Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam bem-vindos! A viajante desta semana já foi a cerca de 80 países, uma vida inteira a viajar. Adora repetir países, tem uma paixão pelo Brasil, país onde já foi 12 vezes. Foi professora de Geografia, aquela disciplina dos mapas, mas também das pessoas. Cristina Raposo Oliveira, bem-vinda às "Conversas do Fim do Mundo".
Muito obrigada.
Era mais dos mapas ou das pessoas?
Das pessoas.
Das pessoas.
Sim.
Da chamada geografia humana.
Exato. As cidades, os transportes, as atividades econômicas, sempre foi essa a minha área preferida.
Eu digo foi, porque a Cristina já não é professora de Geografia. Quantos anos é que deu aulas?
Eu dei aulas 36 anos.
Uau!
E já deixei.
Era má professora ou não?
Era exigente.
Era? Boa, ainda bem. Eles precisam, não é?
Sim, nunca tive grandes problemas com os meus alunos e eu acho que eles até me admiravam pelo meu grau de exigência.
Boa.
Nunca tive grandes problemas com eles.
Costuma dizer-se que nós quando crescemos e olhamos para trás, nos lembramos das professoras ou dos professores mais duros. É verdade, não é?
Olhe, ainda este fim de semana estive com um amigo meu que me disse que uma amiga dele era professora de Geografia porque tinha sido minha aluna.
Uau!
E tinha gostado tanto que decidiu ir pra Geografia.
Muito bem, isso é um belo prêmio, não é?
Sim, muito bom.
Então a Cristina é da geografia humana, isso é o quê? Significa que enquanto viajante, mete conversa com toda gente?
É mais ou menos isso.
É?
Sim. Gosto de falar com as pessoas, gosto de ver como as pessoas vivem, de ir à casa das pessoas, conversar com elas, ficar com os contatos, continuar a falar com elas. Tenho pessoas que falo com elas há 30 anos.
A sério?
A sério.
Amizades que nasceram em contexto de viagem.
Exato.
Mas de pessoas que viajaram consigo ou de pessoas dos países?
Não, pessoas dos países.
Uau!
Pessoas dos países. Não vou dizer que em todos os países que fui, tenho um contato, mas quase.
Boa. Então tenho de lhe ligar. A próxima vez que for de férias para o estrangeiro. Férias ou uma escapadinha.
Para o seu suporte.
Obrigado, Cristina. Olhe, e onde é que encontrou maior disponibilidade para lhe darem conversa?
Em todo lado. Embora no Brasil, pronto, voltamos, é mais fácil, porque eles falam em português.
Tem uma grande paixão pelo Brasil, não é?
E são muito simpáticos, muito abertos, muito disponíveis. Por isso é sempre o sítio que eu mais gosto de visitar.
O Brasil, onde já foi 12 vezes.
Sim.
Vai sempre ao mesmo estado do Brasil?
Não.
Como é que é?
Não, vou sempre mudando. Cada vez é um destino diferente. Rio, São Paulo, Paraty, por exemplo, gosto muito, aí já fui mais do que uma vez. São Luís do Maranhão. Fiz de jipe pela praia de São Luís do Maranhão pra Fortaleza. Também foi uma aventura. Manaus.
Foi uma aventura porque lhe aconteceram coisas ou foi uma aventura porque...
Foi uma aventura porque o mar sobe e desce. E nós íamos passar pela praia. Por isso, às vezes não era assim tão fácil. E havia rios também, que era preciso atravessar. Às vezes conseguia-se atravessar no jipe, outras vezes tínhamos que esperar pela balsa, que depois era puxada quase manualmente pra outra margem. E sim. Também estive em Manaus, muito bonito, com muita influência portuguesa, Belém do Pará, também. Sul, menos. Estive lá num sítio que não gostei.
Então?
É a terra do Pai Natal. É uma terra que é dedicada às festas do Pai Natal. Tem não sei quantos museus dedicados ao Pai Natal e a outras atividades. É Gramado. E já agora, um apontamento. A irmã do Ronaldo tinha lá um restaurante.
Lá nessa cidade?
Nessa cidade. Gramado.
Gramado. Gramado que é relva, não é? Em português do Brasil.
Em português teria.
Acho eu.
É, Gramado é grama.
Não gramou a cidade de Gramado.
Não. Muito artificial. Não gosto dessas coisas.
Muito bem. Já foi a cerca de 80 países. A Cristina viaja há muitos anos. O que é que a leva a viajar, Cristina?
Conhecer.
Sim.
Conhecer. E aliás, eu aos meus alunos dizia que devia ser obrigatório viajar, porque se nós viajássemos e víssemos a realidade dos outros países, valorizávamos muito mais a nossa.
Por quê? Porque os outros vivem pior do que nós?
Pior ou melhor.
Sim, ok.
