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8:14. Hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta sexta-feira, dia 24 de outubro. Participe e dê-nos a sua opinião em direto, é ligar 91 002 41 85, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz pelo WhatsApp para o mesmo número, 91 002 41 85. Carla. 54 anos depois da primeira e fugaz aparição de um lusitano no álbum da Asterix, eis que a personagem regressa e ao 41º álbum, lá temos por fim os nossos irredutíveis gauleses na terra de Viriato. O lançamento mundial foi ontem. No Contracorrente já lemos a história, pelo que hoje vamos recuar ao lisipo de há 2070 anos para falar de banda desenhada, de estereótipos portugueses e até de turistas franceses. José Manuel, bom dia.

Bom dia.

Conta-nos tudo. Foste daqueles que cresceu com Asterix e ainda se diverte a ler o Asterix?

Fui daqueles que, de alguma forma, cresceu com Asterix. Talvez Asterix não tivesse sido os álbuns que conseguia com mais peixinho, digamos assim. Havia outros que eu preferia.

O Paulo também gostava de outros, está aqui a fazer sinal.

Sim, o Blackie Mortimer, por exemplo. Michel Vaillant, que era uma coisa mais de rapazes.

Pois.

Corridas de automóveis. Mas também havia Asterix e ri muito com alguns Asterix, alguns Asterix preferidos. Mas devo confessar que desde a morte do Goscinny, o Goscinny era o argumentista e já morreu há muitos anos, há 50 anos praticamente, que não sigo com atenção o Asterix. E ele tem continuado, porque depois o desenhador, que é o Uderzo, retomou e continuou a desenhá-lo. E depois vieram estes álbuns mais modernos. Portanto, que já são feitos depois da morte do Uderzo. O Uderzo viveu até aos 90 anos. Já são diferentes. Mas o desenho é praticamente o mesmo, é praticamente indistinguível. E agora temos o Asterix na Lusitânia e eu deixo ficar uma avaliação para os especialistas, porque não sou especialista em banda desenhada. Acho que aquilo que é engraçado de ver também neste álbum é ver até que ponto é que ele nos recorda aquilo que poderá ter sido as terras onde vivemos naquele período. Para já, há uma coisa que eu acho muita graça. Asterix chega a Portugal de barco, como é habitual nas suas viagens. Ele faz ao longo da sua carreira, tem muitas viagens.

Muitos encontros com os piratas.

Muitos encontros com os piratas e também há encontros com os piratas neste álbum. Ele vai de barco quando vai aos Jogos Olímpicos, vai de barco quando vai encontrar-se com a Cleópatra, num dos álbuns mais famosos. Muitas situações dessas. E neste caso concreto, ele chega a uma praia. Eu estava a olhar para o desenho e disse: "Eu conheço esta praia." Esta praia é a praia.

É a tua.

Não é minha, é uma ao lado da minha. Não é minha, é uma ao lado da minha. E verdadeiramente, hoje em dia, não é bem uma praia. O que é engraçado naquilo é a disposição das casas. É uma pequena aldeia chamada Azenhas do Mar.

Ora, escolheu muito bem o ponto de destino.

Escolheu muito bem, é um sítio muito bonito.

Muito é.

Um sítio muito bonito. Percebe-se mais algumas coisas. Em Lisboa é mais difícil de distinguir. Percebe-se que os autores viveram cá, andaram no nosso Elétrico 28 e também criaram uma espécie de Elétrico 28. Não havia eletricidade, mas há um Elétrico 28.

Muito bom.

De resto, aquilo faz um pouquinho o que fazem os outros álbuns. Se pensares numa espécie de estereótipo português, acho que estão lá todos.

Está lá tudo.

Está lá tudo. Está lá o bacalhau, estão lá os azulejos, está lá a calçada portuguesa, está lá o Elétrico 28, está lá a maneira de falar, está o fado, está a saudade, está a Amália. Podíamos continuar, está lá quase tudo. Mas o que, aliás, é tradicional e já vinha da tradição do próprio Uderzo. Por exemplo, quando há aquele Asterix entre os bretões, os bretões também tinham muitas coisas, também bebiam um líquido que lembrava o chá, outro líquido, uma cerveja morna. A gastronomia.

Havia uns Beatles também, não havia?

Exatamente, havia um que lembrava os Beatles, havia tudo. Isto faz parte, é um pouco a magia destes álbuns. E eu estava à espera de encontrar o lusitano, um lusitano famoso, o mais famoso dos lusitanos, que era Viriato, mas não encontrei. Ou melhor, o Viriato está lá citado, aparece citado neste álbum, mas o Viriato não é contemporâneo do César e portanto não podia estar e não está. Está apenas como memória, como de resto na história do Asterix há outra memória sempre presente, que é Vercingetórix, que é o líder gaulês da resistência nas guerras com Júlio César. Só que, de facto, Vercingetórix não é contemporâneo de Viriato. Viriato viveu cerca de 100 anos antes e portanto não podia fazer parte da mesma história da mesma maneira, e isso é cumprido. Vale a pena recordar aqui alguns aspetos. Verdadeiramente, aquilo de que se fala não é das relações bélicas entre a Lusitânia e o Império Romano. Falaremos um pouco disso no programa, para recordar como é que essas coisas se passaram. Mas fala-se mais das relações comerciais e de um molho que se fazia aqui para estes lados, que é o garum, que é um pouco o protagonista deste Asterix. E eu não vou entrar em muito mais detalhes, porque isto é um tema que eu não gosto de contar a história. Não vamos contar a história, vamos apenas dar indicações do que aqui se fala para as pessoas ficarem com uma ideia. E há uma coisa que eu posso dizer: há menos pancadaria do que eu me recordava de ser habitual. Não estive a ler os álbuns anteriores. Há apenas pancadaria que vê e, em contrapartida, há um pouco de manha, o que talvez não seja totalmente desadequado ao que se passa na Lusitânia.

Ao contexto.

Ao contexto. Falamos depois disso, depois das 10h.

Vamos ao Asterix.

Bom tema para um fim de semana.

É ótimo.

Fim de semana chuvoso ainda por cima.

Está a pedi-las. Até já. 91 002 41 85 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode enviar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então deixar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no nosso site.