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Hora de conhecermos do que vai o José Manuel Fernandes falar no Contracorrente desta sexta-feira. Depois, para participar e nos dar a sua opinião em direto, só tem que ligar para nós 910 002 4185, ou então enviar-nos sua mensagem de voz, o seu áudio por WhatsApp para o mesmo número 910 002 4185. Carla. Se não houver surpresas, o painel dos candidatos presidenciais está fechado. E está fechado com um cenário pouco habitual, já que não temos um favorito indiscutível e também porque desta vez todos os principais partidos não abdicaram de apresentar os seus candidatos, mesmo existindo um candidato independente forte, Henrique Costa e Melo. Nas últimas semanas, temos também vindo a assistir ao alinhamento das principais figuras públicas, sendo que hoje foi a vez de Cavaco Silva manifestar o seu apoio a Marques Mendes, num artigo publicado aqui no Observador. Voltamos, por isso, hoje no Contracorrente, ao tema das eleições presidenciais, até porque as sondagens mais recentes dão alguns sinais contraditórios. José Manuel, bom dia. Os partidos ainda contam numa eleição presidencial?
Olha, para ser franco, acho que os partidos já não contam à pressa das eleições presidenciais. Se nós vimos bem, as ordens dos partidos ou as indicações dos partidos não funcionaram de forma muito efetiva, eu diria, quase desde a eleição presidencial de 86, aquela que temos falado há bastante aqui dentro do podcast. Na verdade, as eleições presidenciais têm influência dos partidos, mas têm, sobretudo, influência das pessoas. E já tivemos várias eleições em que os presidentes eleitos não eram os candidatos ideais dos respectivos partidos. Mário Soares era, o Partido Socialista queria que ele fosse eleito, mas detetou-se mesmo assim com salgadenza. Depois tivemos Jorge Sampaio. Jorge Sampaio avançou um bocadinho contra a vontade do secretário-geral do partido na altura, António Guterres. Depois tivemos Cavaco Silva. Cavaco Silva, eu acho que este era indiscutível, o partido queria Cavaco Silva, não houve aí qualquer tipo de dúvida, mas já Marcelo Rebelo de Sousa não posso dizer o mesmo. Todos se recordam daquela moção no Congresso do PSD sobre o catavento. E, portanto, eu diria que os partidos mandam muito relativamente. Desta vez, há coisas para todos os gostos, mas aquilo que me faz mais impressão foi a necessidade de vários partidos apresentarem candidatos para marcarem o seu terreno, para terem a sua oportunidade. Estou a falar do PCP, naturalmente, mas isso é um clássico. Estou a falar do Bloco de Esquerda, que já teve posições diferentes ao longo do tempo. Estou a falar da Iniciativa Liberal, que claramente quis aproveitar a oportunidade de uma campanha natural e usar o seu nome que até hoje teve mais sucesso eleitoral, que é Cotrim Figueiredo. Estou também a falar, naturalmente, do Chega, que percebeu que não podia arriscar, sobretudo depois do resultado que teve em maio, e de umas autárquicas que obrigatoriamente iam ser mais difíceis, como foram. E portanto, jogou tudo aí. O PSD está tranquilo com o Marques Mendes, mas tem muitas fugas, muitos transfugas. Nenhum até agora de primeiro plano. Veremos se eventualmente Pedro Passos Coelho apoia outro candidato que não Marques Mendes. Ele até agora deu mais sinais de provavelmente não querer pronunciar-se do que aparecer em campanhas, mas veremos. Mas fora isso, digamos que as principais figuras do partido estão alinhadas. Falta aqui o candidato do CDS, que andou até ao fim a ver se conseguia ter um, acabou por não ter. E depois temos Governo e Melo que baralham um bocadinho a ordem das coisas. Desse ponto de vista, vai ser interessante um debate que eu creio que com o seu faro muito particular, Cavaco Silva veio pôr em cima da mesa no artigo que escrevi hoje, que é o debate de independência versus experiência. É um bocadinho isso que vamos estar a discutir, creio eu, na campanha eleitoral, porque o principal trunfo de Governo e Melo é a sua independência, o principal crítico que vai ser feito é a sua falta de experiência. E Governo e Melo vai continuar a ser o candidato em torno do qual as coisas vão rodar, porque é o que vem de facto fora dos partidos, e aquele que, apesar de como tu disseste, haver sondagens contraditórias, há apenas uma sondagem que não o coloca em primeiro lugar na primeira volta, mas é uma sondagem como outra qualquer. Eu creio que é o candidato em relação ao qual vai haver mais expectativas nos debates, precisamente por ser aquele que nesse terreno tem menos experiência. Todos os outros candidatos têm experiência, ou claramente debates, como todos aqueles que foram líderes, quer dizer, Marques Mendes, Seguro, até porque muitos deles foram líderes parlamentares, tiveram grande ação no Parlamento. André Ventura, inevitavelmente. Vamos ver como é que isto corre, sendo que, e há aqui uma coisa relativamente curiosa, também vai ser interessante ver como é que candidatos bastante mais novos do que é habitual, estou a falar de Jorge Pinto, que tem apenas 38 anos, ou mesmo André Ventura. André Ventura é um candidato relativamente novo. Ele anda há muitos anos nisto e nós esquecemos que ele é bastante mais novo do que é habitual. Ele tem só 43 anos, portanto é relativamente novo. Como é que eles vão intervir nesta campanha e se vão ter realmente peso, porque isto costuma ser uma eleição para pessoas mais velhas, digamos assim. O candidato presidencial mais novo eleito até hoje foi Jorge Sampaio, que foi eleito pela primeira vez com 56 anos, e nós muito provavelmente podemos ter nesta eleição o candidato eleito à primeira volta com mais anos. Se for, por exemplo, Marques Mendes, o eleito, que seria eleito com 68 anos, e nós até agora o candidato mais velho foi Marcelo Rebelo de Sousa com 67. Enfim, curiosidades para animar um pouco a conversa relativamente àquilo que podem ser estas candidaturas. Aliás, será curioso porque Marques Mendes, sendo o candidato mais velho, é aquele que vai usar mais a carta da experiência. Não é surpreendente.
Pois claro. E estamos a cerca de duas semanas do início dos debates com os candidatos, também vai ser interessante.
É verdade. Eu acho que vão ser debates a mais. Também falei um bocadinho disso, mas creio que aquela forma dos debates não vai ser boa. Enfim.
Enfim, até já.
É aquilo que também foi possível. Até já.
Sim, aquilo que foi possível para organizar todos os candidatos em debates pelos vários canais. Até já. 910 002 4185 para entrar em direto, mas já sabe que também nos pode deixar a sua mensagem de voz através do WhatsApp ou então colocar os seus comentários nas nossas redes sociais ou no site do Observador.