Há os que vivem pior, e nós temos que ficar orgulhosos, porque já conseguimos viver melhor. E há os que vivem melhor, e que nos podem servir de exemplo pra nós melhorarmos a nossa forma de viver. Por isso, eu acho que viajar deveria ser obrigatório.
Obrigatório. Usava a experiência adquirida ao longo das suas viagens para transmitir conhecimento nas aulas de Geografia aos seus alunos, Cristina?
Usava. Sim. E às vezes até fazia assim-
O quê? Fotografias da Cristina no meio de vulcões? Não.
Nem tanto. Era mais mesmo eu a contar as histórias.
Ok.
E às vezes eu fazia aquela chantagenzinha que é: se vocês estiverem caladinhos, se portarem bem, se fizerem tudo, se sobrarem cinco minutos no fim, eu conto uma história.
Uau.
E então a aula corria maravilhosamente.
Espetáculo. Aí está uma boa dica pra todos os professores.
Exatamente.
O ser humano adora histórias, não é?
Adora. É preciso saber contá-las.
É verdade, e a Cristina tem jeito pra contar histórias?
Eu acho que sim.
Então vamos lá. Qual é a história mais incrível que tem das suas viagens, Cristina?
Pronto.
A que se possa contar numa aula de Geografia e que se pode contar numa rádio.
Uma simples. Eu fiz uma viagem em 1985. Não havia internet, não havia nada, por isso é chegar e ver o que é que vamos ter. E eu fiz uma viagem de Rio de Janeiro, Terra do Fogo, Santiago do Chile, Rio de Janeiro outra vez, em autocarros da carreira e alguns aviões. E, por exemplo, quando fiz Santiago do Chile-Rio de Janeiro, a viagem durou três dias e três noites.
Sempre no mesmo autocarro?
Sempre o mesmo autocarro, sempre com as mesmas pessoas. Eram imigrantes chilenos que trabalhavam no Brasil, principalmente. E depois ao fim de um dia, um dia e meio, tudo era família, já toda a gente sabia os nomes de toda a gente, já toda a gente tinha contado a história de não sei o quê. E uma coisa caricata, atrás de mim vinham duas brasileiras. E elas todos os dias à noite vestiam o seu pijaminha, continuavam sentadas na mesma cadeira. E dormiam. E de manhã, voltavam a tirar o pijaminha e a vestir a roupa e continuavam sentadas no mesmo sítio.
Sei que haviam viajantes briosas. Não é? Muito bem. Portanto, atravessou do Chile para o Brasil, três dias e três noites no mesmo autocarro.
No mesmo autocarro.
Essas cruzes no final da viagem. As empanadas, não é?
Na altura, eu tinha 24 anos.
Aguentava tudo. Ainda aguenta. Mas é giro, não é? As viagens proporcionam-nos situações desconfortáveis.
Sim, muitas das vezes, sim. Às vezes eu faço viagens de aventura e às vezes as pessoas dizem-me: "Tu és masoquista? Para que é que tu vais para esses sítios?" Mas eu gosto. E sinto-me bem.
O que é que são viagens de aventura, Cristina?
Olhe, agora, por exemplo, estive no Peru, Bolívia e Chile. Do Peru para a Bolívia, a Bolívia estava em confronto e La Paz estava fechado e havia lá problemas. Tivemos que alterar o trajeto, teríamos de vir do Peru para o Chile, depois entrar do Chile para a Bolívia e ficamos na fronteira da Bolívia, estava mau tempo, não se pode passar. Tivemos que inventar ali um sítio para dormir, porque a temperatura exterior era 5 ° negativos. Por isso nestas viagens de aventura é: nós temos um plano, que será concretizado ou não.
Pois. Já foi alguma vez confrontada assim com alguma situação mais periclitante?
Esta agora não foi fácil.
Esta da Bolívia e Chile.
Sim, porque nós fizemos 12 horas de autocarro e chegamos à fronteira do Chile para a Bolívia, para passar. E eles disseram: "Não, está mau tempo, a fronteira está fechada" e a partir das 18h fecha a fronteira mesmo, acabou. Só amanhã. E depois é amanhã, ou depois de amanhã, ou depois do outro dia, porque é quando o tempo fica bom outra vez. Por acaso tivemos sorte que no dia seguinte de manhã estava um tempo maravilhoso e lá atravessamos naquelas fronteiras indescritíveis.
No meio daquelas montanhas, não é? Não.
Não, era mais planície, mas eram os caminhões, eram as pessoas.
Pois, depois toda a gente quer entrar, e sair do país.
E acumulou ali gente de 12 horas ou de 24 horas. Era ali uma confusão.
Um mar de gente. Que tem um potencial. Para quem gosta da geografia humana, como é o seu caso, tem um enorme potencial, porque de repente vê ali concentrada muita gente com quem pode-
E acabamos por meter conversa, que eles trabalhavam nas minas e ganhavam não sei o quê, e depois o dinheiro era para a família. Estas perguntas que a gente acaba por fazer sempre a quem está ao nosso lado.
