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Começa agora um novo podcast, um novo programa aqui na Rádio Observador. Chama-se "Diagnósticos Improváveis: o caminho das doenças raras". Tem o apoio da Takeda Portugal e neste primeiro episódio contamos com a doutora Carla Benedito, a diretora-geral da Takeda Portugal. Vamos falar acerca do compromisso da Takeda nas doenças raras. Doutora Carla, bem-vinda aqui a este espaço. Vamos então falar de doenças raras. Pela sua natureza, as doenças raras podem ser consideradas doenças onde o acesso à inovação está de alguma forma comprometido? Por quê?
Olá, boa tarde. A questão do acesso à inovação nesta área das doenças raras começa pelo fato de precisamente estarmos a falar em doenças raras. E não estamos a falar de uma doença, nem de duas, nem de três, estamos a falar de cerca de 7 mil doenças. Quando nós falamos em doenças raras, pensamos que estamos a falar de um ou dois doentes, mas de fato, no conjunto, só em Portugal, por exemplo, nós temos mais de meio milhão de doentes que classificam como doenças raras. Estimamos que são cerca de 600 mil. Estimamos cerca de 7 mil doenças. Portanto, são muitas doenças, muito fragmentadas, com patologias e com dinâmicas muito distintas entre elas. Tudo isto começa na questão do acesso à inovação, com a dificuldade de caracterizar cada uma destas doenças e encontrar terapia, encontrar inovação, encontrar soluções para cada uma destas 7 mil doenças.
Até porque não haverá soluções que possam ser facilmente aplicáveis a todas.
Claro que não, porque estas doenças raras são muito variadas. Vão desde a área de gastro, à área da neurociências, à área de doenças de sangue. Estamos a falar em doenças raras que afetam todos os órgãos, todos os componentes do ser humano, não só determinado tipo de patologia.
E a prevalência tem aumentado nos últimos anos?
Nós não vemos a prevalência aumentar. O que possivelmente está a acontecer, que não está ainda caracterizado, é que há mais doenças que nós ainda não conhecemos completamente, ou que são mesmo muito raras, ou as chamadas ultra-raras, que não estão caracterizadas e se calhar ainda não aparecem nestes 7 mil casos, 7 mil doenças que falava inicialmente. E como elas são tantas e há poucos doentes nestas doenças, nós não conhecemos exatamente como é que a doença evolui ao longo do tempo, qual é o caminho e os biomarcadores destas doenças, quais são os mecanismos fisiológicos que se têm que alterar pra tratar algumas destas doenças.
Ou seja, mesmo ao nível do diagnóstico torna-se complicado.
Exatamente.
Não só ao nível do tratamento.
Exatamente. Se nós não conseguimos diagnosticar, não conseguimos identificar, depois encontrar um tratamento vai ser muito complexo. Mas também não quero deixar aqui a informação de que nós não conhecemos nada. Destas 7 mil doenças, há muitas que nós já temos caracterizado e temos tratamento.
E não há porque deitar a toalha ao chão.
Exatamente. E muitos doentes com doenças raras estão em tratamento, o que é muito boa notícia. E a questão depois tem a ver também que quando encontramos uma solução terapêutica, uma molécula que faça sentido, depois é difícil também o ensaio clínico, porque nós estamos a falar em poucos doentes, doentes que estão em várias partes do mundo, ensaios clínicos que muitas vezes são com crianças, porque muitas dessas doenças raras iniciam-se na infância, são doenças que na maior parte delas são de origem genética.
E ainda assim estão dispersos um pouco por todo o mundo.
Estão dispersas em todo o mundo. E depois não há massa crítica nos países pra fazer ensaios clínicos. Nós em Portugal, por exemplo, há uma doença rara que nós em Portugal temos um total de oito doentes. A Alemanha, por exemplo, nesta doença, que estamos a falar da doença de Hunter, tem cerca de 150 doentes. Este número de doentes não é suficiente para fazer um ensaio clínico. Para fazer estes ensaios, requer o envolvimento de muitos países, requer gastos muito alargados por parte da indústria, que normalmente faz o sponsoring destes ensaios, e faz com que os ensaios sejam complexos, longos e caros, porque de fato estão muito geograficamente dispersos e envolvem doentes em diferentes países, e depois levam mais tempo. Isto também leva ao fato da inovação levar mais tempo a acontecer.
