Um tribunal de Moscovo condenou esta quinta-feira à revelia Zhanna Nemtsova, filha do opositor e antigo vice-primeiro-ministro russo Boris Nemtsov, a quatro anos de prisão, por entender tratar-se de uma “agente estrangeira”, informou a imprensa russa.

Boris Nemtsov foi assassinado em 2015 depois de ter sido atingido por vários disparos na Praça Vermelha, em Moscovo, um crime que ocorreu depois de se ter manifestado duramente contra a corrupção na Chechénia e o envio de tropas para a Ucrânia.

Agora, um tribunal de Moscovo decidiu condenar a filha de Nemtsov à revelia, já que esta não se encontra na Rússia.

Zhanna Nemtsova foi considerada uma “agente estrangeira” pela legislação russa e condenada por “organizar atividades para um país terceiro considerado indesejável”, segundo a agência de notícias Interfax.

A medida coloca-a na lista de procurados pelas autoridades russas, que também a proibiram de participar em atividades relacionadas com a administração de portais por um período de, pelo menos, oito anos.

O Ministério Público russo explicou que Nemtsova, na qualidade de fundadora da organização criada em memória do seu pai — e “plenamente consciente de que a referida organização foi declarada indesejável em território russo” —, “realiza sistematicamente ações destinadas a dirigir as atividades da entidade”.

“Por exemplo, ela divulga gravações nas quais sublinha abertamente a sua liderança na organização, organiza o seu financiamento e funcionamento e, além disso, faz avaliações negativas sobre vários acontecimentos na Federação Russa”, afirmou o Comité de Investigação.

Em abril de 2024, o Ministério da Justiça incluiu a Fundação Boris Nemtsov para a Liberdade – que tem sede na Alemanha e mantém atividades académicas na Universidade Charles, em Praga – na lista de organizações não governamentais (ONG) estrangeiras e internacionais cujas atividades são consideradas “indesejáveis” em solo russo.

No início de outubro de 2026, o Ministério da Justiça incluiu Zhanna Nemtsova na lista de “agentes estrangeiros”.