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Terminou ontem em Ancara a cimeira da NATO com muitas declarações de Donald Trump, com declarações de apoio à Ucrânia, também compromissos sobre o aumento das despesas militares e o aviso de que a aliança não aceita um Irão com armas nucleares. Tudo isto ao mesmo tempo que era posto um fim ao memorando que levou a um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. Bom dia, Helena Matos. O anúncio do fim da NATO foi manifestamente exagerado depois desta cimeira?
Eu tinha feito aqui uma entrada, uma coisa que eu achava uma coisa bem composta, um funeral que demorou quatro meses a ser realizado, uma declaração conjunta, NATO, que surge tarde, um memorando de vida breve e os ataques que mal deixaram de acontecer. Mas a verdade é que eu encontrei a melhor forma para explicar tudo isto que está a acontecer no tal francês do jornalista poliglota. Que vocês acabaram de trazer aqui. É que, na verdade, é um bocadinho assim. Toda a gente diz qualquer coisa e o resultado acaba por funcionar. Ou seja, é como se a chave do improvável estivesse no improvável. Sim, nós partimos, ou o mundo partiu para esta conferência da NATO em Ancara, como a forma quase de: "Será que é o fim? Será que é já o princípio do fim?" Porque é claro que estas coisas demoram o seu tempo a acontecer, mais a mais num tempo em que o pilar europeu está com manifestas dificuldades internas. Temos crise na Alemanha, temos uma crise em Espanha, temos problemas muito sérios em França. Mas depois Trump chegou a Ancara e note-se que se alguém saiu com razões para se sentir confortado desta conferência em Ancara, foi quem a albergou, Erdogan, o líder da Turquia, o presidente da Turquia. Donald Trump fez questão de dizer que se a cimeira não se tivesse realizado na Turquia, mas sim noutro país europeu, ele não teria vindo. E nós nestes encontros internacionais, começamos a ter um momento que é uma espécie de show de Trump, com declarações muito rebombásticas. Eu tenho sempre duas dúvidas: isto é um sinal de que ele está descontrolado, sempre o foi, mas está cada vez mais, ou é uma espécie de show que nos entretém, do qual nós participamos e em que, ao mesmo tempo, coisas importantes estão a ser negociadas. Eu disse que Erdogan, sim, tem razões para sair confortado. Aliás, o ponto seis da declaração final era um agradecimento à Turquia, por ter albergado a conferência, mas simultaneamente há um outro homem que tem razões para se sentir confortado e que é Zelenskyy. O seu entendimento com o presidente dos Estados Unidos é manifestamente positivo neste momento, e eu acho que isso se deve muito à inteligência de Zelenskyy. E, por outro lado, os aliados comprometeram-se com a defesa da Ucrânia, incluindo aqui também já avisos à Bielorrússia. Portanto, por essas razões, eu acho que Zelenskyy tem motivos para se sentir reconfortado ou mais confortável com esta cimeira de Ancara. Putin, algumas razões para se sentir mais preocupado. E depois temos aqui uns aliados NATO europeus que se comprometem, isto são notícias para todos nós, e já estão mesmo a gastar muito mais dinheiro com a sua defesa. Portanto, isso é também uma notícia que nos interessa. Depois temos também um aviso importante: os aliados não tolerarão um Irão com armas nucleares. Não se percebe é porque não foram tão veementes algum tempo antes em frisar isto. Portanto, tudo feito, somado, subtraído, adicionado e misturado, é como a viagem pela "voyage". E, portanto, todos nós percebemos o que é que eles queriam dizer.
E os próprios franceses também perceberam e responderam.
Embora possa parecer que ninguém disse o que devia ter dito. Portanto, é assim, e eu estou quase a recusar-me a fazer estas apresentações do Contracorrente.
Depois dos momentos de glória.
Depois dos momentos de glória. Eu tenho de vir antes dos momentos de glória, porque isto é muito injusto.
Fica desconcentrada.
Não, fico desconcentrada, e isto é muito injusto. Quem é que me ouve com estes problemas sobre os 634 mil milhões de dólares, ou seja, 555 mil milhões de euros, que os aliados europeus e o Canadá se comprometeram a gastar agora neste ano de 2026? Vá, digam lá.
Vamos saber.
Neste ponto, tens de depender de mim.
Vamos tentar fazer pressão para que isso aconteça, Helena.
Para que isso aconteça. Vai ter de acontecer.
Depois das 10h, vamos ter ali duas horas para falar sobre isto. Até já, Helena.
Até já.