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Sejam bem-vindos. Esta semana vamos viajar de moto. O viajante desta semana já realizou muitas viagens em duas rodas. Vamos explorar algumas delas ao longo da próxima hora e vamos não tentar cair. João Luís, bem-vindo.

Olá, boa tarde.

É uma coisa que atormenta os motociclistas, as quedas, ou não?

Também.

Também.

Também, claro. Às vezes acontece.

Pela queda em si, depois ter que levantar a moto.

É mais difícil. Depende.

Vê-se mesmo que não sou motociclista.

É muito bom quando conseguimos levantar a moto, é bom sinal. Às vezes já não dá para levantar a moto, aí é que é mal.

Tu és muito dado a quedas ou não? Olhem por isso.

Tenho a minha parte. Andar de moto é uma arte, cair faz parte.

Olha, até rima. Muito bem. Quando é que começou esta tua paixão pelas motas, João?

Esta paixão.

Antes de mais, é uma paixão, não é?

É. Uma paixão. É um modo de vida, já. Uma paixão que se transforma em um modo de vida. Eu ando de moto, comecei de motorizada há 14, 15 anos. Quando tirei a carta, comprei logo moto, antes de ter carro. Primeiro, tirei a carta de moto aos 18 anos, e até hoje. De vez em quando, tenho umas quedas graves, que fico impossibilitado de andar de moto, é a única paragem que tenho. De resto, vou andando de moto.

Muito bem. Qual foi a tua primeira grande viagem de moto?

Grande viagem, eu costumo dizer, às vezes aquelas pequenas viagens primeiras que se fazem em Portugal, vamos saindo daqui, dali, são viagens fantásticas. Eu quando tinha 15 anos, fazia 100 e tal quilômetros de Alcobaça à Castanheira de Pera, ter com uns amigos à losã, de motorizada, e levava os sacos e aquilo tudo. Sempre fui um apaixonado pela leitura das revistas, ainda hoje eu compro o papel. Sonhávamos, eu morava em Alcobaça, ia muito pra Nazaré, víamos os estrangeiros com aqueles elásticos nas motas, os sacos tudo preso, isso faz um homem sonhar. Então comprei a motorizada, já ia viajar com os sacos amarrados na moto e por ia fora.

Ainda que fossem só 100 quilômetros.

Era o que fosse e vinha a Lisboa, de Alcobaça a Sacavém. Tinha uma namorada naquela altura em Sacavém, miúdos da escola, e vinha ter com ela de moto, ia buscá-la. Ia buscá-la, não, ia ter com ela à porta da escola secundária. Portanto, era o que todos nós fazíamos.

Na tua cabeça era uma epopeia.

Sonhava. Lia muito as revistas, não tão bem as portuguesas, mas tinha e tenho familiares meus, mais velhos que eu, que compravam revistas de França, a Moto Jornal Francesa, esse tipo de revistas. Nós líamos aquilo ainda a preto e branco, a Moto Show brasileira. E isso vai criando, vamos sonhando, vamos fazendo as coisas. E vamos realizando sonhos.

Sim. Hoje realizas grandes viagens, já foste várias vezes ao Médio Oriente, já fizeste a costa austral-africana, subindo depois pela África do Sul até Angola. Já foste várias vezes ao Mali e ao Senegal, também de moto. É como eu ir até o fundo da rua beber um café, quase.

Não.

Ao Mali.

Exige uma parte de logística. Nós não podemos dizer: "Olha, agora pego na moto e vou." O que depois acontece, podemos ficar barrados em determinadas fronteiras, em determinados pontos. Eu faço um estudo para ir. Como entramos em determinados países por terra. Porque entrar por terra é diferente de entrar pelo ar, de avião. Há países que te passam o visto à chegada ao aeroporto e há países que entrando por terra não te passam o visto, tens que levar o visto do país de origem ou ir buscá-lo a outra cidade antes desse país. Então esse estudo é importante fazê-lo. Depois é importante ter um seguro de acidentes. Imagina, na Mauritânia, se tenho um acidente grave, um país que pouco tem, pouco oferece em termos de condições, quer dizer, temos que ter algum apoio de Portugal com o seguro que levamos, que pague, que é para, em último caso, ser repatriado. A ambulância não anda logo ali atrás de nós, mas depois vem, se for necessário. Mas é esse trabalho de casa que eu faço e respeito muito isso para o máximo possível, porque já tive acidentes no estrangeiro.

Já?

Sim. E esse tipo de trabalho facilita muito as coisas. Que é pra não andarmos depois a pedir dinheiro, a quem fica cá. "Agora estou aqui, não tenho dinheiro pra pagar o hospital." Não, isso não é assim, as coisas não se fazem assim. Nós também podemos andar a viajar, mas andar a viver à conta dos outros, não. Ponta cento.

Não é desejável.

Não, não é.

Mas é desejável voltar a repetir Lisboa-Índia, ou não? Foi uma viagem que tu fizeste.

