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Vai Ronaldo para a felicidade do povo português. É o golo! Portugal!
E está na hora de recebermos o André Maia, que durante 27 dias foi o nosso enviado especial ao Euro 2024. Bom dia, André.
Bom dia, Maria João.
Contentes por te ver, não por ter cá.
Isto é muito estranho fazer isto daqui.
É que se tivesses lá era melhor sinal. Se estivesses naquele 20º andar com aquelas ligações que não eram perfeitas, antes pelo contrário.
Eu posso ir para a porta do edifício fazermos à distância, sempre dá aqui um bocadinho mais.
Aqui deste bairro português.
Sim, exato. Acho que para fazer este programa é melhor, apesar de tudo, eu pôr aqui a minha acreditação.
O André Maia está a abrir a mochila e a ir à acreditação.
Só porque dá um bocadinho mais de ambiente.
Dá mais ambiente.
Faz uma fita toda pipi. É verdade.
Como é que correu a viagem de regresso, André?
Correu mal. Correu bastante mal. Correu porque perdi o avião.
A sério?
Sim, perdi o avião. Foi sem querer, atenção.
Foi ter que estar alguém.
Como é que se perde uma coisa tão grande? Sim, exato. Não, porque eu tinha de apanhar o voo em Hannover e consegui apanhar em Hannover, só que saiu uma hora e meia de atraso e depois ia fazer escala em Munique para Lisboa e por causa do atraso e porque estava um temporal muito grande em Munique, fecharam o aeroporto de Munique durante uma hora e então andámos ali às voltas. E quando aterrei faltavam cinco minutos para sair o voo para Lisboa, ainda fui a correr, ainda vi o voo lá parado, mas as portas já tinham fechado e não consegui.
Tu querias muito ficar na Alemanha, não eras só tu.
Eu tinha dito que ia para Munique depois. Eu tinha dito que ia para Munique e fui para Munique e fiquei uma noite em Munique, só que não foi-
Não foi pelas razões.
Pelo motivo que eu queria. Não. De resto, correu bem, mas ainda fiquei mais um diazinho lá.
O Diário do Euro vai continuar mais uns dias, mas sem ti na Alemanha. Por isso acho que podemos fazer aqui um balanço de como correu esta aventura. Para ti, qual foi a melhor coisa desta cobertura, destes 27 dias?
É difícil a melhor coisa, porque houve muitas coisas boas. Eu acho que a melhor, provavelmente, e de forma surpreendente, porque acho que temos, em geral, uma ideia um bocadinho errada, a parte melhor foram os alemães. Os alemães foram incríveis, foram de uma simpatia, de um carinho, não estava à espera. Porque normalmente temos aquela ideia de que os alemães são-
Mais frios
...pessoas frias. Pragmáticos. Sim, eu achei precisamente o contrário. Muito prontos a ajudar, muito simpáticos. Mesmo aqueles que não falavam inglês, eu encontrei vários, principalmente pessoas mais velhas, que às vezes não percebiam o que é que eu estava a perguntar ou o que é que eu queria saber. E mesmo assim, apesar disso, tentavam sempre ajudar, não desistiam, foram mesmo muito simpáticos. Essa para mim foi talvez a parte melhor. E depois, quem é adepto de futebol e quem gosta muito de futebol, eu recomendo mesmo que tenha uma experiência de um Campeonato da Europa, de um Campeonato do Mundo. Eu estive lá 27 dias, assisti a vários jogos, não me lembro de ter assistido a uma única desavença.
Entre claques?
Entre claques, entre adeptos. Acho que só houve, até que me lembro, um caso de violência, que foi precisamente com os adeptos de Portugal e uns stewards e uns seguranças num dos jogos de Portugal, que até nem foi uma coisa muito bem gerida pelos stewards, foi uma coisa muito violenta numa saída das bancadas, mas de resto, entre adeptos era de uma convivência, de uma camaradagem gigantesca.
E depois é todo o ambiente que se vive.
Claro.
Não pode ser diferente no Europeu.
É um ambiente muito saudável mesmo e entre nós jornalistas também.
Custa-me muito dizer isto, mas provavelmente não te lembras do Europeu que decorreu em Portugal. Quem se lembra sabe que foi um ambiente de festa.
Sim, do que eu me lembro também.
Havia uma festa muito grande.
Sim, sem dúvida.
Então e o menos bom, André?
Primeiro, o tempo. É preciso dizer.
Fomos vendo pela televisão.
Foi o grande flop deste Campeonato da Europa.
Só levaste t-shirts?
Eu levei a maioria t-shirts, levei três camisolas de manga comprida. Levei dois casacos, foi o que me salvou. Tive que comprar uma capa de água depois lá, porque senão, não dava.
Uma capa de chuva.
Foram dias de chuva torrencial mesmo. Sim. Houve um jogo que ficou interrompido durante algum tempo. Sim, eu tive de usar dois guarda-chuvas. Dois, porque o entretanto não ficou muito bom. Não foi porque perdeste. Não, foi porque ficou- Foi excessoso. Exato. Dos 27 dias que estive lá, eu acho que só houve, que eu me lembro, um dia a sério de verão.