Tem alguma história de um contacto mais profundo com alguém de um país por onde tenha estado, Cristina?
Tenho. Eu estive a fazer voluntariado na Tanzânia, em Moshi, na base do Kilimanjaro. E conheci lá um senhor, o Celestine, que me tem acompanhado, isto já foi há 30 anos, que me tem acompanhado ao longo desses 30 anos. Vamos sempre falando, vamos sempre trocando experiências. Mantenho o contacto até hoje.
Até hoje. Agora é mais fácil, porque tem o WhatsApp e essas coisas todas. Antigamente, como é que fazia? Por carta?
Não, era mesmo WhatsApp.
Sim, mas há 30 anos não havia WhatsApp.
E-mail.
Já havia e-mail.
Sim.
Boa. Isso é incrível.
Sim. E eu estive lá, eu estive a dar esta aula nessa altura, depois estive passado 10 anos, e depois estive passado 20 anos. E das duas vezes que eu lá fui, mais, estive com ele. Ele foi ter comigo.
Uau! É giro poder acompanhar uma pessoa.
É, claro.
A vida de uma pessoa.
Está mais velha e eu também.
Estamos todos, todos os dias.
Pois, é devagarinho.
Muito bem. Qual foi o maior ensinamento que trouxe das suas viagens, Cristina?
Aquilo é que toda a gente ajuda toda a gente.
É?
Nunca tive.
Mas o mundo não é feito de pessoas más.
Sim. Nunca tive nenhum problema em que não fosse ajudada. Eu estive há também, sei lá, 30 anos. Fui de jipe de Marrocos para a fronteira da Mauritânia. Alugamos um jipe e fomos por ali abaixo. Era ver se conseguíamos atravessar para a Mauritânia ou não, mas não conseguimos. E durante o caminho, o meu marido achou que era uma boa ideia ir de jipe até ao mar. E lá fomos de jipe até ao mar, não andamos muito que ele enterrou logo o jipe. Então, no meio do deserto, a solução-
Foi uma bela lição de humildade.
Pois, exato. No meio daquilo tudo, a solução é ir para a estrada e pedir boleia Os marroquinos falam um pouco de francês. Lá arranjei um caminhão, eu com a minha filha ao colo, que me levou até a Dakhla.
Foi pedir boleia com uma bebé ao colo?
Sim.
No meio do deserto marroquino.
Sim, e o meu marido ficou com meu filho, que era mais velho dois anos. Lá arranjei um caminhão que me deu boleia. Mas eu não ia muito confiante. Eram três marroquinos, um deles passou para trás para eu ir à frente, no meio dos outros dois. Até que chegou um sítio que eles começaram a abrandar o caminhão e eu: "Pronto, vai ser agora." Não, era a estrada que tinha um desnível.
Uma intersecção? Ok.
E o caminhão ia cheio, não sei de quê, e era para não haver ali pormenores. Entretanto, passamos pela polícia, naquela zona há muito controle da polícia, e o polícia olhou para mim e disse: "Eu a via de manhã sair." Por isso os nossos circuitos ali estavam controlados. Ele levou-me à oficina, arranjei um jipe com um guincho para vir puxar o nosso e dei-lhe uma gorjeta. Não me lembro quanto foi, mas sei que era bastante dinheiro. Já estava eu dentro do jipe para vir embora.
Era bastante dinheiro para ele ou bastante dinheiro para si?
Não, até para nós. Seriam 20 euros. Era bastante dinheiro. Na altura, acho que ainda nem era euros. E o senhor do caminhão chamou-me. Eu pensei: "O que ele me quer agora?" Fui lá, devolveu-me metade do dinheiro. Diz que assim já estava muito bem. Em Marrocos, no Saara Ocidental.
Estava no território do Saara Ocidental.
Estava. Por isso, quando eu conto isto, nunca tive problemas. Sempre me ajudaram sempre que eu precisei.
Pois.
Nunca tive nenhuma má experiência. Aliás, eu costumo dizer, eu só fui assaltada num sítio.
Foi onde?
No Porto.
Uma experiência traumática ou nem por isso?
Nem por isso. As pessoas falam do Brasil, África. Não, eu só fui assaltada no Porto.
É verdade, o perigo pode espreitar à porta da nossa casa.
Sim. Também nas viagens nós temos outro cuidado.
É verdade.
Não podemos ter nada que chame a atenção. Em casa não, estamos à vontade. Foi em casa que aconteceu.
É isso. Estamos à conversa com Cristina Raposo Oliveira. Cristina, vamos explorar mais histórias das suas viagens na segunda parte das Conversas do Fim do Mundo, mas para já abrimos o álbum de viagem. Cristina, guarda consigo algum objeto que tenha trazido das suas viagens e que seja especial?
