Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Vai renascer para a felicidade do povo português. Gol! Portugal! Portugal! Portugal!

Está na hora de irmos ao encontro do jornalista do Observador, o André Maia, que está na Alemanha a acompanhar tudo o que se passa neste Euro 2024. Olá, André, bom dia.

Bom dia. Finalmente chegou o dia, não é, Paulo?

Olá, André.

Estamos juntos. O Paulo está que nem pode.

O Paulo estava a partilhar os planos que tem para hoje.

Eu nem dormi.

E tu conseguiste dormir, André?

Eu consegui dormir, mas eu admito que eu vivo muito isto.

Ninguém diria.

Absoluta. E fico muito nervoso, mas normalmente não é no dia antes. Ainda consegui dormir muito bem. Apesar de o meu hotel ficar praticamente na zona noturna de Hamburgo, que é o bairro de Reeperbahn, com muitos bares, muitos estabelecimentos, muitos outros estabelecimentos que não vale a pena agora mencionar também, mas que por acaso estão bem isolados. É aqui na rua praticamente ao lado.

Referes-te à igreja? Sinagoga.

Estão bem isolados. Quando estavas na rua a beber copos, não ouvias nada que se passava nos quartos do hotel, é isso? Sim. Era o barulho das luzes. Mas assim que cheguei ao quarto, por acaso, ouvia um bocadinho a música ao longe, mas tudo tranquilo.

Quando ouvimos música muito alta nas discotecas, depois ficamos assim a ouvir zumbido.

Às 6h da manhã já é este estado, claro. É um zumbido. Olha, passei lá no bar onde estava a placa a dizer que os Beatles tinham passado por lá.

E então, eles estavam?

Foste lá por motivos profissionais. Os Beatles não estavam lá.

Não estavam? Não encontraste lá o Ringo nem o Paul, não?

Nada. Tive muita pena.

É preciso azar.

Eles têm aqui uma praceta com uma estátua com a silhueta deles. E eu ainda fui lá para tirar uma fotografia, nem isso consegui, porque têm aquilo vedado. Eles estavam com umas baias. Está feio e não quis tirar a foto. Mas olha, há coisas mais importantes hoje, não é?

Ao menos conseguiste o bacalhau à Brás?

Também não. Caramba, essa parte é que estragou. Fazes-te daqui à Alemanha para comer um bacalhau à Brás.

E não consegues? Tens que voltar a Portugal, queres ver?

Não, consegui.

Queres que te mande um tupperware, André?

Eu acho que ia ser caro e ia chegar cá frio, mas consegui comer outro bacalhau. Atenção. Ontem comi um bacalhau cozido com batata cozida também.

E grão?

Não tinha grão, mas eu posso dizer que eu cheguei ao restaurante-

Andam-te a tratar muito mal

... eu cheguei ao restaurante, é o restaurante Lusitano, creio eu. Foram muito simpáticos, eu cheguei e disse- "Boa noite" ... foi das melhores interações.

"Cheguei e eu quero bacalhau."

Sim, foi mais ou menos isso. Eu cheguei e disse: "Boa tarde, tem bacalhau à Brás?" E o senhor respondeu: "Não".

À Brás?

Não, mas era um português. Sempre português. Português, sim. Portanto, puseste o teu melhor português. Sim, exatamente.

"Desculpe, tem bacalhau à Brás?"

"Bacalhau à Brás?" E o senhor respondeu assim um bocado surpreendido: "Não". E eu: "Então e bacalhau?" "Bacalhau à Brás? Olha este, foi a um restaurante português quer bacalhau à Brás. Está meio parvo." Pronto, então era bacalhau à Biscaíno, acho que é assim que se chamava, e estava muito bom.

Como é que é o bacalhau à Biscaíno?

É com batata. E sem grão.

Era como se fosse uma caldeirada, ou seja, veio num prato muito quente, com refogado, com batata cozida, com bacalhau.

Com cebola?

E estava muito bom. Com cebola, muita cebola, e estava muito bom. Matei os meus desejos de bacalhau aqui na Alemanha.