Foi uma viagem fantástica. Houve dois países. É uma pena, porque numa viagem que se faz-

Foi há 10 anos, não foi? Em 2015.

Em 2015, e acabei em 2016. Fora uma viagem de cinco meses.

Uau!

Na Índia, tive um mês e meio.

Desta volta, fizeste o perímetro da Índia, praticamente.

De Mumbai até Casimira.

Lá em cima.

Fui aos Himalaias, desci toda a Índia até Cochin, até Capá, donde chegou o Vasco da Gama, e retornei a Mumbai. Eu não cheguei a acordo com o Paquistão. E então, quando cheguei ao Irão, passei pro Dubai, no Dubai meti a moto num avião, voei também na Emirates para Mumbai, saquei a moto no dia a seguir e fiquei um mês e meio na Índia. Fiz 10 mil quilômetros na Índia.

Que luxo!

Fiz 10 mil quilômetros na Índia. Fui vegetariano um mês e meio Adorei a experiência.

Por opção ou à força?

Pura opção. Acha gir, sentia-me bem. Tens aquela coisa: "Será que um dia consigo levantar a moto do chão?" Só comer vegetariano. Impecável. Perdes a barriga, o teu organismo trabalha muito bem, adoras aquilo.

Ok, ficaste fã?

Fiquei fã.

E hoje és vegetariano?

Não. Nessa mesma viagem, quando cheguei à Jordânia, tentei ser vegetariano, chamaram-me logo de maluco. Batiam-me nos braços e diziam: "Tu comes carne que isto é que dá força". Não têm a opção. A opção vegetariana na Índia, em toda a Índia, comida de rua, comi sempre de rua. Nunca tive um problema de estômago, nunca tive uma diarreia, essas coisas que atormentam muitas das pessoas que viajam. Zero, até hoje. Nunca tive.

Tens um estomagadaço.

Não, até nem tenho. Até pelo contrário.

Mas és precavido.

Sou. Agora, comeres na rua na Índia é melhor do que comeres, por exemplo, em determinados hotéis de quatro e de cinco estrelas. Porque a comida na rua, a Índia como foi aquela coisa das castas, quem faz comida de rua, quem vende comida na rua, a comida não sobra à noite, a comida que sobra à noite eles dão aos pobres.

Ok.

Não fica para o dia seguinte. No hotel há requentados. Atenção, o fiambre não comes hoje, porque eles não dão às pessoas.

E há fiambre na Índia?

Por exemplo, as carnes transformadas, digamos assim, as comidas transformadas, aquilo não é para dar.

Caiu aqui um mito, então.

Sim, enquanto a comida de rua, eu via, eles davam à noite. Porque há o problema da higiene. Esqueçam isso da higiene, não ligo muito a isso. A comida que sobrava, estavam as crianças, aquilo dói. Mas estão aquelas pessoas das castas mais baixas a recolher a comida. Quando eles começam no dia seguinte, começam de novo. Fritam as bolas, fritam os ovos. Estás a comer, brutal.

Boa. Gostaste de viajar na Índia?

A Índia não existe como país.

Então?

Como eu digo, é um conjunto de estados, cada qual com a sua cultura própria, que faz aquele país.

Aquele melting pot.

E nós, primeiro, custa-te a encaixar. Odeio que mexam na moto, eu e qualquer motociclista odeia que lhe mexam na moto. Era o meu problema, eu virava costas. Eu desisti de ralhar com a malta, de disciplinar, que assim que eu chegava, eu montava na moto, um de cada vez, não eram abusadores, não estragavam, mas sem pedir nada, montava na moto a tirar fotos. Eu: "Ao menos peçam". E tocam com o dedo e veem. Pronto, olha, tive que desistir dessa paranoia de mandar alguém mexer na moto. De resto, vais-te habituando, adaptas-te àquela forma de vida, àquela cultura deles. O trânsito caótico que se fala, eu nunca vi acidentes entre veículos, vi despistes, acidentes entre veículos não se veem. Tem uma regra da prioridade brutal. O maior tem sempre prioridade. Eu tinha prioridade sobre as motorizadas, mas os caras tinham prioridade sobre mim. Não é fácil haver acidentes quando se conduz devagar e todos no mesmo sentido. Andas numa cidade, são milhões de pessoas, como é evidente.

Pois.

Mas o sentido é o mesmo. Claro que há tipos que uns batem contra mim ou bato contra uns, outros contra outro, mas é de lado. Estás a ver os bois quando vão todos em manada, as vacas, pumba, todos a bater, mas é tudo assim, não anda nenhum em contramão. É um bocado isto que se passa lá. Então vais-te apaixonando para aquilo. É difícil nos primeiros dias adaptares-te à comida, o pequeno-almoço, aquelas coisas completamente diferentes de nós. Eu dou sempre este exemplo, a massala, aquelas coisas, vegetariano. Custa-te a comer os primeiros dias, vais comendo. Voltando à parte da higiene, as pessoas não lavam as mãos, as unhas têm lá massala enfiada. Dizes: "Não posso estar a olhar para aquilo". Mas cara, aquilo é bom. E a última refeição que eu fiz na Índia, um mês e meio depois, que já tinha outras opções, foi massala. Ficas completamente apaixonado por aquilo, completamente envolvido naquela cultura e naquela paixão. Percebes as pessoas. Mas os primeiros dias é que é mais difícil, depois habituas-te.

