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Olá, eu sou o João Paulo Secador e este é um podcast da Rádio Observador, que pode ouvir online ou em 98.7, na Grande Lisboa, e em 98.4, no Grande Porto. É com muito prazer que damos as boas-vindas à convidada extra de hoje, Rita Moura de Oliveira, jornalista, bloguista e há 20 anos editora de manuais escolares, que um dia quis ser mãe de um filho e acabou por ter duas gêmeas. E conta tudo num livro, dando dicas a quem tem ou quem vai ter gêmeos. Obrigado, Rita, desde já. Obrigado por teres aceitado este convite. Bem-vinda ao Observador.

Obrigada.

Antes de mais, parabéns, porque fizeste anos há duas semanas.

Dia 30 de dezembro.

30 de dezembro.

Duas semanas.

Incrível. Adoras ler, adoras viajar e tens um blog. Ainda continuas a escrever no teu blog de vez em quando?

Muito menos agora do que há quatro anos.

Por que a vespa? Porque é uma das tuas paixões.

Porque eu adoro andar de vespa. Tenho uma vespa e adoro. Sempre que posso, tenho um bocadinho, vou dar uma voltinha.

Exatamente. Tu licenciaste-te em jornalismo, estudaste também no Saint-Georges, depois estiveste no Público. Desde então, tens estado ligada às editoras na parte de manuais escolares. O que é que faz exatamente uma editora de manuais escolares? Escolhe quem vai escrever as matérias para os alunos?

Sim, uma das partes é angariação de autores. Que são sempre professores que estão no ativo, de preferência. Depois, definimos com eles o projeto editorial. Manuais escolares são todos muito diferentes uns dos outros. Apesar da matéria ser a mesma, a forma varia muito. Depois definimos com elas as coisas, combinamos prazos de entradas originais, eles cumprem ou não cumprem.

Recebem as indicações dos programas, são coisas que têm que vir sempre do ministério?

Sempre. Temos que cumprir à risca.

Esta curricula é esta.

Exatamente, isso tem que cumprir na íntegra. Depois há os extras que fazem a alma de cada projeto.

Tu estiveste naquelas polémicas de há uns anos, há dois anos ou três, aquela coisa dos manuais de caderno de atividades femininos e femininas.

Não, não estive.

O que tu achas disso?

Não estive.

Havia, no fundo, a ideia era manuais de atividades mesmo para crianças que eram pequeninas, quatro a seis anos, onde havia as competências, isso é que pra mim é o importante, o que eles treinavam, quais eram as competências testadas e se eram as mesmas.

Eram.

Só que os bonecos com elas eram as princesas que iam buscar umas flores. E com eles eram os piratas que iam buscar umas espadas.

Sim, pelo que eu li, pelos livros que eu vi. Eu vi os livros.

O que achavas disso?

Grande parte dos exercícios eram os mesmos, as atividades eram as mesmas. E não me choca nada haver essa, porque é o imaginário de cada um, é quase inato. Eu vejo pelas minhas filhas, elas têm carrinhos, têm bonecos, mas preferem os bonecos. Não sou eu que lhes incuto isso.

Não, não estou a questionar.

Não, até porque eu não são nada dessas coisas, nem das cor-de-rosa, nada dessas coisas.

À ministra do Bolsonaro. Sim. Muito bem. Depois, és uma mulher de causas. Sempre foste, Rita. Os animais, por exemplo, é uma coisa que tu gostas muito.

Gosto muito.

E claro, à parte das vespas, também já falámos, a questão da viagem, do ar livre, que é uma coisa que também gostas muito.

Gosto muito do ar livre.

E gostas muito de livros, que é uma paixão que eu também tenho. Também tinhas um avô que era jornalista, tinhas uma biblioteca. Tens a sorte de ter tido uma biblioteca muito boa em casa.

Sim, e espero conseguir transmitir este gosto por livros às miúdas. É uma coisa que eu quero muito fazer.

Eu e a minha mulher também temos gêmeos, debatemos muito, como gostávamos muito de ler e sempre passaram a ler por centos de livros.

Sim. Elas têm imensos e pedem, e gostam todas as noites de ter uma história. Só contam castigo que não há história.

Pois. E depois gostei imenso de ler um texto teu, ou uma conversa tua, em que tu falavas que quando te cruzaste com o Júlio Ferreira uma vez, em Sintra.

Sim, fui ter com ele. Porque meti na cabeça que queria conhecê-lo, porque ele na altura era o meu escritor português de eleição e ainda continua a ser. No Camões, sim. E meti na cabeça que eu tinha que conhecer. Sabia pelos diários dele, do conta corrente. Eu sabia o café que ele frequentava, combinei mais ou menos com o senhor do café.

"Quando é que vem cá?"

E consegui lá ir. Quando entrei, o senhor do café disse: "Não, ele hoje está mal disposto".

Ui! Isso acontecia muitas vezes.