Isso implica também esforços adicionais e adaptados aos mecanismos de investigação e desenvolvimento. Tem havido avanços nestas áreas de investigação e desenvolvimento também e que possam ajudar na investigação e no desenvolvimento de processos nas doenças raras?
Sim, tem havido muitos avanços e a Takeda, em particular, tem investido muito na área das doenças raras. Eu não posso falar no breakdown por doença rara versus outras, mas nós na Takeda investimos mais de 5 mil milhões de dólares em investigação todos os anos.
Isto a nível mundial.
A nível mundial. Mas pronto, isto pra pôr em contexto nacional, isto é cerca de um terço do investimento total de Portugal no Sistema Nacional de Saúde. É um valor muito grande.
E falando nesse Sistema Nacional de Saúde e no Estado, existem apoios estatais ou apoios de entidades governamentais ou não governamentais, mecenas?
Sim. Em Portugal, esta área das doenças raras e das terapias, que são os medicamentos órfãos, são regulados por uma legislação europeia, que nesta altura até está a ser revista e há um debate europeu a acontecer em todos os países, de forma a evoluir esta legislação. E o que acontece é que esta regulação dos medicamentos órfãos é desenvolvida para criar algumas proteções e alguns estímulos para que as empresas possam ter alguma segurança e algum retorno no desenvolvimento destes medicamentos. Por exemplo, até agora, e isto está em discussão Nesta fase, até agora, estes medicamentos têm estado protegidos de uma forma não limitada no tempo. Ou seja, não limitado no tempo, temos definido que os medicamentos mantêm a sua designação de orphan drug, de medicamento raro. A legislação que está a ser discutida agora na Europa é para eventualmente limitar esta designação para sete anos, que pode ser ou não ser alargada, dependendo de certos compromissos que a indústria faça com a Agência Europeia de Medicamentos, mas não está clarificado exatamente que tipo de compromissos. Ora, esta designação e esta manutenção da designação de medicamento órfão tem implicações depois nos incentivos, que eu estava a falar. Em Portugal, por exemplo, há algumas taxas que são diferentes, taxas que a indústria farmacêutica tem que pagar, portanto, se tivermos esta designação, essas taxas são taxas diferentes. Noutros países, por exemplo, na Alemanha, a aprovação do medicamento segue um caminho acelerado, em que o burden, a carga de demonstração da eficácia do medicamento órfão é menor do que pra um medicamento não órfão. Portanto, há uma série de incentivos associados a esta legislação que fazem com que as empresas tenham um estímulo de desenvolver. Estamos um pouquinho preocupados, como dizia, porque de facto há neste momento esta revisão da legislação europeia do medicamento, na qual os medicamentos órfãos estão incluídos, e vamos ver onde é que de facto aterramos naquilo que são os incentivos ao desenvolvimento destes medicamentos.
Ainda não é um tema totalmente confortável para a indústria, se bem percebo. Falámos há instantes acerca do investimento que a Takeda faz hoje em dia, um pouco por todo o mundo, na investigação, no âmbito das doenças raras. Qual é o historial da Takeda relativamente às doenças raras, a ligação histórica que existe com este tipo de doenças?
A Takeda tem um historial muito alargado, que vem de um passado com aquisições e a própria Takeda no seu R&D, ter um portfólio muito alargado de moléculas que são para tratar doenças raras. Mas de facto poderíamos passar aqui várias horas a falar sobre aquilo que é o nosso compromisso. Mas eu só queria aqui fazer um highlight de algumas áreas. Por exemplo, agora estamos a trabalhar muito na área de transplante. O transplante é, como deve imaginar, um investimento importantíssimo que o Sistema Nacional de Saúde faz no doente, que ou por uma falha renal, ou por uma falha de fígado, ou por uma questão hematopoiética, requer um transplante que é salvador de vidas, salva a vida da pessoa. E esta pessoa que é transplantada pode vir a sofrer de várias consequências da transplantação, nomeadamente uma infeção por um vírus que se chama citomegalovírus, que pode ser fatal, inclusive pode ser fatal para o doente e pode levar à rejeição do órgão. Esta é uma área que a Takeda tem vindo a trabalhar há muitos anos, de criar um antiviral, digamos assim, que possa controlar este CMV, este citomegalovírus, nos doentes com transplante. Portanto, é uma das áreas de foco que a Takeda tem tido. Mas também temos muito foco nas áreas de doenças raras metabólicas. Eu há bocadinho falava de uma doença, que é a doença de Hunter, que existem oito doentes em Portugal, em que é uma doença rara metabólica que nós temos. Temos doenças raras do foro da imunologia. Por exemplo, uma que também nos preocupa muito é o angioedema hereditário. O angioedema hereditário é uma doença em que as pessoas têm inchaços, para pôr de uma forma mais simplificada, inchaços repentinos de partes críticas do seu corpo, nomeadamente a glote. Uma pessoa que sofra de angioedema hereditário pode inchar a glote e em caso extremo poderá ter uma asfixia. E a Takeda tem vindo a desenvolver medicamentos que solucionam esta situação, levando àquilo que nós chamamos ataques zero. As pessoas deixam de ter ataques nesta área.
