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Vai levar para a felicidade, batimento por dentro. Gol! Portugal!
Está na hora do Diário do Euro. É sempre a esta hora que falamos sobre o que se passou no Europeu 2024. Fazemos o balanço do jogo de ontem, que até que foi sofrer até à última.
Bate o coração.
Tirando horas de sono, falo por mim.
Eu também acabei por me deitar já quase à 01:00 porque são tantas emoções que depois é difícil voltar aos níveis.
Paulo Pereira, queres dizer alguma coisa sobre o jogo?
Também não foi, Paulo?
Tive um jantar.
Nem viste o jogo.
Não, cheguei a casa e faltavam 10 minutos para acabar o prolongamento. Ainda ouvi o Ronaldo falhar um penalti e depois assisti aos penaltis.
É o que foi mais importante.
É uma coisa única.
Grande Diogo Costa.
Defender três penaltis é uma coisa única.
Foi o primeiro, não é, no Europeu?
Sim, nunca um guarda-redes tinha defendido três penaltis num desempate no Europeu. E foram todos os que o adversário tentou marcar.
Não foi preciso mais. Mais houvesse.
E dentro dos nervos que normalmente estas situações provocam, foi um resultado que acabou por ser até pouco propício a nervos, porque eles falharam todos e nós marcamos todos. Portanto, não houve aquela emoção suplementar de saber agora o que é que vai acontecer. Mas há aqui uma coisa que é importante referir: é que Diogo Costa defende os três penaltis e eles não são propriamente mal marcados. Porque às vezes vê-se que os jogadores não atiram bem. Aqui o mérito é mesmo de Diogo Costa, tal como tinha sido mérito, e isto também é importante referir, a defesa de Oblak ao penalti de Cristiano Ronaldo. Pode-se dizer, claro, que um jogador como Ronaldo não falhava um penalti há dois anos, em jogo corrido. Pode-se dizer que se espera sempre que ele tenha essa capacidade.
O Ronaldo ainda diz nas declarações: "Ainda vou ver se marquei mal."
Ele depois redimiu-se, marcou e também isso é preciso referir. O jogo não correu bem a Ronaldo. Ele não teve muitas oportunidades, mas teve uma boa oportunidade a passe do Diogo Jota já na segunda parte, mas os livres não lhe correram nada bem. Notava-se a frustração, mas é preciso uma grande dose de coragem depois de ter falhado um penalti que podia ter sido decisivo, e ele sentiu isso. Viu-se a emoção. Ele começou a chorar no intervalo do prolongamento e foi confortado pelos colegas. É preciso ter também muita coragem para depois assumir a responsabilidade de, depois de ter falhado um penalti, ser o primeiro a marcar, porque o primeiro penalti, e normalmente os treinadores até escolhem o melhor marcador de penaltis para dar confiança à equipa.
Para começar bem.
E depois de ele ter falhado, podia muito bem não ter sido o primeiro a marcar.
E é bom lembrar também o que aconteceu em 2012. Portugal teve o desempate nas meias-finais do Euro contra a Espanha e Cristiano Ronaldo, na altura, quis ser o último a marcar o penalti, o quinto penalti por Portugal. E o que é que aconteceu? Perdemos antes de chegarmos ao último penalti. E na altura Ronaldo foi acusado de querer a glória para ele, de ser o último marcador, quando era importante, e normalmente é importante que o melhor marcador ou aquele que costuma bater penaltis seja o primeiro para dar essa confiança à equipa. Ontem ele assumiu essa responsabilidade e era uma grande responsabilidade depois de ter falhado aquele penalti.
Bruno, antes de ouvirmos o André Maia, que já está conosco em linha, vamos só ouvir o relato do último gol marcado por Bernardi, o último penalti.
Pode ser o três em três para Portugal. Diogo Costa já fez o hat trick de defesas. Aí vai Bernardo e marca! Gooool!
O Diogo Varela e o Miguel Cordado não sabiam que eles vão buscar tanto fogo. É mesmo a emoção.
Para os quartos de final.
André Maia, também viveste com toda esta emoção o jogo de ontem? Bom dia, André.
Ainda o que não vivi. Aliás, eu só apareci agora porque ainda estava a ser reanimado pelos médicos de ontem. Só agora é que conseguiram.
Só agora consegui sair do estádio.
Não, mas foi uma emoção muito grande. Foi um jogo difícil de ver também por Portugal. Estava outra vez com muitas dificuldades em conseguir furar aquela muralha defensiva.
Acho que todos tivemos o pior. Acho que todos estávamos a ver assim o Euro aos ninhos.
Não se desfizeram as dificuldades até ao fim.
Não, aquele momento em que o Sesko aparece isolado à frente do Diogo Costa, acho que toda a gente pensou: "Bem, já fomos."