Pronto. Dizem que sim, que ele tinha um feitio assim difícil. Mas eu arrisquei, entrei e estive um bocadinho a conversar com ele e com a mulher dele na altura.

E correu bem?

Correu muito bem. Lembro perfeitamente como ele estava vestido, foi assim um momento que me marcou mesmo. Foi uma conversa muito curta.

Não interessa, mas cruzaste com ele.

Cruzei. Era o meu ídolo na altura.

Também gostei muito de saber, por exemplo, a tua adesão ao Saramago e o gostares muito do José Rennes de Carvalho, que é um autor que eu também aprecio.

Descobriu-o. Aliás, ele foi descoberto em Portugal há pouco tempo. Foi quando eu o descobri também.

É mais famoso, é mais premiado. O Furtado de Macedo é uma grande paixão por ele também.

O Rennes de Carvalho tem um livro que eu adoro, que é o Mazagran, que é um livro de pequenas coisinhas, pequenas crónicas, que é pra mim é meu preferido, é espetacular. Gosto imenso.

Fica aqui esta dica, que é importante. E outra coisa que eu também gostei muito de ler no teu percurso a nível dos livros, que também gosto muito que tenhas essa cultura, e trabalhas no meio de livros, a coisa do José Luís Peixoto, que é uma coisa que também quando eu o convidei depois, naqueles tempos, para ir às conversas na TV com os autores, também fiquei surpreendidíssimo. Como é que uma pessoa com este ar, e depois mais, ele escreve, ouve heavy metal e música aos berros, e ele até teve uma banda e tudo. E de repente escreve com uma doçura e escreve com um amor.

É emotivo, muito emotivo, muito afetivo. E eu tinha esse preconceito dele. Olhava pra ele, via aquele aspecto de piercings e tatuagens. Tinha um preconceito. Era mesmo preconceito. Li o primeiro livro dele, apaixonei-me. Depois ele ofereceu-me o Cemitério de Pianos, que foi o primeiro. Depois deram-me O Abraço, que também adorei. E depois fui lendo vários. Acho que não li todos ainda, mas ainda falta uma última autobiografia.

Vale muito a pena, incrível.

É muito bom.

Muito bom.

E tem mais um ano que eu, ou ao menos um ano que eu, portanto, é da minha geração.

É teu coevo. Muito bem. E o que te traz cá, nós aqui um bocadinho fizemos um pequeno intervalo pra atualizar a informação, mas o que te traz cá foi este fato de sempre teres querido ser mãe.

Não foi desde sempre. Digamos que foi a partir dos 30

Mas qualquer coisa a ver com o relógio biológico?

Não sei. As minhas amigas começavam a ter filhos. Eu era madrinha de um dos filhos de uma amiga, adorava o miúdo e sem querer, comecei a pensar naquilo.

E se eu também fosse mãe, não era mau, mal pensado. Mas não tinhas namorado, não gostavas de nenhum, não prendias nenhum. Estou a brincar.

Na altura em que finalmente tomei a decisão, estava sozinha. A primeira decisão foi adotar.

Sim, e estiveste envolvida nesse processo?

Estive no processo, fui aprovada, passei por imensos testes, entrevistas, idas a casa, mas depois comecei a perceber que ia demorar muito tempo. Já me falaram em sete anos, eu esperei três. Ao terceiro ano, decidi pôr as mãos na massa e fazer procriação medicamente assistida.

Só mais esta uma coisa: por que estes atrasos? A gente tem ideia sempre que há tantas crianças a precisar e a querer.

Eu acho que há muitos interesses pelo meio. Dá-me a ideia que as próprias instituições que têm os miúdos com eles, recebem subsídios, depois também nos tribunais dão sempre primazia aos pais biológicos, portanto, tentam sempre mais uma vez, e mais uma vez. E se a todos os miúdos já estão com sete anos, oito anos, e depois já ninguém os quer.

Ninguém os quer, exatamente.

Muito depois são devolvidos.

A segunda convidada logo, acho que foi a Patrícia Reis, que escreveu "As Crianças Invisíveis", exatamente sobre isso.

Sim, é muito triste.

São devolvidas depois de ter tanto esforço.

É muito violento.

Um drama.

E eu pensei: "Daqui a sete anos, caramba, tenho que fazer qualquer coisa, porque senão não vou ser mãe."

Passa o tempo mesmo, exato. E já tinhas o desejo profundo, tenho que fazer qualquer coisa.

Estava, já andava há uns anos a pensar no assunto a sério. E em Portugal, na altura, era proibido as mulheres sozinhas.

Seres mãe solteira, por seres uma mulher sozinha?

Sim, não se fazia em Portugal, mas eu recorri a uma clínica cá, em que fiz todas as consultas, todo o acompanhamento foi feito em Portugal, e depois o processo foi feito em Sevilha. Fui duas vezes a Sevilha, a primeira vez não resultou. Precisamente um mês depois, foi dia 23 de setembro de 2015, a primeira vez. Segunda vez, 23 de outubro de 2015 também, e resultou. Passado duas semanas, sabia. Mas pensava que era só um.