É uma questão de hábito.

É uma questão de hábito.

É um país caótico, mas ao mesmo tempo muito sedutor, porque é muito colorido, muito variado, muito inesperado, sempre surpreendente. É essa a ideia que tu também tens da Índia?

Claro.

Ou a conclusão que tu tiras?

Aquelas cores, aquela vida. Eu estive no estado do Rajastão. Eu fui para a Índia em setembro e outubro. Setembro, não. Outubro e novembro. Apanhei o mês de outubro e novembro. Há as festas no fim de outubro do Diwali. Eu confundo, há o parque do De Walting na Mauritânia, na Índia é Diwali.

Ok.

Em que há todas as oferendas, as cores. Passei em montes de festas, daquelas que a malta manda o pó uns aos outros. Não sei se já viste.

Aquele pó colorido ficam todos.

Aquele pó colorido, aquilo é fantástico. É brutal. Os carros todos transformados com colunas, música, tipo raves pela rua, mas tu percebes. Pessoas no estado do Rajastão, que é um estado que até com algumas partes desertas, pessoas que fazem quilómetros e quilómetros descalços a pé por aquilo a fora, na beira da estrada, e tu vês: "De onde é que esta malta vem, donde é que vai, de manhã, à noite, anda sempre para um lado e para o outro". Isso é apaixonante.

Uma festa, não é?

Isso é apaixonante.

Pois. E a viagem de moto permite aproveitar, contemplar, mergulhar nos países, João?

Eu acho que Não estou.

Porque há a ideia de que os motociclistas gostam é de papar quilómetros, enrolar punho e chegar o mais rapidamente ao destino, fazer aquelas coisas, a estrada mais alta, a reta mais comprida.

O destino é a minha casa, é chegar a Portugal, é o meu destino. E como o meu destino é chegar à minha casa, eu nunca tenho pressa de chegar ao destino. Portanto, a viagem faz-se fazendo. Nós vamos andando, vamos vivendo cada quilómetro. Neste caso, não interessa o destino, interessa a viagem. Por que eu havia de ter pressa de chegar a Caxemira? Ou por que eu havia de ter pressa de chegar a Capade, onde chegou o Vasco da Gama, ou a Cochim, ou a Mumbai? Não! Viver cada quilómetro, cada dia. Eu ia sem nada marcado, ia andando, quando achava um sítio interessante, às vezes começava a andar de manhã, umas horas depois parava e ficava naquela cidade que achava interessante ou encontrava alguém que me convidava a ficar e eu ficava com essa pessoa. Eu estive no templo, eu chamo-o de templo das ratazanas, o Rat Temple em Bikaner. Eu vinha de um estado de Gujarat, que é um estado 100% vegetariano, praticamente nem omeletes comem. Uma vez pedi lá uma omelete no restaurante, o homem levantou os braços no ar. Se calhar é proibido comer ovos. E era mais ou menos isso. E depois entras num estado, que é o Rajastão, que faz a fronteira, é essa diversidade cultural aquilo é brutal. Isto eu estava a dizer que me perdi.

Olha, até eu.

Perdi-me dessa que eu estava a falar. Era sobre as festas, sei lá.

Sobre as pessoas? Não, sobre a comida. Olha, já não me lembro também.

Também não. Desculpa, estava a dizer que fui visitar esse templo das ratazanas. Estou parado na beira da estrada, porque estava a comer maçãs, trazia do estado anterior, e tinha entrado ali naquele. E há um tipo que passa de moto, fiquei logo com ele, o gajo volta para trás. Era um tipo, professor num colégio.

Mas era indiano?

Indiano.

Era indiano, ok.

Indiano, que viu-me ali parado com a moto. A cultura das motas é um bocado isto. O tipo viu: "Este gajo é estrangeiro, vai ter que falar comigo". Era professor num colégio. Telefonou para o colégio, já não foi trabalhar naquela manhã e disse: "Vens comigo". Eu disse: "Para onde é que iria?" Ele disse: "Esquece. Estão 250, 300 mil pessoas por dia para entrar no templo. Estás na semana das festividades anuais". O que acontece? Tens que ter alguém que te ponha lá dentro e vais ter que entrar pela porta de trás, senão tu não consegues entrar. Esta é a semana das festas. Eu, sem saber, acabei por ir ter à semana mais importante daquele templo. É uma experiência única. Estás ali 500 metros antes do templo, deixamos as motas e descalço. Eu não vou andar aqui descalço. Os teus pés não estão preparados para andar na terra e nas pedras.

Exato.

Lá consegui negociar aquilo e fui de meias. Entrámos no templo das ratazanas. São milhares de ratazanas, para um lado e para o outro, que é um animal protegido, é um animal sagrado.

