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Foi a verdade. Para a felicidade, batimento por dentro. Gol! Portugal!

É hora de irmos ao encontro do nosso enviado especial ao Euro 2024, jornalista André Maia, que está na Alemanha a acompanhar tudo o que se passa neste Europeu. Bom dia, André.

Bom dia. Bom dia, Maria João. Bom dia a todos.

Olá, André.

Hoje esperamos muito ouvir este gol de Portugal. Hoje, sim.

E mais do que uma vez.

Mais do que uma vez. Hoje é doer, não é? Está tudo pronto por aí, André?

Sim, é como dizia a Carla há bocado em relação àquilo que disse o Roberto Martinez ontem. De certa forma, é como se o Euro começasse agora para nós. Já começou, obviamente, já tivemos três jogos.

Foi aquecimento, não é?

Mas agora que é doer.

André, eu estava aqui a olhar para os nossos últimos resultados nas grandes competições e não temos estado muito bem nos jogos do mata-mata. Quando começa mesmo a série, como dizia Roberto Martinez, fomos eliminados nos oitavos de final, em 2018, pelo Uruguai. Depois, no Europeu de 2021, fomos eliminados também nos oitavos de final pela Bélgica. E no último mundial passámos a Suíça. Foi o único jogo que ganhámos depois de sermos campeões europeus no mata-mata e depois fomos eliminados por Marrocos. Hoje vamos ter essa capacidade de dar a volta?

Eu espero que sim, até porque Portugal até agora, como disseste, só contra a Suíça é que fez esse brilharete. O jogo até foi bom. Ganhámos 6x1, se a memória não me falha. Mas desde aí que temos tido muitas dificuldades. É verdade também que não vou dizer que calhámos sempre com grandes emblemas. O Uruguai acho que era uma equipa bastante equilibrada para Portugal eliminar no Mundial 2018. Mas, por exemplo, em 2020 jogámos contra a Bélgica, que era uma das seleções favoritas. É o facto de jogarmos contra uma Eslovénia que não é nem de perto nem de longe favorita, nem está ao nível dessas seleções que nos foram eliminando. E portanto, eu acho que aqui Portugal tem essa boa oportunidade para ganhar um bocadinho de balanço. É preciso não esquecer que, caso vençamos a Eslovénia hoje, que eu espero que aconteça, obviamente.

Esperamos todos.

Vamos ter dois grandes adversários depois, que será a França ou a Bélgica nos quartos de final, e depois a Espanha ou a Alemanha, agora sim, já confirmado, nas meias-finais. Portanto, é bom ganhar este balanço com a Eslovénia. E lá está, Bruno, eu acho que aqui a grande diferença é mesmo a qualidade do adversário, porque a Eslovénia não tem sido-- até da própria Geórgia, que são algumas das revelações deste campeonato da Europa. A Eslovénia é uma equipa perfeitamente ao alcance de Portugal, portanto, acho que aqui melhor oportunidade para quebrar esse fantasma dos oitavos de final, não há.

André, hoje estamos com algumas dificuldades na ligação porque tu estás no vigésimo andar do hotel. É por isso também.

Pois, sim.

Já não há rede.

Já chega ali e acaba.

Sim, eu não queria acordar os vizinhos, mas eu acho que vou aqui para a varanda, porque eu tenho uma pequena varanda e se calhar assim é melhor.

Já estás na varanda. Tivemos uma quebra quando passaste a porta.

Ainda não fui.

Ainda não foste? Ui! Agora sim, não foi mesmo. Agora foi e não voltou.

Na varanda, esquece. Não há rede na varanda.

André, vem para dentro.

Volta para casa. Não te constituas.

Até porque está frio.

Volta para onde estavas. Não mexe.

Vocês ainda devem estar a ouvir-me agora.

Agora sim.

Agora já estou na varanda.

Agora que estás aí abrigado, conta-nos o que é que fizeste ontem, porque anunciaste que ias a um perigoso bairro da estação de Frankfurt. O que te aconteceu? Correu tudo bem?

Correu tudo bem, sim. Eu vou falar mais agora por causa da minha mãe e da minha avó, porque é para elas ouvirem, que é para terem a certeza que está tudo bem. Correu tudo bem. Confirma-se algumas das coisas que eu esperava daquele bairro e que-

É esse o vigésimo andar.

A tecnologia não está a ajudar hoje.

Não melhorou.

Não melhorou?

Não, antes pelo contrário.

Hoje estás com um sluice. Estás com muito sluice.

Então eu, se calhar, vou para dentro outra vez.

Vai para dentro, não te incomodes.

Até porque é um favor. Está mais frio lá fora. Não sei se já me conseguem ouvir agora.

Sim, melhorou.

Pronto, estava a dizer que isto foi o jornal da Sun, o Diário da Sun de Inglaterra, é que no fundo fez rebentar aqui esta história, porque foram os ingleses que começaram a dar esta questão do bairro, porque a Inglaterra jogou no bairro e que tem alguns problemas.

Está muito difícil. Espero que o jogo logo à noite não seja assim. A ligação.

Eu também espero que sim.

Espero que a ligação entre a equipa esteja.

André, nós vamos ligar, está bem? É melhor. Vamos tentar aqui por telefone. Vamos lá. O João Costa e Silva já está a ligar-te. Paulo Ferreira, vais ver com muita emoção o jogo logo à noite, não foi? Como viste os últimos.

Eu estou aqui que não posso.

Ele ontem veio mais cedo porque não conseguiu dormir.