Aos 41 anos engravidaste. Estavas preocupada com a idade ou não?

Não, não estava, porque fiz imensos testes. Tudo indicava que ia correr bem. O meu pai dizia-me: "Tu não te preocupes, tu és muito fértil, és como a tua mãe." Que a minha mãe aos 27 já tinha três.

Pronto.

E de facto, eu fui sempre muito descontraída.

É muito engraçado que em todo este processo, que não é fácil, às vezes deve ter tido momentos, tudo bem para ti, complicados. Tiveste um grande apoio, sempre de um rede de amigos e de família, que te ajudou muito e apoiou muito. É muito bom isso.

Desde a decisão e durante o processo, nunca tive hesitação de ninguém. E estou a falar mesmo a nível de pessoas mais velhas, que podem ter mais preconceito em relação a isto. Toda a gente apoiou. E mesmo agora, que elas já são crescidas, têm três anos e meio, ninguém, pelo menos à minha frente, ninguém faz comentários acerca disto. Portanto, encarem sempre isto de maneira natural.

E nunca ouves aquelas perguntas típicas do: "Mas não têm o pai delas?"

Eu digo que não têm.

Mas mesmo elas não perguntam ainda?

Já perguntaram. Às vezes perguntam. Perguntam, porque falam, porque os colegas têm. "O papá", não sei o quê. Vocês não têm papá, têm só a mamã. Depois dou exemplo, porque na sala delas havia um outro miúdo que não tinha mãe, que tinha falecido. E havia outro que vivia com os tios. Há meninos que vivem com os pais, outros com os tios, outros com a mãe, outros com o pai, e elas, por acaso, há muito tempo não fazem essa pergunta. Mas vão fazer mais. E eu vou explicar vocês a verdade.

Isso que eu ia dizer, é coisa que tu vais um dia explicar: "Olha, mãe quis ser mãe e na altura não estava com ninguém."

Exatamente, os médicos ajudaram. Pronto, na altura delas. Agora já é permitido em Portugal e tudo, quando elas chegarem a essa fase, já podem elas fazer à vontade. É engraçado, a lei foi aprovada, eu estava no final da minha gravidez. Quando elas nasceram, já estavam legais.

legais, sim.

Foram 20 dias de diferença entre a aprovação da lei e o nascimento delas.

Portanto, aí já era perfeitamente possível.

Sim, já.

E com 41 anos, também dizem que depende, como tu dizes muito bem, da saúde das pessoas. Eu tenho amigas minhas que foram até muito mais velhas do que isso, e a minha irmã foi aos 38, que também não foi tão diferente como isso.

Sim.

E até dizem que os filhos das pessoas que são um bocadinho mais velhas, são mais inteligentes depois.

Eu não sei, elas parecem muito inteligentes.

As mães são mais calmas, eu acho. Os pais, em geral, aquela excitação. As crianças quando são mais novas há toda essa cena.

E elas são miúdas muito espertas. Pelo menos, assim, pronto. Sou um bocado suspeita, mas acho que são.

Voltamos aqui à conversa com a nossa convidada extra de hoje, Rita Moura de Oliveira, que nos vem falar da sua experiência de mãe solteira de gêmeos. Gémeas, aliás. É muito engraçado porque no dia em que nasceram as tuas gêmeas, elas ao mesmo tempo estivessem entre a vida e a morte. Nós já vamos falar disso, foi uma coisa impressionante e é isso que me fez assim: "Olá, esta história tem marca." Quando vi o teu livro, "São Gémeos", quando as gêmeas vêm duplicado ou triplicado, pensei: "Olha, um livro engraçado sobre gêmeos, já lá vamos falar sobre ele". Mas era só isso, o livro engraçado sobre os gêmeos, e não há, como tu dizes, muitas coisas cá em Portugal sobre isso, é verdade. Quando eu tive, mandámos vir da Amazon, um livro em inglês.

Tudo em inglês.

Cá não havia nada. E é bom e dá umas dicas muito engraçadas, já lá vamos. Mas depois quando li a tua história de vida, eu pensei: "Bolas, o que ela passou é outra coisa, é outra liga." Pronto. As tuas filhas realmente salvaram-te a vida e um dia elas vão saber isso. Se tivesses em casa, se tivesse tudo acontecido em casa, não terias qualquer hipótese. A tua médica a princípio pensou, com os teus resultados do HCG, aquelas coisas: "Olha, é um bebê, é gordinho."

É gordinho, dizia ela, porque aquilo dava um valor de 90 e tal. É bonito. Mas à décima semana, quando voltou a fazer a minha ecografia, foi giro, porque eu fui com a minha mãe fazer a ecografia. E via-se um pontinho a brilhar, que é o coração, só. E a médica diz: "Ops".

