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Vai Ronaldo para a felicidade, batata para dentro! Gol! Portugal!

E começa agora mais um Diário do Euro com o jornalista André Maia, que está na Alemanha a acompanhar tudo o que se passa neste Europeu. Olá, André.

Não sei se é assim tanto.

É! Não contraries a Maria João.

Não contraries.

Depois nós é que adoramos aquilo.

E não contraries os mais velhos. André, mas poupa a voz. Até porque ele tem de poupar a voz, que amanhã tem de gritar golo muitas vezes. Não é, André?

Sim. Mas eu acho que o Miguel Cordeiro e o Diogo Varela vão ter de poupar um bocadinho mais, sinceramente.

Também.

Mas os autogolos não é para gritar, ok?

Sim. Só se for de França. E tem havido muitos. Se isso aí, nós fechamos e bem alto.

André, então e já chegaste a Hamburgo? Como é que foi a viagem? O comboio chegou a horas?

O comboio não chegou a horas.

O Pica apareceu?

Não chegou a horas.

Não chegou. Tu não estás na Alemanha.

O comboio não chegou a horas.

Tu perdeste, André. André, onde é que tu andas? Na Bulgária?

Não, mas ainda bem que não chegou a horas.

Porquê?

Vou-vos dizer, isto foi uma aventura para chegar ao comboio. Eu tenho feito tudo sempre com muito tempo de antecedência, que até é uma coisa que eu não costumo fazer muito em Portugal.

Climares da Alemanha.

Sim. Eu saí mais ou menos uma hora antes do hotel, antes de entregar o carro. Eu tinha um carro de aluguer e saí uma hora antes da hora marcada para entregar o carro e fui, pus no GPS a morada da loja onde tinha de entregar o carro e quando cheguei à morada não havia lá a loja. Eu bem procurei e comecei a pensar: "Será que eu pus mal aqui no GPS?" Mas confirmava, estava tudo certo. Liguei para, não vou aqui dizer nomes da marca, mas liguei para a loja onde aluguei o carro e os senhores que estavam do outro lado, acho que estavam tão perdidos quanto eu, porque disseram: "Pois, realmente é nessa rua." E eu: "Pois, realmente é nesta rua."

Mas era na cidade certa.

Mas num espaço qualquer.

Depois percebemos, eu e o senhor, depois de várias chamadas e muita insistência, percebemos que a loja ficava dentro de um centro comercial que ficava naquela rua, só que não havia qualquer indicação para isso, nem no site, nem na rua. Eu cheguei ali já depois da hora em que devia ter entregado o carro e de repente ligaram de um número alemão, que eu não sabia qual era, e era uma pessoa que eu já tinha tentado entrevistar há muito tempo. Será que era o Otto Rehhagel? Não era.

Ele ligar-te era maravilhoso.

O Otto quem? Vocês têm de explicar depois quem é essa pessoa.

É um treinador alemão que nos deu um grande desgosto.

A Portugal?

Sim, foi o selecionador da Grécia em 2004.

A Grécia sim, agora já.

Mas não era.

Não era.

Era o sósia alemão do Cristiano Ronaldo, que eu já andava a tentar entrevistar.

Alemão do Cristiano Ronaldo? Como assim?

É verdade. Vamos a isto. Estão prontos?

Vamos, sim. Quem é este?

Ele chama-se Saki e eu já tinha feito um pedido de entrevista para ele já em abril, provavelmente. Só que ele já me tinha dito que ia andar a saltitar de cidade em cidade.

A fazer o Europeu.

Exatamente. Está obviamente a andar atrás do Ronaldo. Sim, ele é o duplo do Cristiano Ronaldo, de certa forma. A certa altura, ele diz-me: "André, eu já cheguei a Frankfurt." E eu disse: "Pois, mas eu tenho um comboio para apanhar daqui a 45 minutos. Como é que fazemos isto?" E então combinamos ali mais ou menos perto da estação. Ele também vivia mais ou menos por ali. Fiz a entrevista ao Saki muito rapidamente.

E ficaste confundido e este identificado?

Essa é a pergunta. Esquece-te lá as perguntas, André. É assim, tu quando o viste ao fundo e disseste: "Olha, está ali o Ronaldo."

Não.

Pronto, esquece.

Não te confundiu, é louro. Tem uma barriguinha. É louro e olhos azuis.

Estou aqui a pesquisar imagens do doutor Saki.

E tem cara de coiso.

Doutor Saki.

Mostra lá.

E até é um bocadinho parecido, vejam aqui. Este é o Saki.

Sim, assim ao longe. Eu que vejo mal ao longe, é muito parecido.

Sim, tem bastantes parecenças. Só que há aqui uma questão que é, para quem o vê ao vivo, nota logo uma coisa que se calhar nas imagens não se nota tanto, que é: o Saki tem 1,71 m.

O Ronaldo tem um bocadinho mais, tem um palmo acima.

Talvez com saltos altos consiga disfarçar.

Sim, que não foi o caso, mas ele apareceu vestido à seleção portuguesa, apareceu com a camisola de Portugal, o que ajudou também. E a certa altura, eu lembro-me que enquanto estava a entrevistá-lo, eu estava a dois palmos dele e havia ali uma sensação um bocado estranha, que é: eu estou a entrevistar uma pessoa que parece o Cristiano Ronaldo, mas não é o Cristiano Ronaldo.

E que não fala português.

E que fala alemão.

E que fala alemão, exato. E as pessoas mesmo a passar, as pessoas olhavam, ninguém tirou fotos, mas depois vocês vão ver na entrevista quando for publicada.

Nem a ti.