Sim, eu acho que aí me falhou um batimento cardíaco, provavelmente. E depois quando fomos para penaltis foi muito difícil, porque acho que o ambiente que estava no estádio era um ambiente mais de pessimismo do que otimismo, principalmente por causa da questão do Ronaldo. Eu acho que ali faltou alguma estabilidade emocional ao capitão e também ao Roberto Martínez.
Continua no 90.º andar.
Isto agora é a rede que está emocionada.
Fazem estes Europeus em países do terceiro mundo, não há redes.
Sim, é verdade. Voltamos a ter o mesmo problema. Mas estava a dizer que faltou essa estabilidade emocional e faltou também ao Roberto Martínez ter protegido mais, diria eu, o Cristiano Ronaldo.
Mas voltamos à mesma discussão que já houve no tempo de Fernando Santos Sobre o Ronaldo. Parece que a seleção volta a ser Cristiano Ronaldo e mais 10, e tudo gira à volta de Ronaldo.
Não, sim, claramente.
Observador externo. Não há mais jogadores na seleção?
Sim, até porque ontem o meu artigo, aquilo que estive a fazer durante o jogo, não foi a crônica como é habitual, mas foi um Cristiano Ronaldo à lupa.
Que eu já li, muito bom artigo, recomendo, do André.
Muito obrigado. Até porque o Roberto Martínez foi dizendo várias vezes que o Cristiano, mesmo quando não marca, consegue oferecer coisas à equipe. E nós fomos perceber que coisas é que ele conseguiu oferecer. E a verdade é que, para além de ter tido um jogo bastante desinspirado, aqui é verdade que há algum contexto, ou seja, a equipe da Eslovénia é uma equipe que defende muito bem, ao contrário, por exemplo, da Turquia, que deixou muito espaço, isso ajuda obviamente as características do Ronaldo. Mas aqui há a questão de, para além de ter sido um jogo desinspirado do Ronaldo, ele emocionalmente não estava bem. E isso notava-se em quase todas as decisões que foi tomando.
Se calhar já não vai para novo, digo eu.
Pois, é verdade. Uma coisa é certa, isso acabou por tornar este jogo mais especial e mais emotivo.
O drama.
Drama completo, foi de ir às lágrimas.
André, não sei se concordas, mas há ali um lance, ainda na primeira parte, em que o Bernardo Silva faz um cruzamento e o Ronaldo parece que falha o tempo de salto. E se nós imaginarmos mesmo o Ronaldo de há dois anos, se calhar chegava àquela bola.
Sim, acho que sim. Há ali uma ou duas bolas em que ele perceamento foi ele com a impulsão de outros tempos, com a
Bem, ontem o jogo também foi assim, difícil.
Mas olhe, mais importante é passar.
Foi aos soluços.
Foi aos soluços o jogo de ontem.
Pronto, passamos e agora vem França.
Ui.
E como é que isso vai ser.
Sim, mas agora parece-me que os adeptos outra vez otimistas, temos de fazer mais.
Tu és o maior otimista de todos.
És um otimista irritante.
Mas este é o campo de muita irracionalidade.
Sim, é a parte do futebol.
Rigorosamente o mesmo jogo. Os pênaltis são, até certo ponto, uma loteria, de alguma maneira. Sem tirar mérito ao vosso adversário, mas se podia ter corrido ao contrário.
Sim, podia ter-se perfeitamente corrido.
O que não se estaria a dizer neste momento. Perante rigorosamente o mesmo jogo, foram 90 mais 30. 120 minutos, estaria certamente a dizer o contrário.
Exatamente.
Mas pronto, é assim.
É o futebol.
Hoje vais recuperar, André, de todas as emoções. Vais tentar ter um dia calmo.
Não é fácil.
Eu vou ter, porque eu posso dizer que cheguei já aqui muito tarde, até porque é mais uma hora.
Ajuda.
Ninguém diria.
Sim. E só saímos do estádio por volta das duas da manhã e mesmo assim as ruas continuavam com muita festa, sendo que, para além disso, a certa altura eu posso dizer que recebi uma mensagem da minha namorada a dizer: "Podes fazer as malas".
E tu assustaste.
E tu ficaste mesmo: "Olha, até que enfim!"
Exato.
Mas eu a certa altura disse: "Calma, vamos ser otimistas, caramba".
Ainda não voltou ao pé.
Exato. Pronto, e eu agora já avisei, já tenho estadia para mais uma semana e, portanto, dia 15 de julho eu volto.
Semana sim, semana não.
Mais careca e com mais cabelos brancos.
André Maia, o nosso enviado especial ao Euro 2024. Amanhã há mais notícias do Europeu. Até amanhã, André.
Até amanhã.