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No dia em que se cumpre um ano do acidente no Elevador da Glória, em Lisboa, vamos falar sobre o que acontece depois dos acidentes. No caso do Elevador da Glória, dos 40 processos de indenização, apenas quatro estão fechados e este é um caso mediático. Como é que será nos outros? Já se sabe que num acidente a vida muda num instante, mas como enfrentar os muitos instantes que vêm depois? Como se faz a adaptação à vida, sobretudo nos casos que deixam marcas? Bom dia, Helena. Bem-vinda.
Bom dia.
São muitas interrogações que este acidente nos coloca.
Sim, bom dia, e até pela visibilidade que teve, e tem, como é óbvio, acaba por mostrar aquilo por que passam muitas das pessoas que enfrentam acidentes. Nós geralmente pensamos quase sempre nos acidentes rodoviários. Temos também, por exemplo, os acidentes de trabalho. Em 2025 aconteceram 184.607 acidentes reportados no setor laboral. É claro que estamos a falar de circunstâncias e incidentes com dimensões absolutamente diferentes. Contudo, tivemos em 2025 de acidentes de trabalho, 136 óbitos, ou verificou-se até um aumento deste tipo de acidentes. No caso da sinistralidade rodoviária, em 2025, 2451 pessoas ficaram gravemente feridas em Portugal. Nós geralmente discutimos muito o número de mortes no caso dos acidentes rodoviários, mas um dos grandes problemas é o número de pessoas que ficam gravemente feridas, num total, note-se que houve também 39.316 feridos ligeiros em 2025 na sinistralidade rodoviária. Ou seja, nós temos muitos acidentes, milhares de pessoas, todos nós conhecemos alguém que esteve envolvido, ou nós mesmos num acidente, pessoas que ficaram com sequelas. Também temos aqueles que perderam a vida. Portanto, seja por sinistralidade rodoviária e por sinistralidade no trabalho, os acidentes estão no cotidiano dos portugueses. Procura-se diminuir o seu número, mas a verdade é que eles estão, de alguma forma, fazem parte dos riscos que corremos, deveríamos correr menos, mas a verdade é que corremos. E, portanto, o que nós vemos, pegando agora aqui no caso do Elevador da Glória, que é claro que tem circunstâncias particulares, pelo tipo de veículo, pelo tipo de investigação que está a ser feita. Estão a correr duas investigações, uma pelo DIAP regional de Lisboa, outra também pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários. Mas, para que se perceba, os relatórios ainda não estão prontos. Em julho, há poucos meses, a Carris explicou, esclareceu, que alguns familiares das vítimas do acidente tinham comunicado que ainda não tinham na sua posse as certidões de óbito. Esta é uma informação que data de julho. E todas as vítimas permaneciam, portanto, os feridos graves e os feridos, permaneciam sem a situação clínica definitivamente consolidada. Isto é uma informação de 27 de agosto, portanto, mais recente que a do fato de algumas famílias das vítimas que tinham morrido não terem ainda a certidão de óbito. Portanto, nós percebemos como estes processos podem ser longos. No que respeita às vítimas dos feridos que não tinham a situação definitivamente consolidada, note-se que é fundamental que exista essa situação clínica definitivamente consolidada para que se possa determinar a extensão das sequelas, dos problemas que ficaram, os danos sofridos e aí chegarmos à indenização. Portanto, nós podemos por aqui perceber o que é que pode acontecer num acidente, ou seja, mesmo sem aqueles relatórios, sem aquelas investigações, sem tudo aquilo, temos de chegar, para se receber as indenizações, e isso é em qualquer acidente, a uma situação clínica definitivamente consolidada. Esse é um processo que pode demorar tempo, mesmo muito tempo, e depois ainda temos a questão de como é que se calculam estas indenizações. Há várias pessoas a referir, advogados, especialistas, dizer que em Portugal estas indenizações são calculadas a partir de tabelas que não são atualizadas e, portanto, é de tudo isso, que é muito e que afeta a vida de muitas pessoas, que hoje iremos falar no Contracorrente.
É depois das 10h. Até já, Helena.
Até já.
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