Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Nós, numa altura de tanta incerteza e de tanta transformação como vivemos hoje, é inevitável que haja uma nova política industrial. Essa nova política industrial tem que olhar os fatores de produção que nós temos, por um lado, e estabilizar os custos de produção, de maneira que sejamos competitivos. E como já não estamos em um tempo de mão de obra barata, até porque se quiséssemos concorrer em mão de obra barata, não teríamos possibilidade face a mercados emergentes que vão surgindo, nomeadamente no Extremo Oriente, então temos que olhar e estabilizar o custo da produção e isso faz-se através da matéria-prima e da energia, que é hoje um fator absolutamente crucial. Para que as empresas possam fazer esta transição, há duas coisas que precisamos de fazer. Por um lado, simplificar o modelo de licenciamento das transformações empresariais. Na Europa, para ter uma ideia, principalmente desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, os projetos de eletrificação da indústria multiplicaram por 300%. Em Portugal, nós estamos muito aquém disso e por quê? Porque há um conjunto de barreiras administrativas, legais e tudo mais, em que nós temos andado muito devagar. Mais do que promessas, precisamos simplificar o modelo de licenciamento numa altura em que estamos numa transição, numa revolução verdadeiramente tecnológica. A outra questão é na questão da investigação e desenvolvimento. Nós continuamos, apesar de termos vindo a melhorar, estamos ainda abaixo da média da União Europeia e da média da OCDE. E a investigação e desenvolvimento, se quiser, há três grupos de entidades que a promovem. Uma são as empresas, a outra são as universidades e outra é o Estado, através dos seus laboratórios. Aquilo que temos verificado é que Portugal só tem vindo a crescer à custa das empresas, e parece-me que era importante que o Estado pudesse também crescer nessa fase. E nós temos aqui uma janela de oportunidade. Quando nós assumimos compromisso a nível da defesa, e assumimos esses compromissos no âmbito da NATO, só uma parte disso, cerca de 60% a 65%, é que tem que ser naquilo que nós chamaríamos a política de defesa convencional, ou seja, que tem a ver com mais tropa e mais equipamentos para militares. Há uma outra parte que nós podemos alocar aqui a nível de investigação e desenvolvimento, através de instrumentos públicos, que de alguma maneira comecem a desenvolver novos produtos. Não temos outra solução. Isso foi feito no passado, porque nós fomos capazes de fazer. Há 25 ou 30 anos, nós dizíamos que a indústria do calçado em Portugal ia acabar, e não acabou. E por que é que não acabou? Porque nessa altura, houve a capacidade de, em articulação do governo, também com a associação dos produtores e com o conjunto de outras instituições, de fazer aquilo que eu estava a dizer, ou seja, tornar o produto mais complexo. Quando tornamos o produto mais complexo, subitamente aquilo que parecia uma indústria condenada, porque vivia da mão de obra barata, conseguiu ter um enorme impulso. Nós temos que fazer isso agora de uma forma mais horizontal. Portanto, mais do que ajuda o Estado propriamente às empresas, mais do que a questão fiscal, que naturalmente é importante, mais do que a política laboral, é reduzir a burocracia, reduzir os entraves ao licenciamento, que muitas vezes nós dizemos que são culpa da União Europeia. Não é verdade, é culpa nossa. E, ao mesmo tempo, encontrar formas de alocar recursos, que vamos ter que alocar para a defesa, e dizer que uma parte disso tem que ser através de inovação e desenvolvimento. Porque nós olhamos, por exemplo, a indústria de componentes automóveis e sabemos que ela funciona bem em esponja com as indústrias de defesa, como os estaleiros, por exemplo. Portanto, temos que ter esta capacidade de aproveitar aquilo que é, no fundo, uma crise, porque a obrigação de aumentar o nosso orçamento de defesa representa uma crise, mas transformar isso também numa oportunidade.
O Conselho Industrial dá voz a protagonistas importantes da economia portuguesa, que o Observador reuniu em torno da Cimeira da Indústria. É uma parceria com a AMINHO, com o apoio do Município de Braga, PwC, Tabaqueira, Siemens, Elior e Derichsburg Facility Services, Universidade Católica Portuguesa e BPI.