E tu: "Ai?"

E a minha mãe diz assim: "São dois". A minha mãe viu logo que são dois. Eu não tive medo nenhum, não tive qualquer tipo de receio, fiquei tão contente.

É uma bênção, eu acho.

Nem pensei que estava sozinha, que não estava sozinha. Pensei: "Pronto, são dois, agora vamos ver o que são".

Tem que ser.

Mas eu pensava que eram rapazes. Sempre pensei que eram rapazes.

Até já tinhas nomes.

Já tinha nomes. Se fossem rapazes, era João e António, que eram os nomes dos meus avós. Se fossem raparigas, era Maria e Luísa, o nome das minhas avós.

Acabou por se concretizar.

E ficaram às 13 semanas, soube que eram duas raparigas. E foi outra revelação pra mim, porque eu pensava que eram meninos.

Comigo aconteceu uma coisa muito parecida, que foi: só sabíamos que iam ser raparigas e só tínhamos nome pra raparigas. E quando o homem disse: "Acho que eram os nomes, veja que eram dois rapazes". Eu: "Desculpe, por acaso não tínhamos ainda..." Tinha feito três hipóteses: dos rapazes, das raparigas, ou rapaz e rapariga.

Sim, no meu caso tinha sido dois do mesmo sexo.

As raparigas é que tinham que ser, mas depois não. "Então vou dar uma volta ao quarteirão", dizia o médico, "e escolham". E foi assim que foi.

Foi, e conseguiram escolher.

Sim, também foi homenagem aos avós, exato, como tu.

Que giro.

E portanto, seis semanas, soubeste que eram duas, às 13 semanas soubeste o sexo, portanto gêmeos idênticos, mesma placenta, mesmo saco.

Não, sacos diferentes.

Sacos diferentes? Isso pode com gêmeos idênticos?

Sim.

Isso não sabia.

Sim. Digamos que há três níveis de risco na gravidez de gêmeos. Gêmeos fraternos, que são aqueles chamados falsos.

Sim. Eu sei que não gostas nada que digam falsos a alguma coisa.

Não, acho falso.

Quando me perguntam isso, eu falo: "Sim, eu digo sempre, é um é de plástico."

Pronto, exatamente. É assim uma expressão que eu não acho muito boa.

Exato. É o caso dos meus, os teus, não.

As minhas são gêmeos idênticos. Portanto, há três hipóteses: ou cada um tem um saco e cada um tem uma placenta, ou cada um tem um saco com a mesma placenta.

Partilham a mesma placenta.

Ou então o mesmo saco e a mesma placenta, que é o nível mais arriscado, porque podem se enrolar os cordões umbilicais. Pronto, há uma série de outros riscos. Eu estava ali no intermédio. Mesmo assim, fui muito bem acompanhada, sempre. Sempre em Santa Maria, aquilo foi impecável.

Sim, incrível. Porque realmente, com tudo que tu passaste, tiveste muita sorte e a equipa realmente de neonatologia é excecional.

Isso eu tenho a agradecer a Santa Maria, ao Serviço Nacional de Saúde, à sério.

Exatamente. Eu sei que fazes questão de dizer sempre, eu digo sempre, porque é importante. Estamos sempre a queixarmo-nos de tudo e quando as coisas correm bem, temos que dizer que correm bem e temos que agradecer. E ali, que não te pouparam esforços, é verdade.

Nada.

Santa Maria, Serviço Nacional de Saúde, é importante dizer isso.

Tinha todas as valências.

Estavas no pico do calor e nem sempre o ar condicionado funcionava nas incubadoras.

Muito mal.

E a água vinha quente pra cama.

A parte logística, não falemos disso, que é mesmo muito má.

Mas não é isso o importante nestas alturas.

Não, é viver.

Essa parte tu esqueces. Pronto. E que corra bem com as crianças e que venham cá pra fora e que as incubadoras funcionem. Aliás, quando há esse risco das incubadoras, ali tinham dois, três, como na Alfama e Costa.

Eles são especialistas nisso, sim. O Garcia de Orta também é bom nisso, o Amadora-Sintra também é bom.

Havia esse risco, no nosso caso, se fosse preciso, iriam. Os médicos também pediram uns exames, é a melhor síntese, não quisemos.

Também não fiz.

Isso é um risco enorme, e isso é que: "Ah, mas eu tenho que avisar que há X% de que a criança morra", nem pensar.

Pois, eu também não fiz por causa disso, precisamente.

E, portanto, muito bem, tiveste uma gravidez santa, completamente.

Sim, até às 25 semanas, impecável, nem um enjoo. Nada. Andava superfeliz.

Mas depois, aí é que foi o peso, é que é a maior confusão.

Foi o peso. Pronto, aquelas dores pélvicas e o colo do útero fino.

E os sapatos rasos.

