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Bem-vindos à Feira Nacional da Agricultura, a decorrer em Santarém, e bem-vindos, em especial, aqui ao stand do Lidl. Do campo para a Europa, a viagem da frescura nacional. Este é o tema hoje em debate e, na verdade, é também o percurso que milhares de frutas e legumes portugueses fazem todos os anos, do campo para a Europa. Só em 2025, o Lidl ajudou a exportar 28 mil toneladas de produtos nacionais para oito países europeus. O meu nome é Ana do Carmo e hoje vamos conhecer melhor esta viagem da frescura nacional. Comigo estão Pierre Silva, head of fruits and vegetables do Lidl Portugal, e também Francisco Salvador, gestor comercial da ELS. Pierre, antes de mais, sejam bem-vindos os dois aqui ao stand do Lidl. Pierre, quando ouve esta expressão "do campo para a Europa", qual é a primeira coisa em que pensa?

Penso em orgulho, penso em qualidade e penso em trabalho de equipa. É a prova que a frescura e a excelência dos produtos portugueses, aliado ao esforço que fazemos em conjunto, fruto das parcerias que temos, nos têm permitido conquistar vários mercados na Europa.

Pergunto o mesmo a Francisco. Quando ouve esta expressão, "do campo para a Europa", o que é que sente, o que é que pensa?

Acho que é uma grande oportunidade. Portugal é um país pequeno, como sabemos, situado aqui no extremo da Europa, que nos coloca aqui algumas dificuldades. E eu recordo que há uns anos tivemos uma visita de umas pessoas da Universidade Cornell, dos Estados Unidos, do departamento de Food Science, e discutimos esta questão da dimensão e da localização. E eu expliquei-lhes que uma empresa com a nossa dimensão e com a nossa quota de mercado nos Estados Unidos faturava, de certeza, mais de mil milhões. São valores que aqui são impossíveis na nossa realidade, da realidade do mercado português. E esta oportunidade que nos deram, e a oportunidade de colocar os nossos produtos no mercado europeu, permitiu-nos atingir um mercado com uma dimensão semelhante à dos americanos. Não vou dizer que está nos nossos objetivos próximos faturar mil milhões, mas permite-nos fazer um trabalho muito distinto do que fazíamos há uns anos. Só para ter uma ideia, nós hoje já comercializamos o dobro das couves para o mercado externo do que comercializamos no mercado nacional. Isto tem um impacto tremendo na nossa operação.

Francisco, estava a falar na couve e quem diria que a couve coração produzida em Portugal chegaria às mesas de milhares de famílias na Alemanha e na Suécia. Eu queria saber, já que se fala que a couve coração portuguesa tem um papel muito importante nas exportações da ELS, fale-me um pouco mais sobre esta história da couve coração.

Curiosamente, nós começamos a trabalhar com o Lidl em 2007 e o primeiro produto que nós entregamos ao Lidl foi precisamente couve coração. Foi uma altura de muita dificuldade, em que havia muito pouco produto no mercado e contactaram-nos se nós tínhamos capacidade para abastecer o Lidl cá em Portugal. Em 2015, recebemos um desafio por parte da equipa do Lidl para desenharmos um programa para fazermos a exportação de couves para a Alemanha. E em 2015 fizemos logo os primeiros ensaios, os primeiros testes, e em setembro de 2016 foram colocadas as primeiras plantas na terra. Claro que naquela primeira campanha as quantidades eram muito mais pequenas. Estávamos a falar de 20 toneladas semanais. A campanha, no total, chegou, julgo que às 200 toneladas, mas foi para nós um percurso importante, que nos ajudou a perceber que tínhamos essa capacidade e que conseguíamos fazer chegar os nossos produtos, e estes, nomeadamente as couves, à Alemanha com muita qualidade e com frescura e que o produto tinha viabilidade, e esta atividade tinha viabilidade.

Pierre, o que levou o Lidl a apostar na couve coração portuguesa?

Percebemos que havia uma oportunidade, principalmente na campanha de inverno, porque o nosso clima é mais ameno e grande parte da produção, por exemplo, que a Alemanha comercializa, é feita na própria Alemanha e nos países vizinhos, e que no inverno têm um clima bastante adverso. Então conseguimos perceber que havia aí uma oportunidade. Tentamos perceber dentro de casa que parceiros é que nos poderiam ajudar a conseguir satisfazer esta necessidade na Alemanha. E como o Francisco disse e muito bem, um dos artigos que produzem, e produzem muito bem, era a couve coração, porque um dos principais pressupostos para nós exportarmos é de facto a qualidade e conseguirmos aqui acrescentar valor com o artigo que estamos a exportar. E, portanto, naturalmente, desafiamos a ELS para entrar conosco nesta aventura da couve coração em particular.