E mataste muito bem.

Estava a ressacar. E pronto, está feito. Ainda fui a muitos restaurantes depois, não comi bacalhau noutros. São muitos restaurantes. Vocês depois podem ver no vídeo que nós ontem publicámos, ontem à noite, em que eu fui a cada um dos restaurantes portugueses que eu encontrei.

Isso ainda não vi. Tu fazes-me chegar aqui com mais 10 quilos, André.

Não, mas ele está a andar muito.

Sim, essa é a parte. Mas eu entrei em cada um deles e perguntei a um funcionário em cada restaurante o que é que se lembram da final do Euro 2004. E vocês vão ver como aquela rua, e eu depois até vou fazendo assim o trajeto entre cada restaurante, como vocês vão ver a proximidade e a quantidade de restaurantes portugueses que há ali. É uma coisa impressionante. A certa altura disseram-me que chegaram a ser 30. Portanto, pensem o que é que são 30 restaurantes num bairro.

Olha, André, e hoje o bairro português vai estar completamente cheio, não?

Vai. Até porque em todos os jogos, ou seja, em todas as cidades que têm recebido jogos de Portugal, normalmente tem havido sempre um ponto de encontro. Eles aqui chamam o meeting point, em inglês.

É um bom mau.

Exatamente, onde os adeptos de cada equipa se juntam e depois vão em cortejo até ao estádio. Neste caso, pelo que estamos a perceber, não vai haver propriamente um cortejo oficial, nem um meeting point oficial por parte da UEFA, mas não é preciso, porque o nosso meeting point vai ser o bairro dos portugueses, o Portugiesenviertel. E ontem, das pessoas com quem eu fui falando, o entusiasmo era diferente. Ontem toda a gente me dizia: "Tens de voltar cá amanhã, amanhã isto vai estar completamente cheio". E eu dizia: "Mais do que hoje?" Estou à espera de dezenas de milhares de pessoas ali.

E todas aquelas pessoas com que te cruzaste estão muito confiantes para hoje?

Estão muito confiantes.

É?

Mas atenção.

Olho nisto.

É uma confiança assim um bocadinho rasteirinha, não é?

Não. Eu acho que estão confiantes com justificação, porque às vezes o adepto de futebol é emotivo, irracional.

Não só isso. Isto é depois de um estudo aturado das possibilidades, eles dizem: "Não, temos todas as hipóteses de ganhar".

Até com documentos na mão e tudo.

Estatística.

Aquilo que eles me foram dizendo foi que esperavam que Portugal se saísse melhor agora, porque vamos defrontar uma equipa que não é tão defensiva como as outras que nós defrontámos.

Mas defende muito bem. Não fica lá atrás.

Não deixa de estar defesa, exatamente.

Mas defende muito bem. Só sofreu um golo até agora e de penalty.

Sim, é a equipa com menos golos sofridos deste Campeonato da Europa e também é verdade que é o pior ataque até agora das equipas.

Ainda não marcaram nenhum golo de bola corrida, os jogadores franceses. Porque foram dois autogolos e um penalty do Mbappé.

É verdade. Assim também eu.

Nós também já tivemos dois autogolos a favor. Não nos podemos queixar da generosidade dos adversários.

Não, mas ontem gostei do ânimo que estão a ter os portugueses por aqui. É bom também porque acho que depois da derrota com a Geórgia, as coisas foram um bocadinho abaixo. Com o jogo da Eslovénia foi um misto de emoções. E acho que é bom. Nós não escolhemos, mas acho que é o sítio certo para dar aqui uma volta, porque Hamburgo é a cidade, creio eu, com mais portugueses. São cerca de 15 mil portugueses a viver cá. Temos um bairro só para nós, portanto, de falta de apoio não nos podemos queixar. E foi engraçado ontem ver alguns franceses lá no bairro. Houve uma senhora, coitadinha, que até deu pena. Ela não sabia que aquele bairro era o bairro dos portugueses. E a certa altura, eu ouvia-a passar, era uma senhora mais velhota, estava com o marido, virou-se para o marido e disse: "São só portugueses aqui, se calhar vamos embora".