Ok.

E fomos ver a deusa Karnimat, que está lá embalsamada, lá no mausoléu. Aconteceu uma coisa fantástica. A sair, entrámos pelas traseiras, mas depois voltaste a sair na porta. E eles dão-te as oferendas, ele é que comprou as oferendas, para eu dar também às ratazanas, depois tem um tipo a receber, a partir os cocos.

E que oferendas são essas?

Era um coco e mais uns bolos e uma série de coisitas. Eu entrei, dei aquilo e tal. À saída, eles estavam a dar, estás a ver uma tampinha de uma garrafa com líquido. Imagina o calor que é dentro daquele templo, aquilo não é muito grande, ratazanas, aquele cheiro, tu vais a andar, as meias ficam coladas ao chão, com a quantidade de leite e dejetos que aquela bicharada toda deixa.

Exato.

E eu saio já, estava a faltar-me o ar para sair lá dentro. Eu estive lá mais de duas horas dentro do templo. O tipo dá-me aquela tampinha e eu não vou de modas. Bebi aquilo, só vejo ele: "Não, não, não!"

Era o quê?

Eu hoje acho que era urina de rato.

Ah, não!

Não sei se era, mas aquilo era tão quente, ficou-me aqui na garganta, não fez a barbagem. Eu vi, foi o tipo aflito: "Não bebas, não, não". Eu disse: "Não, não é para beber, era para passares na testa". E eu sai.

Já foste.

Já fui.

És um aventureiro, então.

Desse dia depois fiquei com esse tipo, que era o Levi. Fiquei com ele, fomos para a casa do dono do colégio. Almoçamos depois à tarde com o patrão dele, digamos assim. Isto a propósito da viagem, não tem o tal destino. A viagem faz-se fazendo.

Tu planeias muito ou nem por isso, quando fazes as tuas viagens?

O único plano que eu faço é, como eu disse antes, seguros e vistos.

Ok. Muito bem.

Que é para não te barrarem, para não ficares ali barrado ou ficares mais dias à espera de vistos e de burocracias. De resto, não.

Mas deves ter o teu QB de histórias com checkpoints e fronteiras meio maradas, ou não?

Há tudo.

Muito bem, vamos explorá-las na segunda parte. Para já, estamos aqui já na reta final da primeira. Vamos abrir o álbum de viagem. João Luís, guardas contigo algum objeto que tenhas trazido das tuas viagens que seja especial? Qual? Rápido.

Volto ainda à Índia, fronteira do Gujarat com o Rajastão. Porque vimos de um estado vegetariano onde não há nada, não há álcool, não há nada, entras no Rajastão onde há tudo. E está um tipo que me oferece mulheres, drogas, álcool, tudo, porque ele sabe que do outro lado não há. E oferece-me tudo. E eu digo não, não e não, e obrigado, e não quero.

Mas oferece, oferece ou oferece mediante o pagamento?

Oferece, senão tens que pagar.

Pagamento, claro.

Claro.

Não há nada gratuito.

Não, então ele está ali a vender coisas. Eu digo que não. Ele vira-se para mim e diz: "Ok, dou-te um japamala, guardas contigo, metes aí na tua moto. Não vais cair da moto, vais estar protegido por tudo".

Um japamala é?

Um japamala, aqueles colares grandes.

Sim.

O certo é que só voltei a cair da moto cinco anos depois. Isso foi em 2015, só voltei a ter um acidente em 2020 e nunca sequer deixei cair a moto para o lado durante cinco meses em que andei nesta viagem, incrível que pareça. Não sou crente, sou muito crente em Deus, mas achei piada a esta oferenda que ele fez. Isto é uma das coisas. Esse japamala ainda está na minha moto, continua comigo.

Continua?

Continua na minha moto, à frente no guiador, tenho lá esse japamala. Da mesma forma, tenho uma Zhlungta, que trouxe dos Himalaias.

O que é isso?

A Zhlungta é aquelas bandeirinhas.

As bandeirinhas triangulares.

As minhas são quadradas, mas são tipo as triangulares. Ando com elas, mas não andam expostas ou porque me roubam ou porque elas com o vento desfazem-se. Então ando com elas, de vez em quando ponho-as em alguma ocasião especial.

Muito bem. Estamos à conversa com o motociclista João Luís. Fazemos aqui uma curta pausa, regressamos já a seguir. Até já. Estamos de regresso para a segunda parte das conversas do Fim do Mundo, esta semana com o motociclista João Luís, que já nos contou aqui muitas peripécias e histórias incríveis da sua viagem à Índia. Foi de Lisboa, não foi?

Sim.

De Lisboa até à Índia.

Não, desculpa. Fui de Alcobaça.

Alcobaça. Atenção, calma. De onde tu és natural.

Eu nasci nas Caldas.

Nas Caldas.

Nas Caldas da Rainha.

Ou não é?

Mas a minha terra é Alcobaça.