Guardo.
Então.
Uma boneca da Bahia.
Uma boneca da Bahia. Simboliza o quê? Em que contexto aparece essa boneca?
Simboliza que eu ia na rua e via as bonequinhas. "Que bonequinha tão bonita." Comprei a bonequinha.
Boneca de pano?
Não, de cerâmica.
De cerâmica.
E a partir dessa data tenho vindo a fazer coleção de bonecas de países por onde passo.
Tem algum símbolo especial essa boneca? Há locais onde as bonecas simbolizam a feminilidade.
Não, é mesmo aquela típica baiana vestida de branco com o turbante branco na cabeça. É uma baiana.
Uma baiana. Já tem muitas?
Sou capaz de ter umas 20.
Vinte bonecas. Boa, muito bem.
Eu também só compro a boneca quando ela é diferente.
Ok.
Quando tem uma característica própria do país, porque senão não vale a pena.
Não vale a pena. Salvador da Bahia é um lugar que a Cristina gosta muito, não é?
Muito.
Por quê? Foi falado aqui também já num episódio recente das Conversas do Fim do Mundo.
Eu quando fui lá, fui para uma pousada que era no mosteiro. E quando eu cheguei, estava a chover. E quando eu entrei e vi o claustro, que era a piscina, tive uma visão que aquilo era o paraíso. Quente, piscina, chuva, palmeiras. Foi assim uma visão.
Do paraíso. Viu o paraíso.
Foi mesmo.
É incrível porque o primeiro contato que nós temos com as pessoas ou com as coisas determina muito depois a opinião que nós formamos sobre elas, não é?
Já agora digo-lhe outra coisa, eu não gosto de chegar à noite.
Não, por quê?
Porque não vejo nada, porque me sinto perdida. Eu gosto de chegar durante o dia e fico logo com uma ideia do espaço. Durante a noite a gente não vê nada, não gosta nada.
E pode fantasiar, não é?
Sim.
Passa a noite a fantasiar e quando acorda de manhã: "Então, mas é isto." Já lhe aconteceu isso?
Já.
Aconteceu-me isso em Barcelona. A primeira vez que fui a Barcelona. Estava sempre a imaginar como é que seria a cidade. Pintei a coisa de tal maneira, quando acordei de manhã. Enfim, mas é uma grande cidade, não é?
Pois.
Já lá foi?
Sem dúvida. Sim.
Espetacular, não é?
Sim.
Muito bem. Vamos continuar a conversar com Cristina Raposo Oliveira na segunda parte das Conversas do Fim do Mundo. Fazemos aqui uma pausa. Até já. Estamos de regresso para as Conversas do Fim do Mundo, esta semana com a antiga professora de Geografia humana e não só, Cristina Raposo Oliveira. Se quiserem saber por que eu fiz este ênfase no Geografia humana, têm de ir ouvir a primeira parte. Cristina, há aqui uma história que envolve Eu nem sei como é que eu hei de dizer isto. Ia para um sítio, acabou noutro. Como é que foi isso?
Foi. Eu ia com os meus filhos para as Seychelles. Eu ia com a minha filha numa companhia aérea e o meu filho noutra. Fizemos escala em Doha, apanhamos o avião para o destino, para as Seychelles. Eu achei um bocado estranho o trajeto que o avião estava a fazer e passado um bocado a minha filha diz: "Mãe, já estamos a chegar, é só ilhas aqui." Há aqui qualquer coisa que não está bem, porque as Seychelles não são só ilhas, são poucas ilhas. Entretanto, a hospedeira tinha nos entregado o papel da entrada e eu vou ver: República das Maldivas. Eu estava nas Maldivas.
Com a filha. E o filho?
Não, ele também foi para as
Ah, também se enganou.
Esse era o nosso problema: será que ele vai ter que ir para o mesmo sítio que nós? Quando lá chegamos, ele já lá estava. Para entrar nas Maldivas tem de dar o nome do hotel. Ele deu o nome do hotel das Seychelles, por isso não o deixaram entrar. E ele estava muito incomodado, porque eu tinha lhe dado o nome errado. Eu disse: "Olha, nós não estamos nas Seychelles, estamos nas Maldivas." Ele ainda não tinha dado por ela. Ele achava que estava nas Seychelles, como era pressuposto. Depois arranjamos um hotel ali à pressão e ficamos nas Maldivas. Já não fomos para as Seychelles.
E gostou das Maldivas?
Sinceramente?
Sim.
Não.
Então.
Só gostei da ilha da capital, mais nada. Aquilo para mim, uma ilha é um hotel, um hotel é uma ilha. E depois ao fim de dois dias já estava farta daquilo. Os meus filhos não, adoraram. A água e a piscina. Ao fim de dois dias, o que é que eu estou aqui a fazer?
Pois, a Cristina é uma viajante hiperativa.
