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Está no ar a conferência de imprensa das manhãs 360. Paulo, tens uma história do The Guardian?

Do The Guardian. Barbas. Vamos falar de barbas masculinas.

Vamos.

Barbas, sim, são melhores.

O Bruno tem mais de duas.

Ah, deixa cá ver.

Não se metam por aí.

Não, a tua é bem apresentável.

Diz barbas masculinas e cuidado com essas coisas.

Acho que não vamos estar aqui a estigmatizar os gêneros.

Não vai falar da mulher barbuda.

Pronto.

Que havia nos circos.

Exatamente.

Não, mas basicamente é esta a história do The Guardian.

Ou da Conchita Wurst.

Fala-nos da forma como disparou a procura por implantes e transplantes de barba.

A sério?

Vocês não sabiam?

Não.

Vou começar a vender, amiga.

Por isso é que eu cá estou.

Obrigada, Paulo.

E começa por nos apresentar um caso concreto. Vikram Arora, de todas as ansiedades que se têm da adolescência, típicas da adolescência, e que podem deixar marcas, o crescimento da barba ou, no caso, a falta dela, foi o que realmente mais o marcou. Diz a reportagem que os seus pelos faciais eram mais irregulares do que um relvado atingido pela seca. É uma boa imagem. E quando ele foi para a faculdade, era muito inseguro, via colegas mais velhos chegarem com aquela barba por fazer, aquela barba de três dias.

Ainda por cima, porque agora está na moda essa barba de três dias.

Tal e qual. E não é de agora, já vem de alguns aninhos.

Sim, os hipsters.

Exatamente. E ele via aquilo e pensava: "Bom, eu queria poder, pelo menos, ter a opção de fazer isto". Depois, eram os anos 90, aquela barba esculpida do George Michael, lembra-se quando ele deixou? Mas é o que é. Mas fazia sucesso, estava ali em todo lado. E ele agora tem 47 anos, lembra-se de ter ficado cheio de inveja ao admirar a barba, também por fazer, do Tom Ford numa foto numa loja de roupas. Chegou ao ponto de começar a roubar o aplicador de rímel da irmã para tentar preencher as falhas que tinha na cara, as falhas de barba. Durante a maior parte da adolescência e o início da vida adulta, ele sentia, de facto, que não parecia maduro o suficiente e definitivamente não se achava masculino o suficiente. Chegamos à pandemia, para milhões de pessoas, os confinamentos criaram uma combinação entre tempo disponível, de alguma maneira, algum dinheiro também, porque houve muitas despesas que deixámos de fazer.

Pensei que ele tinha ficado aliviado que tinha de usar a máscara e tapava a zona da barba. Pensei que era isso que ia falar, mas não. Aqui foi outro lado.

Foi isso e o espelho severo que eram as horas intermináveis em videochamadas, em que somos naturalmente confrontados com o nosso rosto, com a nossa imagem à frente. E isto fez disparar a procura por uma série de cirurgias estéticas, intervenções estéticas, sobretudo no rosto. Ele já tinha ouvido falar dos transplantes de barba uns anos antes, mas por mais que desejasse, de facto, essa barba farta, ele temia que pudesse correr mal, temia também ser julgado pelo fato de ter feito a cirurgia. Mas venceu esses receios, lá foi. Os procedimentos para a barba são basicamente os mesmos dos transplantes capilares de cabeça. Os cirurgiões pegam numa agulha, puxam pelos ou unidades foliculares, um a um, normalmente nas áreas mais grossas, que estão na parte de trás da cabeça e depois esses enxertos são colocados, um a um. Podem ser inseridos em áreas menos peludas do couro cabeludo, neste caso, do rosto, através de pequenos cortes na pele. Não é fácil. Desculpem lá esta imagem demasiado gráfica, mas é o que é.

As mulheres a lutar para eliminar.

É verdade. Isto ninguém está contente. Não há estatísticas do setor, mas uma clínica londrina diz que as consultas de pacientes com barba triplicaram desde 2020. Dizem que fazem agora 100 transplantes por ano e 90% destes são estéticos, os restantes são correções para cicatrizes ou queimaduras, são correções clínicas. O custo na clínica varia entre as 3 mil e as 7 mil libras. Estamos a falar entre 3,5 mil e 8 mil libras, 8 mil euros, dependendo do número de enxertos. O aumento da procura fez também aumentar a oferta deste tipo de serviços, que nem sempre estão devidamente capacitados. Fez também aparecer destinos turísticos especializados. A Turquia é a grande capital, a grande Meca, se quisermos, dos transplantes capilares.

As viagens à Turquia devem ter aumentado de preço, não é?

Aumentaram de preço, mas mesmo assim, como se faz por mil euros o transplante que algures nos países da Europa Ocidental custa 5 mil, 6 mil ou 7 mil, compensa a viagem. Ainda visitas Istambul de borla dentro deste preço, se quiseres.

Sim, mas há alguns que levam couro e cabelo. Cuidado.

Então agora é melhor não ires para lá, é melhor deixar a barba.

E há fotografias, muitas vezes, nas redes sociais, dos voos de regresso da Turquia, fotografias tiradas das últimas filas do avião.

Em que se vê só as cabeças.

Em que se vê só carecas, devidamente mutiladas.

Com as ligaduras.

Com ligaduras.

É verdade, também vi essa fotografia.

Mas é esta a nota. De facto, não há estatísticas oficiais, mas disparou claramente, dizem todos os intervenientes, a questão do transplante de barbas. E já agora, uma nota, o fórum público Barbas do Reddit tem 1 milhão e 200 mil membros anônimos.

Paulo, o Bruno querem confessar que fazem parte desse fórum.

Mas pronto, está no The Guardian a história. A história é muito longa.

Correu muito bem.

Correu. Eu estou muito satisfeito com os turcos.

Sim. Ainda bem que não te puseram, puseram o cabelo, ainda bem que não te puseram na barba, senão tinhas queira-quois.

Iria isto dar-lhe mais umas semaninhas.

Umas queira-quois.

Uma permanente.

Sobrou a zona dos olhos já, da mão.

Uma monocelha. O meu objetivo agora é fazer uma monocelha.

Isto está no The Guardian. Mas há muitos casos também que não correram tão bem.

Ah, pois.

Não vamos falar disso.

Eu trago uma história que passa para amanhã.

Pode.

De alguém que não tem ainda esse problema, o Owen Cooper.

Ah, pois, não tem. E por acaso, vi umas imagens da audição dele com o cabelo enorme, por estarmos agora a falar em cabelo.

Parece o Dormiudo.

É, parece o Dormiudo, e ele depois a comentar com a atriz que faz de psicóloga, porque é que tinha o cabelo assim.

Estamos a falar do ator de adolescência. Estamos a falar do ator de adolescência, quem é. Muitos de nós seguramente já o vimos a representar. De onde é que ele veio? Quem é? É um artigo do Observador e eu amanhã vou contar um bocadinho melhor.