Alcobaça. Viagem incrível. Já nos contou aqui algumas histórias dessa viagem pela Índia durante um mês. Mas tu também já fizeste uma viagem grande por África. Foste daqui de Portugal ao Médio Oriente, depois até lá abaixo à África do Sul, depois subiste pelo lado Atlântico africano até Angola. O continente africano é o continente para se viajar de moto, João?

Também é. África tem magia.

É?

Ou se ama ou se odeia.

Toda a África ou há várias Áfricas?

Toda a África.

A África da selva, a África da savana, a África dos desertos.

A costa leste. Eu chamo-lhe a costa leste, a costa pelo Pacífico, pelo Índico, é uma diversidade cultural única. Eu contornei toda a Europa até à Turquia. Da Turquia fui para a Síria. A Síria um país brutal, fantástico, de gente muito boa.

E essa viagem foi antes da guerra civil.

Antes, a guerra começa em 2011 e esta é a segunda vez que eu estou de moto na Síria, em 2010. Ambas as vezes sempre muito bem recebido, um país muito bom. A Síria, o Iraque, a Jordânia, toda aquela região, o próprio Irão. O Irão é um país fantástico. Há bocado estávamos a falar da viagem à Índia, porque depois foca-se muito nisto. Eu antes de ir para a Índia, estive 20 dias no Irão. Outro país. Foi o país que mais me marcou até hoje, por ser tão bem recebido. Em 20 dias no Irão, paguei almoço uma vez, porque eu me antecipei a pagar. As pessoas não te deixam pagar nada.

Pois.

Até a gasolina te oferecem, porque também é 0,28 € o litro.

É fácil. Sim, mas é o gesto.

É o gesto.

É incrível, porque todos os viajantes que passaram por aqui, e já foram muitos, os que falam do Irão falam sempre nesse aspeto.

Dois países marcantes, que são países mal vistos, entre aspas, por algumas pessoas no mundo, que é o Irão e o Iraque, têm das pessoas mais fantásticas que eu encontrei até hoje. Querem te levar pra casa, querem te dar tudo. Eu estive agora com a minha mulher no Iraque em abril passado. Estivemos os dois a viajar de moto pelo Iraque. Caramba, aquilo que sais de lá com a lágrima no canto do olho, não é fácil. Tens que ter um coração forte, aquilo é gente boa. Os problemas é entre eles, os caras te dão tudo. Tens de comer. Eu dou sempre o exemplo. Uma vez na Jordânia eu pedi sete batidos de banana pra contar a minha história e estavam sempre a pôr batidos à frente. Como aqui se bebe as cervejas. Eles queriam era ouvir as histórias, as minhas histórias. Caramba, sete batidos ninguém aguenta. Estás a ver? Mas isto é um dos exemplos. Uma vez no Irão com o Tony.

O Tony, espera lá, o Tony.

O Tony, o treinador.

O Tony, o treinador.

O treinador, que estive com ele em Tabriz, no Irão. E então fui com o Tony comer um gelado a uma praça. Estás a ver, o Tony é o rei, é o maior. E é mesmo o maior. E como tu o vês nas televisões, aquela forma simples de falar, ele é assim, uma pessoa simples e dada. Tu estás a ver o quê? O homem que é Deus em Tabriz, no Irão, aquela malta toda atrás dele. Atrás dele, tudo a respeitar, nada de impoiças, a falar. Então o Tony comia gelados, mas eu não os conseguia comer todos, porque de cada vez que ele estava a dar gelados, eu era garrafas de água. Via um carro, punha a garrafa. As pessoas se te não aceitas é malta. Eu uma vez na Síria, eu levava. Há um tipo que eu entro numa loja de música e tal, os caras uma das paredes tinha uma parte que era do Ronaldo.

Toda dedicada ao Ronaldo?

Toda dedicada ao Ronaldo. O Ronaldo é o rei.

Sim.

No mundo.

É verdade.

Desde sempre. Desde há 20 anos. Eu saí da velha Europa a primeira vez de moto há 20 anos, da velha Europa, porque pela Europa já andava. E Ronaldo está no topo, desde há 20 anos. Eu apanhei toda esta fase do Ronaldo. Eu estou lá na Síria e vejo aquilo, a parede, e digo ao gajo: "És do Ronaldo?" Ele: "Ronaldo, I love Ronaldo, the GOAT". Aquelas coisas. Eu disse: "Olha, vou-te buscar uma surpresa". Eu tinha umas camisolas assinadas pelo Ronaldo. Na altura que o Ronaldo tinha uma loja aqui em Moscavide, aqui na Expo, que ainda era o CR9, depois é que passou a ser o CR7. E durante esses tempos, até ele ter a loja em Vilamoura, na marina, eu tinha lá o contacto. Aqui era a irmã, a Cátia, que estava aqui na loja, e depois era uma prima que estava lá em baixo e eu levava-lhe as camisolas. E ele quando cá vinha, ou eles iam a Londres, que ele estava no Manchester, depois é que foi para Espanha, ele assinava as camisolas. E então para essas viagens eu levava. Eu levava umas para uns amigos meus a Israel, do Ronaldo, e tinha ali duas ou três a mais. Fui buscar a camisola do Ronaldo e dei ao rapaz. O hotel era ali perto, isto foi em Hama, na Síria, onde tem aquelas rodas de Hama. Brutal. Dou a camisola ao rapaz, o gajo ia caindo para trás, lógico. Começa a gritar na rua. Aquilo era um regado de chá que eu apanhei. Parou a rua, toda a gente veio ver a camisola assinada que o gajo tinha, assinada pelo Ronaldo. São, de facto, passagens únicas.