Gosto de andar. Não consigo estar muito tempo parada no mesmo sítio.
Estar para o ar não é para si.
Não. Às vezes também sabe bem.
Sim?
Não.
Boa. O que a faz viajar? O que a Cristina gosta de ver? Destes cerca de 80 países onde já foi, foi à procura do quê?
Eu muitas vezes vou em viagens organizadas, por isso não sou eu que defino o que é que vou ver. Alguém definiu por mim.
Ou seja, procura ajuda de agências.
Sim. Quando sou eu a organizar, eu tanto vou para a natureza, para trilhos, como vou para cidades. Museus é que não.
Não?
Não. Museus de pintura e escultura.
Não é muito responsável, professora Cristina.
Não. Museus de pintura e escultura, não.
Mas já foi ao Louvre, ou não? Ainda não.
Fui com a minha mãe. Porque ela me obrigou a ir lá.
Foi arrastada.
De resto, nunca mais lá pus os pés.
Mas gostou ou não? Mais ou menos.
Pois, não é aquilo que eu mais gosto de ver. Não.
Portanto, gosta de andar a ver coisas.
Sim. Aprecio mais estar sentada numa esplanada, a ver as pessoas e ouvir as conversas, do que ir a um museu de pintura e escultura.
De pintura e escultura, ok. Pois há museus interativos e de ciência.
Sim, desses é diferente. Ciência, arte moderna, isso tudo eu gosto.
Ok. Portanto, só não gosta daquela pintura mais clássica.
Sim.
Modernismo, etc. Isso gosta tudo. Boa. Então gostou de ir a Madrid, ao Museu Reina Sofia, por exemplo?
Eu acho que não fui a esse.
Não foi? Foi ao Prado.
Eu fui a um que é das telecomunicações.
A Fundação Telefónica, será?
Sim.
Ok. Mas aí há exposições de fotografia e de ciência, por exemplo.
Isso já me agrada muito mais.
Muito bem, boa. Tirando o Brasil, onde já foi 12 vezes e país pelo qual tem uma enorme paixão, qual foi o lugar do mundo, Cristina, onde se sentiu completa e feliz?
Se calhar, o Butão.
O Butão?
O Butão.
O reino da felicidade, é?
Pois, não sei bem. Era um país que eu gostava muito de ir e que é muito fechado. E quando cheguei lá, vi que afinal aquilo não era nada daquilo que eu imaginava. País da felicidade, esqueça lá isso, que são pessoas como nós.
Pois.
E fechado também não, porque eu cheguei lá com um guia, porque era obrigatório para entrar ter um guia, e eu estava à espera que o homem nunca nos largasse. Cheguei ao hotel: "Então e agora?" E ele diz: "Agora podem sair e amanhã de manhã eu venho vos buscar." E eu assim: "Posso sair? Posso ir para onde eu quiser?" "Pode." Então para onde é que eu fui? Para o supermercado. Ora chego lá e vejo Ferrero Rocher, Schweppes e por aí adiante.
Portanto, tudo o que existe no Ocidente.
Exato. E eu: "Andaram a me enganar."
Achava que ia encontrar um país congelado no tempo, era isso?
Exato. Estava à espera de não encontrar lá nada que não fosse butanês. E sim, eles muito abertos e conversamos e fiquei muito surpreendida. Eles ainda têm aquelas tradições deles, os miúdos nos mosteiros, essas coisas todas, mas abertos. Eu metia conversa com qualquer pessoa e qualquer pessoa falava comigo. Gostei muito.
Mas ainda bem.
Sim, eu acho ótimo.
E é fácil andar à vontade?
Nós andávamos de carro com o guia, mas sempre fomos para onde quisemos. Nós tínhamos uma viagem planeada, mas se quisesse agora ir mais para a direita ou bem mais para a esquerda, ele levava-nos e não havia problema nenhum.
Não havia problema. Dizia que era o O Butão, o país mais extraordinário onde esteve até hoje, não terá sido porque o supermercado tinha essas coisas todas.
Não, foi porque me surpreendeu. Porque eu ia a pensar que aquilo era um país fechado, que ninguém ia falar conosco, que nos iam olhar de lado, que só havia lá as coisas butanesas pra comprar. Quando eu cheguei lá, não era nada disso. As pessoas eram abertas, falavam. Hotéis quatro e cinco estrelas, porque o rei não quer turismo pé descalço. Gostei muito. E pela surpresa, porque não foi nada daquilo que eu estava à espera.
Ah, ok. Foi o seu primeiro contacto com um país de forte presença budista?
Foi.
Sim.
Foi.
Agora não foi ao Tibete?
Não.
Não. Quer ir?
Eu dou-me um bocado mal com as subidas. Só se me forem lá pôr em cima.
Mas nesses países viaja-se de jipe ou de carro.
Se for assim, por que não?
