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Tiago Dores, uma vez mais, boa tarde. Olá, Tiago.

Boa tarde, João.

Do que nos vais falar hoje?

João, calha bem estares cá hoje.

Então.

Para me dares uma opinião de alguém que não tem estado envolvido diariamente nesta rubrica.

É verdade. Tenho mantido um certo distanciamento deste espaço radiofónico.

E bem, é essa a recomendação da Direção-Geral da Saúde: manter uma distância higiênica de segurança deste momento humorístico.

Mas afinal precisas da minha opinião para quê?

Exato. João, gostava de perceber se me acompanhas no seguinte.

Vamos lá.

Sabes o que eu acho que tem faltado nestas crónicas?

O mínimo de lógica?

Não. Negativo, João. Têm tido o mínimo de lógica estas crónicas, tem paciência. Não é uma lógica assim espetacular, concedo. Mas é uma lógica já suficiente para se poder dizer: "Estas crónicas não têm uma lógica assim espetacular, mas têm o mínimo de lógica".

Como aliás acabaste de demonstrar. Peço desculpa, Tiago. Erro meu.

Pois é, não tens andado assim tão atento ao trabalho que se tem produzido por aqui. Não, aquilo de que tenho sentido falta nesta crónica é outra coisa.

É outra coisa? Deixa lá ver. A cutilância?

A cutilância? Alguma vez. Se há coisa que não tem faltado por aqui é cutilância.

Não?

Aliás, não sou eu quem o diz, são os ouvintes. Ora escuta esta missiva que recebi ainda ontem de um ouvinte.

Vamos lá.

Passo a citar: "Apre, ouvi agora mesmo a sua rubrica versando a temática da proibição de certos e determinados víveres nos bares da escola e posso dizer com propriedade: mas que grande cutile! Parabéns, continua a cutilar assim." Fim de citação. Queres mais acutilância que isto, João?

Não.

Isto é cutilância.

Não quero, obrigado. Acabei de atingir a chamada DDR: dose diária recomendada da cutilância.

Pois é. João, está alguém contigo no estúdio que te possa substituir caso falhes a terceira e derradeira tentativa de acertar no que tem faltado a esta rubrica?

Não. De momento não está aqui ninguém que me possa substituir.

Então não vamos arriscar. O que tem faltado a esta rubrica é bizarria.

Oi?

Bizarria. Mais atenção da próxima vez. João, a resposta certa era bizarria.

OK, mas pronto.

Bizarria.

Mas estou certo que hoje vais compensar essa míngua de bizarria. E de que forma tencionas fazê-lo, Tiago?

João, falo-te trazendo a notícia de uma senhora de seu nome Kathleen Roberts, que afirma estar casada com o fantasma do Michael Jackson.

O fantasma do Michael Jackson.

Também viste esta notícia. Viste bem em órgãos de comunicação social.

Tiago, mas como é que a senhora sabe que é o fantasma do Michael Jackson?

Porque é ainda ligeiramente mais branco do que era o Michael Jackson. Estás a perceber? É igual ao Michael Jackson, mas ainda mais branco. O Michael Jackson era um branco creme e o fantasma do Michael Jackson parece que é branco gelo.

Mas também diz isso lá no jornal?

Não, diz no catálogo das tintas Barbot. Isto já é no catálogo das tintas.

Certo. Vamos lá, então estou curioso.

Sim.

Que credibilidade atribuís a essa história? Achas mesmo, Tiago, que é possível essa senhora estar casada com o fantasma do Michael Jackson?

Quanto à legalidade do matrimônio, não vou arriscar um palpite, até porque não sou jurista.

Não vais, pois não.

Caso ainda não tivesses percebido. Mas, e também não quero ser desagradável para com a senhora Kathleen Roberts, atenção, mas deteto uma outra incoerência nesta história.

A sério?

Sim. Eu sei que é surpreendente, mas sim. Por exemplo, repara nisto. Diz a notícia, e passo a citar: "Kathleen Roberts acredita que Michael utiliza o seu corpo para cantar, dançar e comer bolachas, alimento em que é viciado". Portanto, por um lado, ótimas notícias. De entre as coisas em que o Michael Jackson era viciado, escolher o corpo da senhora para comer bolachas, são soberbas notícias. Podia ser bem pior. Por outro lado, nada disto faz qualquer espécie de sentido.

Pois não.

Repara, João. Porque repara nisto: eu, se calhar um fantasma querer usar o meu corpo, e já agora fica a dica, fica o repto para qualquer fantasma, para que nos esteja a escutar e pretenda usar o meu corpo. Eu, se calhar um fantasma querer usar o meu corpo, solicito desde já que nas horas em que o fantasma vai usar o meu corpo, o use para o levar ao ginásio.

Olha, boa.

Está bem? Fica já combinado. Que as bolachas como-as eu, obrigado, que eu também aprecio. Eu como as bolachas e depois o fantasma leva o meu corpo para levantar ferro e fazer cardio. Combinados? Agora é que eu fico com um grande caparro. Agora é que vai ser.

Bom, e com isto acho que o nosso estoque de bizarria fica então repleto.

Concordo. Temos o tanque cheio de bizarria. Aproveitámos que o Costa ainda não se lembrou de taxar a bizarria e enchemos o depósito. Porque mais dia, menos dia, não tenhas dúvida, João, tens de ir a Espanha atestar não apenas de gasóleo, mas até de bizarria.

Quem sabe?

Deixa só o Costa topar como é que isto se taxa.

E vamos ver o que é bom.

E vais ver.

O que é bom. Foi o de maneira que no fundo é muito isto com o Tiago Dores.