Portanto, a investigação e o desenvolvimento, se bem percebo, não apostam apenas no tratamento completo, mas também na mitigação e controlo de sintomas.
Exato. Estas doenças que eu estava a falar, tanto a doença de Hunter, que eu falei, o tratamento é uma enzima que controla a doença. O angioedema hereditário é também um mecanismo de controlar a doença. Muitas destas doenças são doenças genéticas. Portanto, a não ser que seja uma terapia genética, e já começa a haver alguma terapia genética, nós na Takeda ainda não temos, a não ser que seja uma terapia genética que entre no gene e faça a alteração do próprio DNA ou do RNA, estas terapias acabam por ser mitigadoras daquilo que é o síndrome que a pessoa sofre. Nós não temos, mas já existe na área da hemofilia, terapia genética, em que de facto estamos a falar aqui em cura, praticamente, em que há uma alteração do genoma e a pessoa passa a codificar as proteínas para a coagulação do sangue que o hemofílico não consegue fazer. A Takeda também teve um programa nesta área, mas só aí é que se realmente cura a doença, o resto são mitigações. Mas voltando à sua pergunta, depois há áreas, por exemplo, uma área que também é muito apaixonante para nós é a área do síndrome do intestino curto, em que, por exemplo, pessoas que têm fibrose cística ou têm algumas situações oncológicas em que perdem parte do intestino e depois não conseguem absorver os nutrientes. E essas pessoas ficam debilitadas, dependentes da nutrição parental. E nós temos uma área terapêutica que pode ajudar o intestino a reganhar a capacidade de absorção dos nutrientes, e isso muda completamente a vida das pessoas.
Em Portugal, em específico, está neste momento a acontecer ou estão a acontecer projetos de investigação e desenvolvimento apoiados pela Takeda?
Poucos. Nós, em Portugal, temos um desafio muito grande que é alguma burocracia associada aos ensaios clínicos. Nós tentamos, nós temos uma equipa muito apaixonada, mais uma vez, na Takeda, que trabalha com as equipes internacionais para trazer ensaios clínicos pra Portugal. De fato, temos algum sucesso, pouco, porque os tempos que nos exigem são muito rápidos. Temos concorrência muito forte dentro da Europa, nomeadamente os nossos vizinhos aqui a Espanha, que são muito bons a recrutar nas comissões.
E possivelmente com menos burocracia?
Possivelmente com menos burocracia. É uma área que nós estamos a trabalhar intensamente dentro da Associação da Indústria Farmacêutica, na Apifarma. É um tópico que toca toda a indústria, não só a Takeda, e há grupos de trabalho, há tentativas de melhoramento, mas é uma área a melhorar. Nós gostávamos de ter mais ensaios, de ter mais investimento, mas muitos destes ensaios têm que ter uma certa rapidez e muitas vezes nós não conseguimos responder a esta rapidez e à burocracia, como falava.
E de que forma a Takeda vê o caminho neste desenvolvimento de tratamento para estas doenças raras? Continuar a apostar nos ensaios tal como têm feito? Como é que veem o caminho pra o futuro? Que novas apostas é que podem surgir?
