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Bom dia.
Isto é o PS a radicalizar-se na política externa e na interna?
Bom dia. Eu estou aqui com um problema. É que realmente, depois de ter ouvido aquele problema do pulmão no aparelho digestivo, estou aqui a pensar que se calhar tenho que mudar o título do Contracorrente, porque isto de borregar, ainda vão achar que eu acho que o PS anda por borregos, não sei onde.
Em vez de carneiros.
Pois, exatamente. Tudo isto é um problema, não é? Exatamente.
Essa tua questão pode ser utilizada num momento estelar, e é assim.
Pois, não, isto é complicado. Bem, o que é que acontece? Nós tivemos Eurico Brilhante Dias a fazer umas declarações a propósito da utilização da base das Lajes pelo país com o qual temos o acordo para a sua utilização, que são os Estados Unidos, e o tom das negociações, as expressões usadas. Tinha sido uma vergonha à escala planetária, que o governo se tinha agachado, enfim, aquelas coisas todas, remetia nem sequer, eu ia dizer para o Bloco de Esquerda, mas nem sequer, porque nós temos de entender que a utilização da base das Lajes é um daqueles assuntos que os partidos todos conhecem em Portugal. O acordo é conveniente para Portugal e muito particularmente para os Açores, mas também para Portugal, porque lhe dá uma importância desproporcionada em relação à nossa aparente insignificância. Há décadas que é assim. E portanto, nós temos a presença norte-americana nos Açores desde a Primeira Guerra Mundial, não logo com as Lajes, como é claro, mas aquilo que acontece aqui é que toda a gente sabe que os americanos estão nas Lajes, usam as Lajes, há um acordo. O tom usado por Eurico Brilhante Dias gerou ali algum incômodo, porque o PS, como partido do governo, sabe perfeitamente que Portugal, neste momento, já tinha havido aquela viagem do José Luís Carneiro à Venezuela, e é como se neste momento as intervenções externas do Partido Socialista e desta sua nova liderança fossem pautadas mais do que por um radicalismo. Eu sei que há aqui a questão da radicalização, mas na questão da radicalização podemos pensar se calhar mais em relação à questão da lei laboral, em relação à matéria fiscal. Em relação à parte externa, é como se houvesse uma espécie de imprevidência de quem nunca esteve no governo. E nós sabemos, basta recordar o que aconteceu durante os governos do José Sócrates, com a passagem de presos para Guantánamo, as dificuldades que o ministro Luís Amado teve para se explicar nessas matérias. Mas a verdade é que as oposições, e nomeadamente aí a oposição do outro partido do governo, o PSD, em geral perguntam, mas perguntam de uma forma de quem está na oposição e sabe que um dia também vai ser confrontado com a mesmíssima questão. Não é isso que está a acontecer. E daí que a pergunta que se coloque é: para falar deste modo, para interpelar deste modo, para usar este vocabulário, estará o PS a querer reproduzir o modelo Pedro Sánchez? Essa é uma das perguntas. Agora, tem que se entender que a relação da Espanha com os Estados Unidos, tenha ou não Pedro Sánchez ali alguns aspetos muitíssimo radicais, a verdade é que sempre foi diferente. Ora, para Portugal e para o PS, que foi sempre um partido muito alerta para o perfil atlantista de Portugal, isto suscita aqui várias perguntas. Em termos de política interna, o que é que isto pode dar eleitoralmente ao Partido Socialista? Para já, temos aqui uma data marcada, parece aquelas canções, que é o 10 de junho, porque António José Seguro, socialista, presidente da República de todos os portugueses, marcou as cerimônias do 10 de junho para as Lajes. Portanto, neste momento, a base das Lajes e muito particularmente a forma como os socialistas, estejam eles no lugar em que estejam, estão a encarar o acordo que Portugal tem com os Estados Unidos, começa aqui a acender algumas luzes de perigo nesta matéria. Portanto, eu acho que é por aí, a partir das Lajes e daquelas declarações que eu equiparei a uma aterragem falhada, portanto, a borregar. Nas Lajes é difícil borregar, porque as pistas dos Açores são enormes. Se fosse na Madeira, o borregar é mesmo o habitual.
É mais frequente.
É mesmo muito frequente. Agora, nas Lajes, quando se borrega é politicamente. Agora que a minha garganta estava a ficar boa, tenho de falar. A Maria João já se mexe nervosamente. Tenho o Ignotinho à espera. Pronto, está bem, vai trabalhar. Falas depois disso, da radicalização do Partido Socialista.
Temos duas horas a partir das 10h.
A partir das 10h, e para, sobretudo, em termos de pista, onde é que o PS quer aterrar.
Até já, Helena.
Até já.
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