Portanto, ninguém a vai apanhar a subir a Montanha do Pico ou vulcões na Guatemala, nada disso.
Não.
Nada.
Posso ir com essas pessoas. Elas sobem e eu fico aí embaixo à espera.
Mas assim é a careta do grupo.
Não faz mal.
Muito bem. Qual foi a coisa mais arriscada que fez do ponto de vista físico, Cristina, nas viagens?
Olha bem, foi descer a uma aldeia em Madagáscar. Não sei o nome da aldeia, mas sei que nós demoramos meio dia pra descer e demoramos quase um dia pra subir. Por isso, pedra.
E o que é que havia na aldeia?
Era uma aldeia isolada do mundo também. Eles não tinham forma de sair dali a não ser a pé. E aquilo que pra mim foi um sacrifício danado, eles tinham que fazer sempre que quisessem ir às compras ou ir ao médico, o que seja. Por isso era uma aldeia mesmo isolada do mundo.
Quantos habitantes tinha essa aldeia?
Sei lá, tinha aí 50, no máximo.
Muito pequenina.
Sim. E nós dormimos em casas das pessoas. E eu dormi num quarto com duas amigas no quarto ao lado. Eu entrei no quarto e fiquei assim: "Alguém dormiu aqui na noite passada." O dono da casa saiu pra eu me deitar. Aquela cheiro. Aquilo a dizer às minhas amigas: "Olha, não vou fechar a porta do quarto, eu vou dormir de porta aberta, que eu não consigo estar aqui." Dormimos todas de porta aberta em siga.
Não aconteceu nada?
Não.
Claro. A maior parte das vezes não acontece nada, não é?
A mim nunca me aconteceu nada.
Sim.
Não há problema.
Portanto, barricadas, armas apontadas, essas coisas todas, nada disso.
Nada.
Sempre com muita tranquilidade.
Eu posso lhe contar uma que me aconteceu no Rio de Janeiro. Eu estava com a minha filha e nós íamos na rua, acho que é a Senhora de Fátima, no Rio, paralelo ao mar. E não sei por quê, disse à minha filha: "Olha, vamos por aqui, vamos passar pra a Marginal." Íamos na Marginal e apareceu um senhor a correr em direção ao carro da polícia a dizer que naquele cruzamento, onde eu iria passar se tivesse continuado pela mesma rua, estava um homem a fazer assalto. A minha filha apanhou um susto. Eu disse: "Mariana, não tinha que acontecer. Por que a gente virou aqui? Não tinha razão nenhuma pra virar, podíamos ter continuado, mas algo me disse: 'Olha, vira'". E não me aconteceu nada.
Muito bem. Acredita no destino?
Acredito. O que tiver que acontecer, acontece. E o que não tiver que acontecer, não acontece.
É uma pessoa positiva, a Cristina.
Sim.
Bastante, não é? Boa. E isso ajuda em contexto de viagem?
Ajuda, claro que ajuda. Nesta altura da viagem dos cinco graus negativos cá fora, eu estava descansada.
Na Bolívia.
No Peru. Eu estava descansada e disse: "Isto há de se resolver." Houve pessoas que ficaram um bocado estressadas com a hipótese de ter de dormir no autocarro com cinco graus negativos cá fora. Mas não. Eu acho que vai sempre haver uma boa solução.
Ok, portanto, se o estúdio abanar por causa de um sismo durante a nossa conversa, a conversa continua, é isso?
Não, vamos lá pra fora.
Estamos à conversa com Cristina Raposo Oliveira. Cristina, estamos já na reta final do programa. Vamos fazer check-out?
Vamos.
Vamos embora, então. Vou pedir-lhe para completar as habituais frases. Então, na minha mala vai sempre, o que que não falha?
A máquina fotográfica.
Gosta muito de tirar fotografias?
Gosto.
E aponta a lente para o quê, sobretudo?
Pessoas.
É?
É.
Pede autorização ou é à sorrelfa?
Não. Já tive uma discussão grande por causa disso, porque nós tiramos fotografias a pessoas sem autorização. E depois vamos publicar no Facebook e no Instagram.
É verdade.
Não está correto.
Pois é.
Pronto.
Por acaso, é um debate engraçado, porque há muitas pessoas que são criteriosas, mas depois quando assumem o papel de viajante, deitam a ética toda pro caixote do lixo. E esquecem-se que do outro lado estão pessoas.
Pois. Mas eu gosto de fotografar. Em muitos casos, mostro as fotografias que tirei às pessoas que fotografei. E depois, se eu acho que valem a pena ser publicadas, publico. Se acho que não, ficam pra mim.
Muito bem. Mostrou-as aos seus alunos também?
Algumas, sim.
Algumas.
Algumas, sim.
Para ilustrar as aulas de geografia.
Sim.
São tempos que já lá vão, não é?