A mim parece-me pertinente deixar aqui em cima da mesa esta quantia. Nós estamos a falar de 4 mil toneladas exportadas atualmente e há pouco dizia que 200 toneladas no primeiro ano já era uma quantidade...

Era importante. Se olhar ao volume que nós fazemos anualmente, já representava cerca de 15%, 20% do que nós comercializávamos cá no mercado nacional. E, portanto, já era um incremento significativo na nossa atividade. Mas hoje os números são completamente fora da caixa.

Cresceram imenso. Francisco, o que é necessário garantir para que um produto tão fresco como este que nós estamos a falar Faça a viagem até estes países mais longe, como é o caso da Alemanha e da Suécia, por exemplo, e que consiga manter a sua qualidade, a sua frescura.

Este processo, esta viagem, começou em 2016, como eu disse. Nós começamos a criar estruturas, a desenvolver técnicas, a desenvolver procedimentos que nos permitissem responder a esta operação, que é uma operação exigente. Se nós tivermos em conta que temos 36 horas de transporte, e isto é incontornável, de Portugal até à Alemanha, o nosso objetivo foi, desde logo, garantir, criar aqui um target de 48 horas desde a colheita até à entrega. E isto num contexto, muitas vezes, de tempestades, de bloqueios, de nevões, e tudo isto condiciona a operação. E mesmo assim, e o Pierre sabe, nós hoje temos um nível de serviço umas poucas décimas abaixo dos 100%, que é um nível de serviço que nos orgulha muito, mas também que permite dar confiança a quem está do outro lado para continuar a colocar na nossa empresa estes volumes. O Lidl fez, há algum tempo, uma campanha muito gira da alface, em que uma forma muito sucinta explicava o percurso de uma alface desde o campo, desde a semente, até à placa de venda. E o esforço que todos nós fazemos todos os dias para que o produto chegue com muita frescura e muita qualidade. A gente faz um trabalho semelhante no coração, mas infelizmente, nem sempre isto corre bem. Há muitas alfaces e há muitas couves que não chegam à placa de venda. E eu gostava de aproveitar hoje esta oportunidade também para deixar aqui uma palavra de reconhecimento e elogio à coragem de todos aqueles que, com muita resiliência, muitas vezes chegam às suas explorações, como aconteceu agora há bem pouco tempo com estas tempestades, e não encontram as alfaces, não encontram as couves, não encontram as estruturas, não encontram as árvores, não encontram os frutos, e arregaçam as mangas e continuam a trabalhar para que todos os dias continuem a chegar à nossa mesa estas frutas e legumes que são tão importantes na nossa alimentação.

É merecido de reconhecimento.

É verdade. E também é merecido de reconhecimento numa altura em que as parcerias, que as alianças são postas em causa todos os dias, que a lei da selva e do mais forte parece que se tornou uma realidade incontornável. Existe uma empresa familiar, Sintra, a trabalhar com uma grande multinacional, que tem uma dimensão milhares de vezes superior à nossa, num contexto de entreajuda e de grande respeito, num ambiente de grande profissionalismo, consegue desenvolver projetos como este da Couve Coração, que consegue colocar os nossos produtos na mesa de milhares de consumidores pela Europa a fora, e isso dá-nos um orgulho tremendo.

Um orgulho e uma estabilidade também, não é?

É verdade.

Pierre, agora vamos fazer uma viagem. Se tivéssemos uma câmera a acompanhar uma couve coração desde a colheita até às prateleiras do Lidl, por exemplo, na Alemanha, que etapas é que nós veríamos?

Veríamos um processo muito rigoroso, mas muito rápido, como o Francisco disse. A questão aqui é logística e de rapidez, é fundamental para conseguirmos oferecer uma boa qualidade, uma boa frescura ao consumidor, neste caso, na Alemanha, da couve coração. E, portanto, veríamos uma colheita com todos os cuidados, veríamos um processo de controle de qualidade à chegada do armazém que verificasse toda a mercadoria, um embalamento rigoroso, carregar o caminhão e fazer a viagem dentro dos prazos que estão estipulados. Um bocadinho pegando no que estava a dizer há bocado, reforçando aqui a questão dos números impressionantes, veríamos então, durante uma campanha inteira, cerca de 200 caminhões carregados de couve coração.

