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Quer dizer, a ambição dos países e, em certo sentido, também aquilo que está a acontecer ao seu redor. Porque, como é óbvio, a presidente do México, nem o México, têm uma perspectiva de si como se fossem a Venezuela ou como se fossem Cuba. E até porque também têm uma longa prática de conexão com os Estados Unidos em matéria de combate à criminalidade. Partilham uma fronteira, todas essas coisas. Com muitos litígios e com muitas irritações, mas também com muitas conexões. Nós temos três minutos. Vocês querem que eu comece esta apresentação pelo lado novela mexicana ou pelo lado geopolítica?

Vá.

Diga ou faça a sua escolha.

O que achas que os nossos ouvintes querem ouvir?

Vocês eu sei o que querem ouvir, mas e os nossos ouvintes? Então é assim, vamos contar aqui. Nós temos três mulheres. Temos Rosalinda González Valencia, conhecida como a Chefa. Foi com ela que El Mencho se casou. Ela vem de uma família poderosa e, de alguma forma, foi também com o grande apoio da família dela que ele acaba a conseguir construir ou dar aquele tipo de dimensão ao cartel. Por outro lado, a Chefa tinha e tem capacidades organizativas. Tiveram três filhos, só que aí entrou uma nova mulher na história, pelo menos mais esta, mas talvez mais algumas, chamada Guadalupe Moreno Carrillo. E é com Guadalupe Moreno Carrillo que El Mencho se foi encontrar. E foi ela que foi seguida e que terá dado a localização, voluntária ou involuntariamente, e portanto foi ela que permitiu à terceira mulher desta história, Claudia Sheinbaum, não sei se é assim que se diz o apelido dela, que é presidente do México, e a presidente do México usou esta operação, não é de maneira nenhuma a primeira tentativa que os mexicanos fizeram de apanhar El Mencho, mas foi bem-sucedida. Note-se que o cartel de Jalisco, eu estive a ver as imagens, estive a ver os filmes, e a uma pessoa como é o meu caso, aqui a Maria João olharia para lá e perceberia logo, mas eu não, que eles não eram verdadeiros militares, porque eles tinham uniformes, tinham carros, os carros estavam transformados. Só mesmo assim especialistas como a Maria João que olhavam para lá e diziam logo: "Não, não vês? Isto é um cartel, isto não é o Exército do México, as Forças Armadas do México, nem os federais", porque se note, eles têm tido que criar diferentes corpos de polícia, porque a corrupção vai sempre entrando, e aqui estamos a falar dos federais. E eles já tinham tentado, em 2015, uma operação deste gênero, que acabou com o helicóptero das Forças Armadas do México no chão. Eles tinham material. Aliás, tinham carros russos para lançar mísseis, também eles adaptados e disfarçados. A Maria João também pode ir ver e dizer depois qual é que é o modelo.

Tudo por causa do cadernete de guerra.

Exatamente. E esta operação permitiu a Claudia Sheinbaum, que é a terceira mulher desta história, a dizer, e eu acho que isto é muito importante: "Todas as operações foram realizadas por forças federais. Não há participação nesta operação de forças dos Estados Unidos. O que há é muita troca de informação". Portanto, estamos diante disto, operação feita por mexicanos com informação dos Estados Unidos. O México quer chegar em junho ao Estádio Azteca, onde vai ter lugar o jogo inaugural do Mundial, como um dos grandes daquele continente, mesmo um dos muito grandes.

Num continente que está a mudar muito, não é?

Como?

Num continente que está a mudar muito.

Num continente que está a mudar muito. Eu estou um bocadinho constipada.

Pois está.

E portanto, um continente que está a mudar muito e onde há, para lá de todas as outras lutas que vemos, também uma luta pela afirmação. Sim, os Estados Unidos, o Canadá, são um dos grandes, são os grandes deste continente, mas há um espaço para um terceiro, para um quarto, e aí eu acho que o México está a tentar acertar naquela baliza do Estádio Azteca em junho de 2026.

Que linda imagem. Muito bem, Helena. Até já. Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, depois do Jornal das 10. Já sabe, tem também as nossas redes sociais, o site do Observador, e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz por WhatsApp 91 002 41 85.