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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. Hoje trago um artigo do Observador da jornalista Maria Salgueiro. Tem a ver com a Super Bowl, que acontece já este domingo lá em Las Vegas. O intervalo do maior evento desportivo dos Estados Unidos vai estar carregadinho de caras conhecidas, desde Messi a Jennifer Aniston, passando pelo casal Beckham. Os anúncios estão mesmo recheados de estrelas. O valor não subiu em relação ao ano passado, mas vale a pena recordar: são cerca de seis e meio milhões de euros por 30 segundos no intervalo da edição 58 da Super Bowl.
É uma brutalidade.
Só para passar o anúncio, fora o dinheiro que pagam depois às estrelas, os gastos com toda a produção.
Claro.
Embora o valor se mantenha semelhante ao do ano passado, estes seis e meio milhões de euros por 30 segundos representam uma subida de 200% nos últimos 20 anos e cerca de 75% na última década. Portanto, em 2004, passar um anúncio de 30 segundos no intervalo do jogo custava pouco mais de dois milhões de euros e em 2014 o valor rondava os 3,7 milhões de euros. Agora já vai nos seis e meio milhões. É muito dinheiro, é mesmo impressionante. Este ano espera-se que pelo menos 110 milhões de espectadores acompanhem a Super Bowl, que vai ter a Usher a protagonizar o tão mediático espetáculo do intervalo. Ano passado, aquele empurrãozinho de Rihanna fez da Super Bowl o programa de televisão mais visto de sempre na história dos Estados Unidos, com 115,1 milhões de espectadores, mais de um terço da população do país. É mesmo impressionante este espetáculo.
É uma escala que não tem direção.
Não temos noção. Mas voltando aos anúncios, se garantir um lugar no intervalo já implica um investimentozinho, as marcas também não pouparam nas caras que escolheram para protagonizar os seus anúncios. Entre eles estão Lionel Messi, Arnold Schwarzenegger, Ben Affleck, Martin Scorsese, Anthony Hopkins, Jennifer Aniston, Victoria e David Beckham, Martha Stewart, Snoop Dogg e Glenn Close. São apenas algumas das estrelas nas produções deste ano. No site do Observador pode ver os 42 anúncios, estão lá todos, que vão passar no intervalo da Super Bowl este domingo. E deles fazem parte marcas como Doritos, BMW, Pringles, Budweiser, Hellmann's, Oreo, Uber Eats, as canetas Bic, Booking, Olymp, os chocolates, Google, Kawasaki, Kia, M&M's, a Volkswagen também. Vale a pena espreitar os anúncios, até para ver a cara conhecida que dá nome a cada uma das marcas.
E tudo marcas globais.
Sempre. Portanto, Paula, Carla, já sabem. Vou poupando, são só seis e meio milhões de euros por 30 segundos.
Para fazermos um anúncio do Observador.
Avanço eu?
Sim, Paulo, se quiseres.
Posso avançar? Vamos agarrar aqui no tema.
Vamos os dois falar de eleições, não é?
E eu vou ainda à sondagem que o Público tem vindo a publicar, passe aqui a redundância entre o nome do jornal e o ato, a sondagem da Universidade Católica, que agora tem mais uma leva de perguntas, muito centrada nas capacidades atribuídas aos dois principais candidatos, Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro. O texto da Ana Sá Lopes começa logo por dizer que, de facto, esta avaliação feita aqui é muito favorável a Luís Montenegro, relativamente a Pedro Nuno Santos, em quase todos os itens. E para não estar aqui a encher isto de números, vou já aqui balizar. As atribuições positivas a Luís Montenegro andam aqui, por regra, entre os 41% e os 45%. Portanto, ele é, por regra, o primeiro indicado, com 41% a 45% das pessoas a indicá-lo a ele. E depois Pedro Nuno Santos anda aqui com indicações na casa dos 28% aos 36%. Há aqui uma diferença de seis a 12 pontos nestes itens todos que agora vamos dizer, favoráveis a Luís Montenegro. E que perguntas são estas? Primeiro, qual dos dois lhe parece mais competente? Lá está, a maioria, isto é, o maior número de pessoas diz que é a Luís Montenegro, 41%, contra 33% de Pedro Nuno Santos. E a vantagem de Luís Montenegro anda por aí depois nestas respostas também. Qual dos dois lhe parece mais honesto? Em qual dos dois deposita mais confiança? Qual dos dois lhe parece mais capaz de defender os interesses do Estado? Qual dos dois lhe parece mais capaz de promover o crescimento econômico do país? Qual dos dois lhe parece mais capaz de resolver os problemas na saúde e na educação? E depois, finalmente, nesta amplitude de diferenças favoráveis a Montenegro, qual dos dois tem mais capacidade para formar um governo com ministros bem preparados e disponíveis para defender os interesses do Estado e do cidadão? Aqui, claramente, Montenegro leva vantagem. Depois, há aqui duas questões em que estão virtualmente empatados. É esta: qual dos dois lhe parece mais capaz de combater a pobreza? Aqui há um ponto de diferença só favorável a Montenegro, 37 contra 36 para Pedro Nuno Santos. E depois, um bocadinho ao arrepio de tudo isto, a resposta a esta pergunta: qual dos dois está mais bem preparado para exercer o cargo de primeiro-ministro? Depois disso tudo, Montenegro com uma vantagem simpática, digamos. Há aqui também um empate, mas com um ponto favorável a Pedro Nuno Santos, 39% contra 38. O melhor score, agora eu vou aqui ao texto da Ana Sá Lopes, o melhor score de Montenegro, de facto, é conseguido na pergunta qual dos dois lhe parece mais capaz de promover o crescimento econômico do país, 45 contra 33. E depois, sobre esta aparente contradição, porque depois há um ponto de vantagem para Pedro Nuno Santos, diz o texto do Público, de facto, que é interessante constatar aqui esta diferença. É possível que a experiência governativa de Pedro Nuno Santos tenha feito, de facto, a balança pender a favor dele, uma vez que ele foi Ministro dos Assuntos Parlamentares e depois Ministro das Infraestruturas. Portanto, isto era a avaliação líder a líder, o confronto entre os dois principais candidatos.