É impressionante, de facto.

Sim.

Francisco, do lado do produtor, quais são os maiores desafios para responder às exigências destes mercados internacionais?

As certificações é sempre um obstáculo para quem quer exportar. As certificações e as exigências dos clientes é sempre um obstáculo para quem quer colocar os seus produtos em mercados diferentes. O nosso caso, já trabalhávamos com o Lidl, já tínhamos IFS, tínhamos Spring, tínhamos Global GAP, tínhamos Grasp, já conseguíamos cumprir todos estes requisitos. E isso facilitou e facilita muito o nosso trabalho. Mas se me perguntar o que eu acho que é o maior desafio, eu acho que é conquistar a confiança dos nossos parceiros. Quem faz um plano conosco de 4 mil toneladas, não tem um plano B. Não tem um plano B para que se as coisas corram mal, consiga ter o produto na sua placa de venda a mesma. Portanto, tem que haver aqui um esforço muito grande de ambas as partes. E quando se fala de empresas, mais uma vez, multinacionais, grandes empresas com uma grande dimensão, as pessoas às vezes pensam: "Bom, são empresas muito profissionais e em que a boa vontade é um É um conceito que não tem muito espaço para existir, mas não é verdade. Tem que existir. Claro que a confiança cria a abertura para que haja boa vontade, mas ninguém consegue passar de 200 toneladas para 4 mil toneladas e demorar quatro a cinco anos, sem que haja muito boa vontade de ambas as partes. Acho que a confiança é muito importante.

Pierre, como é que o Lidl trabalha com os produtores, de modo a garantir um pouco isto que estávamos a falar há pouco, a questão da previsibilidade e desta estabilidade ao longo do ano, porque não estamos aqui a falar de um plano B.

Certo. Exatamente. Como o Francisco dizia, e muito bem, as nossas relações assentam em parcerias e assentam em confiança. Só assim conseguimos crescer e oferecer, com regularidade, a qualidade e frescura que conseguimos oferecer. E começa por um trabalho de parceria a longo prazo, com planamentos de produção também, planamentos anuais, em que nós conseguimos perfeitamente com o parceiro perceber quais é que são as capacidades produtivas e de que forma é que conseguimos chegar ao nosso objetivo comum daquelas X toneladas. Aliado a isto, temos a questão da sustentabilidade. Todas as nossas produções são certificadas Global GAP. Temos também certificações de responsabilidade social, nomeadamente o GRASP ou outras similares. E agora recentemente, com esta questão dos recursos hídricos também, temos trabalhado muito perto com os nossos parceiros e fornecedores para conseguirmos que as produções sejam certificadas em SPRING, que é um referencial de como utilizar eficientemente todos os recursos hídricos. Aliado a tudo isto também, conforme eu falei, temos também a questão da logística, que é sempre muito ponderada e analisada ao pormenor.

Portanto, nós estamos a falar aqui de uma rede complexa para que tudo consiga correr bem e chegar ao destino, porque não é só o produto pelo produto, é o produto e tudo aquilo que gravita à volta do mesmo.

Exatamente.

Que é impressionante.

Isso mesmo.

Francisco, que implicações é que esta exportação que estamos aqui a falar trouxe para o seu negócio?

O formato ou os moldes com que nós trabalhamos, o planeamento que nos dão, isto é fundamental para nós conseguirmos, com segurança, dar os passos que são importantes para que as coisas depois corram bem. Como diziste, é uma conjugação de esforços, são muitos profissionais aqui envolvidos, mas tem que haver uma base que garanta e que transmita confiança em todas estas equipas. O Pierre falou, e bem, da questão da logística. Um operador logístico, quando contrata conosco transporte para 200 carros, está a abdicar de fazer aqueles transportes com outros clientes. Nós temos que garantir que vamos entregar o produto para ele transportar e ele vai ter que garantir que vai entregar o produto a tempo e horas nas centrais. Tudo isto é importante e tudo isto é um trabalho em equipa, como estávamos a falar.