E nós, portugueses, temos essa vantagem, não é? Temos sempre portas abertas em qualquer lugar do mundo.

Isto também não faz mal a ninguém.

É verdade. E temos esse bom embaixador, Cristiano Ronaldo.

E depois quem viaja sozinho tem duas coisas: ninguém se mete com um viajante solitário e um viajante solitário dificilmente se mete com alguém. Certo? Grupos é diferente. Não é melhor, nem é pior, é diferente. Mas quando se viaja desta forma, os gajos veem quem é que te vai roubar, quem é que te vai assaltar. Tenho a minha moto com 420 mil km, tem 20 anos de moto. Quem é que vai roubar aquilo? Para quê? Para ter um monte de problemas na vida? Vão-me assaltar, eu também não tenho muito, vão-me levar o quê? Não me preocupo muito com isso.

Boa. Vamos voltar à África.

Vamos, desculpa.

Não, não tens nada que pedir desculpa. As conversas são mesmo assim, como as trajas.

Eu estava a falar, porque contornei toda a Europa, fui para a Turquia, Turquia para a Síria, Síria para a Jordânia, da Jordânia para o Egito, por Nuweiba. Tivemos que passar o Golfo de Áqaba para não passares por Israel, por Taba, que é por terra. Tens que passar aquela pontinha, tens que passar num barco de Áqaba para Nuweiba. Nuweiba no Egito para o Sinai, atravessas o Sinai, passas para o Egito, para o lado do Cairo, vais ao Cairo e desci todo o Egito até ao Sudão. Em Abu Simbel, em Aswan, apanhas o barco. De facto, não há estrada, ou pelo menos não havia naquela altura. Penso que ainda não há. Tens que apanhar o barco no Lago Nasser, o Lago Núbia, no Sudão, que é em Abu Simbel, onde fizeram a barragem, que moveram todas aquelas estátuas para cima, outras deram a determinados países. Então passamos a moto nesse lago, passamos de barco durante uma noite, um dia e uma noite. Aliás, uma noite e depois no outro dia atracamos em Wadi Halfa, no norte do Sudão. E atravessei o Sudão até à Etiópia, depois da Etiópia para o Quénia, para a Tanzânia, Moçambique, África do Sul, depois Namíbia e Angola. Entre a Etiópia e o Quénia é onde o trânsito passa da direita para a esquerda. Do Quénia para baixo, toda a África, naquela região, conduz à esquerda. E então é nessa fronteira que o trânsito passa de um lado para o outro. É a primeira cidade de África que não tem barreiras. A fronteira é aberta, tipo Europa. Tens os postos fronteiriços, mas não tens ninguém a levantar-te uma cancela. Tu vens a passar a Síria, a Jordânia, todos aqueles países de tensão em que as fronteiras são portões fechados e as armas, e chegas ali, é uma paz. E entras no Quénia, tens uma transformação cultural, tens a transformação física das pessoas.

Ou seja, já é uma África mais negra.

Negra, aqueles homens grandes. E os etíopes são aqueles mais finos, aquele outro tipo de negro, que é a mesma raça, as raças são mesmo assim. É África, é o mundo, isto é o mundo visto em cima de uma moto ou de um carro. Isto faz parte. E entras no Quénia e começas, de facto, a ver. Eu atravessei, depois fui de Moyale até Mombasa, uma estrada que nós chamamos a estrada Moyale, são 500 km em terra batida, uma estrada horrorosa que era. Agora penso que está alcatroada já. Mas passa parques naturais. E tu vês em cima da tua moto as girafas, os rinocerontes.

É assim uma espécie de recompensa.

É. É um jardim zoológico ao vivo. E depois pensas: "Eu não quero ver leões", porque pode haver. Tu andas ali sozinho. Vês os Maasais, toda aquela malta vestida. O National Geographic, tu vês.

Ali à tua frente, não é?

Ali.

E vais a desejar: "Agora é que não posso ter um problema".

Não, paras.

Boa. Há pouco tínhamos deixado aqui os nossos ouvintes curiosos com histórias de cruzar fronteiras. Passaste por muitos checkpoints e grupos armados, fronteiras difíceis, João, ou nem por isso?

