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Hora de conhecermos o tema do Contracorrente. Depois, para entrar em direto, já sabe que só tem de ligar para nós 91 002 41 85. Se preferir, deixe os seus comentários nas redes sociais ou no nosso site. Carla. Um vencedor inesperado na primeira volta, Flávio Bolsonaro, uma recuperação inesperada de Lula na campanha da segunda volta e um debate absolutamente inesperado na forma e no conteúdo, pelo menos para quem não está habituado à política brasileira. Bom dia, Helena Matos.

Bom dia.

Afinal, o que é que se pode esperar destas eleições no Brasil?

Em primeiro lugar, penso que ninguém sabe responder a isso. E depois, tendo em conta a diferença horária para poder assistir ao debate, digamos que eu não estou, neste momento, nas melhores condições para dizer o que esperar do que quer que seja.

Acabou que hora, Helena?

Duas e pouca, e depois ainda fiquei a ver mais umas coisas, porque claro que houve logo reacções.

Era preciso, claro.

Tudo é muito vivo.

Estando quase numa directa.

Tudo muito vivo mesmo. Uma das conclusões que tenho já desta tentativa de ir seguindo esta campanha eleitoral no Brasil, é percebermos que é, porventura, das campanhas mais duras para os candidatos. E não estou a referir-me apenas pelo modelo deste debate, que para quem não está habituado, é muito inesperado, é muito duro, é muito cara a cara, é muita acusação pessoal, tem técnicas e táticas de intimar o outro, intimidar o outro, através do posicionamento do corpo, da forma como se está, a forma como os próprios debates estão organizados, mas até estou a falar fisicamente da campanha. Estamos a falar de um país que é um continente e no qual é suposto que os candidatos estejam todos os dias nos mais diferentes sítios. Aquilo tem uma espécie de passeatas, carreatas, trem elétrico, que supõe que os candidatos estão na melhor das formas físicas e portanto, agora pode perguntar-se o que nós temos neste momento. Neste momento, pode dizer-se que é evidente que Lula da Silva é um político com muita história, com muito tempo e que, de alguma forma, isso pareceu-me até ter sido mais ou menos consensual, mesmo entre os seus apoiantes. É como se ele estivesse a fazer uma campanha de outro tempo, lá atrás. E depois temos um candidato novo, muito recente, que não tem experiência. Aliás, Lula da Silva disse isso várias vezes ontem durante o debate. Não tem experiência executiva, mas um candidato que está a falar para o agora. Isso notou-se também muito ontem, por exemplo, em vez de ficar frente a frente com Lula da Silva, isto teve várias vezes, em diversos momentos, nós vimos Flávio Bolsonaro virar-se para a câmara e falar diretamente para os seus eleitores, falar para os brasileiros, porque quer um, quer outro candidato, precisa em absoluto que alguns dos abstençãonistas vão votar em si e que aqueles que estão a pensar votar no outro fiquem em casa. Isto tem ressonâncias com a campanha da Covid e a forma como isto foi usado. Portanto, acho que vamos ter muito para falar logo no Contracorrente, quer da campanha, quer do espetáculo, quer da personalidade dos candidatos, porque estamos na campanha decisiva e não se sabe sequer se vai haver outro debate. Acho que vai ser muito animado.

Pois bem, até já, Helena. Faça parte do Contracorrente, ligue 91 002 41 85 e entre em direto depois do Jornal das 10.