim, ver as vistas.

Exato. Está na CNN Portugal, um trabalho que vem da CNN Internacional, e a pergunta que é feita é: será que há um fim à vista para o crescimento dos grandes navios de cruzeiro? Eles são cada vez maiores. Essa era para meninos. Quem passa em Santa Apolónia ou em Leixões, vai vendo que cada vez são bairros autênticos. E em janeiro de 2024, por exemplo, foi lançado aquele que é o maior navio cruzeiro do mundo, que é o Icon of the Seas, da Royal Caribbean, que tem 365-

Nunca fiz um cruzeiro, vocês já fizeram?

Também não.

Tu estiveste num a ver, num grupo ao qual andaste a pesquisar.

A minha filha andava com tentações, acho que lhe passou.

Por enquanto.

Por enquanto.

Ainda não está na idade. Já está na idade, agora.

Eu acho que essas questões agora são cada vez mais para todas as idades. Elas são cada vez maiores, de facto, 365 metros de comprimento, de 3600 passageiros e depois a tripulação é quase outro tanto, basicamente, para servir as pessoas todas. Muita gente também. Está a passar-se para barcos com capacidade para 5 mil passageiros, com entregas a partir de 2030. Depois vem o MSC World America, que pode acomodar 6762 passageiros. E há mais na calha, com dimensões superiores. Depois a Carnival Cruise Line vai receber em 2029 três navios de mais de 3 mil camarotes e capacidade máxima de 8 mil hóspedes.

Portanto, dos 5 mil já vais em 8 mil.

8 mil e falamos de navios, neste caso, já com 20 decks ou 20 andares, escorregas aquáticos, parques aquáticos lá dentro, sete piscinas, 40 locais para comer e beber. Basicamente, são centros comerciais grandes sobre águas. Um mega navio destes demora cerca de dois anos a ser construído, mas o processo de conceção, design, de desenho, enfim, começa cerca de cinco anos antes de o navio entrar na água. Daí haver esta visibilidade sobre o que é que vai chegar ali até 2030, porque já estão a ser feitos.

Já foram projetados.

Exatamente. E por quê? Porque isto, de facto, há uma procura que não dá sinais de abrandamento. Este ano são mais de 37 milhões de passageiros que vão efetuar cruzeiros em todo o mundo. Como é que se torna a vida, se quisermos, boa, aceitável, agradável, se quisermos, dentro de uma-

Com tanta gente. Sem dar aos encontrões, tipo Baixa de Lisboa.

Exatamente. Na língua original dizem: "All about the flow." Tem tudo a ver com os fluxos de movimentos.

Go with the flow.

Isto é, a chave para tornar isto agradável, a experiência de não se ter navio, é de facto o fluxo de movimento a bordo, bem como a criação de espaços distintos para os hóspedes, para que eles possam escapar e fazerem basicamente cada um deles a sua própria experiência. No fundo, sentir que a experiência é semelhante à de um navio que saem tantos passageiros a bordo, com muito menos passageiros. Há navios que têm o conceito de bairros lá dentro.

São mesmo cidades.

Manhattan, sei lá, pegando em Nova York, em Manhattan há o Central Park, há o SoHo, há Greenwich Village. Há outros que têm o conceito de distritos, para tornar um grande navio de cruzeiro mais fácil de gerir, uma lógica de proximidade. E como resultado, a ideia dos cruzeiros é essa, e está cada vez mais a chegar lá: o navio é um destino em si mesmo.

E não o sítio onde te transporta.

Exatamente. Para muitos passageiros, é este o atrativo, dizem aqui os especialistas. Ias dizer qualquer coisa, Fernando?

Estava aqui a pensar numa ideia, em fazer um cruzeiro português, das regiões portuguesas.

Do Alentejo.

O Alentejo, onde haveria muito pouca gente.

Eu não sabia. Eu não conseguiria sair do Alentejo. Só na comida.

Ia sentar ao mínimo.

Ia ao Minho, onde estavas. Ia jantar.

O meu peixe no Algarve.

Lisboa, onde seria praticamente impossível arranjar habitação.

Claro. Tinha que partilhar o camarote com mais 10.

Era um cruzeiro temático. É o cruzeiro Portugal.

Uma experiência.

Era uma boa experiência. Não tinhas sítio para sentar, não há sítio para estacionar.

No Algarve só falavas inglês. Pronto. Estamos a pôr a carrinha.

Fica a dica.

Estamos a fazer aqui o nosso business.

Fica aqui a dica. Mas é isso, este conceito de bairros e distritos permite aos passageiros mudar de ares dentro do mesmo navio. E lá está, o navio já não é um meio de transporte do sítio A para o sítio B. As pessoas não usam um cruzeiro para chegar às Bahamas.

O destino é o cruzeiro.

Mas as pessoas querem que o cruzeiro tenha inovação, tenha bares, tenha restaurantes, tenha entretenimento.

No fundo, é uma experiência.

Sim, mas é uma mudança de paradigma.

É, sem dúvida. Tu vais para o cruzeiro, e até parecia que ia parar a escola. Este local. E os mega navios, obviamente, oferecem tudo isto em abundância, portanto, esta diversidade de entretenimento, de locais. O texto mais desenvolvido está na CNN e apontamos aqui para dimensões que, ao mesmo tempo, são um pouquinho assustadoras. Depois há o impacto ambiental também, que é cada vez mais discutido sobre estas coisas.

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Então, à nossa.

À nossa.

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Com histórias de vida. Eu perguntei ao meu pai: "Pai, como é que se vende vinho?" E ele conta a sua história. E dicas para trazer melhor sabor quando saca a rolha.

O vinho branco. Deve colocar-se no congelador? Não, nem pensar.

Tinto no Branco, com Ana Sofia Fonseca.

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