Já passei por muitos checkpoints e muitos grupos armados. Nunca tive medo, nunca me meteram medo. Às vezes o grupo armado serve para nos proteger, é a nossa segurança. Aquilo que estão ali para fazer mal a um grupo de estrangeiros, os mesmos que se for preciso fazem mal a um grupo, são os que não te fazem mal a ti. Tu andas ali protegido, os gajos veem e pensam: "Mas fazer mal a este gajo por quê?" O medo é uma coisa-

Que não te assiste.

Não. Eu digo sempre: só se morre uma vez.

Isso é um fato.

E o destino está traçado, acabou.

É, és um que acreditas no fatalismo do destino.

Se eu for daqui para a autoestima de moto a 200 km/h, se calhar vou acelerar o destino. Também convém ter algum respeito por aquilo que andas a fazer. Mas de alguma forma, sim, acredito que não tenho medo. Já estive retido quase um mês em Alexandria, porque houve um atentado num hotel ao lado de onde eu tinha também ficado e depois acharam que eu era um espião israelita, porque eu vinha de Israel, uma confusão. Mas naquela altura fiquei um bocado atrapalhado, pedi ajuda a um amigo meu, um israelita. Eu vinha de Israel, tinha ido buscar o visto do Egito em Eilat, no sul de Israel, e agora estão me a acusar que eu venho de Israel. Claro que venho, mas venho legal. E ele diz: "Não faças nada. Houve aí um atentado, mataram o juiz". Foi aquela época conturbada do Egito. "Eles que provem a tua culpa, não proves a tua inocência, porque tu estás inocente. Deixa eles provarem a tua culpa". Nunca conseguiram provar nada, porque não havia nada a provar.

Mas ficaste retido onde, João?

Uma semana estive lá em investigações.

Mas lá onde?

Alexandria.

Fechado no hotel ou na esquadra de polícia?

Também fui à esquadra, de vez em quando, e às secretas. As outras três semanas fiquei à espera que me acusassem. Os gajos não me acusaram, acabou o visto ao fim do mês, "podes ir embora", mas a moto ficou lá.

Ficou lá?

Ficou lá. E a moto veio de barco para cá. Não me deixaram voltar para Israel com a moto.

Mas deixaram-te tirar a moto do país.

Meti a moto num barco, um barco que faz escala em Barcelona, em Marselha, em Itália e no Chipre. E eu tinha que voltar a Israel, tinha deixado a minha bagagem lá. Eu só fui três dias ao Cairo para tirar uma foto às pirâmides. Isto é autêntico.

Ias para três dias, ficaste lá um mês e três dias.

Um mês. Não, fiquei lá um mês, que foi o visto. E eles mandaram a moto para o mais longe possível de Israel, que foi Barcelona. Portanto, não aceitaram que a moto fosse. Dificultaram-me a vida, mas eu também nunca me importei muito com isso. Tirei a moto do barco em Barcelona, voltei a Israel, fui lá buscar a minha tralha toda. Não voltei ao Egito.

É como se fosse ir ali ao fundo da rua.

É uma região que eu conheço relativamente bem, tenho lá muitos bons amigos e gosto de ir. Tanto que agora fui lá.

Israel.

Israel. Tanto que agora fui lá com a minha mulher. Fomos os dois de moto, fizemos a Turquia, o Iraque, a Jordânia e fomos até Israel. Ela, porque lá em casa alguém tem que trabalhar. Ela só teve duas semanas de férias. Estou a brincar. Mas ela foi de avião para Istambul, depois apanhou avião para o sul da Turquia, eu fui buscá-la e seguimos aqueles países todos. Lá está, eu fiz a logística toda a nível de vistos e aquelas coisas todas para avançar.

Muito bem. Américas. Nunca rolaste nas Américas, nunca te puxou para ir para a América?

Rolei em Cuba, na República Dominicana, aquelas zonas assim. Já estive no Brasil e aquelas coisas. Agora, ir para lá de moto, não. É como eu digo, não há estrada. Tenho aqui muita coisa para ver e viver ainda. Quem sabe um dia mando para lá a moto ou alugo uma moto, não está nos meus planos.

Muito bem, estamos a chegar ao fim. Vamos fazer checkout. Vamos embora. Então vou pedir-te para completares as habituais frases. João, na minha mala vai sempre...

Duas coisas.

Então vá.

Mapas e uma escova de dentes, que eu tenho que andar, eu tenho que lavar os dentes.

Mas ainda usas mapas? Isso já não se usa, ou usa?

O mapa é-

Tu usas mapa em papel?

É mapa de papel. Levo sempre mapas comigo. Não, gosto daquilo, gosto de fazer o plano.

É giro. Imaginado.

Agora, o telemóvel uso numa cidade. Chegas a Bagdá, a Mossul, queres ir para um determinado local. Hoje as telecomunicações são fantásticas. Tu por €10 tens net, pagas €10 no teu telefone e tens net para duas semanas no Iraque, por exemplo. E antes não tinhas isso. Isto é tão fácil. Chegas ao Google Maps, metes rua tal, coisas tal, e o Google Maps leva-te. Agora, até lá vou com o mapa de papel, que é para também veres onde é que estás e ver tudo à tua volta.