E viste os jogos de ontem, Paulo? Acompanhaste ao minuto. Viste aquele gol do Bellingham?

Tive que trabalhar.

Tiveste um programa para preparar.

Eu tenho um programa para preparar.

Tinha uma máquina de roupa para fazer.

Uma galinha no forno. És homem, não consegues fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Há esse problema depois.

Já temos o André Maia conosco.

Houve Grande Prémio ontem.

Pois é, e o Verstappen não ganhou.

O Verstappen não ganhou, por acaso, mas veio ao de cima ali um certo espirituzinho.

Já podemos parar de encher chouriços. Já temos o André Maia.

Não, é importante isso.

Eu estou a gostar.

Voltámos a 1834. Está na base lunar alfa o André Maia.

Já te constipaste, André, estás a ver?

Um pequeno passo para o André Maia, um grande passo para a humanidade.

Sim, a vista daqui é magnífica, a rede é que, pelos vistos, não tanto. Mas pronto, agora já me conseguem ouvir melhor.

Perfeitamente, sim.

Ótimo. O que eu estava a dizer era que confirma-se aquilo que o jornal "The Sun" tinha descrito na reportagem, ou seja, é um bairro e os portugueses que chegarem a Frankfurt através da Estação Central de Comboio vão notar isso de imediato, ou pelo menos se se aventurarem um bocadinho mais para dentro do bairro, é um bairro que tem muitas pessoas em situação de sem-abrigo, muita gente também a consumir drogas à luz do dia, foi algo que vimos perfeitamente. Mas aqui é evitar o lado esquerdo da estação, vou descrever isto para quem vier. Quem chegar à estação, que evite ir para o lado esquerdo, siga para o lado direito, porque apenas a 700 metros das ruas mais perigosas deste bairro, que é o Bahnhofsviertel, a apenas 700 metros do lado direito, está a Fanzone de Frankfurt para este Euro 2024 e, portanto, é simplesmente virar à direita. Aqui só para dar uma história muito gira que eu vou contar também para o site e também aqui em som para a rádio, que foi: eu estava a entrar em alguns restaurantes para falar com os donos dos negócios, para saber como é que se gera um negócio dentro de um bairro com estas limitações. E quando entrei numa hamburgueria, apresentei-me, disse que era jornalista de Portugal e o dono da hamburgueria virou-se para mim e disse: "Ah, és de Portugal. Então eu tenho uma coisa que acho que és capaz de vir a gostar". E foi-me buscar uma fotografia dele com o Cristiano Ronaldo. E eu fiquei: "Olha, engraçado". Mas fiquei naquela, ok, há várias pessoas que têm uma fotografia com o Ronaldo, já houve aqui algumas com quem me cruzei que me mostraram, mas ele estava vestido com um equipamento um bocadinho estranho, vestido com um polo de Marrocos. Eu perguntei: "Quando é que tiraste esta foto?" E a resposta dele foi: "Foi no final do nosso jogo, em 2018". E eu: "Como assim do nosso jogo?" Então o dono da hamburgueria tinha jogado na seleção de Marrocos e fez o Mundial 2018 e jogou contra Portugal. E então estive ali à conversa com ele. De repente, já me tinham dito para não me preocupar-se porque haveria algumas histórias que me iriam cair no colo, ou seja, que eu iria tropeçar em algumas histórias que iria contar aqui. E foi o caso, eu literalmente tropecei num antigo internacional marroquino e obviamente que de repente já não queria saber das questões de segurança e disse: "Senta-te aqui, vamos aqui falar sobre a tua carreira".

E eles mudaram de ramo.

Exato, e como é que de repente se joga o Mundial e temos uma hamburgueria num dos bairros mais perigosos de Frankfurt.

Pois é, que a vida às vezes não é tão glamorosa, não é? Como sempre a pensamos, não é? Com os internacionais de futebol. André, então e o que é que se come em vez de tremoços para acompanhar os jogos?

Olha, para além de hambúrgueres, tenho visto muito kebab, muita comida italiana também, tem sido aqui uma constante, mas ontem acompanhei com uma massinha e atum o jogo da Geórgia com a Espanha e ontem festejei bastante o golo da Geórgia, devo dizer, aqui no hotel.

Massa e atum é tão prato de solteiro.

Sim, é comida de acampamento. Mas é que não fiquei mal servido, era uma delícia. Mas gostei mais de ver o Inglaterra-Eslováquia porque estávamos na altura da conferência de imprensa no estádio de Frankfurt, eu e os jornalistas portugueses, estávamos a ver o jogo. Durante a conferência, foi normal ver várias pessoas a olhar para o telemóvel para ver quanto é que estava o jogo. Estávamos completamente confiantes. Não havia qualquer nervos quanto à possibilidade da Inglaterra ser eliminada. Eu pelo menos já estava a dar como garantido, faltava um minuto e meio. E estávamos depois na sala de imprensa quando o Gonçalo Jude Bellingham decidiu fazer um pontapé de bicicleta e a partir daí percebemos que ainda não era desta que os ingleses voltavam para casa, mas eu estou confiante que vai ser na próxima ronda.

André Maia e o Diário do Euro, que regressa amanhã, esperamos que com boas notícias do jogo desta noite entre Portugal e a Eslovénia. É às 20:00 e vai poder ouvir aqui na Rádio Observador. André Maia, bom dia e bom jogo. Até amanhã.

Bom dia. Beijinho.

Até amanhã. Beijinho.

Vai Portugal para a final. Pontapé do Bernardo Silva. Gol! Portugal, Portugal, Portugal!

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