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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Passamos em revista o que dizem os jornais em Portugal e do mundo. A edição de hoje é com o jornalista João Gama. Bom dia.
Bom dia, Nadine.
As novas medidas do governo para combater o aumento dos acidentes nas estradas estão em destaque nos jornais nacionais. Começamos a olhar para O Público, que escreve que o governo quer voltar a ativar um serviço que tem hoje menos mil militares da GNR do que tinha em 2009.
A tal brigada de trânsito da GNR. A medida foi anunciada ontem pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, e vem corrigir a extinção decidida em 2007, há perto de 20 anos, pelo primeiro governo de José Sócrates. O Público faz hoje as contas, escreve que nessa altura havia 2300 militares da GNR ligados ao trânsito e hoje há apenas 1300 desses elementos. Ou seja, em 17 anos, a GNR, que tem a competência para fiscalizar 98% das estradas em Portugal, baixou em 43%, quase metade, o número de militares dedicados à área do trânsito. Este déficit pode ser um problema para o governo.
E O Público conta também que deixou de ser possível saber quem financia os partidos ou as campanhas políticas em Portugal.
Ou seja, sabemos os montantes das doações, mas sem os doadores terem de ser identificados. É o que revela a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, numa resposta enviada ao jornal quando O Público fez um pedido de consulta às contas dos partidos desde 2019. Ou seja, esta entidade continua a ter acesso a estes dados, mas deixa de permitir o acesso à comunicação social ou a qualquer cidadão que procure esta informação.
O Jornal de Notícias também destaca as novas medidas do governo. Escreve que Luís Neves quer ter mão de ferro na estrada, mas a manchete é outra.
"Redes de imigração ilegal usam Portugal como porta de entrada para a Europa". Recupera assim o JN os dados do RASI relativos a 2025, que mostra que foram detectados 627 documentos fraudulentos, um número superior aos de 2024 e de 2023. Três países reúnem a maioria destes casos de obtenção de nacionalidade fraudulenta: Albânia, Geórgia e Irão. Por isso, o JN falou com o superintendente da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP, Hugo Palma, que acredita que na maioria das situações sinalizadas, Portugal aparece como um ponto de entrada ou um ponto de trânsito de redes de imigração ilegal para outros países europeus.
E antes de irmos à imprensa internacional, o Correio da Manhã dedica a primeira página ao ataque que aconteceu contra a Marcha pela Vida em Lisboa.
Com uma investigação muito semelhante à que faz manchete a esta hora também no site do Observador. Pode ler-se no Correio da Manhã que o autor do ataque com coquetel molotov contra esta marcha é um homem de 39 anos, designer, militante do Partido Socialista, viveu nos Estados Unidos da América, onde se ligou a movimentos de extrema-esquerda. Foi detido na segunda-feira pela Polícia Judiciária, é suspeito de infrações terroristas. O PS suspendeu, admitiu até expulsar o militante, sendo que o Correio da Manhã acrescenta que a ligação de Nelson Vassalo ao partido chegou a surpreender os socialistas, que remeteram o caso pra Comissão Nacional de Jurisdição.
E agora sim, na imprensa internacional, o El País tem em destaque uma entrevista de Lula da Silva em Brasília.
Com muitas críticas a Donald Trump. Acusa o presidente norte-americano de acordar de manhã e ameaçar um país. O presidente brasileiro questiona também a corrida ao armamento, não só nos Estados Unidos, mas também na Europa. Insiste que alguém precisa de tomar a iniciativa em sentido contrário e pede, por isso, uma reunião com os líderes mundiais sobre o armamento. Avisa que uma Terceira Guerra Mundial seria uma tragédia 10 vezes mais devastadora do que a Segunda. Ainda assim, e depois do que aconteceu na Venezuela e das ameaças de Donald Trump e da Casa Branca contra Cuba, diz Lula da Silva que se sente seguro e que o Brasil é um pleno exemplo de como a democracia deve funcionar para outros países, como os Estados Unidos da América.
E precisamente nos Estados Unidos da América, o New York Times escreve que os republicanos do Senado bloquearam a tentativa de limitar os poderes de Donald Trump em relação à guerra no Irão.
É já a quarta vez desde o início da guerra. Os senadores republicanos bloquearam assim uma iniciativa dos senadores democratas que queriam limitar o poder do presidente dos Estados Unidos para declarar guerra ao Irão, enquanto o frágil cessar-fogo se mantém. 52 votos contra, 47 a favor. Foi a quarta vez nas últimas semanas que os democratas tentaram forçar o Congresso a reafirmar os poderes constitucionais de declarar uma guerra. O New York Times faz também o apanhado das mais recentes entrevistas de Donald Trump neste mesmo artigo, em que conclui que a versão de Trump sobre a guerra no Irão está a entrar em conflito com a realidade.
Os destaques da imprensa nacional e internacional com o jornalista João Gama. A conferência de imprensa regressa amanhã.