Mas houve um dia que te queixaste imenso do calor.
Foi em Gelsenkirchen, foi no dia do jogo de Portugal.
Exatamente.
Foi o único dia, porque de resto, raramente vimos o sol, sempre tudo nublado, sempre tudo muito cinzento. Muito triste.
É o que dá fazer coisas destas na Alemanha.
Sim, exato. É mais uma competição no inverno. E depois eu queria mencionar aqui, que eu não mencionei no programa, acho que não era preciso, mas tive um pequeno percalço durante o Campeonato da Europa, que a minha avó deixou-me durante o Campeonato da Europa, deixou-nos a todos, mas ficou comigo também. Eu senti que não estive sozinho durante o Campeonato da Europa. E eu estou a contar isto por quê? Porque eu queria contar aqui só uma história que não contei até agora, que foi: eu antes de ir para lá, antes de voltar para a Alemanha, porque eu quis voltar para a Alemanha, eu quis levar uma fotografia da minha avó e estive à procura nas fotos que tinha e não encontrei. Tinha algumas, mas não eram bem o que eu queria. E eu tinha digitalizado uns vídeos com ela há pouco tempo, de umas cassetes, e então encontrei o momento em que ela estava comigo ao colo e tirei print desse momento e imprimi. E eu levei a fotografia comigo, mas agora há aqui um pormenor, que foi quando eu estava a cortar a fotografia, as cassetes tinham aquela indicação da data. Vocês lembram-se que data é que eu estava sempre a dizer?
15.
15 de julho.
Foi tirada nesse dia.
E a foto foi no dia 15 de julho de 1999.
O André está a mostrar-nos a fotografia. É um pequenino. Que idade tinhas, André?
Eu tinha um ano aqui. Tinha um aninho, um ano e pouco. E então eu levei esta fotografia, deixei sempre assim pousada na mesinha de cabeceira, nos hotéis onde estive e nos jogos, deixei sempre na bancada de imprensa. Deixei sempre lá a olhar para mim. E no jogo, por exemplo, com a Eslovénia, nos pênaltis, estava ali agarrado à foto e foi-
Sentiste a presença.
Foi. Ela não ligava muito a futebol, por isso é que eu acho que não fomos à final.
Era contigo.
Sim, mas foi um momento muito marcante também.
Do lado pessoal para o lado profissional, em termos desportivos, o que é que podemos esperar agora daqui para frente? André, na tua opinião.
Acho que Espanha é a grande favorita, mantém-se a grande favorita. Acho que França continua a não mostrar o potencial que tem. Acho que continua a ser uma concorrente.
Mas foi um grande jogo conosco.
Foi um grande jogo. Do outro lado, Inglaterra, Países Baixos, eu acho que os Países Baixos têm praticado melhor futebol que a Inglaterra.
Portanto, estás a adivinhar um Espanha-Países Baixos?
Eu diria que em teoria seria um Espanha-Países Baixos. Ainda assim, Inglaterra e França já mostraram que mesmo não praticando um grande futebol, ainda podem fazer alguma coisa.
Portanto, a primeira meia-final é amanhã?
A primeira meia-final é amanhã, exato. Depois a segunda no dia a seguir e depois dia 14 de julho temos a final. Sendo que eu queria só, e eu creio que até tens aí o som, Maria João. No tempo em que estive lá, também tendo em conta que tive de regressar a Portugal durante uns dias, eu só vi um golo de Portugal. Eu só vi um golo. Aliás, na verdade, vi dois. Vi dois, mas um deles foi um autogolo. E o único golo que eu vi foi do Francisco Conceição contra a República Checa. E eu na altura achei: "Se calhar festejei este golo demasiado na bancada de imprensa", mas agora não, agora ainda bem que festejei assim. E eu trouxe esse momento porque eu estava a gravar e não dei conta que se ouvia a minha voz, mas eu sei como é que eu reagi ao golo. Sou capaz de me ter excedido um bocadinho. Mas só tinha jornalistas portugueses à minha volta, portanto, foi um momento de muita festa e é o momento que eu vou guardar.
Pois, é bom que seja.
O autogolo, obviamente que foi um momento também de alegria. Também conta. Sim, mas foi o único golo, porque os três da Turquia eu não vi, porque foi na altura em que voltei cá. E portanto, foi o único golo a sério que eu festejei. E depois a parte dos penáltis do Diogo Costa, claro, foi inesquecível.
Que momento! André, obrigada por estes 27 dias.
Obrigado pelo vosso carinho. E só muito rapidamente, eu trouxe aqui uns chocolates alemães.
Que maravilha!
Espera aí, chocolates alemães? Eu acho que era de cerveja. E umas salsichas. Portanto, aqui para vocês comerem todos.
Obrigada, André. Um beijinho grande.
Obrigado. Vai apertar para a final de Portugal contra a Espanha. Gol! Portugal, Portugal, Portugal!