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As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira. Muito boa noite. As acampadas pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto vão continuar durante a madrugada. Os manifestantes recusaram-se a abandonar as concentrações e mantêm-se junto às tendas instaladas nas duas cidades. No Rossio, em Lisboa, permanecem centenas de pessoas. Grande parte dos agentes da polícia que estiveram no local já desmobilizaram, como relata o jornalista do Observador, Miguel Pina-Andrade.
O forte contingente policial que a certa altura, esta tarde e esta noite, se fez sentir aqui na Praça do Rossio, já desapareceu quase por completo. Já não se vê nenhuma daquelas carrinhas da Unidade Especial de Polícia. Estão apenas duas carrinhas da PSP, da Equipa de Intervenção Rápida, e um carro da Polícia de Trânsito, que vai fazendo rondas aqui pelo Rossio. Os manifestantes, esses sim, como disseste, mantêm-se em peso aqui na Praça do Rossio. São muitas dezenas de tendas. Os manifestantes, alguns já foram descansar, recolheram às tendas, outros mantêm-se aqui num clima de boa disposição e festa, vão cantando. Às vezes, são entoados alguns cânticos que se foram ouvindo durante toda a noite e durante toda a tarde. Há pouco, um dos organizadores dava conta de que o objetivo é permanecer aqui durante alguns dias. No entanto, também ressalvou que se a polícia assim o entender, que os manifestantes estavam dispostos a sair. No entanto, a indicação que temos é de que eles vão continuar aqui na Praça do Rossio. Isto numa altura em que o maior momento de tensão da noite, por assim dizendo, já passou. Foi quando alguns elementos da Polícia Municipal tiraram as baias de ferro que os manifestantes usaram para fazer um perímetro à volta das tendas. E também há pouco, os organizadores da manifestação diziam aos manifestantes para se juntarem em grupos de afinidade. Isto para alguns enquanto dormiam, outros vigiarem as imediações da Praça do Rossio para se protegerem, precisamente contra uma eventual carga policial. Mas, como disse, neste momento o ambiente é de alguma tranquilidade. Os manifestantes vão cantando, a maior parte da polícia já desmobilizou e os manifestantes continuam aqui no meio da Praça do Rossio, com este aparato de muitas tendas, o que marcou o dia de hoje e que também marcou os últimos dias na cidade do Porto.
O jornalista Miguel Pina-Andrade, que esteve a acompanhar este protesto pela habitação em Lisboa. No Porto, os manifestantes continuam também concentrados na Praça Dom João I. Os agentes da PSP, da Polícia Municipal, abandonaram as imediações do local. Desde então, têm passado apenas alguns carros de patrulha pela zona, que voltam a seguir caminho sem intervir. Na última hora, a jornalista Laura Figueiredo teve a oportunidade de falar com um dos manifestantes, que explicava que a organização está a distribuir capacetes pelos manifestantes, caso haja uma carga policial como aquela que se verificou na madrugada de quinta-feira.
Comigo tenho o Luís Sousa, um dos manifestantes. Boa noite, o que é que espera agora para as próximas horas? Vão continuar aqui nesta espécie de vigília mais silenciosa?
Boa noite. Eu neste momento estou aqui com um grupo de amigos. Viemos para aqui para nos manifestar pelo direito à habitação. Aquilo que nós estamos à espera é passar aqui a noite toda. Vamos estar sempre alerta, aconteça o que acontecer. Já tentaram incriminar-nos com um incêndio num caixote do lixo, que não teve nada a ver conosco, mas nós resistimos. Estamos aqui pacíficos e aquilo que nós esperamos é manter a nossa posição, custe o que custar.
Sim, a polícia deixou bem claro desde o início que não tinha nada a ver com a manifestação. Mas o Luís está aqui com um capacete, já me explicou que é uma medida de prevenção para se a polícia vier. Quem é que lhe deu o capacete, também tem algumas proteções nos braços?
Quando eu decidi vir pra linha da frente do cordão humano que estamos aqui a mobilizar, caso aconteça algum tipo de confronto, equiparam-me com capacete e com proteções pros braços, exatamente como uma medida de segurança para evitar que aconteça o desastre que aconteceu na madrugada de quarta-feira pra quinta.
Mas acha que a polícia esta noite vai regressar aqui?
Com o apoio todo que nós temos hoje, eu duvido que vá haver algum tipo de confronto, mas de qualquer forma, estamos preparados pro que der e vier e não podemos baixar a guarda, porque se baixarmos a guarda, vai ser aí que eles vão tentar tirar-nos as tendas e é aquilo que não podemos deixar que aconteça.