Boa! Isso é giro. Boa. Já ninguém viaja de mapa hoje em dia, pois não?

Ainda há quem viaje. Eu faço-me uma espécie: "Como é que conseguem viajar sem o mapa?" O mapa é fundamental para traçares uma rota, um plano. A net é boa, os GPS, essas coisas. É bom para te marcar pontos. Agora, o mapa, eu na minha cabeça acho que é fundamental.

A viagem com mais peripécias que realizei até hoje.

Foi a todas estas. Olha, eu tenho várias. Tenho uma brutal em Israel, que eu estou a precisar de gasolina na moto em 2007, muito mais inocente, e viro para um tipo meu inglês. Agora já é um bocadinho melhor, naquela altura era péssimo. Eu pergunto ao gajo onde é a bomba da gasolina em inglês: "Where is the gasoline bomb?" O gajo ouve bomb: "What bomb, man? Gasoline, gas." "Not gasoline, gas station, man, you are in Israel. What bomb?" O gajo: "Ei, desculpa". Que flash. O gajo já a ferver dentro do carro: "What bomb?" Eu: "É para gasolina".

Pronto, e acabou bem?

Lá descobriram a minha inocência. Uma vez no McDonald's a pedir um cheeseburger. Estão a olhar para mim, estes gajos não falam inglês. Eu não meti aquela cena do coche, não misturava o queijo com a carne. Diz a Bíblia, o Antigo Testamento: "Não misturarás a carne no leite da tua mãe", qualquer coisa assim. Eles não misturam leite com carne. E um cheeseburger, eles não comem cheeseburger. Agora já comem, mas naquela altura era o McDonald's coche.

Foste insultado?

Não, perceberam que eu era tão ignorante que nem resposta me deram. Eu pensei que os homens falavam inglês. Uns tempos depois é que eu percebo. Caramba!

O crime de passaporte ou o visto mais difícil de obter?

O Sudão. Estive uma semana em Paris, todos os dias na embaixada do Sudão para trazer o visto para o Sudão, não me deram. E na sexta-feira a senhora diz: "Vá embora, vá ter com os meus colegas ao sul do Egito, Assuão, e eles com certeza passam-lhe o visto". E passaram.

A recordação de viagem mais cara?

A Noruega. Num dia gastei alguns 600 €. E comi um bife com batatas fritas, foi uma extravagância.

País caríssimo. Primeiro mundo, não é?

Caríssimo.

Mas vale a pena, não vale?

Tudo vale a pena. Era um país lindíssimo, aqueles fiordes. O mundo é bonito. O mundo é muito bonito. Portugal é um país lindíssimo e as mulheres portuguesas são as mais bonitas do mundo.

Fica registado. A refeição mais estranha? Desculpa, saltámos uma. A refeição mais estranha.

Sim, tudo o que possamos achar estranho, as baratas, aquelas coisas na Tailândia.

Vais a todas?

Comi tudo.

Trincas tudo.

Trinco, provo tudo. Não tenho problema.

Gostava de viajar com?

Gosto de viajar com a minha mulher. Que era uma coisa que durante muitos anos não fiz e agora faço. Ela vai também, é uma companheira fantástica. Às vezes vai ela na moto dela. Já fomos ao Senegal, cada qual na sua moto. Outras vezes ela vai comigo. É uma muito boa companheira, partilha tudo. Acampar não, mas fazer comida de rua fazemos, vai a todas. Muito boa. É com ela.

Muito bem. Então boas viagens. Como é que se chama?

Paula.

Um grande beijinho para a Paula e boas viagens, João e Paula. Nós chegámos ao fim. Qual foi a música que escolheste para fechar a nossa conversa?

Há uma música que em 2007, uma vivência brutal em Israel. Tem uma música da Hal Mazor Har, que é Miguel.

Tem uma história essa música na tua vida?

Não queiras saber.

É?

Não.

Pronto.

"Vive cada momento como se no último dia tu vais acertar". É o lema que se tem em Israel.

Ok, muito bem. Guarda essa história para contares no festival. Como é que é? Como é que se chama?

Travel Event.

Travel Event em Avis. Vais lá estar este fim de semana. Tu e imensos viajantes portugueses apaixonados pelas duas rodas.

E apaixonados pelas viagens.

E apaixonados pelas viagens e também apaixonados pelo Alentejo. Avis é uma cidade lindíssima.

O Alentejo é muito bonito, é fantástico. E quem diz que o Alentejo é todo direito, não conhece o Alentejo. O Alentejo tem estradas fantásticas, tem curvas brutais, tem paisagens. Quem diz que o Alentejo é direito só vai para o Algarve e passa na A2.

É verdade. Os ciclistas sabem que não é assim. João, foi um gosto. Muito obrigado.

Também os ciclistas. É verdade.

Muito obrigado. Foi um gosto. Hal Mazor a fechar as conversas do Fim do Mundo desta semana. Estamos de regresso dentro de oito dias, já sabem. Sejam bons e boas viagens.