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"Contracorrente", que é aberto aos ouvintes depois do jornal das 10. Pode participar através do 910 002 4185. Pode utilizar este número WhatsApp para enviar a sua mensagem de voz ou deixe os seus comentários nas redes sociais e no site do Observador. Carla.
Ao dia 101 do conflito há várias perguntas que se colocam. Irão, Estados Unidos e Israel preparam novos combates ou preparam um acordo? Arriscarão os Estados Unidos deixar um Israel desafiador entregue a si mesmo e à sua sorte? Ou parte disto é apenas ruído para aumentar a pressão sobre o Irão? É sobre isto que vamos falar. Helena Matos, bom dia.
É claro, bom dia. É mesmo sobre isto que vamos falar. Felizmente, não me perguntaste pelas respostas, porque eu já tinha tudo engatilhado para dizer, por isso mesmo é que vai haver "Contracorrente". Aliás, está tudo a acontecer ao minuto. Eu aconselho vivamente a que se ouça hoje a história do dia na Rádio Observador, porque está um jornalista do Observador em Israel, por coincidência, e dá um pouco de conta do que é o dia a dia em Israel e de como algumas coisas já acabaram por se incorporar, o viver com os alarmes, com tudo aquilo, ir para o bunker, não ir para o bunker, o sítio seguro. Nós temos aqui, basicamente, muito ruído, mesmo muito ruído. Para já, temos muito ruído dos mísseis, dos rockets, dos drones. E depois temos muito ruído verbal. Sobretudo vindo do presidente dos Estados Unidos, até porque os outros protagonistas são muito mais silenciosos, verbalmente falando. Parece ser mais ou menos claro que Israel está a procurar tirar vantagem do momento, ou seja, parece ser mais ou menos claro que a curto ou médio prazo terá de haver uma situação de entendimento, quer dizer, um acordo, com tudo o que isso tem de volátil naquela área do globo. E o que estamos a ver é um procurar tirar vantagem. Entretanto, esta manhã mesmo soube-se que tinha caído um helicóptero norte-americano no Estreito de Ormuz. Donald Trump apressou-se a explicar que não tinha havido outros danos além do helicóptero em si mesmo. A tripulação tinha sido resgatada com sucesso e o que é muito importante neste momento. E é algo que é muito importante também no discurso de Donald Trump. Ou seja, nós vimos outros presidentes norte-americanos, recentemente, Biden, Obama, já nem estou a pensar em Clinton, a confrontarem-se com perdas de vidas de militares norte-americanos. E isso parece ser, com este presidente, uma espécie de um quase tabu. Esta ideia de que não há vidas americanas em risco. Por outro lado, vemos aqui da parte do Irão, o Irão apressou-se a parar. Ou seja, quando Donald Trump faz aquelas declarações em que dizia para pararem de disparar.
Terá havido um telefonema que não resolveu.
Mas a verdade é que o Irão para. Ou seja, parece que está tudo a preparar-se para alguma coisa e no meio disto há um país que é um Estado que não funciona, um Estado que não tem capacidade de impor a sua autoridade. Também seria muito importante conseguirmos falar um pouco sobre qual é que poderá ser o futuro desse país. Estou a falar claramente do Líbano. Até porque o presidente do Líbano deu uma entrevista muito cautelosa, mas em que deixou mais ou menos indicado que poderia haver espaço para um entendimento com Israel, o que quer dizer uma maior pressão sobre o Hezbollah. O governo do Líbano não tem capacidade de fazer pressão sobre o Hezbollah, mas tem a possibilidade de aceitar que outros façam essa pressão sobre o Hezbollah, e quando diz outros, está a falar de Israel. Neste momento, parece ser mais ou menos aceite que Israel vai controlar algumas zonas no sul do Líbano, ou seja, vizinhas do norte de Israel. O que está aqui em causa é se vai haver ou não mais, durante ou quanto tempo mais, os bombardeamentos a Beirute, na zona em que Israel estima estar acantonada alguma parte ou direção do Hezbollah. E é um pouco desse arrumar das peças do puzzle que está aqui em causa e de que iremos aqui falar, até porque entretanto, e como hoje bem se lembra na história do dia, e não só, estão para começar muitas coisas com os Estados Unidos. Temos o Mundial de Futebol.
Dois dias.
Temos os Estados Unidos, eles mesmos a comemorarem uma data fundadora, a sua data fundadora. Temos também os 80 anos de Donald Trump. Há aqui várias coisas a ocupar o espaço.
E não era nada conveniente haver um problema no Médio Oriente.
Ou antes pelo contrário.
Ou era.
Poderá algum dos protagonistas aproveitar para, no meio do ruído, levar a cabo mais algumas operações? Também gostaria muito que nós hoje, no "Contracorrente", eu só tenho perguntas, porque a situação é mesmo muito complexa.
Ainda bem que temos muitos convidados.
Sim, e sobretudo pessoas que estão também elas mesmas com perguntas, o que neste caso é importante. E no meio disto tudo, ontem tivemos uma notícia boa ou má. Eu presumo que talvez mais um espelho daquilo que é a nossa situação. Fomos informados pelo chanceler alemão e pelo presidente francês que aquele projeto do caça europeu, de que falámos aqui até algumas vezes, caiu. E curiosamente cai por aquilo que são as razões habituais na União Europeia e que espelham muitas coisas difíceis, e que é porque as empresas francesas e alemãs não conseguiram chegar a acordo sobre o que cada uma delas devia fazer ou não fazer. A razão podia ser, e também pode ser, por falta de capacidade, por falta de know-how, mas aquilo que nos é apresentado é uma questão estrutural à própria União Europeia. Eu acho que nós temos muito assunto. Também não sabemos como a realidade vai evoluir ao longo do próprio "Contracorrente", mas são mais perguntas do que respostas. Mas perguntar é um grande exercício.
É isso mesmo. A boa pergunta ajuda-nos a encontrar algumas eventuais respostas. Até já, Helena Matos.