Muito obrigada. Fica aqui então o testemunho de um manifestante, Luís Sousa. Esperam então aqui estas centenas ainda de manifestantes, com as tendas também que não foram desmontadas, mesmo depois do pedido da polícia para que as tendas fossem retiradas. De fato, não foram, as pessoas também não desmobilizaram e pra já continuam aqui em silêncio, sobretudo em pequenos grupos de convívio, mas sem fazer barulho, até porque a polícia deixou bem claro que não podia existir barulho aqui na praça. E de fato, então agora vivem-se estes momentos de incerteza, a ver se a polícia vai ou não regressar aqui à Praça Dom João I.
A jornalista Laura Figueiredo, com o testemunho de um dos manifestantes da acampada pelo direito à habitação no Porto. O presidente da Câmara Municipal do Porto recusa deslocar-se à manifestação na Praça Dom João I. No entanto, revela ter convidado os manifestantes para uma reunião. Entre as palavras de ordem que mais se ouviram no protesto, tem estado o pedido de demissão de Pedro Duarte. Os manifestantes desafiaram o autarca a dar a cara e a aparecer no protesto. Pedro Duarte rejeita, mas garante estar disponível para dialogar.
Nós já convidamos os manifestantes para se quisessem ir à câmara reunir, estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.
A garantia de Pedro Duarte, numa curta declaração do presidente da Câmara Municipal do Porto à TSF, à margem da celebração dos 50 anos da Associação de Moradores da Zona de Campo Alegre. O Ministro da Habitação garante que o governo vê os protestos com enorme preocupação e reconhece que se a população se manifesta, manifesta-se com razão. Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas da habitação. No entanto, sublinha que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação das medidas necessárias.
Olhe, com enorme preocupação. Acho que a população, quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muita gente. O governo está absolutamente ciente disso. E, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.
Miguel Pinto Luz, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios, o ministro saiu ainda em defesa do autarca do Porto, Pedro Duarte.
O doutor Pedro Duarte, e bem, defendeu os interesses da cidade do Porto. É um homem sensato, um humanista, um social-democrata daqueles nos quais eu me revejo, e geriu com humanidade, foi mantendo diálogo, eu acompanhei também a situação, foi mantendo diálogo com os manifestantes. E depois, a questão da administração interna. Eu não vou me excluir, não sou especialista e, portanto, não sei avaliar como é que foi a intervenção ou não. Eu acho é que tem que haver autoridade, tem que haver respeito por todos, tem que haver direito à manifestação, mas com respeito por todos. É só isso que eu digo. E acho que o presidente da Câmara, Pedro Duarte, está fazendo um excelente trabalho à frente da Câmara do Porto.
Elogios do ministro da Habitação e das Infraestruturas, à atuação do presidente da Câmara Municipal do Porto, também ele do PSD, que já integrou o Executivo de Luís Montenegro. O PCP acusa o governo não só de não resolver o problema da habitação, como ainda de o agravar. O líder comunista critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo Executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.
Nós achamos que o governo, com as opções que está a tomar, não só não está a resolver, as opções também com o Chega e Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena o senhor primeiro-ministro vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, quer os rendimentos todos para eles, quer a concentração da riqueza toda para eles.
A acusação de Paulo Raimundo, o líder comunista, em entrevista esta noite à RTP Notícias. Protestos também a marcar a atualidade internacional. Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em França, na Itália, na Bélgica e também na Albânia, em protestos contra o aumento do custo de vida e as políticas governamentais. Em França, o ministro do Interior, Laurent Nunez, contabiliza 550 mil manifestantes. Só em Paris foram 110 mil. Números que ficam muito aquém dos apresentados pelos organizadores dos protestos, que apontam para 800 mil participantes. Houve confrontos, incêndios e pilhagens que levaram a mais de mil detenções. Paris, Lyon e Marselha foram os principais focos de tensão. O presidente francês Emmanuel Macron promete punir os responsáveis pela violência. É isso que se lê numa mensagem do presidente francês na rede social X. Já o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu, também no X, acusa grupos de extrema-esquerda de tentar impor uma agenda através da violência. Em Itália, os protestos em Milão e em Bolonha também terminaram em confrontos com a polícia a recorrer a gás lacrimogêneo e a canhões de água. A primeira-ministra italiana, a Giorgia Meloni, condena a violência, mas reconhece o direito à manifestação. Na Bélgica, centenas de jovens protestaram contra o aumento dos custos da educação. Também na Albânia, milhares saíram às ruas para exigir a demissão do primeiro-ministro. Notícia de fecho nesta edição das 4:00 da manhã. O essencial da informação é atualizado às 16h30. Até já.