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Este é o som da conferência de imprensa das manhãs "360". Trago uma reportagem do Expresso, da jornalista Sofia Correia Batista. Carla, Paulo, vocês que são dados ao esporte, descobri uma modalidade que é a vossa cara: walking andball. Andball a passo. Não há que há correr. Andball? Não há que há correr, nem suar muito. É mesmo a vossa cara. Só podem participar pessoas com mais de 60 anos. Lá está.
Faz sentido.
Já comecei a pensar. Paulo, vamos embora. Vamos deixar o João sozinho. É pra começarem a pensar nisso, enfim.
Levantar cedo de manhã para ouvir 10 360.
Não é permitido correr, nem haver contato físico entre os jogadores. São cinco contra cinco, jogam em meio campo e mantém-se a regra de três passos com a bola, mas apenas a andar. Nada de correria, está bem? Não se ponham com coisas doidas. Não se animem. Não se animem. Esta variante nasceu em 2019 nos Países Baixos, mas há dois anos chegou a Portugal, através do Clube Desportivo Chico Andball, sediado em Guimarães, que decidiu seguir a ideia e depois juntar aqui um fator inovador: ao treino físico, junta-se uma sessão com um psicólogo para combater o declínio cognitivo associado ao envelhecimento e tentar prevenir ou contrariar situações como o isolamento e a depressão. Eu estou a brincar, mas agora é sério. O certo é que Eduarda, de 75 anos, diz que até há dois anos nunca tinha praticado qualquer tipo de esporte, e desde que experimentou este andball a passo, nunca mais quis outra coisa. Diz que os treinos passam a correr, que enquanto lá está, se esquece dos problemas de saúde e depois também diz que os exercícios fora de campo, a tal ajuda psicológica, a ajudam a exercitar a memória, sente-se mais comunicativa, menos fechada pra vida e muito mais feliz. São palavras da própria. A média de idades ronda os 75, o atleta mais velho tinha 84. O presidente do Chico Andball, que não se chama Francisco, é o Mauro Fernandes, diz que é muito engraçado de ver, divertem-se muito, riem-se, comportam-se como quando eram crianças. Alguns são acompanhados por psicólogos ou psiquiatras, e há efeitos claros de redução da medicação e do número de consultas. E é este feedback que recebem não só dos participantes, como de quem os acompanha, que reforça a motivação do clube em não desistir deste projeto, apesar da falta de recursos. E por isso é essencial dar visibilidade a esse tipo de iniciativas, porque os mais velhos importam e a saúde mental também. Outro dos objetivos é tentar introduzir a competição, fazer com que outros clubes adiram à ideia. Até a Eduarda diz que seria bom, que é bastante competitiva e que ia adorar jogar contra outras pessoas, competir. E não, Carla, não precisam de ir até Guimarães. Não me interessava nada. O clube guimaranense foi, de facto, pioneiro em Portugal, mas hoje em dia a Junta de Freguesia de Alcântara também promove treinos semanais de andball a andar. Fica no Pavilhão da Ajuda. Há muito pra ler, está no Expresso. É uma reportagem.
E a partir de agora vai haver mais, certamente.
Espero que sim.
Certamente.
É importante. Que bom.
Olhem, pensando ainda na nossa saúde, que isto está tudo ligado. Sabiam que comer mais sardinha e menos carne vermelha pode salvar até 750 mil vidas até 2050? Não sabiam.
Olha, estou disposta a entrar. Faz sentido. Eu vou nisso, eu também.
Então vamos lá.
Eu corto já com a carne e aposto nas sardinhas.
Vocês já cortaram até certo ponto também.
Sim. Já, há muito tempo.
Não comem muita carne vermelha. É isso. Enfim.
Agora falou-se em sardinhas, Paulo.
Pronto, tá quase a chegar. Mês sem R, maio, o próximo mês já é sem R. Portanto, ainda não está boa no início, mas de qualquer maneira já dá pra matar a saudade.
E aquelas que comemos uma vez que viemos, foi de onde? Já não me lembro. De Aveiro? Do Porto. Estávamos no Porto.
Fomos à Furada comer.
Fomos lá à Furada.
São essas da Furada. São feitas na Furada, comi, são ótimas sardinhas.
Avança.