Isso ando sempre, quase sempre. E pronto, tive que ir pra casa. E depois, às 34 semanas...

Então aí foi a cesariana.

Foi, fui fazer os primeiros CTGs, que não eram tranquilizadores.

Isso são exames que aferem...

Como é que está o coração, como é que está o bebê. Pronto. E não eram tranquilizadores.

Portanto, sabem se o bebê está em sofrimento ou não.

Exatamente. E percebeu-se que uma delas, a Maria, não estava bem.

Como é que sabes que era a Maria?

Porque elas estavam uma de cada lado, já. E eu defini logo que uma que estava do lado esquerdo era a Maria e do lado direito era a Luísa.

Está bem.

E elas não trocaram. Pronto. Foi assim.

Isso nunca tinha ouvido.

Foi assim.

Sim, senhora. A tua Maria estava em sofrimento?

Estava. E internaram-me nesse mesmo dia, já nem fui a casa.

Estavas a 34 semanas, estavas portanto a um mês, digamos, do caso dos gêmeos.

Estava a um mês e meio delas, se fosse um parto só de um bebê. Porque gêmeos geralmente é sempre mais cedo.

A mim disseram que era 38 e eles não nasceram com 38, nem foram incubador nenhum.

Considerado prematuro é abaixo dos 37.

Ok.

As minhas são prematuras, mas muito pouco prematuras, porque já vinham com dois quilos cada uma.

Estiveram as duas um bocadinho.

Estiveram na incubadora as duas, estiveram. Mais tempo a Maria um bocadinho, e ficaram na neonatologia 21 dias uma e 23 dias a outra.

Entretanto, foste pra casa, imagino eu.

Eu fui pra casa.

E então ias visitá-las...

Não ia todos os dias porque eu não podia.

Vamos saber isso tudo. Sim. A tua mãe ia todos os dias, a tua mãe não perdeu.

A minha mãe foi sempre, a minha mãe foi tudo.

Exatamente, no local. Muito bem. Tu tens as crianças, portanto, estamos a falar da meia-noite do dia 3 de junho, já foi 3 de junho que elas nasceram?

2 pra 3.

2 pra 3.

Portanto, nasceram dia 3, uma à 00:01 e outra à 00:02.

Pronto. E eu acho que elas nasceram em dias diferentes. Se fosse 11h59, seria dois.

Porque eu acho que os médicos devem ter pensado assim: "Não, vamos facilitar aqui as coisas, porque eu acho aquela coisa da 00:01, 00:02."

Mas existe, eu criassemos assim.

Eu sei que há. Mas não sei.

Se calhar está nas tuas bicas.

É daquelas desconfianças que eu tenho, mas nunca vou ter a certeza absoluta.

Que os próprios médicos quiseram, mesmo que foi um minuto de diferença, eram 03h01 e 03h02. Pronto, teve que ser, porque a cesariana era assim.

Quando é cesariana é assim, e quando foi uma cesariana de urgência, essa parte já não assisti, porque já estava com anestesia Nessa altura. Portanto, já não assistia nada.

E o mais incrível é que de repente tudo se complicou.

Sim, foi uma montanha-russa.

Montanha-russa. Fizeste o parto, foi cesariana, essa parte correu bem.

Não, a Maria nasceu com o índice de Apgar um.

Que é muito baixo.

Que é muito baixo.

Codenome de um a 10.

De um a 10. Geralmente os miúdos já nascem com sete, oito. E ela tinha um.

Era tal o estado de sofrimento.

Era. Passou para três e acabou com quatro. Ela teve duas horas ali entre a vida e a morte, a Maria.

Mas que a reanimaram? Tiveram que a reanimar?

As duas. Foram as duas reanimadas, porque uma tinha um e a outra tinha três. Portanto, nenhuma delas estava bem.

Isso já não soubeste nada?

Nada.

Contaram-te só. Souberam-te depois.

Contaram-me, só que eu já não tenho memória disso.

Ok.

Eu valia um dia. O primeiro dia de vida delas, eu não tenho memória nenhuma. Apesar de as ter visto, dizem que eu as vi, fui lá vê-las, eu não tenho memória nenhuma, zero. Esse dia apagou-se.

Porque nessa noite, 39 horas depois do dia de parto.

Sim, foi.

Aconteceu uma coisa grave.

Senti-me mal, acho que pelo que me dizem, tive falta de ar. Pensaram que seria uma embolia pulmonar, que é uma coisa que às vezes acontece na gravidez.

O corpo todo mexe, aquilo tudo, o sangue.

A gravidez para a mulher é muito violento, então com gêmeos.

Tem coisas boas, a nível, por exemplo, estou a dizer as hormonas, as mulheres grávidas raramente estão doentes.

Sim, eu estive sempre bem.

Têm um influxo de comidas e comem bem.

Mas depois, por exemplo, o fluxo de sangue aumenta 50%.