Pronto, a Takeda tem, não sei se se refia um bocadinho, cerca de 40 moléculas em investigação. Não são todas as doenças raras, mas muitas delas são em doenças raras. Nós continuamos a fazer aqui um caminho e uma investigação nesta área muito profunda e muito alargado. Pra além deste trabalho que a Takeda faz nos seus laboratórios, temos cerca de 200 parcerias internacionais com a academia, com laboratórios privados, com faculdades. Portanto, são uma forma de investigação que não é só feita in-house, é feita, de facto, fragmentando o nosso esforço. E, por outro lado, a Takeda também está muito ativa naquilo que são aquisições estratégicas. Nós adquirimos uma companhia não há muito tempo chamada Nimbus, com uma molécula que achamos que vai tocar muitas áreas, não necessariamente doenças raras, mas é um imunomodulador, e que vai trazer um novo foco pra Takeda em termos de investigação. Aqui em tempos de curiosidade, também a Takeda adquiriu outra companhia não há muito tempo, a Gamma Delta Therapeutics, que foi uma companhia que se começou em Portugal. Já não se chamava Gamma Delta Therapeutics no IMM, mas foi uma companhia que se gerou em Portugal, no Hospital de Santa Maria, no laboratório lá, e que eventualmente desenvolveu uma plataforma de terapia celular que teve muito interesse e a Takeda há cerca de dois anos acabou por adquirir esta empresa. Portanto, isto é também parte do nosso esforço de inovação.
A investigação e o desenvolvimento em doenças mais prevalentes também pode servir à investigação de doenças raras ou vice-versa?
Sim, muito. Porque uma questão de desenvolvimento de medicamentos que é dos mais críticos é a parte do ensaio clínico, sobretudo o ensaio clínico de fase três, que envolve muitos doentes, muitos países, muita complexidade. Portanto, todas as aprendizagens que nós temos e simplificação que nós temos nos medicamentos não raros, acabamos por transportá-las e aplicá-las nos medicamentos raros.
Mas nem sempre será fácil.
Não, claro que não. Mas esta parte da velocidade, esta parte de remover barreiras, de remover a burocracia, é superimportante e estamos constantemente a aprender. Falava também sobre como é que nós podemos trazer as duas áreas. Um grande foco da Takeda neste momento é toda a área da inteligência artificial, não só da Takeda, mas da sociedade quase toda.
Pode ajudar a acelerar os processos.
Muitíssimo.
E já está?
Sim. Na área do R&D, já estamos a utilizar muito, por exemplo, a plataforma da Google, do Alpha Fold, que é uma plataforma que permite ver as proteínas tridimensionalmente, conseguir identificar novos targets. É uma tecnologia que a Takeda está a usar plenamente e achamos que não só ajuda os medicamentos não raros, mas pode acelerar muito as tais 7 mil doenças, aquelas que nem sequer conhecemos os caminhos fisiológicos, pode acelerar muito a conhecer esses caminhos fisiológicos. E a Takeda está a investir imenso nestas áreas de inteligência artificial pra nos ajudar, de facto, a acelerar a investigação.
Já percebemos aqui que, pelo menos em Portugal, existe alguma dificuldade e alguma burocracia para a implementação de ensaios clínicos, mas por parte das autoridades, não só em Portugal, mas um pouco por todo o mundo. A Takeda sente que existe flexibilização de critérios que promovam e que incentivem a pesquisa nesta área das doenças raras?
Nós temos, lá está.
Ou ainda é uma luta a fazer?
Sim. Portugal tem alguns incentivos às doenças raras. Há muito trabalho a fazer e as plataformas dos doentes está a trabalhar muito nesta área. Há muito a fazer, de facto. Mas aqui há uma parte que eu gostava de referir, que é o papel dos doentes. E é uma área que nós, Takeda, tentamos colaborar da forma apropriada com as associações de doentes, para que eles realmente tenham a força para defenderem os seus direitos, promoverem a investigação, promoverem os ensaios clínicos. Em Portugal, por exemplo, temos esta situação do cartão do doente raro, que é algo importante, que permite também identificar onde é que estão os doentes, permite o acesso mais rápido aos cuidados. Portanto, a parte do doente e aquilo que é o trabalho da associação de doentes, também é muito importante na aceleração Daquilo que é a vida do doente, mas também da investigação. Eu toquei aqui no aspecto da identificação e do registo nacional. Nós não temos um registo nacional conciso ainda de doenças raras. É uma das batalhas da RD, que é a Associação Nacional das Doenças Raras. Esta base de dados, esta rede permitiria talvez ter mais acesso a dados de doentes, a ensaios clínicos, não só naturalmente da Takeda, mas da academia, de investigadores, de médicos, porque os ensaios clínicos e a investigação não se faz só na indústria, faz-se muito também com instituições.