Pois vamos lá então. Aqui fala-se de peixes como arenque, sardinha, anchova, que são uma alternativa promissora às carnes vermelhas. E diz um estudo japonês, um estudo feito pelo Instituto Nacional de Estudos Ambientais de Tsukuba, no Japão, que conclui que a incapacidade causada por doenças relacionadas com a alimentação pode ser significativamente reduzida se nós substituirmos uma coisa pela outra na nossa dieta. As possíveis mortes evitadas em todo o mundo estariam relacionadas, em particular, com, obviamente, doenças coronárias e cardiovasculares. Também poupariam, neste caso, oito a 15 milhões de anos de vida vividos com incapacidade. Isto é, obviamente, o somatório de todos os dias, se quisermos, semanas ou anos, de incapacidade de tantos milhões de pessoas, basicamente provocados por esse tipo de doenças e, sobretudo, estes fenômenos concentrados em países com rendimentos mais baixos ou rendimentos médios. O chamado peixe forrageiro, ou seja, peixes que basicamente são importantes para manter a ordem da cadeia alimentar, só podem substituir uma fração de cerca de 8% da carne vermelha, devido à sua oferta limitada. No entanto, podem aumentar o consumo global médio diário per capita de peixes para perto do nível recomendado, bem como reduzir as mortes por doenças coronárias, acidentes vasculares cerebrais, diabetes e câncer do intestino em 2% até 2050. Daqui vem a tal queda do número de mortes previsíveis. A adoção deste tipo de dieta, diz este estudo, seria especialmente útil em países com rendimentos baixos e médios, onde estes peixes são baratos, são abundantes, e onde o número de doenças cardíacas, em particular, é muito elevado. Esta investigação baseia-se em bases de dados sobre previsões de consumo de carnes vermelhas até 2050, feitas em 137 países, e também em dados históricos sobre as capturas deste tipo de peixes em habitats marinhos. Existem evidências também, que são crescentes, que associam o consumo de carne vermelha processada a um risco aumentado de doenças não transmissíveis, que foram responsáveis por cerca de 70% de todas as mortes em todo o mundo em 2019. Destes, lembram os autores, as doenças coronárias estão na primeira linha e representam quase este leque de doenças, com as vasculares cerebrais, diabetes, câncer do intestino, representam quase metade, 44%, que No peso deste tipo de mortes. E não se fala aqui da questão ambiental, que traria também certamente impacto. Estamos a falar de espécies de peixes que basicamente têm comunidades que não estão ameaçadas, haveria também aqui um ganho ambiental. Mas cada vez há mais evidências que teimosos como eu têm bem em não seguir, de que substituir carnes vermelhas por peixe é melhor pra saúde. Está no público.
E sabe bastante bem.
E pesa bastante menos.
E pesa bastante menos. Também quero falar de sustentabilidade. Não sei se costumam fazer compras naquelas gigantes chinesas online.
Nas Temu da vida.
Não, mas lá em casa há quem faça.
Há quem faça. Li na SIC Notícias da Shein. Eu não sei se é assim que se diz.
É Shein.
Eu acho que não é assim que se diz.
Também não sei como é que se diz. É Shein, Shine.
A minha filha diz Shein.
Então, se a tua filha diz é porque é. Da Shein à Temu, como a fast fashion está a criar problemas ao transporte aéreo de carga e, de fato, o impacto é brutal. O setor do transporte aéreo já começa a falar da falta de capacidade e da insustentabilidade destes serviços, porque todos nós temos objetos, ou muitos de nós encontram lá objetos extremamente úteis, vitais pra nossa vida, que atravessam o mundo.
E a preços que são...
E a preços que são completamente desconcertantes.
Daí a procura.
Vou só deixar-vos também alguns números, mas isto dá a ideia do impacto que isto está a ter no transporte aéreo e, claro, na questão da sustentabilidade. Só para os Estados Unidos, a Shein e a Temu juntas enviam por dia quase 600 mil pacotes de encomendas.
Extremamente.
Por dia?
Por dia. Isto significa, para a Temu, cerca de 4 mil toneladas por dia, a Shein 5 mil toneladas, acrescentam-se mil toneladas diárias da Alibaba, 800 toneladas da loja do TikTok e, portanto, isto tudo somado, imaginem 108 Boeings 777 por dia, só a transportar encomendas da China só pros Estados Unidos. Isto é um terço da capacidade global dos aviões de carga de longo curso, muito complicado, está a deixar pouco espaço para outras indústrias, e isto ainda é particularmente mais difícil quando continuam a verificar-se problemas no Mar Vermelho, o que faz com que isto crie um embaraço tremendo para os outros operadores, que dizem que este crescimento não é sustentável, quer a nível de receitas, quer a nível ambiental. Isto é verdadeiramente impressionante e vem completamente desequilibrar o comércio aéreo internacional. A SIC Notícias, onde li, tem outros dados, números e também reações destas empresas chinesas, nomeadamente a Temu, diz que está à procura de vendedores sediados nos Estados Unidos e na Europa para tentar reduzir as distâncias e também os tempos de entrega.
E é incrível, qualquer coisa que tu procures no Google, aparece logo Temu e Shein.
Aparece.
E com preços completamente estranhos.
Aliás, isso tem impactos. Falaste aqui só do transporte, mas em termos ambientais, em termos sociais, a pegada disso não deve ser fácil.
Bem, onde é que está, Carla? SIC Notícias.
SIC Notícias.