Sim, é brutal.

50. As nossas artérias ficam muito mais frágeis.

Então, pronto, essa noite?

Essa noite. Eu estava com os níveis de oxigénio muito baixos, por isso é que pensavam que era uma embolia pulmonar. Muitos exames, muitos testes. Quando foram fazer a TAC, descobriram que eu estava com uma disseção da aorta.

Portanto, e é uma das artérias?

A aorta é a principal artéria do corpo humano, é aquela que leva o sangue para todo lado. Tem três camadas. E a camada mais interior, felizmente, só essa, rompeu.

Rompeu.

Não sabemos se foi por um aneurisma que eu tivesse congénito, se foi pela quantidade de sangue que tinha que circular no corpo e a fragilidade das artérias. Não se sabe, ninguém sabe.

Pronto. Não sabem a causa.

Não é uma coisa genética. Isso porque fizemos vários exames que eu fiz no Hospital Santa Maria também, já depois, para saber se as miúdas podiam ter alguma coisa mais tarde. Isso não foi. Portanto, ninguém sabe porque que aconteceu. A verdade é que tive que ser operada durante essa madrugada.

De emergência, aliás.

De emergência. Nessa madrugada fui operada.

Isto era fim de semana, ou não era?

Era, de sexta passava.

Tiveste a sorte de ter lá as equipas fantásticas.

E tinha um dos maiores especialistas em disseção da aorta.

Cardiovascular.

Sim.

Incrível.

Que só tinha tido um caso destes na vida dele, porque isto é uma coisa que pode acontecer na gravidez, mas é raríssimo.

Tens tanta coisa para agradecer.

Ninguém tinha tido. Sei.

Tens noção disso?

Eu devo ter algo que me protege, que eu não sei o quê.

Há quem acredite, há quem tenha fé.

Sim.

10% de hipótese de sobrevivência. Tu tinhas 90% de hipótese de nunca mais brincar com as tuas filhas e vê-las e dizer: "Mãe, como é que..." Tinhas dado à luz unos órfãs.

Era.

Isso é horrível.

É. A angústia que isso me causou foi posterior, porque eu, como fui operada, estive em coma induzido uma série de dias.

Pronto, claro.

Mas depois recuperei muito depressa lá no hospital. Eu na quinta-feira seguinte estava a ter alta.

Ah, pronto. Foste para casa.

Fui para casa.

E foste para a net.

E fui para a internet. E fui já pesquisar.

O que é que eu tinha tido e não sei o quê.

O que eu tinha tido, perspectivas de vida, quantos anos, etc. E estive ali uns meses.

Isso é que te fez mal aí nessa altura, não foi?

Fez-me mal isso e fez-me mal saber o que a minha família e amigos tinham passado durante todo aquele tempo, porque eu acho que deve ter sido uma angústia tão grande.

Chegaste a ter ajuda mesmo psiquiátrica ou psicológica?

Tive as duas. Psicológica eu já tinha antes, por causa de todo este processo, já tinha antes ajuda. E tive ajuda psiquiátrica também, não durante muito tempo, mas que de facto foi a alavanca para eu deixar de ter aquele pensamento repetitivo de que eu não vou sobreviver, elas não se vão lembrar de mim. E de um momento para o outro pode me acontecer qualquer coisa aqui em casa e eu estou sozinha com elas.

Rita, eu acho que cada vez mais são as pessoas que se estudam para ter as ferramentas para nos ajudarem nessas coisas.

Claro, não tenho vergonha nenhuma de dizer isso.

Claro, sim.

E de facto foi uma grande ajuda, porque eu penso neste assunto. Todos os anos tenho que fazer exames, ressonâncias magnéticas, tenho que fazer. Nessa altura, fico sempre um bocado em estresse, meio óbvio.

Aquele mês é ali, começa a sofrer, o que é que se vai dar.

Mas no resto do ano raramente penso no assunto. Só mesmo nestas ocasiões em que tenho que conversar.

Os teus filhos também te ajudam a distrair e a pensar noutras coisas na vida.

Ajudam muito.

Caramba. Agora eu acho que depois disto tudo, depois do que tu passaste e depois realmente aquele hospital Santa Maria ali foi extraordinário, as equipas extraordinárias.

Incrível.

E acho graça que o teu pai diz que agora não se importa de pagar impostos.

É verdade, ele diz: "A partir de agora nunca mais me queixo", ele também é médico, "nunca mais me queixo dos impostos que pago depois disto, porque tudo vale a pena".

Não pouparam esforços para teres as máquinas e as coisas.

Todos os anos eu faço os exames lá, e são exames que eu sei que são muito caros, uma ressonância magnética é uma coisa muito cara. Faço todos os anos exames lá, sou seguida lá por uma especialista em cardiologia. E pago tipo €20.

Sim, uma coisa simbólica.

Não é nada, não é?

Funciona, claro.