Nenhuma pergunta sobre a quem compraria um carro em segunda mão.
Não. A clássica, não. Não sei se foi feita e não foi relevante de alguma maneira.
Sim, provavelmente não.
Ou então vem aí noutra leva depois. É quase uma brincadeira, mas às vezes é significativo, tem a ver com a confiança que se tem na pessoa Só uma nota final sobre a notoriedade dos candidatos de uma forma genérica. 56% dos inquiridos, a maioria, não sabe quem é Rui Rocha, o líder da Iniciativa Liberal. 44% desconhecem Rui Tavares, o co-líder do Livre, e 43% não sabem quem é o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. Portanto, níveis aqui ou superiores ou quase a tocar nos 50%. Em contrapartida, só 4% dos entrevistados dizem desconhecer André Ventura. Portanto, 4% contra 56%, 43% e 44%. André Ventura tem uma notoriedade superior, inclusive, às de Luís Montenegro e de Pedro Nuno Santos, porque no caso destes dois, 8% dizem que não sabem quem são, 8% dos inquiridos, contra 4% de Ventura. Uma nota final, de facto, sobre notoriedade. Isto não significa obviamente aprovação, mas pelo menos significa que as pessoas sabem ou não sabem quem são os líderes partidários.
Isto está muito ligado com o artigo que eu escolhi na CNN Portugal, cujo título é a pergunta: "Podem os memes ajudar a decidir umas eleições?" A notoriedade pode passar muito pelas redes sociais, e o artigo tenta perceber exatamente isso, de que forma é que o fenômeno dos memes, mas que é como quem diz, todas estas coisas virais, podem influenciar a decisão dos eleitores. Há uma imagem muito forte logo no início do artigo: a internet é um autêntico campo de batalha. Os períodos eleitorais são a prova disso e as redes sociais, é lá que as figuras partidárias e os apoiantes encontram a artilharia perfeita. Os memes, aliás, há um exemplo muito clássico, provavelmente já muitos de nós apanharam isso, uma pergunta que foi lançada por Pedro Nuno Santos agora no debate com Rui Rocha: "Mas o que não funciona em Portugal?" E já aparece algumas imagens do líder socialista ao lado de um edifício, um SNS em chamas, tem sido muito partilhado. Será, pelo menos até agora, o meme mais forte dos debates. Sim, claramente. Mas depois outros, e o artigo mostra muitos deles. Ainda assim, o artigo recua não há muito tempo atrás, até às legislativas de há dois anos, aquelas que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista, em que o humor nas redes sociais foi, de facto, uma enorme arte de fazer política. E os protagonistas da altura, vamos tentar fazer um esforço para nos lembrarmos. António Costa, Francisco Rodrigues dos Santos, nomeadamente naquele debate que teve com André Ventura, Rui Rio e quem? O gato Zé Albino, lembram-se? Até há uma ilustração lá distante do gato Zé Albino e dos animais de estimação que foram sendo partilhados nas redes sociais.
Continua a ser uma estrela no Twitter do PSD.
Continua a ser. Agora, a questão, dando um passo à frente, isto leva ao voto num determinado partido. Os especialistas que são ouvidos no artigo não estão tão seguros relativamente a isso. Rafael Primos, que é especialista em marketing e comunicação, diz que a direita parece dominar melhor a linguagem estética da internet e dá exemplos não só em Portugal, dá exemplos com Jair Bolsonaro, com André Ventura. Graça Cantonis, especialista em redes sociais, diz que as pessoas estão cada vez mais vulneráveis aos apelos das emoções e, sobretudo, do humor, e diz que há muita disponibilidade para conteúdos fáceis de consumir. As pessoas são mais fáceis de influenciar através do humor ou de mensagens fáceis, em vez de argumentos mais racionais. E por isso mesmo, a influência, dizem estes especialistas, será muito maior para as gerações mais jovens, mais habituadas ao TikTok, ao Instagram e com muito menos disponibilidade para perderem imenso tempo, como três, quatro, cinco minutos a discutir temas mais profundos. E portanto, tudo o que seja curto e eficaz pode ajudar a transmitir uma mensagem e a ser mais bem-sucedidos. Riscos muito rapidamente. Problemas complexos, como discutir Segurança Social, educação, saúde, não se resolvem com memes. Há uma simplificação do debate público que pode ser prejudicial, sobretudo para a democracia. É uma boa discussão.
Leva um bocadinho ao populismo, a tal solução fácil para problemas complexos.
CNN Portugal.