Em princípio, não é a mim. Mas ainda bem. Mas hoje quando a entrevista sair, em princípio sairá hoje, vocês vão poder ver vídeos, por exemplo, dele na Ásia, nos Estados Unidos, com as pessoas a correr para ele, aos gritos para tirar fotos.

Se fizeres uma pesquisa na internet, "sósia alemão do Ronaldo", as fotos enganam bem.

Não.

E ele faz disso vida?

Ele faz disso vida, que é o mais interessante.

Isso é muito giro.

No fundo, a vida dele é ser o Cristiano Ronaldo. Ele tem aqui outra parte, que é para além de ser muito parecido com o Ronaldo, ele é o chamado artista de futebol freestyle, que é alguém que pega na bola e faz uns truques. Faz umas fintas, umas voltas ao mundo. E ele realmente, do que eu estive a ver, é bastante bom nesse ponto. Ou seja, ele vai sendo contratado por empresas, por clubes, por eventos, e para além de fazer a presença como duplo do Cristiano Ronaldo, ainda mostra assim uns truques com bola à malta.

Isso faz parte do Cristiano Ronaldo? Devia dar jeito, faz parte do Cristiano Ronaldo.

Se ele tivesse mais uns centímetros.

Sim, exato.

E com uns tacõezinhos, uma calça comprida para tapar os tacões. Tem que ter cuidado com o barulho.

Eu se fosse executivo da Xerox, contratava-o já para uma publicidade. Não sei se ainda há fotocópias.

Xerox, tão antigo, das fotocópias.

Ele tem feito imensas publicidades. Deu-me aqui um autógrafo também, está aqui guardado.

E como é que ele assina? CR8.

Não, pôs só Sackey.

CR6.

Seis e meio.

Pôs só Sackey. Mas há ainda aqui outro pormenor, que depois vocês e os nossos ouvintes também podem ler na entrevista, que é: ele foi a Alvalade, Alvalade ou Alcochete, fazer um teste para jogar no Sporting.

Para tentar jogar no Sporting.

E quando ele chegou, o tipo que lá estava disse: "Ó Ronaldo, outra vez? Já aqui estiveste e foste chumbado ontem."

Não, acho que a coisa não correu muito bem. Ele diz que esteve lá cinco dias, no primeiro dia foi espetacular, mas nos outros cinco já não foi bom. E como nós sabemos, pelo menos acho que ninguém se lembra disso, nunca tivemos o duplo do Cristiano Ronaldo a jogar no Sporting. Mas o resto é ler na entrevista, que deve sair em breve.

Estamos ansiosos. André Maia, conta-nos como é que vai ser o teu dia hoje. Ainda não há jogos, como é que vais sobreviver?

Tu e o Paulo Ferreira. Temos sempre de deixar esta nota.

O Paulo sabemos que é mal. Mas eu acho que hoje eu e o Paulo até podemos ter aqui um dia muito parecido.

O que é que vocês vão fazer? O que combinaram?

Diz lá, André.

É muito Portugal no nosso dia. Não sei o que é que o Paulo vai comer ao almoço.

Eu por isso tenho uma vantagem em relação a ti. Eu estou em Portugal.

Exatamente, mas é essa a questão: o Paulo se calhar vai sentar-se à mesa ao almoço, vai comer um prato português, e eu vou fazer o mesmo, porque aqui em Hamburgo, a apenas 25 minutos a pé de onde eu estou, há um bairro português. O bairro chama-se mesmo Portugiesenviertel, que em alemão é o bairro dos portugueses.

É o Little Portugal.

É um bairro que só tem cafés portugueses, restaurantes portugueses e eu obviamente que vou lá almoçar.

Vais comer sardinhas. De que é que vais comer? De que é que tens saudades?

Um bacalhau.

O meu prato favorito é bacalhau à Brás e já estou a sonhar com o bacalhau à Brás desde ontem, vou ser sincero.

Eu estou aqui a comer hambúrgueres.

Não. As refeições dos alemães são muito à base de molho. Eu sinto que praticamente 90% das refeições que fiz têm sempre molho e eu estou a precisar de alguma coisa.

É molho com qualquer coisa.

É.

Precisas de substância.

Mas estás muito numa coisa de sósias, simulacros. Ontem o sósia do Cristiano, agora uma imitação de Portugal, Portugal em ponto pequeno. Ainda apanhas um imitador do Otto Rehagel, cuidado com isso.

Atenção ao telefone.

Eu só quero o verdadeiro. Mas olhem, posso dizer também que vou tentar passar por dois sítios, que é onde começaram os Beatles. Os Beatles estiveram aqui em Hamburgo, no início da década de 60, e passaram por muitos bares, tocaram em bares. Foi aqui também que começou o mítico cabelo deles, aquela franja à tigela. Foi aqui que eles também tiveram essa ideia.

Vais falar do barbeiro.

Sim, vou estar à procura desse início deles. E depois vou passar por um campo de futebol, que é um campo de futebol aqui mítico e que é muito interessante, que é um campo que está num bunker. É um campo de futebol que está mesmo encostado a um bunker da Segunda Guerra Mundial e as pessoas vão lá jogar, vão praticamente jogar ao bunker e os bunkers até estão a aumentar aqui na Alemanha, em Hamburgo.

Amanhã vais ter muito para contar.

É isso.

E vais também dar o pulso aos portugueses aí de Hamburgo sobre o jogo de amanhã.

Com isso ainda te esqueces do jogo à noite.

Exato. E não esquecer, depois mais logo, às 18h45, vou estar na conferência de imprensa do Roberto Martínez e do jogador para a antevisão do jogo de amanhã.

André Maia, obrigada por mais um "Diário do Euro". Amanhã estás de regresso com mais novidades. Até amanhã.

Até amanhã.

Vai guardar para a felicidade, mas a bola entra por dentro. Gol! Portugal!