Funciona muito bem.

E são bons técnicos, o que é importante também.

São.

De eles terem as grandes máquinas e eles serem uns grandes manos.

Eu tive muita sorte. As coisas aconteceram todas muito más, mas foi tudo no momento certo e no sítio certo.

Como tu costumas dizer, no teu coração batem três.

Batem três. É verdade.

O teu.

E o delas as duas. Se não fossem os sinais que a Maria deu nos CTGs, eu não tinha ficado internada naquela noite.

Onde tudo aconteceu.

Se eu não tivesse ficado internada

Não tinha médico de equipas à mão.

Aquilo tinha acontecido na mesma. E pronto, não sei.

Sabe Deus como é que aconteceu. Nenhuma ambulância tem aquelas máquinas, nem aquelas hipóteses.

Não, e como é que eu chamava se eu fiquei inconsciente? Como é que eu chamava? Não havia hipótese.

Exato.

Estava sozinha em casa, grávida delas. Portanto, por isso é que eu digo que elas me salvaram a vida.

Exatamente.

E vão saber isso.

O que é uma coisa incrível, claro que sim.

E vão saber isso, quando perceberem.

Houve uma altura, depois, a questão de ter gémeos, porque foste mãe sozinha. Sozinha, maneira de dizer, mãe sem o pai, digamos. Chegaste a contratar uma empresa para estar em tua casa durante alguns meses.

Os primeiros três meses.

Para estar na tua casa, ajudar-te no dia a dia.

Porque eu não tinha força, porque com uma operação de peito aberto, nós não podemos pegar em pesos nenhuns. Elas é que punham os bebé ao colo, depois lhes dava o biberom. Portanto, eu não podia fazer nada.

Nem toalhas.

Pegar numa toalha de banho, para mim, era um esforço brutal. Era um peso.

Isto se calhar é perigoso.

Não podia fazer nada.

Exatamente.

Portanto, e a empresa esteve lá 24 horas, três pessoas que se iam revezando. Depois, com o tempo, passou a ser só durante a noite e no mês de agosto, a meio de agosto, parou e fiquei sozinha com elas. Minha mãe ainda quis ficar lá em casa alguns dias, ficou alguns dias só para ver se eu me aguentava e depois fui ganhando forças. Mas é engraçado, uma pessoa na altura, quando está esta coisa de pegar na toalha de banho e não conseguir pegar nela, pensamos: "Mas eu nunca vou conseguir." E hoje eu pego nelas, as duas, que uma pesa 15 quilos, a outra 14, e eu pego nelas ao colo ao mesmo tempo, se for preciso.

Usas os cangurus, aquelas coisas.

Usei, usei um canguru à frente e outro atrás.

É ótimo.

Usei isso tudo.

Isso também é muito engraçado, porque estamos a falar deste livro editado pela Book Smile, do grupo 20/20. São gémeos, quando os bebés vêm duplicado ou triplicado. Aqui tem as caras das duas miúdas. Uma delas não tem um dente, mas isso é copiado das tuas filhas.

São elas, essas miúdas são elas.

São elas ou não são?

São. Porque a Luísa quando começou a andar, aos 18 meses, andava a trotar e um dia caiu, até foi lá em casa, uma coisa inofensiva, e o dente saiu.

Agora com o Photoshop resolve-se.

Foi a forma de as distinguir.

Exato, não ter que fazer sinaizinhos. Além das pulseiras, tu pões sempre pulseiras, uma cada uma da sua.

Continuam a ter as pulseirinhas desde que nasceram.

Ficou uma imagem de marca.

Uma laranja e uma verde. E elas próprias já associam-se às cores. Quando veem uma coisa laranja, dizem: "Mamã, laranja, o meu é da Luísa." Em geral, associam-se às cores.

As ilustrações também são muito engraçadas. Esta Carolina Antunes da Silva, esta ilustradora brasileira, paulista.

É.

E este livro que tem esta história, que tu depois foste buscar a história o papá, não sei o quê.

Sim, claro.

São duas meninas, portanto ainda bem que-

Elas têm outro nome na história.

Pois é, mudaste os nomes, por quê?

Mudei os nomes. Porque aí há um pai. No caso delas, não há. Mas as aventuras que estão aí e as histórias estão aí, são todas delas, é tudo verdade.

Sim, e dá para ver.

E as imagens são muito parecidas com elas, para quem as conheça. São mesmo a Maria e a Luísa.

Destas imensas informações que eu não sabia, aqui dás uma série de dicas, como diz o teu marketing, tem aqui respostas a todas as perguntas sobre gémeos e muitas curiosidades divertidas.

Sim, algumas.

É um facto, tem algumas curiosidades divertidas. Adorei esta parte, não sei se vem aqui, acho que não. A questão dos insultos delas fazendo eco.

Isso foi no blog.

Que eu adorei.

"Não vais à minha festa de anos."

Exato.