Francisco, vamos olhar agora para dentro do cabaz de produtos que exporta. O que é que podemos encontrar lá dentro? Ok, a couve coração. Que mais?

Nós exportamos biospirais. Nós temos um projeto de produção de biospirais no Algarve e estamos a investir nessa área. Estamos a exportar também tomate para Espanha e fazemos também algumas ervas aromáticas para Espanha com o Lidl. Fazemos de uma forma menos regular, com base em oportunidades que surjam, fazemos alfaces, fazemos batata-doce, fazemos outros produtos, mas a couve coração, como disse há pouco e bem, é a grande estrela do nosso portfólio de exportação.

Pierre, além destes produtos que o Francisco acabou de mencionar, onde é que poderão estar ou onde é que estão outras oportunidades de produtos para serem exportados para outros países europeus?

Conforme o exemplo da couve coração, estamos sempre à procura de oportunidades e de facto oportunidades que façam sentido e acima de tudo que sejam sustentáveis a longo prazo. Pegando aqui no exemplo que o Francisco falava, a questão do tomate para Espanha, é agora uma oportunidade que surgiu no ano passado, porque no verão temos aqui uma janela de oportunidade em que as temperaturas em Espanha são bastante elevadas, portanto a produção em Espanha vai diminuir e nós falamos com o nosso parceiro para aproveitar precisamente esta janela. Portanto, o que nós procuramos, acima de tudo, é oportunidades que possam ser sustentáveis a longo prazo e que possamos replicar ano após ano. Depois há algumas que de facto têm sucesso e que continuam a crescer, outras que por alguns motivos eventualmente não, e refocamos sempre para as oportunidades e para os artigos em que estamos de facto a crescer e que existe uma procura.

E tem alguma oportunidade aí já debaixo de olho? Qual é a próxima novidade?

A próxima é mesmo aqui o tomate, que vai começar dentro de, no máximo um mês, julgo que três semanas, vai começar. Portanto, estamos muito entusiasmados com este novo artigo.

A Espanha vai receber tomate português.

Vai, vai receber tomate português e para nós permite-nos aqui durante uma fase em que a produção cá em Portugal atinge o pico, conseguimos escoar um produto com muita qualidade e Que para nós também é um produto com muito peso e importância. O Pierre dizia, para ter uma ideia, o que é que muda. O clima em Espanha está a mudar de uma forma muito rápida e eles têm muita dificuldade em conseguir recursos, água e outros meios, e condições para produzir tomate durante esta fase mais complicada do verão. E, por isso, olham para Portugal como uma oportunidade para conseguir ter um produto diferente, com muita qualidade, que o nosso tomate tem muita qualidade, e para fazer face às necessidades que eles têm em Espanha.

Esta pergunta que eu vou colocar é para ambos e que prende-se com a mão de obra. Ou seja, nós estamos a falar justamente de um produto do campo para a Europa. A minha questão é: nós temos mão de obra, por exemplo, para trabalhar no campo? Como é que nós podemos atrair novas gerações para dar continuidade a esta tradição? É uma pergunta delicada, Francisco.

Acho que isto é um problema abrangente. A dificuldade que nós sentimos na nossa área para captar, recrutar e fixar talento é a mesma que os senhores da distribuição sentem. Isto é um problema abrangente. Tirando a questão dos criadores de conteúdos digitais, dos influencers e dos YouTubers, essas novas gerações não se identificam muito com as outras áreas. E eu acho que todas as empresas e todas as áreas de negócio têm que fazer um esforço para perceber onde é que se podem aproximar destas novas gerações, o que é que podem fazer diferente para que os projetos e as carreiras se tornem mais aliciantes. E isto é um esforço que todos temos que fazer e que é importante que se faça. No nosso caso, da agricultura, eu acho que temos aqui uma grande vantagem. Este diálogo vai ter que existir, mas temos aqui um grande trunfo que é, ao contrário de outros negócios, como por exemplo, a indústria automóvel europeia, que nos próximos anos vai passar aqui uma fase complicada. Hoje existem 8,3 bilhões de pessoas na Terra. Até 2080, eu julgo que vamos chegar aos 10 bilhões e, portanto, a nossa atividade vai ter que crescer. Vamos ter que escalar a produção para conseguir fazer face à necessidade para fazer chegar frutas e legumes a todas estas pessoas. Portanto, acho que esta é uma área com crescimento. Claro que isto não são favas contadas, mas que há aqui um potencial tremendo. E julgo que com os avanços tecnológicos que vêm a acontecer nos últimos tempos, nós não vamos ter que esperar 20 ou 30 anos para que tarefas hoje que são pesadas, como a colheita, como a plantação, como a poda na agricultura, nos próximos 10 anos não passem a ser feitas por máquinas, por exemplo.