Mais velhota para o André Maia deve ter 40 anos.

Sim, 40 anos.

André, eu não sei se posso falar aqui deste assunto, mas vou falar à mesma. Não consegui aquilo que te queria dar, que era aquele cromo.

O tal cromo.

Não devias porque estás a agourar, mas vou abrir aqui uma exceção.

Eu estou a dizer que tentei afincadamente procurarmos ao máximo tentar trocar num daqueles lugares onde se trocam cromos.

Eu sei que sim. Na Ripper Band Portugal, não é?

Exatamente.

Não. Mas eu posso dizer-vos que ontem estive em negociações, para os nossos ouvintes também perceberem do que é que estamos a falar. Estive em negociações com um dos nossos colegas do "O Observador", que tem três cromos, só que percebemos que nunca daria para enviar cromos a partir de Portugal, porque ou não chegariam a tempo.

Ou não chegasse a tempo.

Ou não chegaria a tempo, sim.

Mas qual é a substituição?

Não é uma substituição. Houve uma certa pessoa, nós depois mais para a frente falamos. Houve uma pessoa que disse que falava connosco.

Era um exclusivo. Mas para isso tínhamos que pagar em cromos.

Tínhamos de juntar aqui uma série de cromos que faltavam.

E é um, só falta um.

Só falta um.

Que eu tenho, mecnicamente, mas está de lado. Já cortas.

Não, mas só falta um, mas um tenho eu comigo, outros três estão em Portugal e o outro está por aí. Mas havemos de lá chegar e certamente que ainda hei de te contar esta história.

Ainda te safas no bairro português, pode ser.

Sim, estou confiante que vamos conseguir os cromos e estou ainda mais confiante que mais logo vamos ganhar à França.

Até um palpite, André, para logo.

Eu não tenho um palpite. O meu palpite é que-

É a vitória de Portugal.

Sim, eu nunca vi Portugal vencer a França nos 90 minutos. Só vi a final do Euro 2016 e atenção, bastou.

E olha que também nunca viste a França a ganhar a Portugal nos 90 minutos, nos Europeus, pelo menos.

Pronto, isso é bom também. Agora aqui só uma questão que é: eu tenho uma conta para ajustar, porque eu no Mundial 2006 vibrei muito. Eu no Mundial 2006 tinha, portanto, cinco anos.

Não vás por aí.

Eu tinha oito anos no Mundial 2006.

Aí perdemos nos 90 minutos.

Perdemos nos 90 minutos com um lance fortuito do Ricardo Carvalho com o Henry, deu penalty, o Zidane marcou. Portugal fez um grande Campeonato do Mundo, aqui na Alemanha, precisamente, e eu assim que o jogo acabou, desliguei a PlayStation, fui ao FIFA 6, que foi o meu primeiro jogo de futebol.

E deste uma abada.

Pus no modo principiante e ganhei 9 x 0 à França.

Olha, isso é que era hoje.

9 x 0.

Apanha franceses.

9 x 0. Eu pus nos prognósticos que nós temos feito aqui no grupo do "Eu Venci Doré".

Do "Eu Campeão É".

Do "Eu Campeão É", desculpem, sim. Se bem que gostava de ver o "Eu Venci Doré" também a dar os seus palpites. Eles todos os dias deixam lá os seus palpites e eu desta vez deixei o meu também e pus, creio eu, Portugal 17, França 0.

Exatamente. 17 x 0.

Portanto, será alguma coisa aí estes 9 x 0.

Já que é para desejar, já que é para pedir, que seja aí.

Não há limites.

André, esperamos então voltar a falar contigo na segunda-feira, porque era sinal que Portugal tinha batido a França, não é?

Exatamente. Eu ainda nem estou a vos.

Estamos a ver se é. Bom jogo, André.

Ou senão bom regresso.

Bom jogo.

Um beijinho.

Boa sorte.

Vai Portugal para a final do Campeonato da Europa! Gol! Portugal, Portugal, Portugal!