Esta é das últimas.

Quando se zangam uma com a outra.

"Tu não vais à minha festa de anos. Eu vou contar à minha mãe. Vou deitar-te no lixo."

"A mamã é minha, só."

É.

Além do "és cocó", isso é tipo de todas as crianças, não precisa ser gémeos.

Isso fazem.

"Tu comes com a boca aberta", também adorei.

Sim. E há outros que eu não me lembrei.

Mas é melhor do que "tu não vais à minha festa", adoro. A mesma festa, a mesma dia, a mesma coisa. É extraordinário. Aprendi estas coisas, curiosidades que não sabia, imensas delas, por exemplo, que entre os gémeos múltiplos, oito é o máximo que está registado.

Vivos. É, vivos, que tenham sobrevivido, são oito.

Oito, é incrível. Que na questão das estatísticas das gravidezes, há oito hipóteses das mulheres brancas, em cada mil gravidezes, oito.

É. As mulheres de etnia negra têm mais hipóteses.

16 em cada mil?

É.

E as asiáticas a menos, metade das nossas, brancas.

É.

Incrível.

Depois há outras coisas, o fator idade também contribui para poder haver gémeos.

Idade, altura. O peso.

Quando não é feito por fertilização in vitro, nada, nesses casos é natural. A altura também. Quanto mais alta é, mais hipóteses tem. São coisas que são estatísticas.

São estatísticas, exatamente. Vale o que vale. Pronto, exatamente. E coisas curiosas, tu explicas umas coisas que eu não sabia, as impressões digitais.

Sim.

Por que é que são diferentes.

Só isso, porque o ADN é o mesmo.

Pois é. Mesmo o ADN.

Elas se um dia cometerem um crime-

O meu grupo sanguíneo dos meus não é por acaso. Cada um tem o seu grupo sanguíneo diferente.

Pois, mas as minhas têm o mesmo. Se um dia elas cometerem um crime, e se a prova for através do ADN, elas são inimputáveis. São inimputáveis, porque não se sabe quem foi.

Pois, pode ser uma ou outra.

Pois, mas não podem culpar as duas.

Pelos impressões digitais.

Sim, mas se for só o ADN, a prova, não há hipótese.

É verdade.

É um caminho que elas puderam não É um caminho que eu não quero que elas sigam.

A parte dos canhotos também é possível. Os meus gémeos, um é canhoto, outro não.

As minhas também. A Luísa é canhota, é muito frequente.

Imensas dicas que te ensinaram a vestir diferente ou não.

Eu nunca as vesti igual. Agora vestem-se igual porque na escola têm farda e têm de ir igual. Mas ao fim de semana não. Andam, às vezes, parecidas, mas não iguais.

Sim, claro. E camisolas do mesmo tipo, que às vezes eu escolhia uma verde e uma azul.

Com cores diferentes.

Exatamente.

Faço isso.

E o livro também fala disso, quando é triplicado ou quando é mais filhos, isso acontece. Uma amiga minha que teve trigémeos, aí teve que ser tabela na sala ou no quarto delas, tabela a sério. Cá às tantas estava a dar biberom duas vezes à mesma e a outra cheia de febre, e dar banhos duas vezes à mesma e a outra não, e outra comeu duas sopas e a outra nenhuma.

Eu só troquei uma vez.

Com trigémeos, meu Deus.

Eu só troquei uma vez. Dei de biberom a uma, e depois fui à cozinha buscar o outro biberom e fui pegar nela para lhe dar o biberom. E ela não queria, e a outra chorava. Estava a dar à mesma.

Incrível. Aquela coisa dos cães, também não sabia, os cães nunca se enganam.

Não, o pastor alemão é a raça que melhor identifica.

Mais do que os pais, até. Os pais podem trocar às vezes os filhos, pode acontecer.

Pode.

Mas as tuas não são completamente iguais, são gémeas verdadeiras.

São parecidas. Agora, quanto mais crescem, mais se nota a diferença entre elas. E os feitios, então, não se fala.

De qualquer modo, é uma grande. E trocam também, os meus também trocavam, de feitios.

Trocam.

É uma grande experiência de vida completa, Rita. Quero que tu escrevas um livro, nós temos de acabar agora, quero que escrevas um livro depois com elas como adolescentes.

Vamos tentar.

Para depois vires cá contar tudo. A evolução, ficamos à espera.

Sim, vamos tentar.

E queria agradecer-te de modo especial todo o tempo que dedicaste, a tua disponibilidade. Foi uma conversa muito interessante. Obrigado por teres partilhado connosco não só a tua experiência como mãe de gémeos, mas também a tua experiência de vida. Tu no fundo o dia em que geraste a vida, foste confrontada com a morte.

Já passou.

Não é pão doce. Mas estás a fazer um bom trabalho e isso é muito bom, e obrigado pela tua experiência e pelo carinho com que vieste cá contar essas coisas.