Sim, mas digo-lhe uma coisa, sinto muita falta dos meus alunos. Porque eu agora vou contar as histórias a quem?
Estão aqui na rádio.
Pois, só se for.
Eu agradeço. A viagem com mais peripécias que realizei até hoje.
Foi a primeira, a da ida à Terra do Fogo.
A primeira, já lá foi várias vezes.
Sim, já lá fui três vezes.
Uau!
E uma foi agora nesta passagem de ano.
Sorte! Passou lá o ano?
Passei de 25 pra 26.
No cone sul do continente americano.
Em Ushuaia.
Em Ushuaia mesmo?
Sim.
Terra do fim do mundo.
Sim.
Conte lá, como é que é passar o ano. É igual a Aveiro, é isso?
Não, é pior, porque com a diferença horária, aquilo já estava um sono.
A pessoa está a dormir ao meio-dia.
Foi difícil aguentar até à meia-noite.
Foi?
Muito difícil.
Então simulavam um réveillon ao meio-dia.
Pois, se calhar era melhor.
Ou às 3 horas da tarde.
Era melhor. Mas estava lhe a dizer, nessa viagem de 85, nós chegamos de autocarro a Rio Gallegos e apanhamos um avião pra Ushuaia. Chegamos a Ushuaia e quisemos comprar um bilhete pra sair de lá. E de avião, só passado uma semana. Nós não tínhamos uma semana. Então tem que ir no mesmo avião pra trás. Por isso chegamos e voltamos pra trás. Outra vez, Rio Gallegos. Em Rio Gallegos apanhamos um autocarro pro Chile. Chegamos ao Chile, não tínhamos visto. Por isso eles não nos deixaram entrar. Mandaram-nos a pé pela terra de ninguém, pra fronteira da Argentina, e depois irmos outra vez pra Rio Gallegos arranjar o visto.
Isso é uma caminhada de quanto tempo?
É um bocado, porque aquilo é uma ventania enorme e a gente demora a andar. Quase uma hora, não será assim. Depois, terceira vez, fomos já de avião pro Chile, mais pra norte, porque já tínhamos perdido ali dois dias. Estávamos no aeroporto e um índio assim baixinho virou-se para nós: "Eu conheço-vos. Vocês foram postos fora do autocarro." Essa terá sido das maiores pepaías: conseguir sair de Rio Gallegos, que estávamos sempre a voltar pra trás.
Lá conseguiram sair?
Saímos.
Muito bem. É um sítio lindíssimo, não é? Terra do Fogo.
É. Esta última viagem que eu fiz foi pelo interior, foi pelos Andes mesmo. As outras que eu tinha feito era pelo litoral. Esta não, foi pelo interior, e é muito bonito. A zona dos lagos do Chile é maravilhosa.
Para onde quer que se olhe, parece que se está sempre a olhar pra um quadro, não é?
Sim. Aliás, eu estava a sair de lá e estava a dizer: "Se quiserem voltar aqui, eu volto outra vez." É dos sítios que eu gostaria de voltar. Muito bonito.
A Terra do Fogo.
A zona dos lagos no Chile, um bocadinho mais a norte. Lagos e vulcões e umas paisagens maravilhosas.
Tudo ali concentradinho, não é?
Sim.
Espetáculo. O carimbo de passaporte ou o visto mais difícil de obter até hoje?
Foi pra Índia.
Então.
Não foi há muito tempo. Foi pra Índia, aquilo o visto é online. Eu fiz o meu visto, só que me enganei. E em vez de pôr female, pus male.
Oi!
Pois. A seguir, quando eu levei pro erro, tentei mudar, tirar outro visto, mas eles disseram: "Tem um visto válido, não pode tirar outro visto."
Ai, caramba!
Entretanto, as pessoas com quem ia: "Não stresses, não, isso não há problema nenhum. Não te preocupes." E eu: "Pronto, OK, vamos." Cheguei a Istambul pra entrar no avião pra ir pra Bombaim. Não pode entrar, porque no passaporte tem female, e no visto tem male. E eu: "Olha a linha de serviço." Então fica aqui.
Então dava meia-volta, ia à casa de banho, punha um bigode postiço.
Mudava o passaporte.
É isso.
Então lá fiquei em Istambul. Em Istambul havia um consulado da Índia e eles disseram: "Amanhã, vá ao consulado da Índia e tenta alterar isto." Pronto, lá vou eu sozinha. Eu nunca viajo sozinha. Fiquei sozinha em Istambul, de noite. Lá fui de táxi pra um hotel e no dia seguinte fui ao consulado e eles disseram: "Não, isso é na internet, é na internet que resolve. Aqui nem precisa de entrar." E eu volto pro hotel. Internet, nada de mudarem. Ao fim de três dias vim-me embora, porque não estava ali a fazer nada. Eles sem mudarem o visto, eu não conseguia embarcar. Pronto, vim-me embora. Fiquei sem a viagem.