Vão surgir outras soluções, não é?

Sim, claro. E esta componente tecnológica e este avanço tecnológico vai ajudar a criar interesse por parte destas novas gerações na agricultura, porque eles identificam-se com isto e identificam-se com a tecnologia, com a integração, com o desenvolvimento. Eu acho que isto vai ser muito benéfico para a nossa área.

Pierre, do lado da distribuição, também sente que pode haver, ou se calhar já há, esta dificuldade de reter talentos?

Como o Francisco disse, é transversal. E, portanto, o nosso papel é de facto mostrar o quão atrativos conseguimos ser, os projetos interessantes que temos, de que forma é que, sejam jovens ou não, as pessoas se conseguem desenvolver profissionalmente dentro da nossa empresa ou até nas empresas dos nossos parceiros. Um exemplo também muito engraçado, hoje estamos aqui na Feira Nacional de Agricultura, temos cerca de mil crianças que estão a visitar hoje aqui a feira.

Temos aqui muitas crianças.

Exatamente.

Tantas que acho que se consegue ouvir e consegue-se perceber que estamos aqui às crianças.

Exatamente. Precisamente com a ideia também de mostrar às crianças de onde é que vêm as nossas frutas e legumes nacionais, e não só, e os outros artigos deste ramo da água pecuária. E, portanto, acho que todos estes passos são importantes, acima de tudo, a comunicação daquilo que é possível fazer e dos projetos muito interessantes que ainda temos pela frente.

Portanto, desde pequeninos mostrar que o trabalho na agricultura pode ter um futuro. Neste caso, na distribuição, por exemplo.

Sim, tem um futuro e de facto vai ser cada vez mais preciso.

Para ambos e para terminar a nossa conversa de hoje. Numa palavra, como é que descreve a agricultura portuguesa, Francisco?

Usando aqui uma coisa que é muito nossa, um azulejo. No sentido em que, como nós falávamos há pouco, é a conjugação de vários azulejos, várias peças, que fazem com que o painel esteja completo e, como diz um grande amigo meu, tenha assunto. Hoje se nós pensarmos na agricultura portuguesa, vem-nos à ideia azulejos como as oliveiras centenárias ou as vinhas centenárias, e o olival de intensivo, ou os drones que hoje já utilizamos na nossa atividade. Há muitas peças. Olhe, eu lembro-me de uma agora também importantíssima, a Portugal Fresh é um azulejo que tem tido aqui um papel fundamental na promoção dos nossos produtos e na ajuda e no apoio à internacionalização das empresas portuguesas lá fora. E é o conjunto destes esforços, a grande distribuição também, também é um azulejo que é importante, não me posso esquecer de dizê-lo.

Para completar o painel.

Senão o Pierre não vai perdoar, claro que sim. Mas são todas estas peças, e a boa utilização e a boa aplicação destas peças permitem que o painel, no final, seja um painel muito positivo.

Pierre, numa palavra, então, como é que descreve a agricultura portuguesa?

Excelência, de facto. Porque excelência é aquilo que nos distingue e é aquilo que nos permite exportar. Porque nós, em termos logísticos até, estamos mais longe da Europa Central e, portanto, aqui o nosso foco deve ser sempre a excelência, deve ser a qualidade, e é isso que tem feito com que nós consigamos ter este projeto no estado em que temos, além das parcerias também que são fundamentais, seja com os fornecedores, seja, como o Francisco falou, com a Portugal Fresh, com quem iniciamos este projeto em 2014 e que muitos frutos tem dado.

Pierre, Francisco, muito obrigada por terem estado conosco aqui no stand do Lidl, pelas vossas partilhas, pelas vossas palavras. Foi um gosto ter aqui o Pierre Silva do Lidl Portugal e também Francisco Salvador da ELS. Um gosto também receber estes meninos hoje, todos que estão aqui a fazer visitas de estudo na Feira Nacional da Agricultura a decorrer em Santarém. E obrigada também a quem ouve na Rádio Observador em qualquer parte do país.

Muito obrigado.

Obrigado.