E favorecerá certamente a comunicação de parte a parte e depois também o desenvolvimento dessas ações. Pelo que percebo, a Takeda, para além da investigação do desenvolvimento, também tem alguma ligação próxima com as entidades que representam estes doentes. Queria que nos falasse também um bocadinho acerca disso.
Sim, como eu dizia, os doentes são essenciais, sobretudo nas doenças raras, porque eles vivem na pele, em primeiro lugar, os impactos do que é ter uma doença que muitas vezes leva seis a oito anos a diagnosticar. A aventura de uma doença rara é absolutamente avassaladora, porque as pessoas fazem tudo o possível para encontrar o que se passa com elas.
E não só para os doentes.
E para as famílias. E o impacto. Depois também, como eu dizia, muitas destas doenças afetam crianças e, portanto, isto tem um impacto societal na sociedade muito alargado, porque afeta os cuidadores, afeta as pessoas que trabalham e que não podem trabalhar porque têm que ser cuidadores das suas famílias. Tudo isto tem um impacto muito alargado. Nós continuamos a achar que o nosso trabalho é, não só na parte de investigação, é na parte dos doentes, mas é de toda a sociedade a olhar para esta área e a pensar que é preciso intervenções sistematizadas. Uma das coisas que nós temos muita esperança é agora com as eleições no Parlamento Europeu em junho de 2024, que isto seja um fôlego, porque este trabalho tem que ser feito a nível europeu, não pode ser um trabalho feito em Portugal ou na Espanha ou noutros países.
Tem que ser um trabalho concertado.
Tem que ser um trabalho concertado. E nós temos muita esperança e muita ambição que o novo Parlamento e a Comissão façam um plano, que desenhem um plano que seja sistematizado, em que se falem dos direitos dos doentes, dos incentivos à investigação, daquilo que são os incentivos aos medicamentos órfãos, que não seja só este aspecto da legislação farma, que é o que se está a discutir, mas seja um plano muito mais alargado de parcerias em que a academia vem e colabora, os médicos colaboram, os doentes estão envolvidos. E nós achamos que é uma oportunidade única de que isto possa acontecer e achamos que talvez que nesta nova legislação isso possa ser uma das bandeiras.
Não estava aqui previsto no nosso alinhamento, mas já que há esse período de eleições, doutora Carla Benedito, se calhar a melhor forma ou uma forma boa de terminarmos esta nossa conversa é sugerir-lhe que faça aqui um apelo ou que deixe uma mensagem para que quem nos ouve e quem tem poder de decisão política possa trabalhar também nesta área. O que é importante, o que é que falta fazer, um ou dois pontos que sejam importantes para os próximos tempos e que requeiram decisão política?
Falta fazer muita coisa, como falámos. Eu diria que dar mais empoderamento àquilo que são as associações de doentes. Muitas associações de doentes têm recursos limitados, têm dificuldade em fazer a sua voz ouvir-se. Acho que aqui a nossa força política tem muito a fazer em que estes doentes tenham mais voz. Eu diria que isso é fundamental. E estes doentes, sendo poucos por doença, precisam de ter esta força, porque senão nunca vão ser ouvidos, se não tiverem este apoio. E depois, se calhar, diria também em relação aos ensaios clínicos. Não é um tópico novo, é um tópico que toda a gente nesta área está a par, mas se calhar temos que levar isto um pouquinho mais a sério e se calhar olhar para os ensaios clínicos como uma vantagem competitiva do país. Os ensaios clínicos têm imensas vantagens, para começar, vantagens económicas, portanto atuar num ensaio clínico é uma vantagem económica para um hospital, têm vantagens reputacionais para o país estar envolvido em ensaios clínicos, mas, sobretudo, tem vantagens para os doentes, que têm a possibilidade e têm a oportunidade de estar envolvidos em terapias de ponta que não estão disponíveis. Portanto, eu diria que essas duas áreas, para mim, seriam as mais importantes.
Estivemos à conversa com a doutora Carla Benedito, diretora-geral da Takeda Portugal, neste primeiro episódio do podcast "Diagnósticos Improváveis: o caminho das doenças raras". Estivemos a falar sobre o compromisso da Takeda para com as tais doenças raras. Este podcast tem o apoio da Takeda Portugal. Haverá mais dois episódios. Muito obrigado também a si que nos acompanhou e até breve.