Então não foi à Índia.
Foi não. Dessa vez não.
Mas já lá foi.
Já lá tinha ido uma vez antes.
Já lá tinha ido antes.
Já.
É espetacular, não é?
É, muito diferente daqui. Muito.
Em que ano é que foi, Cristina?
Foi pra aí há 10 anos.
Há 10 anos, OK. Já a Índia, aliás, estava na reta ascendente, porque é um país que está em acelerado crescimento, não é?
Sim, mas estou curiosa de ver como é que está agora, mas isso se calhar na população em geral não se sente muito.
Sim, há níveis de pobreza grandes, não é?
Pois. Eu estive em Varanasi nessa altura, e o nosso hotel, mesmo o hotel por cima do rio, tinha várias paredes deitadas abaixo, porque iam fazer uma recuperação. Deitaram as paredes abaixo, mas não tiraram a mobília. Por isso estavam os tijolos em cima das camas, uma coisa assim, nunca visto.
Obras à indiano. Olhe, a recordação de viagem mais cara, qual foi?
Olhe, eu iria dizer que é esta pulseirinha do botão.
Uma pulseira de contas pretas.
Isto é para dar sorte, isto é o alfabeto deles e pra dar sorte.
Pois, tem umas letras douradas aí, não é?
É. Eu fiz mal o câmbio.
Sim.
E isto custou-me €50.
Estamos a falar de uma pulseira, não desfazendo, que podemos classificar como pchique, não é?
Exato.
É, não é?
É.
Não leva mal.
Não.
É lindíssima, porque é preta, tem umas contas pequeninas pretas e com caracteres dourados.
Dourados, sim.
Muito bem Achou que tinha feito um...
Um péssimo negócio.
Tem-lhe trazido sorte?
Sim.
Então pronto, cumpre a função. A refeição mais estranha, qual foi?
Eu também iria dizer no Butão. No Butão eu dormi em casa de uma família e a senhora estava a cozinhar o jantar para nós e eu achei por bem ir para a cozinha. Nem eu reconheci nada dos legumes e das coisas, nem da carne, não conheci nada. Pronto, lá tivemos que comer, umas coisas comestíveis e boas, outras intragáveis, mas não faço a mínima ideia do que comi.
Nem suspeita, nada?
Nada.
Caramba. Foi bom? A refeição foi boa, pelo menos?
A experiência foi boa. A refeição, umas coisas boas, outras nem por isso.
Que bem. Gostava de viajar com?
Com os meus netos.
Quantos são?
São dois.
Dois? Que idade é que têm?
Bebezinhos. Um tem um ano e outro nem por isso. Ainda nem isso.
Então pronto, repetem a façanha da mãe e vão aos braços pelo Saara Ocidental à procura da chuva no meio da areia.
Nunca se sabe. Mas gostava que eles fossem viajantes aventureiros.
Sim. Vamos supor, com sete anos, onde é que os levaria? Ou onde é que os quer levar?
Um país que eu gostei muito foi Namíbia.
Ok.
Pronto, acho que os enfiava comigo num jipe e íamos dar umas voltas ali pelo deserto.
Ver leões, girafas, isso tudo.
Sim. Na Namíbia tem tudo, tanto tem os safaris como tem o deserto.
Isso.
E eu adoro desertos.
Ai é? Por quê?
A calma, a cor da areia, o sol, a luz do sol que é diferente. Gosto muito.
É engraçado, porque é a antítese de uma pessoa que gosta de conversar.
De vez em quando a gente também precisa de um bocadinho de paz.
Também é verdade, falar conosco, não é? Do nosso silêncio. Muito bem. Cristina, estamos a chegar ao fim. Qual foi a música que trouxe para fechar a nossa conversa?
"Desafinado".
De Tom Jobim, não é?
Exatamente.
Brasil!
Exato.
Tinha que ser, não é?
Claro.
É uma grande amante da música popular brasileira?
Da bossa nova, sou. Gosto muito. Aliás, eu há 10 anos fui aprender a tocar piano para começar a tocar essas músicas da bossa nova.
Boa! E por que não trouxe um teclado?
Porque não aprendi a tocar.
Então...
Desmotivei. Eu estudava, e o meu filho chegava lá, punha o YouTube, passados cinco minutos estava a tocar aquilo perfeitamente. E eu: "Não, não nasci para isto. Acabou."
É como eu, os hemisférios baralham-se todos, o direito e o esquerdo. Aquilo de fazer uma coisa com uma mão e outra com outra.
Pois, não é fácil.
É que numa mão o dedo cinco é um e na outra mão é outro, não é? Cristina, foi um gosto. Muito obrigado.
De nada, foi um prazer.
Obrigado. Tom Jobim a fechar a conversa do "Fim do Mundo" desta semana. Estamos de regresso dentro de oito dias. Já sabem, sejam bons e boas viagens.